Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. (Padre Antônio Vieira)

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

PSDB quer hackear eleição de 2018

Nunca vi darem tanta atenção a uma rede social de merda como o facebook, em nenhum país do mundo o lixo de escoa lá é levado tão a sério.... milhares de pequenos burgueses e fascistas de plantão falando merda e acreditando em suas imagens ridículas, ostentando lixo.

"Basta uma pequena análise na internet para ver que surgem dúvidas de todos os lados. Defendemos que se faça a auditoria para restabelecer a credibilidade do sistema", CREDIBILIDADE PERANTE QUEM? Facemerda?

"Além disso, o PSDB solicita acesso a todos os registros técnicos sobre a atualização do sistema de operacionalização do segundo turno da eleição presidencial; acesso aos programas de totalização de voto utilizado pelos tribunais regionais eleitorais e o TSE; e acesso aos programas e arquivos de algumas urnas eletrônicas utilizadas na eleição".

Os doentes nazi-fascistas do PSDB estão beirando a loucura. Aécio, perdeu, baixa a tua bolinha, foste enterrado nesta eleição.

Isso está cheirando tentativas de invasão do sistema na próxima eleição, quem sabe eles querem até os códigos de programação... quá 

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Por Allan Sieber

Já falei e falo de novo, nunca votei na vida. Não confio em quem se candidata a qualquer cargo. Que pretensão é essa de mandar nas pessoas e organizar as coisas? Algo podre tem. Já reparou no síndico do seu prédio? Não é uma pessoa que você vai convidar para beber, para dizer o mínimo.

Pois bem, mas nesse temerário Segundo Turno resolvi comparecer ás urnas (agora só preciso descobrir onde elas ficam, espero que não seja longe). É uma questão básica, quase como tomar uma posição quando os nazistas ocupam a França em 1940 ou em uma possível invasão zumbi: não dá pra ficar em cima do muro.

"Tirar o PT do poder" virou um mantra fashion ao lado de "não contém glútem" e "vamos comer tapioca de manhã". Brasília é como Las Vegas, uma cidade dominada por gangsters no meio do deserto. Se você quer fazer alguma coisa lá – tipo governar o Brasil – tem que jogar com os escroques. Essa histeria e desinformação, como se o PT tivesse inventado a corrupção no Brasil, é duro de engolir. Mas é fashion odiar o PT, ainda mais se você mora nesse pedaço bastante jeca do universo chamado Zona Sul Carioca, onde a "conversa" gira de comprar roupas em Miami a os últimos modelos de bicicletas dobráveis. É foda. Se não fosse a porra do mar e meu querido filho que gosta tanto de correr na praia, já tinha picado a mula do balneário.

Essa ojeriza da Classe Média Apavorada pra cima de Lula & Dilma é outra coisa intrigante . Nem aberrações como Sarney ou Collor são citados com tanto nojo. Por que? Por acaso você leram o Financial Times semana passada, gênios? "Ah, mas o FT não passa de mais um agente dos Petralhas", posso ouvir uma mula mandando essa.

Na minha modesta e tosca opinião, tudo se deve ao fato de ser insuportável para as "elites"(quem ouve sertanejo universitário não dá pra chamar de elite, mas ok) um cara como o Lula ter chegado ao poder.  – "Não!!! Tá tudo errado…Ele era…Po..POBRE!!! "

Sério mesmo que vão votar nesse playboy preguiçoso de merda, Aécio Neves? Herdeiro (ah, isso é MUITO importante), bunda mole, riquinho mimado. Ele me lembra todos chefes incompetentes e fãs de pequenos poderes que já me fizeram sofrer tanto nessa vida. Um cara que tem entre os melhores amigos pessoas tããão legais quanto Luciano Huck, Galvão Bueno ou a porra do cara do Jota Quest.

Pelo amor do Deus Inexistente, é ÓBVIO que eu vou votar na Dilma, você estão malucos?


http://allansieber.blogosfera.uol.com.br/

Snow

Acho muito estranho que ninguém está falando ou dando destaque aos votos brancos, nulos e abstenções, que somam mais de 25% da população, isso mostra, que o país não está dividido, e que o Aécio Snow, não representa este país... até parece que um cara que fez 33% no primeiro turno chegaria  a presidente, jamais...


A revista Veja e o anti-jornalismo

Por Juliana Sada

http://www.revistaforum.com.br/rodrigovianna/radar-da-midia/pesquisa-da-puc-veja-se-transformou-no-maior-fenomeno-de-anti-jornalismo/

Criada em setembro de 1968, a revista "Veja" é a publicação semanal brasileira de maior tiragem, teoricamente com cerca de um milhão e duzentos mil exemplares. Criada por Mino Carta, atualmente diretor de redação da Carta Capital, e Victor Civita – estadunidense filho de italianos, fundador do Grupo Abril – a revista foi por um longo período paradigma para o jornalismo brasileiro. Por sua redação, passaram nomes importantes da profissão; e, por suas páginas, grandes personagens da história – entre seus entrevistados estão Vinícius de Moraes, Yasser Arafat, Salvador Dalí, Tarsila do Amaral e Sérgio Buarque de Holanda.

Mas, em anos recentes, a revista tornou-se alvo de intensas críticas. Na internet, disseminam-se pequenas e grandes iniciativas de informação e contraponto ao tipo de jornalismo feito por lá. Esse mesmo Escrevinhador denunciou a entrevista que nunca existiu, mas que a revista publicou; e mostrou a história do professor que foi alvo de manipulação pelo veículo, além dapeculiar análise do semanário sobre a Bolívia .

