Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. (Padre Antônio Vieira)

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Sobre a riqueza

Quando se permitiu que essa riqueza comum, resultado de atividades anteriormente relegadas à privacidade do lar, conquista-se a esfera pública, as posses privadas – essencialmente muito menos permanentes e muito mais vulneráveis à mortalidade de seus proprietários que mundo comum, que sempre resulta do passado e se destina a continuar a existir para as gerações futuras – passaram a minar a durabilidade do mundo. [...] a riqueza pode ser acumulada a tal ponto que nenhuma vida individual será capaz de consumi-la, de sorte que a família, e não o indivíduo, vem a ser sua proprietária. NO entanto a riqueza não deixa de ser algo destinado ao uso e ao consumo, não importa quantas vidas individuais ela possa suprir. Somente quando a riqueza se transformou em capital, cuja função única era gerar mais capital,  é que a propriedade privada igualou [...] a permanência inerente ao mundo compartilhado por todos. [...] de outra natureza: [...] de um processo e não [...] de uma estrutura estável. Sem o processo de acumulação, a riqueza recairia imediatamente no processo oposto de desintegração através do uso do consumo. (ARENDT, 2005, p. 78-79)


ARENDT, Hannah. A condição Humana. 10 ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2005.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Eu não sei se sou...


"Eu não sei se sou uma pessoa triste com
vocação de alegre, ou vice-versa, ou do avesso.

O que sei é que, sim, há sempre alguma tristeza
nos meus momentos mais felizes, da mesma forma
que há sempre um pouco de alegria
em meus piores dias"

Mário Benedetti

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Que se foda a copa

Desculpe, Neymar
Mas nesta Copa eu não torço por vocês
Estou cansado de assistir ao nosso povo
Definhando pouco a pouco
Nos programas das TVs

Enquanto a FIFA se preocupa com padrões
Somos guiados por ladrões
Que jogam sujo pra ganhar
Desculpe, Neymar
Eu não torço desta vez

Parreira, eu vi
Aquele tetra fez o povo tão feliz
Mas não seremos verdadeiros campeões
Gastando mais de 10 bilhões
Pra fazer Copa no país
Temos estádios lindos e monumentais

Enquanto escolas e hospitais
Estão à beira de ruir
Parreira, eu vi
Um abismo entre Brasis
Foi mal, Felipão
Quando Cafu ergueu a taça e exibiu

Suas raízes num momento tão solene
Revelou Jardim Irene
Um retrato do Brasil
A primavera prometida não chegou
A vida vale mais que um gol
E as melhorias onde estão
Foi mal, Felipão
Nossa pátria não floriu
Eu sei, torcedor

http://diariocatarinense.clicrbs.com.br/sc/variedades/noticia/2014/06/autor-de-cancao-polemica-contra-a-copa-do-mundo-edu-krieger-fala-sobre-musica-futebol-e-sua-raiz-catarinense-4519898.html

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