Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. (Padre Antônio Vieira)

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Não tenhas

Não tenhas nada nas mãos
Nem uma memória na alma,
Que quando te puserem
Nas mãos o óbolo último,
Ao abrirem-te as mãos
Nada te cairá.
Que trono te querem dar
Que Átropos to não tire?
Que louros que não fanem
Nos arbítrios de Minos?
Que horas que te não tornem
Da estatura da sombra
Que serás quando fores
Na noite e ao fim da estrada.
Colhe as flores mas larga-as,
Das mãos mal as olhaste.
Senta-te ao sol. Abdica
E sê rei de ti próprio.

http://www.pessoa.art.br/?p=166

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Pedido por cãozinho

http://tpbf.wordpress.com/page/3/

10 estratégias de manipulação

"10 estratégias de manipulação", segundo Noam Chomsky

1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. "Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto Armas silenciosas para guerras tranqüilas)".

2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.

Este método também é chamado "problema-reação-solução". Cria-se um problema, uma "situação" prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.

Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.

Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo "dolorosa e necessária", obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "tudo irá melhorar amanhã" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE.

A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê?"Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver "Armas silenciosas para guerras tranqüilas")".

6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO.

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…

7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. "A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossíveis para o alcance das classes inferiores (ver 'Armas silenciosas para guerras tranqüilas')".

8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.

Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto…

9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.

Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução!

10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.

No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o "sistema" tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

O ego morre em sua própria gaiola de vidro

Num mundo tão ávido de amor, não admira que homens e mulheres fiquem cegados pelo glamour e pelo brilho de seus próprios egos refletidos. Não admira que o tiro de revólver seja a última intimação. Não admira que as rodas ferozes do metrô, embora reduzam o corpo a pedaços, não consigam precipitar o elixir do amor. No prisma egocêntrico, a vítima indefesa é emparedada pela própria luz que ela refrata. O ego morre em sua própria gaiola de vidro...


MILLER, Henry. Sexus. Tradução de Sergio Flaksman. São Paulo: Companhia das Letas, 2004. p. 265

Aux armes, citoyens

Nosso hino nacional ufana o destino do brasileiro viver "deitado eternamente em berço explêndido", o oposto ao verso mais marcante do hino da França, "aux armes, citoyens", conclamando sua população a pegar em armas sempre que o sangue impuro do inimigo merecer encharcar seu solo pátrio. Sou desprovido de inveja, mas confesso que vejo com olhar de "desejo cidadão" essa coisa de uma população se manifestar com todas as armas que pode contra aquilo que considera tirania. Não vai aqui análise do mérito sobre o que está acontecendo na França hoje, mas apenas o fato da população se indignar e partir pro pau em defesa de seus interesses, deixando claro ao mundo que nenhuma decisão governamental passará incólume, sem apoio popular, isso já basta para nós brasileiros fazermos uma reflexão.

Quando aquele lacaio da Avenida Paulista, o FHC, chamou de vagabundos -com todas as letras- os trabalhadores brasileiros que contribuíram por toda suas vidas para a previdência e, numa paulada só detonou todo o sistema aumentando o tempo de serviço, de contribuição e faixa etária para aposentadoria, o que foi que aconteceu nesse país mesmo? Nada. Assim como nada aconteceu quando o mesmo safardana -que tem 3 aposentadorias gordas- quase dobrou os impostos, elevando a carga tributária aos patamares que se encontram na atualidade. Só pra lembrar, pelo simples aumento de impostos sobre o preço do chá, os americanos do norte se uniram em estados e fizeram uma revolução tornando-se independentes da Inglaterra. Como é que temos coragem de chamar esse amontoado de nação? Que raio de cidadãos são esses que só se ufanam na hora de xingar um treinador de seleção, que não teve qualquer culpa pela saída atrapalhada do goleiro que permitiu o gol contra de um defensor e nos retirou da Copa do Mundo?