O jornalista Fábio Jammal Makhoul decidiu debruçar-se sobre a revista Veja para formular sua tese de mestrado em Ciência Política para a PUC de São Paulo. A dissertação analisou a publicação durante o primeiro mandato de Lula , de janeiro de 2003 a dezembro de 2006. Fábio constatou que houve, de modo deliberado, uma cobertura tendenciosa com o objetivo de desestabilizar o governo. Os números são impressionantes: "40,6% da cobertura de Veja sobre o primeiro governo petista noticiou os escândalos do Planalto e, conseqüentemente, Lula e o PT de forma negativa". O governo ocupou "54 capas de Veja, das 206 publicadas no período", destas "32 tratavam de escândalos, segundo classificação da própria Veja, ou seja, 59,3% do total".

Segundo Fábio, esse sistemático ataque levou ao surgimento de inúmeras críticas que "abalaram a própria revista, que se sentiu na obrigação de reafirmar sua 'imparcialidade e independência' a todo o tempo em 2005 e 2006".

Escrevinhador entrevistou Fábio Jammal Makhoul para expor e debater seu estudo e o papel desempenhado pela revista. Confira a seguir.

Como surgiu a ideia de estudar a revista Veja?
O principal motivo que me levou a pesquisar a revista Veja é jornalístico. A degradação do jornalismo da revista nos últimos anos foi assustadora.Veja é a maior revista semanal de informação do Brasil, com tiragem superior a 1,2 milhão de exemplares. Um número muito maior que o das demais publicações do segmento. Veja é a quarta maior revista de informação do mundo e seu jornalismo já foi referência para toda mídia impressa brasileira. Mas, nos últimos anos, o semanário também se transformou no maior fenômeno de anti-jornalismo do país.

De 2005 para cá, a revista se perdeu completamente em reportagens baseadas em ilações e xingamentos, que ignoraram as regras mais básicas do jornalismo e rasgaram todos os códigos de ética da profissão. Virou um verdadeiro pasquim, com matérias que se revelaram fantasiosas e recheadas de ataques e manipulações da informação. Isso não quer dizer que o PT e o governo Lula sejam os bonzinhos da história e nem as vítimas da grande imprensa. Pelo contrário, houve erros gravíssimos na administração federal, que precisavam ser apurados e divulgados pela mídia.

Entretanto, o jornalismo da grande imprensa conseguiu ser mais antiético que os próprios políticos que eram acusados, com erros grosseiros que comprometeram a imagem desses veículos, principalmente a da revista Veja, que foi a mais engajada na tentativa frustrada de derrubar o presidente da República em 2005 e 2006.

Muito se fala sobre cobertura parcial da Veja. Por meio da sua pesquisa, foi possível constatar a veracidade dessas observações?
Sim, e nem precisava de uma pesquisa acadêmica ou mais aprofundada. Basta uma leitura simples da revista para constatar que Veja tem um lado quando o assunto é política. Hoje temos uma bipolarização partidária no Brasil, com PT e PSDB monopolizando a disputa eleitoral. E a revista Veja está claramente do lado do PSDB e completamente contra o PT. Se você pesquisar a revista desde o início dos anos de 1980 vai constatar que o Partido dos Trabalhadores e o próprio Lula nunca tiveram um tratamento positivo nas páginas de Veja.

Essa história de imparcialidade da imprensa não existe. Os veículos de comunicação são empresas e têm seus interesses e preferências políticas. O jornal O Estado de S. Paulo, por exemplo, sempre foi conservador e nunca escondeu isso. Assumir uma posição ideológica ou política não éruim. É até saudável e democrático, os grandes jornais da Europa e dos Estados Unidos fazem isso. Pelo menos, o leitor sabe claramente qual é a orientação editorial da publicação. O problema é quando se abandona o jornalismo para se transformar num panfleto político-partidário. E foi o que aconteceu com Veja de 2005 para cá.

Nos dois primeiros anos do primeiro mandato de Lula, o semanário ainda fez jornalismo, mas, ao apostar que poderia derrubar o presidente da República em 2005, perdeu a aposta e a credibilidade. Com o escândalo do "mensalão", Veja captou o antilulismo e o antipetismo da chamada classe média que lê a revista e iniciou sua campanha pelo impeachment do presidente. Só que a questão política serviu para que Veja se sentisse à vontade para cometer os abusos que quisesse. Uma coisa é a crítica política que se viu no Estadão e n' O Globo, por exemplo. Outra coisa é partir para o xingamento, como fez Veja.

Você poderia citar capas e matérias que seguramente continham distorções, inverdades, ataques ou parcialidade?
Há muitos exemplos, principalmente em 2005 e 2006. Uma das capas que mais me chamou a atenção foi a da edição de 16 de março de 2005. A revista tentou fabricar uma crise para os petistas, com uma reportagem que prometia ser "bombástica". A manchete da capa era: "Tentáculos das Farc no Brasil". Em letras menores, a revista diz que "espiões da Abin gravaram representantes da narcoguerrilha colombiana anunciando doação de 5 milhões de dólares para candidatos petistas na campanha de 2002".

