Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. (Padre Antônio Vieira)

domingo, 15 de março de 2015

O que seria dos protestos se não fosse a Rede Globo?

Rede Globo interrompe a programação deste domingo a cada 40 minutos para convocar, ao vivo, a população a participar dos protestos pró-impeachment em todo o Brasil. Texto usado por repórteres em todas as cidades foi idêntico: "manifestação pacífica, contra a corrupção, com mulheres, idosos e crianças pedindo democracia e fora Dilma"

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Alex Escobar, que esteve à frente do Esporte Espetacular neste domingo, passou mais tempo chamando a atenção para os protestos do que apresentando o programa esportivo

A Rede Globo entrou de cabeça na cobertura das manifestações que pedem o impeachment de Dilma Rousseff neste domingo em várias cidades do Brasil. A emissora mobilizou, como há muito tempo não se via, toda a sua estrutura com o objetivo de ampliar a visibilidade dos atos. Quase 100% dos seus jornalistas estiveram de plantão.

Durante o Esporte Espetacular, programa exibido tradicionalmente pela emissora nas manhãs de domingo, o esporte se transformou em pauta secundária. As chamadas ao vivo sobre os protestos, em tom de convocação, tomaram a maior parte da programação.

Nas entradas em todas as cidades onde aconteciam mobilizações, os microfones da emissora captaram gritos de guerra contra o atual governo e xingamentos contra a presidente. Em Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro, foi possível ouvir "Ei, Dilma, vai tomar no **".

O texto usado pelos repórteres das afiliadas da emissora para relatar as mobilizações foi idêntico: "manifestação pacífica, contra a corrupção, com mulheres, idosos e crianças pedindo democracia e fora Dilma".

Como este site já havia divulgado, a Globo anunciou esta semana que usaria o 'Globo Notícia' para criar um clima mais quente da cobertura dos protestos pró-impeachment. A emissora não costuma utilizar o expediente em eventos, mas abriu exceção para hoje. A título de comparação, as manifestações do último dia 13, que também aconteceram em todo o Brasil e defenderam a Reforma Política, não mereceram cobertura tão dedicada do maior conglomerado midiático da América Latina.

Internautas repudiaram o intento golpista da Rede Globo e alçaram, durante 48 horas ininterruptas, ahashtag #GloboGolpista para a primeira posição entre os assuntos mais comentados do Twitter.

O diretor da Rede Globo Erick Bretas, que semanas atrás defendeu abertamente o impeachment de Dilma Rousseff nas redes sociais, voltou a se pronunciar sobre os atos deste domingo e utilizou uma frase de Bob Marley para convocar o povo às ruas: "Get up, stand up", publicou em seu facebook.

Não se sabe se Bob Marley apoiaria a causa de Bretas, mas é fato que entre os princípios editoriais da Globo não está a "isenção" que tanto prega.

Ao observar os atos de domingo e comparar a realidade das ruas com a empolgação da transmissão global, o professor universitário Gilberto Maringoni, ex-candidato do PSOL ao governo de São Paulo, foi quem melhor resumiu o panorama dos atos contra Dilma. "A manifestação principal não está nas ruas, está na TV", disse.

http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/03/o-que-seria-dos-protestos-se-nao-fosse-a-rede-globo.html

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