Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. (Padre Antônio Vieira)

terça-feira, 19 de maio de 2015

Ricardo Noblat comenta agressões contra seu filho e sua neta

Com a filha de sete meses no colo, Guga Noblat foi agredido por paneleiros neste domingo quando voltava para casa na Av. Paulista. Ricardo Noblat, blogueiro de O Globo e pai de Guga comentou o episódio envolvendo o seu filho e sua neta

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(Esquerda: Guga Noblat saiu para passear com a filha e a esposa no último domingo em São Paulo. Quando voltavam para casa, trombaram com manifestantes e foram hostilizados. Direita: O colunista de O Globo, Ricardo Noblat, pai de Guga)

O repórter do CQC, Guga Noblat, foi agredido por manifestantes que protestavam contra a presidente Dilma Rousseff na Avenida Paulista neste domingo, 17, em frente ao vão do Masp. Guga, que vestia uma camiseta vermelha, estava com a filha de sete meses no colo.

"Passei pela Av Paulista voltando para casa e deu nisso. Mais uma vez fui atacado por um bando de militantes idiotas. Mesmo com minha filha no colo", protestou o repórter no Facebook, com um vídeo [ver abaixo]. Ele disse que mora ao lado do museu e "não tinha como prever" que o ofenderiam. No ano passado, Guga sofreu agressões enquanto trabalhava em uma manifestação com o mesmo viés.

"Só para esclarecer os que possam apoiar os covardes que me ofenderam. Eu estava voltando para casa com a filha no colo quando cruzei com cerca de 20 manifestantes. Moro ao lado do Masp, não tinha como prever que me ofenderiam […] Não imaginava que seriam tão baixos e doentes a ponto de me atacar, especialmente com um bebê", explicou Guga.

Alguns internautas que apoiaram os manifestantes e culparam Guga recriminaram o repórter por usar uma camiseta de cor vermelha. Outros sugeriram que se tratava de uma camisa do líder cubano Che Guevara. Guga desmentiu as suposições e publicou no Facebook uma imagem da roupa que vestia.

"Muitos disseram que saí de casa com camisa do Che Guevara para causar tumulto. Como podem ver, era uma camiseta all star (USA). Eu fui ao mercado municipal, como pode ser visto na foto (2/imagem acima). Depois voltei para casa de metro (3/imagem acima). E aí dei de cara com os covardes assim que saí do metro trianon Masp. Eram 20 pessoas na calçada do Masp. Moro exatamente na rua ao lado. Ou passava na calçada ou teria que andar no meio da rua. Não esperava ser ofendido com minha filha no colo por 20 pessoas que dizem fazer um protesto democrático. Não podia prever essa covardia. Me irritei, respondi alguns insultos antes de ir embora. Não ia sair correndo só porque 20 gatos pingados tentaram me intimidar. Tenho o direito de ir e vir para onde quiser, especialmente minha casa. E não tenho que me preocupar com a cor da camisa que uso só porque tem um povo doente que tá radicalizando a política", desabafou o repórter.

Ricardo Noblat, pai de Guga e um dos colunistas mais lidos do jornal O Globo, comentou o episódio envolvendo o seu filho e a sua neta em uma postagem no Facebook. Leia a íntegra:

A violência que atenta contra a liberdade de expressão e de pensamento, direito que deve ser assegurado a todo ser humano, merece ser reprovada com veemência venha de onde vier. Esteja a serviço do que estiver.

É uma pena que muitos enxerguem a liberdade de expressão como algo que só aos jornalistas interessa ou deve interessar. Se como jornalista sou proibido de divulgar o que pareça relevante, a sociedade perde tanto ou mais do que eu.

Deixei passar o dia para tentar me manifestar com menos emoção sobre a hostilidade sofrida por meu filho Guga Noblat, sua mulher e minha neta de sete meses quando, ontem, em São Paulo, voltavam para casa.

Eles moram atrás do MASP. No meio do caminho deles havia uma manifestação contra o PT e o governo Dilma. Alguns manifestantes reconheceram Guga da época em que ele foi repórter do CQC. Partiram para insultá-lo.

Guga, infelizmente, está provando na pele o quanto dura e arriscada pode ser a vida de um jornalista. Ele mesmo, quando adolescente em Brasília, foi vítima de uma agressão que quase o deixou com parte do rosto paralisado.

O Ministério da Justiça abriu inquérito e concluiu que a agressão tivera motivação política. Brasília era governada por Joaquim Roriz, e o jornal que eu dirigia, o Correio Braziliense, denunciava sem restrições os erros do governo.

André, meu filho mais velho, havia sido agredido dois anos antes da agressão a Guga por estudantes ligados a Roriz e a outros líderes políticos da cidade. Fui obrigado a mandá-los viver no exterior enquanto o ódio continuasse aceso por aqui.

Eu e Rebeca não criamos filhos para nós – mas para o mundo. Temos muito orgulho quando os vemos reagir com coragem e sensatez diante de dificuldades.

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