A capa é chamativa, cheia de dólares ao fundo e uma foto do militante petista que teria recebido dinheiro das Farc. Embora a revista tenha considerado a reportagem forte o suficiente para ser a capa da edição, no corpo da matéria há três ressalvas de que o semanário não tinha como comprovar as acusações. O tema foi repercutido por um mês até sumir das páginas de Veja. O Ministério Público e o Congresso Nacional investigaram e não acharam nada e a revista sequer se desmentiu o publicou o final da história. Capa parecida foi a de 2 de novembro de 2005, que dizia que a campanha de Lula recebeu dólares de Cuba. A matéria é toda fantasiosa e com denúncias em off que nunca se confirmaram.

Levantamento e classificação das capas. Clique na imagem para vê-la maior.

Uma das partes da sua dissertação se intitula "O discurso político das capas". Você poderia explicitar qual é este discurso?
Nos quatro anos do primeiro mandato de Lula, o governo e o PT foram os principais temas da capa deVeja, ocupando mais de um quarto das manchetes do período. Com 49 capas negativas, a revista lançou mão de uma estratégia discursiva que visava claramente dar a Lula o mesmo destino de Collor: o impeachment. Sem sucesso neste intento, o semanário passou a trabalhar para evitar a reeleição do petista. A revista não foinada sutil em sua estratégia, pelo contrário, foi arrogante, agressiva, preconceituosa. O preconceito, aliás, foi uma das modalizações discursivas contra o governo mais utilizadas pela publicação, principalmente na capa. Desde o primeiro ano do mandato, em 2003, a revista procurou tematizar sobre a ética no PT. O enunciador sempre deixou claro que ela não passava de discurso para chegar ao poder, mas, assim que os escândalos começaram, Veja tratou de provar que o PT era pior que os demais partidos neste quesito. Entre os muitos preconceitos despejados pelo enunciador na capa está a associação entre o PT e bandidos; de traficantes a assassinos.

A suposta falta de escolaridade e de atenção dos petistas com a educação também foram bastante exploradas, sendo que o enunciador não se intimidou para fazer alusão ao animal burro em diversas ocasiões. O esquerdismo do PT também foi apresentado negativamente e de forma preconceituosa.Veja mostrou aos leitores que a máquina pública foi tomada pelos petistas, que aparelharam o Estado como fizeram os soviéticos. Aliás, autoritarismo foi outro tema explorado, que procurou mostrar um PT stalinista e ditador.

A corrupção, entretanto, foi o tema mais explorado nas capas que retrataram o PT e o governo Lula. Com uma série de escândalos em pauta, a revista usou uma das estratégias mais controversas e criticáveis: a comparação entre Lula e Collor. Comparações são sempre complicadas, mas o enunciador de Veja, posicionado e ideológico, relacionou os dois presidentes de forma simplista e forçada.

Com esta modalização discursiva, Veja pôde finalmente trabalhar pelo impeachment de um Lula sem moral, sem ética, corrupto, chefe de quadrilha, despreparado e que fez um primeiro mandato pífio, segundo as capas do semanário. Assim, a revista ousou também decretar o fim do PT. Errou em todas as apostas. Para justificar suas derrotas, Veja encontrou uma explicação baseada e mais preconceitos. Na edição de 16 de agosto de 2006, quando as pesquisas apontavam vitória fácil de Lula na disputa pela reeleição, Veja veiculou uma capa com a foto de uma jovem negra segurando o título de eleitor. A manchete era: "Ela pode decidir a eleição". O subtítulo explica quem é ela: "nordestina, 27 anos, educação média, 450 reais por mês, Gilmara Cerqueira retrata o eleitor que será o fiel da balança em outubro". Ou seja, ela é o retrato do Brasil e não dos leitores da revista, que são das classes A e B. Para esses, que o enunciador de Veja aposta que sabem votar, resta a resignação, já que os negros, pobres, analfabetos e nordestinos vão decidir as eleições.

Na introdução do seu trabalho, você apresenta a revista Veja como protagonista de escândalos. Ao que você se refere ao chamar a Vejade protagonista?
Podemos dizer que praticamente toda a chamada grande imprensa aproveitou os erros e desmandos do PT na primeira gestão do Lula para denegrir a imagem do partido e impedir a reeleição do presidente. Mas a revista Veja foi protagonista porque foi a mais enfática na campanha contra os petista e a que mais cometeu erros do ponto de vista jornalístico. Além disso, suas reportagens serviram tanto para iniciar um escândalo como para mantê-lo na pauta da mídia. Em muitos momentos, principalmente durante o escândalo "mensalão", as reportagens de Veja alimentaram os jornais diários e a própria TV.

Você afirma que "ao todo, Veja publicou 206 edições entre 1° de janeiro de 2003 e o dia 31 de dezembro de 2006. Neste período, a revista produziu 621 reportagens sobre o primeiro governo do PT. Dessas, 252 trataram dos escândalos." Isso quer dizer que, na média, havia três matérias sobre o governo por edição e sempre uma sobre algum escândalo?
Sim, e mesmo quando a matéria não era sobre escândalos, o enfoque que era dado ao Lula e ao PT era negativo. No meu trabalho deixo claro que o Partido dos Trabalhadores, uma vez no poder, cometeu uma série de irregularidades que deveria sim ser apurada e noticiada. Mas a forma com que a grande imprensa fez a cobertura, principalmente a Veja, visava apenas derrubar o PT do poder e não denunciar as mazelas do nosso sistemas político e eleitoral brasileiro, que estão no cerne do "mensalão" e de vários outros escândalos e que continuaram intactos. Muitos desses problemas que geram toda sorte de abuso de poder são antigos e foram mostrados por diversos autores.

