Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. (Padre Antônio Vieira)

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Os paradoxos da verdade

Que demanda a perfeição parece ser imperfeito.
Embora a sua oculta plenitude plenifique todas as vacuidades.
Quem possui verdadeira plenitude é inesgotável,
por mais que se esgote.
Quem anda direito, parece torto.
Grande habilidade parece inabilidade.
Arte genuína parece mediocridade.
Movimento supera o frio.
Quietação vence o calor.
O que é puro e reto sempre orienta o mundo.

 
LAO-TSE. Tao Te King: o livro que revela deus. Tradução e notas de Humberto Rohden. 9 ed. ilustrada. São Paulo: Alvorada, c1990.

Um bom ano novo

Um bom ano novo à todos àqueles que sacanearam alguém neste ano de 2011, que agiram sem ética, egoicamente, que roubaram, que caluniaram, que mentiram, que traíram. Receberão tudo em dobro em 2012.
 
São os votos sinceros do Bibliotecário Maluco

Muitas breves tolices...

Sempre cautelosos achei os compradores e, todos, com olhos espertos. Mas também o mais esperto deles ainda compra sua mulher como nabos em saco. Muitas breves tolices – a isso chamei amor. E vosso casamento acaba com as muitas breves tolices numa única e longa estupidez. p. 97
 
 
NIETZSCHE, Friedrich W. Assim falou Zaratustra: um livro para todos e para ninguém. Tradução de Mário da Silva. 12. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003. 381 p.

Para Nadine

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Não se subordinar a nada...

Não se subordinar a nada – nem a um homem, nem a um amor, nem a uma ideia, ter aquela independência longínqua que consiste em não crer na verdade, nem, se a houvesse, na utilidade do conhecimento dela – tal é o estado em que, parece-me, deve decorrer, para consigo mesma, a vida íntima intelectual dos que não vivem sem pensar. Pertencer – eis a banalidade. Credo, ideal, mulher ou profissão – tudo isso é a cela e as algemas. Ser é estar livre. p. 234
PESSOA, Fernando. Livro do desassossego: composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1999. 534 p.

O mundo só pertence aos estúpidos

Na vida de hoje, o mundo só pertence aos estúpidos, aos insensíveis e aos agitados. O direito a viver e a triunfar conquista-se hoje quase pelos mesmos processos por que se conquista o internamento num manicómio: a incapacidade de pensar, a amoralidade, e a hiperexcitação. p. 188
PESSOA, Fernando. Livro do desassossego: composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1999. 534 p.

Considero a vida uma estalagem...

Considero a vida uma estalagem onde tenho que me demorar até que chegue a diligência do abismo. Não sei onde ela me levará, porque não sei nada. Poderia considerar esta estalagem uma prisão, porque estou compelido a aguardar nela; poderia considerá-la um lugar de sociáveis, porque aqui me encontro com outros. Não sou, porém, nem impaciente nem comum. [...] Sento-me à porta e embebo meus olhos e ouvidos nas cores e nos sons da paisagem, e canto lento, para mim só, vagos cantos que componho enquanto espero. Para todos nós descerá a noite e chegará a diligência. Gozo a brisa que me dão e a alma que me deram para gozá-la, e não interrogo mais nem procuro. Se o que deixar escrito no livro dos viajantes puder, relido um dia por outos, entretê-los também na passagem, será bem. Se não o lerem, nem se entretiverem, será bem também. p. 46-47.
PESSOA, Fernando. Livro do desassossego: composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1999. 534 p.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

A paz como vitória

A vós, não aconselho o trabalho, mas a luta. A vós, não aconselho a paz, mas a vitória. Que o vosso trabalho seja uma luta; e a vossa paz, uma vitória! p. 73

 
NIETZSCHE, Friedrich W. Assim falou Zaratustra: um livro para todos e para ninguém. Tradução de Mário da Silva. 12. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003. 381 p.

Bifaland

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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O antípoda de um décadent

(...) Pois é preciso que se dê atenção a isso: os anos em que minha vitalidade foi mais débil foram os anos em que deixei de ser pessimista: o instinto do auto-reestabelecimento me proibiu uma filosofia da miséria e do desanimo... E é nisso que se reconhece, no fundo, a vida-que-deu-certo! No fato de um homem bem educado fazer bem aos nossos sentidos: no fato de ele ser talhado em uma madeira que é dura, suave e cheirosa ao mesmo tempo. A ele só faz gosto o que lhe é salutar; seu prazer, seu desejo acabam lá onde as fronteiras do salutar passam a estar em perigo. Ele adivinha meios curativos contra lesões, ele aproveita acasos desagradáveis em seu próprio favor; o que não acaba com ele, fortalece-o. Ele acumula por instinto tudo aquilo que vê, ouve e experimenta à sua soma: ele é um princípio selecionador, ele reprova muito. Ele está sempre em sua própria companhia, mesmo que esteja em contato com livros, pessoas ou paisagens: ele honra pelo ato de selecionar, pelo ato de permitir, pelo ato de confiar. A todo o tipo de estímulo ele reage lentamente, com aquela lentidão que uma longa cautela e um orgulho desejado inculcaram nele – ele testa o estímulo que se aproxima; ele está longe de ir ao encontro dele. Ele não acredita nem no "infortúnio" nem na "culpa": ele se dá conta de si mesmo e dos outros; ele sabe esquecer...Ele é forte o suficiente a ponto de fazer com que tudo tenha de vir para o seu bem...Vá lá, eu sou o antípoda de um décadent: pois acabei de descrever a mim mesmo.
 
NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. Ecce Homo: de como a gente se torna o que a gente é. Porto Alegre: L&PM, 2002. 208 p. 17 cm

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O mosquito e o touro

Um mosquito pousou no chifre de um touro e ficou ali um bom tempo. Quando ia sair, perguntou ao touro:
- Queres mesmo que eu vá embora?
O touro respondeu:
- Assim como não senti tua chegada, não vou sentir tua partida.
Aqui ou alhures, o insignificante não causa nem o bem nem o mal a ninguém.
 
 
ESOPO. Fábulas de Esopo. Tradução de Antônio Carlos Vianna. Porto Alegre: L&PM, 2010. p. 75

A rã e o rato

Um rato do campo criou fortes laços de amizade com uma rã. Esta teve a infeliz idéia de atar a pata do rato à sua. E foram juntos pelos campos para arranjar alimento. Quando chegaram à beira de um açude, a rã arrastou o rato para o fundo, lançando-se na água com espalhafato. O pobre do rato, de tanto beber água, morreu. Como seu cadáver flutuasse, amarrado que estava à pata da rã, um milhafre veio e o levou em suas garras. A rã foi forçada a ir com ele e terminou também na pança do milhafre.
 
Tua vítima, mesmo morta, pode ainda te punir; a justiça divina a tudo vigia e, com o olho na balança, dá a cada um o que merece.
 
 
 
ESOPO. Fábulas de Esopo. Tradução de Antônio Carlos Vianna. Porto Alegre: L&PM, 2010. p. 71
 
 

sábado, 3 de dezembro de 2011

O pavão e a grua

O pavão zombava da grua por causa da cor de sua plumagem:
- Minha roupa é de ouro e púrpura, já a tua plumagem não tem nenhuma beleza.
- Só eu - respondeu a grua, canto entre as estrelas, e meu vôo me leva às alturas; tu, igual a um galo, caminhas pela terra como a galinhada.
Melhor a glória em andrajos que a desonra no fausto.
 
 
ESOPO. Fábulas de Esopo. Tradução de Antônio Carlos Vianna. Porto Alegre: L&PM, 2010. p. 48
 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

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