Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. (Padre Antônio Vieira)

terça-feira, 17 de março de 2015

Bloguerio lixo quáaaa

Reinaldo Azevedo chama a PM para impedir jornalista de cobrir manifestação

Anita Krepp, ex-funcionária da Folha, saiu de casa neste domingo, como profissional, para cobrir a manifestação anti-Dilma em São Paulo. Anita não sabia, mas já a caminho do protesto, no vagão do metrô, seria impedida de exercer livremente a sua profissão após se envolver em uma confusão com Reinaldo Azevedo, blogueiro da Veja

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O blogueiro da Veja, Reinaldo Azevedo, a caminho da manifestação anti-Dilma (reprodução)

Viomundo

Anita Krepp é jornalista. Ela foi demitida da Folha de S. Paulo em novembro de 2014, quando o jornal fez o seu último corte. Atualmente, ela cobre movimentos sociais por conta própria. Depois, distribui o material para redes sociais.

E foi como profissional que, neste domingo, 15 de março, Anita foi à manifestação anti-Dilma na Avenida Paulista. Para chegar lá, usou metrô. E já no vagão mesmo ela começou a fotografar e filmar.

Por acaso no mesmo vagão estava o jornalista Reinaldo Azevedo, colunista da Veja e Folha de S. Paulo. Ele não gostou. Embora se arvore de paladino da democracia e da liberdade de expressão, ele chamou a polícia e ameaçou Anita, dizendo que ela " acertaria as contas com a Justiça".

Segue o relato de Anita Krepp:

1. Reinaldo Azevedo chamou a polícia para me tirar do metrô porque eu tirava fotos e filmava a movimentação no vagão no qual por acaso estava ele.

2. Depois de sair escoltado pelos seguranças do metrô, como se eu, munida de um celular, oferecesse algum perigo, Reinaldo Azevedo fez nova queixa à base policial que estava entre Paulista e Consolação, desta vez, um sargento primeiro tentou impedir que eu seguisse pela Paulista e depois pediu meu documento e me fichou. Azevedo, então, começou a me filmar e dizer que eu acertaria contas com a Justiça, pois ele tinha testemunhas.

A última pergunta que lhe fiz:

– O senhor está irritado assim por que estou com camiseta vermelha [comum, sem nenhuma identificação?]

3. Ah… Depois de me filmar subindo as escadas do metrô, o Reinaldo me disse:

– Vou colocar você no meu blog, isso não vai ficar assim!

Será que Reinaldo Azevedo vai dar uma de Serra e sair pedindo cabeça de jornalista por aí?

A íntegra do depoimento de Anita:

Desde que eu saí da Folha, no passaralho de novembro passado, sigo cobrindo protestos, manifestações e outros eventos político-sociais por conta própria, para registrar um momento que de repente só passou na minha frente. E foi exatamente o que aconteceu hoje.

Estava na linha vermelha do metrô em direção à República, e depois, à Paulista, para cobrir o protesto marcado para este 15/3, filmando as pessoas quase todas vestidas de verde e amarelo, quando de repente entra no vagão o bastião dos manifestantes no jornalismo brasileiro: Reinaldo Azevedo, blogueiro da Revista Veja e colunista da Folha de S. Paulo.

Segui filmando e fotografando o vagão, desta vez, dando foco ao ilustre personagem. A gente toda o saudava e dizia coisas como "reinaldo, você nos representa". A casualidade seria apenas cômica não fosse a ira de Azevedo, que passou a me fotografar. "Vou tirar fotos suas porque se você fizer alguma merda com a minha imagem, eu te processo" disse.

Descemos na mesma estação para fazer baldeação e como as pessoas seguiam pedindo fotos, autógrafos e o bajulando de todas as maneiras possíveis, acreditei que aquele personagem poderia continuar rendendo e segui de perto o jornalista.

Incomodado com a minha presença, sempre a pelo menos dois metros de distância, Azevedo pediu que eu saísse da estação e respondi que não, afinal, sou cidadã, e que assim como ele (que também filmava e fotografava a movimentação das pessoas), tenho direito de usar o metrô e fazer registros respeitando limites.

Quando descemos na estação Paulista, Reinaldo puxou meu braço até chegarmos perto dos seguranças do Metrô. Azevedo se queixou aos guardas, de que eu o estava perseguindo havia três horas, e eu respondi que apenas estava trabalhando e o havia encontrado há poucos minutos.

Os seguranças me perguntaram se eu era jornalista e eu disse que sim. Me perguntaram para qual veículo eu trabalhava e respondi que agora sou freelancer, mas que havia trabalhado para a Folha até ano passado. Me liberaram, e seguiram escoltando Azevedo até a saída da estação, quando ele começou a me filmar, dizendo:

– Vou filmar bem você e te colocar no meu blog. Isso não vai ficar assim!

Já na esquina da Consolação com a Paulista, o jornalista pediu ajuda à polícia, fazendo a mesma queixa que havia feito aos seguranças do Metrô.

Um policial tentou me impedir de seguir pela Paulista, mas não permiti, dizendo que não estava fazendo nada de errado e que eles não poderiam me impedir de seguir. Outro policial impediu que eu passasse e me pediu documento. Me fichou e disse que faria o mesmo com Azevedo. O que na verdade não aconteceu.

Ao perceber que a ira do jornalista estava crescendo, perguntei se toda aquela animosidade se devia ao fato que eu estava usando uma camisetinha vermelha. Se fosse esse o problema, eu poderia trocar de roupa.

Já na Avenida Paulista, o blogueiro começou a encontrar amigos e a apontar para mim, de longe. Senti que minha integridade física poderia entrar em risco, caso seguisse trabalhando à sua vista em meio àquela aglomeração de gente que sequer admitia que alguma peça de roupa atravessasse a manifestação. Ao caro colega de profissão, um recado: foi a ausência do ideal democrático que me assustou, não você.

http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/03/reinaldo-azevedo-chama-a-pm-para-impedir-jornalista-de-cobrir-manifestacao.html

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