Talvez o melhor lugar para se buscar conhecimento sobre o funcionamento da política seja na obra de Nicolau Maquiavel. Não é à toa que sua bibliografia é chamada de realismo político. Lá se encontra a pura realidade sobre a política. Para divagar um pouco, me arrisco a fazer um paralelo entre Maquiavel e o governo Lula. O PT sempre empunhou a bandeira da ética e bradou que é possível ter "pureza" dentro do jogo político e eleitoral brasileiro. Mas, para chegar ao poder, teve de lançar mão das mesmas práticas que condenava em outros partidos, assim como fez para governar o país. Um jornalismo investigativo sério e isento poderia constatar isso e denunciar de forma séria e isenta. Assim, o PT mostraria o realismo político, que desnudaria os problemas que assolam nossos sistemas político e eleitoral.

Uma cobertura sóbria, que não fosse tendenciosa ao ponto de mostrar que o governo do PSDB sim foi puro, poderia causar uma indignação suficiente para que o Brasil finalmente fizesse uma reforma que melhorasse efetivamente os nossos sistemas político e eleitoral. Mas, ao fazer uma cobertura parcial e tendenciosa, o jornalismo chamou mais a atenção do que os escândalos que noticiava, não contribuindo em nada com o país.

As capas analisadas, de 2003 a 2006, seguiram sempre o mesmo tom ao tratar do PT? É possível delimitar períodos de maiores ofensivas ou recuos? 
Veja só se manteve recuada nos ataques no primeiro ano do mandato de Lula, 2003. Em 2004, começou sua ofensiva, embora de forma meio tímida. Mas em 2005 e 2006, Lula e o PT foram os principais temas da capa. Em 2005, das 52 edições, Lula e o PT aparecem de forma negativa em 24 capas, sendo 18 delas classificadas pela própria Veja no tema escândalo. Ou seja, quase a metade das edições abordaram o presidente negativamente. Em 2006, último ano de governo, Veja publicou 15 capas sobre Lula e o PT, todas desfavoráveis em pleno ano eleitoral.

Nos quatro anos do primeiro mandato de Lula, o governo e o PT foram os principais temas da capa de Veja, ocupando mais de um quarto das manchetes do período. Foram 49 capas negativas, sendo 39 só em 2005 e 2006. Comparativamente à atuação de governos passados, o tratamento da imprensa e de Veja à gestão Lula foi muito desigual. Durante a era tucana, por exemplo, as denúncias contra o governo federal não tiveram muito destaque. Em 1997, o presidente Fernando Henrique Cardoso foi acusado de comprar votos para a aprovação da emenda que permitiu sua reeleição, havia denúncias sobre as privatizações e corrupção em vários órgãos ligados ao governo federal, como a Sudam e a Sudene. Naquele ano, apenas uma capa foi feita sobre as acusações, com a foto de Sérgio Motta, então ministro-chefe da Casa Civil, e a chamada da capa era: "Reeleição".

Já em 2005, com Lula na presidência, forma dezoito capas sequenciais durante quatro meses de puro bombardeio. Veja chegou a defender o fim do PT e que isso seria benéfico para a política brasileira, já que até na oposição sua atuação foi prejudicial para o país. Veja nunca havia defendido o fim de nenhum partido e nem usado tantos adjetivos negativos como usou para falar sobre os petistas.

Em 2006, em pleno período eleitoral, a revista veiculou cinco capas negativas para o governo, entre 23 de agosto e 25 de outubro. Isto quer dizer que as capas de metade das edições de Veja que circularam enquanto as eleições se definiam eram ruins para Lula. Enquanto isso, Geraldo Alckmin (PSDB), seu principal adversário, não apareceu negativamente em nenhuma capa de Veja neste período. Pelo contrário, neste período o candidato do PSDB era mostrado de maneira positiva. Só no período do segundo turno das eleições, Lula foi alvo de quatro reportagens de Veja e em todas elas ele aparece de forma negativa. Já Geraldo Alckmin aparece em duas matérias neste período. Ambas com abordagens positivas para o tucano.

As manchetes veiculadas nas capas estavam de acordo com a reportagem produzida ou havia discrepâncias com o intuito de chamar a atenção do leitor?
As manchetes eram mais sensacionalistas, mas as reportagens também seguiam a mesma linha. Ainda assim, é possível perceber muitas discrepâncias, como aquela capa das Farc que eu já citei. Na capa, Veja afirma que o PT recebeu dinheiro das Farc e na matéria há três ressalvas de que o repórter não conseguiu nenhuma prova. Outra capa que chama a atenção é aquela que eu também citei sobre a nordestina, negra e pobre que iria decidir a eleição em favor de Lula. O subtítulo diz que Gilmara Cerqueira tinha 27 anos. Mas na foto é possível observar a data de seu nascimento no título de eleitor e pode-se ver que ela tinha 30 anos na época e não 27 como rebaixou Veja para enquadrá-la ao perfil do eleitor médio. Ou seja, vale até mentir a idade da moça para montar um perfil da qual ela não se enquadra totalmente.

