Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. (Padre Antônio Vieira)

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Golpe, não! Intervenção. Hein?

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Imagem: Pragmatismo Político

André Falcão*

Passadas as eleições, impressionante sucessão de tolices — algumas inaceitáveis, porque crime —, mais ou menos histéricas, mais ou menos coletivas, vindas de parte da parte branquela do país, assolaram as redes sociais e televisivas, ensandecidas com a vitória da presidenta Dilma.

Leia aqui todos os textos de André Falcão

De cabeça, sem pensar muito, teve o vídeo da loura sebosa do sul, que irresignada (eufemismo para enlouquecidamente patética") com os nordestinos, pela acachapante vitória conferida à Dilma — para minha alegria e satisfação, até pela minha Maceió —, tachou-nos de toda a ordem de impropérios, para ao final, secundando-se em papai "rico" que moraria em Orlando (já comecei a rir), avisar que estaria deixando o Brasil.

Alguns dias depois, já com alguns processos nas costas, veio desculpar-se, dizendo que não foi bem assim, e que sequer pensa em deixar o país. Oh, que pena! Outra, esta do sudeste, cabelos lisos e negros cortados rente ao pescoço, esgoelava-se feito louca, dirigindo-nos os mais rasos adjetivos, ao tempo em que vaticinava (rindo mais), que a presidenta legitimamente reeleita do país não iria tomar posse em janeiro, ou porque sofreria impeachment, ou porque haveria intervenção militar. Mas não seria empossada!, gritava. Louco, aqui no texto, bem entendido, é como fdp. Você não xinga pensando na mãe do filho. O xingamento meio que já adquiriu identidade própria, entende?

Veja também: O ódio político-eleitoral no Brasil pela ótica de Slavoj Zizek

Aliás, na seara dos reclamos por novo golpe militar — que alguns mais "engraçados" ressalvam não se tratar de golpe, mas de "intervenção militar" (ai, Jesus, desculpa, eu rio muito quando os vejo realizando esse histriônico salvo-conduto) —, as mais estapafúrdias verbalizações foram produzidas. Tão impressionantemente surreais que se você não estivesse assistindo, ainda que não presencialmente, nem o mais arredio adversário de S. Tomé se atreveria a crer. Afinal, como se pode desejar a volta ao país do período mais terrível de sua história? Sem liberdade de expressão (os imbecis protestam pela volta de golpistas que jamais lhes deixariam fazer o que estão abiloladamente praticando), sem liberdade de ir e vir, sem imprensa verdadeiramente livre, sem garantias individuais e coletivas, sem combate à corrupção; mas com tirania, tortura, crueldade e covardia com os que pensam diferente.

Pirralho, meu avô Togo me dizia que educação vai muito além de estudar para ser um bom profissional. E que a ignorância era o pior dos defeitos. Passado algum tempo, entendi perfeitamente o que ele me queria dizer.

*André Falcão é advogado e autor do Blog do André Falcão. Escreve semanalmente para Pragmatismo Político

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