Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. (Padre Antônio Vieira)

domingo, 4 de janeiro de 2015

Visão clara de um americano do Brasil

Passe livre. Porque a mobilidade é um direito universal, e a imobilidade estrutural das metrópoles brasileiras é resultado de um modelo caótico de crescimento urbano produzido pela especulação imobiliária e a corrupção municipal. E com um transporte a serviço da indústria do automóvel [...] tempo de vida roubado e pelo qual, além de tudo, deve-se pagar. P. 182


A democracia foi reduzida a um mercado de votos [...] dominado pelo dinheiro, pelo clientelismo e pela manipulação midiática. P. 182-183


É nesse contexto que a reação da presidenta Dilma Roussef adquire todo o seu significado [...] a mais alta autoridade institucional declarou que tinha a obrigação de escutar a voz das ruas. E fez com que seu gesto de legitimação do movimento fosse acompanhado da recomendação, seguidas pelas autoridades locais, de se anularem os aumentos das tarifas de transporte. P. 185


O mais relevante [...] é que ressuscitou um tema perene no Brasil, a reforma política, propondo elaborar leis que investiguem e castiguem mais duramente a corrupção, um sistema eleitoral mais representativo e fórmulas de participação cidadã que limitem a partidocracia. Acima de tudo, propôs aprovar a reforma por plebiscito, para superar o bloqueio sistemático do Congresso, especializado em liquidar qualquer tentativa de reformar a si mesmo. P. 184-185


Um Congresso grotesco, com burocratas partidários e chefetes locais corruptos que por vezes resolvem suas diferenças a tiros [...] que havia proposto um decreto para tirar do MP o direito de investigar a corrupção, e que, ante a pressão das ruas, se apressou a votar contra seu próprio projeto, quase por unanimidade. Obviamente esperando fazer o mesmo por outras vias, quando as coisas se acalmarem. P. 185


[...] a preocupação da classe política [...] sobretudo a oposição [...] é como frear esse plebiscito que ameaça [...] o poder que ela detém de autorregular seus privilégios. Diatribes verbais de todo tipo, desqualificações da intenção democratizante da presidenta, batalhas procedimentais e guerrilha judicial são a prova da profunda inquietude da classe política ante a possibilidade de aliança entre um movimento social autônomo e uma Presidência democrática e democratizante. P. 185

 


CASTELLS, Manuel. Redes de indignação e esperança: movimentos sociais na era da internet. Rio de Janeiro: Zahar, 2013.

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