Além das capas, você analisou também os editorais da Veja. Foi possível encontrar correspondência entre a posição oficial da revista e o conteúdo por ela produzido, que em tese é independente?
As críticas que a revista Veja recebeu durante o primeiro governo Lula, principalmente nos dois últimos anos, abalaram a própria revista, que se sentiu na obrigação de reafirmar sua "imparcialidade e independência" a todo o tempo em 2005 e 2006. Durante a crise do "mensalão", Veja usou a maior parte dos editoriais de junho a dezembro de 2005 para justificar a matéria da semana anterior e ratificar seu compromisso com um jornalismo sério. Logo no primeiro editorial do início da crise do mensalão, em 1º de junho de 2005, Veja garante que "não escolhe suas reportagens investigativas com base em preferências partidárias ou ideológicas". E o curioso é que todos os editoriais das edições seguintes eram para justificar suas reportagens, sempre reafirmando uma imparcialidade que não se via nas reportagens.

Você discute o paradigma da imparcialidade e neutralidade no qual é baseado o discurso dos meios de comunicação entretanto você apresenta argumentos sobre a inviabilidade destes paradigmas se concretizarem. A partir da sua pesquisa, é possível concluir se a parcialidade da revista Veja é fruto de uma política deliberada ou consequência da inviabilidade de se fazer um jornalismo imparcial?
É fruto de uma politica deliberada. É claro que é quase impossível fazer um jornalismo totalmente isento. Mas você pode pelo menos buscar a isenção, ouvindo os dois lados, dando o mesmo peso para as diferentes versões e não utilizando adjetivos, por exemplo. Veja nem tentou ser imparcial, pelo contrário. Ela tinha uma estratégia discursiva e a seguiu até o fim com um objetivo bem claro: derrubar Lula da presidência.

Ao se contrapor ao governo Lula e ao PT, a revista Veja apresentava qual projeto para o Brasil apoiava ou qual setor o representava?
A primeira edição após a reeleição de Lula, publicada em 8 de novembro de 2006, é a que mostra mais claramente a posição da revista. A matéria de capa defende que é preciso deixar para trás a "visão tacanha" de que a miséria pode ser superada pelo "princípio bolchevique" de tirar dos ricos e dar aos pobres.

Para Veja, a miséria só será superada pela produção de riqueza e para isso "o gênio humano não concebeu nada mais eficiente do que o velho e bom capitalismo, com seus mercados livres, empreendedores ambiciosos e empresas inovadoras". Veja aconselha Lula a "aposentar para sempre a ideia de palanque de que o Brasil é como um sobrado – em que só há andar de cima e andar de baixo e, portanto, o único trabalho é fazer com que todos passem a habitar o pedaço de cima. Isso é uma interpretação tão tosca da sociedade brasileira que, na sua estupidez simplificadora, neutraliza o papel crucial e dinamizador exercido pela classe média".

Veja diz que falta ao presidente maior clareza sobre como promover de maneira mais vigorosa as condições para que a iniciativa privada produza mais conhecimento tecnológico de ponta, inove mais e multiplique seus índices de produtividade. E acrescenta: "Para fazer o país avançar, produzir riqueza e gerar justiça, o presidente Lula tem muitos desafios para superar – e um deles começa em casa. O Partido dos Trabalhadores, que se transformou numa usina de escândalos, divulgou uma nota oficial cobrando que no novo mandato Lula faça um 'governo de esquerda'. Ninguém sabe exatamente o que isso quer dizer, mas é certo que significa mandar às favas o equilíbrio fiscal e o controle da inflação em troca de um crescimento econômico tão duradouro quanto um voo de galinha".

Essa é a primeira vez na cobertura do governo Lula que Veja assume com todas as letras que fala em nome das classes mais abastadas e que defende uma política e um projeto de Estado mais à direita do que voltados para o social. Sua intenção é proteger o capital como fica claro neste texto. Para a revista, é preciso esquecer a ideia de que "o único trabalho é fazer com que todos passem a habitar o pedaço de cima". Ou seja, não interessa colocar os mais pobres no mesmo patamar dos ricos é preciso "promover de maneira mais vigorosa as condições para que a iniciativa privada produza mais conhecimento tecnológico de ponta, inove mais e multiplique seus índices de produtividade".

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Gigantesca cidade submersa descoberta no Triângulo das Bermudas


Informação veiculada na página oficial do History Channel esclarece sobre uma incrível descoberta conduzida pelos estudiosos canadenses Paul Weinzweig e Pauline Zalitzki. Os pesquisadores encontraram vestígios do que seria uma cidade submersa ao norte da costa leste de Cuba, no Triângulo das Bermudas - área também apelidada de "Triângulo do Diabo" por causa de constantes desaparecimentos não esclarecidos de aviões e barcos.

Com a ajuda de um robô-explorador de águas profundas [Robotic Ocean Vehicle - na sigla ROV], os investigadores encontraram ruínas a cerca de 700 metros de profundidade, e não demorou muito para que os achados fossem vinculados ao mito de Atlântida, um continente mencionado pelo filósofo grego Platão, que teria existido há aproximadamente 10 mil anos e que haveria sucumbido diante de um terremoto, uma erupção vulcânica ou uma inundação.

As imagens obtidas pelos especialistas permitem visualizar com nitidez construções arquitetônicas que somente poderiam ter sido feitas por homens - como monólitos com inscrições e pirâmides, uma delas feita de material cristalino, supostamente. De acordo com os cientistas, estas ruínas poderiam ser de um período pré-clássico da história do Caribe e da América Central. Ou não.

Outros relatos sobre o inesperado Achado Arqueológico

De acordo com o site especializado no estudo de estruturas piramidais espalhadas pelo globo, a noroeste da costa de Cuba, a 700 metros de profundidade, o robô submarino citado no texto acima, tirou as fotografias das ruínas de edifícios, quatro pirâmides gigantes e um objeto parecido com uma esfinge na extensão submersa que pode ser visualizada.

