Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. (Padre Antônio Vieira)

sexta-feira, 20 de março de 2015

Boulos avisa: “vamos partir pro enfrentamento”;

vamos todos juntos
#globogolpista

Boulos avisa:

Guilherme Boulos e Jussara Basso - do MTST

Guilherme Boulos e Jussara Basso – do MTST

por João Paulo Charleaux, no Vice.com

O coordenador nacional do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), Guilherme Boulos, chamou a imprensa em São Paulo para mandar um recado curto, claro e desafiador: "A direita vai encontrar uma resistência brava e decidida" porque "os movimentos populares vão pra cima, vão partir pro enfrentamento", disse o líder sem-teto enquanto 20 mil manifestantes bloqueavam 21 avenidas e rodovias em sete Estados brasileiros, muitas delas com barricadas de pneus em chamas.

"O que vem pela frente, do nosso lado, são semanas de mobilização e enfrentamento. Nós vamos enfrentar", avisou.

Algumas horas antes, as equipes dos telejornais brasileiros tinham amanhecido tomadas por notícias de barricadas em chamas em dezenas de estradas e vias importantes das principais capitais, como no caso da Marginal do Rio Pinheiros, em São Paulo, onde 1,2 mil sem-teto estavam no horário de pico. Ao longo do dia, sites, rádios e TVs falavam dos contratempos provocados pelo protesto na vida das cidades, mas a questão de fundo é muito maior.

A mobilização aconteceu apenas dois dias depois de a oposição ao governo Dilma Rousseff (PT) ter colocado nas ruas mais de 1 milhão de pessoas em 26 capitais – pedindo a saída dela da Presidência e até golpe de Estado e volta da ditadura militar. "É a direita quem quer ir pra ofensiva. Nós não assistiremos a isso calados. Hoje foi apenas uma demonstração", falou Boulos à VICE ainda antes do início da entrevista coletiva.

Ele negou que o movimento procure levar a disputa para o lado da violência física. "O que nós queremos é um aprofundamento da democracia social, política e econômica. Agora, não dá pra ficar calado, assistindo ao desfilar de um discurso fascistas e, em nome de manter o tom pacífico, nós nos omitirmos e nos calarmos. Se esperarmos pra responder, pode ser tarde."

Ao ser perguntado por um dos jornalistas sobre a violência de queimar pneus e "impedir o direito de ir e vir", Boulos provocou: "no domingo, impediram o direito de ir e vir e (a manifestação) foi chamada de festa da democracia. Quando é sem-teto que protesta, é uma violência?". O jornalista retrucou lembrando que bonecos representando o ministro da Fazenda, Joaquim Lévy, e o ministro das Cidades, Gilberto Kassab, foram queimados no protesto do MTST, assim como bonecos de Dilma tinham aparecido na forca no domingo. O líder do movimento respondeu que "os bonecos acontecem. As manifestações têm seus símbolos. Um deles é expressar isso com bonecos. Eu prefiro não comparar casos particulares, prefiro comparar o clima geral das duas mobilizações", disse desviando de um dos debates que esquentam o mundinho das redes sociais.

A coordenadora estadual do movimento, Jussara Basso, fez coro: "no domingo usaram a insatisfação popular pra levar as pessoas pra rua pedindo golpe militar. Ninguém sabe lá o que é passar fome, o que é não ter casa pra morar, ficar na fila do SUS. Não tem necessidade de fazer comparação (sobre violência). O ato de domingo feriu a nossa dignidade."

Assim como os organizadores dos protestos da sexta-feira 13, o MTST também se equilibra numa linha fina entre defender e atacar a presidente. Foi a divergência sobre o resultado dessa equação que fez com que os sem-teto não participassem da passeata de sexta.

"Queremos que o governo acorde e tome medias populares. Não temos como defender um governo que só toma medidas contra os trabalhadores. Dilma precisa realizar o programa que a reelegeu. Precisa fazer a reforma política para o fim do financiamento privado de campanha porque a Operação Lava Jato é a prova disso. Precisa fazer a reforma tributária com taxação das grandes fortunas. Não queremos defender o governo, mas temos de ser categóricos quando há uma direita que ataca a democracia e os movimentos sociais. Não há nenhuma contradição em fazer isso e defender o governo", disse Bolulos, cobrindo com os argumentos a linha pontilhada sinuosa que os movimentos de esquerda estão tentando traçar.

Assim como as centrais sindicais foram para as ruas na sexta bradando uma pauta de reivindicações trabalhistas, o MTST também fez o mesmo hoje com a moradia. A tônica do protesto foi "contra o ajuste fiscal anti-popular conduzido pelo Ministério da Fazenda, que ceifa verbas para moradia, suspende a terceira etapa do Minha Casa, Minha Vida e corta direitos trabalhistas".

Os manifestantes também pediam "reforma urbana, contra a especulação imobiliária, além de mais políticas para lidar com despejos forçados e para regular o valor dos alugueis", disse Boulos. Por último, "as manifestações também vieram marcar posição contra a ofensiva da direita", pontuou o líder, nessa exata ordem – mostrando que o apoio à Dilma está condicionado à uma guinada na direção de movimentos sociais como o MTST e sindicais, como a CUT.

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