Brasileiro só se indigna quando está em buteco. Quem se organiza pra sair à rua e bradar contra safadezas ou decisões questionáveis deste, ou aquele governo? Desde os "caras pintadas", manobra orquestrada que envergonhou uma geração, ninguém sai às ruas pra reclamar de nada. Não vale os mesmos de sempre; aqueles que só se manifestam quando estão na oposição, tipo UNE, CUT ou Cepergs e coisa e tal. Quando muito os cordeiros brazucas aplaudem ao fim de uma sessão de Tropa de Elite 2.
 

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Os homens mais profundamente envolvidos com a vida

Nas poucas leituras que fiz, pude observar qe os homens mais profundamente envolvidos com a vida, os homens que moldavam a vida, os homens que eram a própria vida, comiam pouco, dormiam pouco, possuíam pouco ou quase nada. Não tinham ilusões acrca do dever, da perpetuação e sua família e seus amigos ou da preservação do Estado. Estavam interessados na verdade, e só a verdade. Reconheciam um único tipo de atividade - a criação. Ninguém podia requisitar seus serviços porque já se tinham comprometido, por conta própria, a dar tudo. E a dar gratuitamente, que é a única maneira de dar. Era esse o modo de vida que me atraía; fazia todo sentido. Era a própria vida - e não o simulacro idolatrado pelos que me cercavam.
 
MILLER, Henry. Sexus. Tradução de Sergio Flaksman. São Paulo: Companhia das Letas, 2004. p. 238-239

Devemos nos transformar em nós mesmos

O mundo só teria alguma coisa valiosa a receber de mim a partir do momento em que eu deixasse de ser um membro sério da sociedade e me transformasse em - mim mesmo. O Estado, a nação, as nações unidas do mundo, não passavam de um imenso agregado de indivíduos a repetir os erros de seus ancestrais. Eram presos à roda assim que nasciam, e nela persisitiam até a morte - e esse moinho, tentavam dignificar dando-lhe o nome de "vida".

MILLER, Henry. Sexus. Tradução de Sergio Flaksman. São Paulo: Companhia das Letas, 2004. p. 238

Ostentar seriedade

O que mais me desagradava [...] era a seriedade que ostentavam. A pessoa realmente séria é jovial, quase despreocupada. E eu desprezava as pessoas que, por carecerem de lastro próprio, carregavam o peso dos problemas do mundo. O homem que vive preocupado com a condição humana ou não tem problemas próprios ou se recusa a enfrentá-los. Estou falando da grande maioria, não dos raros emancipados que, depois de muito refletir sobre tudo, têm o privilégio de indentificar-se com toda a humanidade e, assim, desfrutar o maior de todos os luxos: servir.
 
 
MILLER, Henry. Sexus. Tradução de Sergio Flaksman. São Paulo: Companhia das Letas, 2004. p. 237

domingo, 17 de outubro de 2010

Já era

Era uma noite
De carnaval.
Ela ia bem.
Eu ia mal.
Ela na rua à pular.
Eu sentado no bar.
Eu na frieza da dor.
Ela alegria e calor.
Ela e aquele sujeito.
Eu em bêbado feito.
Eu na rua caído.
Ela meu sonho varrido.
Ela minha cura.
Eu na amargura.
Eu com asia.
Ela poesia.
Eu e ela.
O que nunca foi
E que, porém, já era.

poesia de fabiano foresti
http://fabianoforesti.blogspot.com/

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

A arte não é um número solo

Nenhum artista pode aproveitar sua vida fugindo da sua tarefa [...] A arte não é um número solo; é uma sinfonia no escuro, com milhões de participantes e milhões de ouvintes [...] na verdade é quase totalmente impossível deixar de dar expressão a uma grande idéia. Somos apenas instrumentos de um poder maior. Somos autores licenciados [...] Ninguém cria sozinho, por si e para si mesmo. O artista é um instrumento que registra algo que já existia, uma coisa que pertence ao mundo todo e que, se ele for mesmo um artista, irá sentir-se compelido a devolver ao mundo.
 
 
 
MILLER, Henry. Sexus. Tradução de Sergio Flaksman. São Paulo: Companhia das Letas, 2004. p. 160

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