Especialistas sugerem que os edifícios pertencem ao período pré-clássico do Caribe e da História da América Central. Segundo estes estudiosos, a antiga cidade podia ter sido habitada por uma civilização semelhante aos habitantes de Teotihuacán (cidade fantasma de cerca de 2.000 anos, localizada a 50 km da cidade do México). 

Não é exagero considerar que as anomalias que ocorrem no Triângulo das Bermudas seja um dos grandes mistérios da humanidade: ocorrências inexplicáveis - principalmente no que se refere às constantes interferências eletromagnéticas - que resultaram em desaparecimentos de muitos aviões e navios.


Embora a descoberta das ruínas submersas tenha sido alardeada há alguns meses, desde 2002 os pesquisadores vieram a público anunciar o que haviam descobertos, ou seja, o achado arqueológico foi localizado há mais de uma década. Na época, Weinzweig declarou aos jornais:"Não sabemos ao certo o quê é, mas identificamos no fundo do mar algo relacionado à uma lenda do México (pré-hispânico), em que a tradição oral fala de uma civilização avançada de pessoas altas, de pele branca que vieram do Oriente, provenientes de uma ilha que afundou em um grande desastre natural. Ali, a palavra Atlanticu significa "nosso bom pai" ou "lugar onde descansa nosso bom pai".

Nem é necessário dizer que em 2002, a descoberta esteve cercada de incredulidade. O editor sênior da revista National Geographic, John Echave (que foi a Cuba estudar as imagens do sonar) comentou: "São anomalias interessantes mas isso é tudo que qualquer um pode dizer agora". Echave lembrou que é difícil explicar formações geológicas submarinas - a exemplo das outras que foram encontradas em outras partes do mundo, como no litoral do Japão e nas Bahamas.

O geólogo da Marinha cubana, Manuel Iturral, pediu mais amostras antes de tirar conclusões sobre o local, dizendo: "Nós temos alguns números que são extremamente incomuns, mas a natureza é muito mais rica do que pensamos". Estimando que teria levado 50.000 anos para tais estruturas terem afundado - baseado na profundidade em que foram encontradas - Iturral reconhece que há 50 mil anos atrás não havia capacidade de arquitetura para construir os complexos edifícios, em nenhuma das culturas que conhecemos.

*****
Foi necessário aguardar uma década, e em 2012, os pesquisadores obtiveram o financiamento necessário e a tecnologia adequada capaz de chegar perto das formações. O robô submarinoROV, equipado com câmeras e poderosos dispositivos de iluminação, confirmou a natureza antropológica das estruturas: de fato, são ruínas de uma cidade gigante que repousam no fundo das águas!

As ruínas incluem ao menos quatro pirâmides, sendo que uma delas comprovou-se ser totalmente confeccionada com um tipo de cristal geológico, além de outras estruturas, como magníficas esfinges e registros de uma escrita desconhecida gravada em blocos de pedra que pesam centenas de toneladas. Todo o complexo está localizado numa das extremidades do perímetro do Triângulo das Bermudas.

E aqui, mais uma vez, a ciência oficial conflita com os pesquisadores que descobriram o local. Apesar de ainda ser cedo para qualquer afirmação mais exata, os cientistas tradicionais afirmam que as ruínas pertencem a uma antiga civilização da América Central do período pré-clássico. Os exploradores canadenses, por sua vez, afirmam que as ruínas são, de fato,pertencentes à mítica Atlântida, lendário continente desaparecido, cuja menção histórica foi citada pela primeira vez, pelo filósofo Platão.

Independentemente das suas origens, o achado é revolucionário, uma das maiores descobertas arqueológicas dos últimos tempos comparável à exploração da tumba do faraó Tut-Ank-Amon e da confirmação arqueológica da Cidade de Troia. Entre as construções submarinas descobertas no Triângulo das Bermudas, as mais impressionantes são duas pirâmides gigantescas, maiores que a pirâmide de Quéops do Egito.


Uma delas teria dimensões avaliadas em 300 m de base por 200 metros de altura. Ambas foram, aparentemente, edificadas com um material semelhante a espesso vidro cristalino, com paredes lisas e translúcidas. No topo da pirâmide existem dois enormes orifícios.

Alguns teóricos especulativos cogitam que as pirâmides sejam atratores de raios cósmicos - ou ainda, que formam campos de energia de natureza quântica, criando um vácuo ou passagem capaz de tragar aqueles veículos que desapareceram ali ao longo da história.

Sei que há uma tendência quase que automática em julgar todas estas informações como sendo de procedência fake, mas recordo que os dados acima foram veiculados em muitos canais de informação que prezam pela seriedade. O próprio jornalista Luis Nassif, que dispensa apresentações (referência em jornalismo político) compartilhou a notícia em sua página

Resta aguardar novas informações detalhadas sobre o assunto. Isso é apenas a ponta do Iceberg... Melhor, é tão somente o topo de uma pirâmide - até então, esquecida por tempo incerto no fundo do oceano. 

Pontífice destaca que amor aos pobres está no Evangelho

 O papa Francisco fez um discurso nesta terça-feira (28) no Encontro Mundial dos Movimentos Populares e disse que é acusado de ser comunista só por pregar o Evangelho. "Terra. Trabalho. Casa. Estranho, mas se falo de alguns desses temas, alguns dizem que o Papa é comunista. O amor pelos pobres é o centro do Evangelho", disse o Pontífice segundo a Rádio Vaticana.

