Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. (Padre Antônio Vieira)

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Racismo e preconceito




Este pequeno texto não tem a intenção de fazer um relato sobre Dilma ou Aécio, mas será uma fonte de críticas da atual conjuntura humana que  vivemos nas últimas semanas no Brasil.

Uma onda de Ant-Algo que não é medo do "Antes ou do Agora", mas sim uma forma relativamente óbvia de anular o debate democrático. Ser anti partidário ou se considerar intelectualmente superior é uma forma simples de negar os argumentos do outro e desfazer toda argumentação de que maiorias ou minorias democráticas se formam na diferença de opiniões e não da negação do ser. Vale lembrar que apartidário é diferente de ser anti-partidário.

Na última semana em especial, assustei-me ao perceber nas redes sociais, discursos de ódio e afirmação de que Dilma foi para o segundo turno com voto de pessoas negras e burras, nordestinas que estão presas no "cabresto" do Bolsa Família. Esta afirmação surgiu em de alguns eleitores do Estado de São Paulo que constroem através do Facebook e Twitter uma forma de organizar seus amigos e familiares para eleger Aécio presidente.

Se o voto é Secreto, como sabem que os eleitores do PT são os que tem menor escolaridade? Se o voto é secreto quer dizer que São Paulo, o Estado com o maior índice de famílias pobres brasileiras que tem o direito à transferência de renda, tem eleitores pobres mas inteligentes que não querem viver mais de Bolsa Família e os eleitores do Nordeste brasileiro são menos inteligentes? Como subsidiam estes argumentos se não for pelo preconceito social e racial?

Se o voto é Secreto como definem se quem votou era negr@ ou branc@, pobre ou rico?

Cheguei a ler também, que eleitores homossexuais preferem Dilma e Luciana Genro porquê elas não tem pudor. Porem como sabem ao certo que quem as elegeu tem essa ou aquela orientação sexual? Quem define que a comunidade LGBT é minoria ou maioria social?

A grande questão, inclusive para se enfrentar pós eleições, é que temos o dever de intensificar o debate sobre Direitos Humanos, como também, o debate sobr Raça e Classe no país qual uma parcela de sua população se identifica a cada dia com conceitos de uma economia liberal e determinantes preconceituosos. Essa parcela populacional que constrói o discurso afirmando não diferenças humanas, mas sim desigualdades e opressões.


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Leonardo Koury – Escritor, Educador, Assistente Social e Militante dos Movimentos Sociais

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