    Ainda de acordo com o líder da Igreja Católica, o evento "não responde a nenhuma ideologia". Durante o encontro, Jorge Bergoglio pediu que os movimentos populares "continuem com a luta" porque ela "faz bem para todos".

    O Encontro dos Movimentos Populares "é um sinal, um grande sinal: vem a uma missa com a presença de Deus, da Igreja, pessoas que muitas vezes têm suas vozes silenciadas". Ele ainda ressaltou que os mais pobres "não se contentam com promessas ilusórias, desculpas ou álibis. E nem podem esperar por uma ajuda de ONG, de planos assistenciais ou soluções que talvez não cheguem" fazendo com que a população, de um modo "perigoso", seja "anestesiada ou domesticada".

    Segundo o Papa, essas pessoas "querem ser protagonistas, se organizando, estudando, trabalhando, protestando e, sobretudo, praticando aquela solidariedade tão especial que existe entre aqueles que sofrem e que nossa civilização parece ter esquecido ou, ao menos, finge esquecer".

    Francisco ainda condenou os grupos que ajudam as pessoas para "domesticá-los", promovendo estratégias que não permitem o desenvolvimento das famílias e das comunidades. "Que tristeza quando alguns presuntos altruístas se reduzem à passividade e negam-se, ou pior, escondem suas ambições pessoais. Jesus disse: hipócritas", ressaltou.

    Mas, ele elogiou quando os "membros mais jovens e pobres" estão nesses movimentos. Isto, segundo Bergoglio, faz com que se possa sentir "o vento da promessa que alimenta a esperança em um mundo melhor".

    Ao falar sobre a sociedade, o sucessor de Bento XVI destacou que os movimentos populares "exprimem a necessidade urgente de revitalizar as nossas democracias, tantas vezes sequestradas por inúmeros fatores". De acordo com seu discurso, é "impossível" imaginar um "futuro para uma sociedade sem a participação protagonista da grande maioria".

    Ele finalizou dizendo que é preciso "superar o assistencialismo paternal" para ter paz e justiça, criando "novas formas de participação que incluam os movimentos populares" e "a sua torrente energia moral".

    Encontro com Morales O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, confirmou que haverá um encontro entre Evo Morales e o Papa nesta noite.

    Lombardi explicou que, como o presidente boliviano não está em uma comitiva oficial, o encontro "não foi organizado mediante aos habituais canais diplomáticos" e que a reunião será "privada e informal".

    O padre ainda disse que esse encontro simboliza "uma expressão de afeto e proximidade com o povo e a Igreja boliviana e um apoio para a melhora das relações entre as autoridades e a Igreja no país".

    Morales está em Roma como líder dos movimentos populares de seu país
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Por menos racismo e fascismo na rede

A SaferNet Brasil é uma associação civil de direito privado, com atuação nacional, sem fins lucrativos ou econômicos, sem vinculação político partidária, religiosa ou racial. Fundada em 20 de dezembro de 2005 por um grupo de cientistas da computação, professores, pesquisadores e bacharéis em Direito, a organização surgiu para materializar ações concebidas ao longo de 2004 e 2005, quando os fundadores desenvolveram pesquisas e projetos sociais voltados para o combate à pornografia infantil na Internet brasileira.


Por meio do diálogo permanente, a SaferNet Brasil conduz as ações em busca de soluções compartilhadas com os diversos atores da Sociedade Civil, da Indústria de Internet, do Governo Federal, do Ministério Público Federal, do Congresso Nacional e das Autoridades Policiais.


Nosso ideal é transformar a Internet em um ambiente ético e responsável, que permita às crianças, jovens e adultos criarem, desenvolverem e ampliarem relações sociais, conhecimentos e exercerem a plena cidadania com segurança e tranqüilidade.


Contamos com você para a construção desse mundo cibernético desejado!


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Fascistas, estreitos intelecutlamente e despolitizados

que estas pessoas eram usadas, isso é bem claro... penso que deveriam viver uma guerra, para sentir na pele o peso do fascismo... e que o povo vença novamente.


Mensagens de ódio cresceram 342% no segundo turno, turbinadas por grupos de extrema direita

Na comparação com 26 de outubro de 2013, aumento nas denúncias chegou a 662,5%

Mensagens de ódio cresceram 342% no segundo turno, turbinadas por grupos de extrema direita Reprodução/Twitter
Perfil associado a uma célula neonazista foi denunciado à ONG SaferNetFoto: Reprodução / Twitter
Grupos de extrema direita, entre eles células neonazistas, turbinaram as insatisfações dos partidários de Aécio Neves na derrota na eleição presidencial para Dilma Rousseff com mensagens de ódio, em especial contra nordestinos. Segundo a ONG SaferNet Brasil, houve um aumento de 342,03% nas denúncias de racismo e crimes semelhantes na internet no último domingo, na comparação com o primeiro turno. Neste domingo, as denúncias contra essa onda de ataques envolveram 305 novas páginas (sites, blogs, Twitter ou Facebook), enquanto no dia 5 de outubro, foram 69 ocorrências denunciadas.
A partir do resultado da votação, irrompeu uma onda de acusações contra o Nordeste por Dilma ter vencido em todos os Estados daquela região. Em comparação com o mesmo 26 de outubro, em 2013 — um dia normal, sem eleição —, o crescimento das denúncias é ainda maior: 662,5%.
SaferNet Brasil foi fundada em 2005 por um grupo de cientistas da computação, professores, pesquisadores e bacharéis em Direito para combater a pornografia infantil na internet brasileira, mas que se propagou para outros campos. Em pouco tempo, se tornou referência nacional de defesa dos direitos humanos na rede. O presidente da entidade, o advogado e professor de direito da informática Thiago Tavares Nunes de Oliveira, diz que os rastros das mansagens de racismo foram seguidos e se chegou nas suas origens. Boa parte partiu de perfis falsos ou robôs a serviço de grupos de ultradireita, 95% deles no Facebook e no Twitter.
— Foi um reflexo imediato do resultado das eleições presidenciais. Alguns eleitores do Aécio, inconformados, passaram a atuar como correio de transmissão de mensagens de ódio e discriminação contra nordestinos. Nossa preocupação é que esses eleitores propaguem e legitimem pautas e demandas que são defendidas por grupos aos quais esses eleitores certamente não pertencem — afirma Tavares.
Um perfil falso do Twitter que o advogado citou foi o @KarineMelS2, que foi muito ativo durante os últimos dias. O perfil é ligado a uma célula neonazista, já teve integrantes presos (inclusive por planejar um ataque à Universidade Federal de Brasília) e manteve ligação com o atirador de Realengo, aponta Tavares. Coletivos separatistas também têm participado dessa onda de ataques nas redes, utilizando o hashtag #movimentoseparatista, lembra o professor. Essencialmente, tratam-se de grupos do Sudeste e Sul do país, acrescenta.
Nomes conhecidos se envolveram em ataques
O deputado estadual paulista Coronel Telhada (PSDB) ganhou repercussão fora do seu Estado ao sugerir a divisão do país. Um texto publicado após a vitória de Dilma chegou a ter quase 5 mil compartilhamentos.
— Já que o Brasil fez sua escolha pelo PT, entendo que o Sul e Sudeste (exceto Minas Gerais e Rio de Janeiro, que optaram pelo PT) iniciem o processo de independência de um país que prefere esmola do que o trabalho, preferem a desordem ao invés da ordem, preferem o voto de cabresto do que a liberdade — afirmou o hoje vereador em suapágina no Facebook.
O Norte também foi atacado. Por estar a três horas a menos que Estados que adotaram horário de verão, o Acre foi acusado de ter atrasado a definição da eleição. Houve postagens do tipo "Acre atrasando o Brasil". A apresentadora Luciana Gimenez publicou "Ninguém merece esperar o Acre" em seu perfil.
Punição pelos xingamentos é difícil
O SaferNet tem um banco de dados com todas as denúncias e indícios (URL, print de páginas, endereços IP) que pode ser acessado em tempo real pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público Federal. Punições são possíveis. Em 2012, por exemplo, a estudante Mayara Petruso foi condenada a um ano, cinco meses e 15 dias de reclusão pela Justiça de São Paulo por ter postado mensagens contra nordestinos em seu perfil no Twitter, em 2010.
A lei prevê os crimes de discriminação e preconceito, mas o advogado criminalista Leonardo Pantaleão considera a punição mais difícil no caso de uma reação momentânea a um resultado eleitoral. A lei exige uma intenção mais duradoura de ofensa, segundo ele:
— Isoladamente, por si só essas manifestações não se moldam ao tipo penal. Poderia ser, se não estivessem ligadas a uma reação ao resultado da eleição.
O caso é diferente daquele da gremista que usou termos racistas contra o goleiro Aranha, do Santos. Naquela oportunidade, houve crime de injúria racial, pois a intenção dela foi ofender somente o goleiro, e conseguiu, conforme Pantaleão.
Tavares acredita que a PF deverá investigar os ataques propagados pela internet contra os nordestinos. Mas os policiais deverão focar nos grupos de extrema direita, salienta.


Do preconceito ao Nordeste para as compras de Natal
Doutor em ciência política e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Rodrigo González analisa o fenômeno antinordestino como um efeito do acirramento do processo eleitoral. Ao longo dos últimos anos, a oposição ao governo Dilma já estava mais radicalizada, e, ainda que sem generalizar, se adonou de um preconceito impregnado contra imigrantes.
— Já há o uso do preconceito por meio de piadas no Rio e em São Paulo, os Estados mais atingidos pela imigração nordestina. Isso está muito incorporado. Se percebe que dão o apelido de "Paraíba" para quem vem do Nordeste. É uma forma de diminuir a pessoa pelo habitante local, que se sente superior — diz González.
Com um sentimento da época do Império, quando só votavam os ricos, os agressores se identificam com a elite e culpam os "inferiores" pela derrota eleitoral, explica González. Uma solução, então, é limar os "inferiores" do processo eleitoral ou separá-los do país.
— O sentimento encontrou um novo canal, as redes sociais, que permitem uma onde de crescimento rápido que atinge milhões de pessoas em algumas horas — ressalta.
Tratam-se de grupos despolitizados e pouco organizados que "transferem a sua derrota para alguns culpados, botam para fora sua raiva", acrescenta o professor. González concorda que é muito difícil identificar essas pessoas:
— Quando se chegar a identificar, já se passaram dois anos. Fica a sensação: por que punir agora? Quando o tempo passou, ele já está falando em outro assunto. Mesmo daqui a algumas semanas, algumas dessas pessoas já estarão preocupadas com outra coisa. Como as compras de Natal.

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