Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. (Padre Antônio Vieira)

terça-feira, 12 de maio de 2015

Vamos falar sobre sensibilidade social?

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Imagem: Pragmatismo Político

João Luis Suppi Rodrigues*, Pragmatismo Político

Injustiças com a população negra, descasos e o nosso comodismo fazem parte do cotidiano brasileiro, infelizmente a falta de sensibilidade com o outro faz com que a preocupação seja maior em relação a derrota nas eleições passadas do que com o assassinato do menino Eduardo de 10 anos, morto por um policial no morro do alemão.

O Brasil quer diminuir a maioridade penal, mas não está preocupado em fazer cumprir os direitos das crianças e adolescentes, o país quer "prender" a sua incapacidade constitucional como forma de mascarar o que realmente está acontecendo, e os dias vão se passando e o racismo continua sendo tratado como um elefante branco na sala de estar.

O olhar da sociedade e do poder público em relação às minorias muitas vezes é o de higienização. Encarcerar o preto pobre, bater na travesti até desfigurá-la e matar a criança "bandida" é a solução para tudo. Sinto muito te falar, mas você está vivendo no país da morte e da impunidade, onde a classe média reclama de barriga cheia e sempre quer mais, onde a volta pela ditadura faz unir milhões nas ruas, mas lutar pela investigação da morte de um menino não gera nenhum comentário no salão de beleza das madames. Sinto muito novamente, mas você está vivendo no país em que a policia pode prender e matar quando quiser, mas não pode prender o político ladrão do imposto pago pela mais baixa classe social.

Apanhamos, choramos e sofremos diariamente e não podemos reclamar, o Brasil é lindo, mas fazer valer direitos para muitos é "passar a mão na cabeça do trombadinha" e "só serve para criar mais bandidos" Isso tudo, por que o apresentador policial das 18:00h te diz o que você precisa saber sobre sociedade, onde a desgraça dá audiência e a violência é a forma atual mais lucrativa para as mídias, o custo entre perder uma criança negra e pobre é infinitamente inferior ao de perder um patrocinador para o tele jornal. O apresentador é uma marionete de um ciclo onde o ódio da classe média branca precisa ser alimentado diariamente, unicamente por que seu poder de aquisição está sendo ameaçado pela pouca conquista da classe mais baixa.

A Organização das Nações Unidas, diz que no Brasil o racismo é "estruturado e institucionalizado", ora, não precisamos de um relatório da ONU para nos dizer tais verdades.

Os negros no nosso país são os que mais são assassinados, são os que têm menor escolaridade, os menores salários, a maior taxa de desemprego, o menor acesso à saúde, são os que morrem mais cedo e os que têm a menor participação no Produto Interno Bruto (PIB).

No entanto, são os que mais lotam as prisões e os que menos ocupam postos nos governos. E o problema principal é viver onde isso tudo é visto como normal, onde não á questionamento sobre o papel da empregada na novela ser sempre interpretado por uma negra, onde a alienação é feita de maneira tão descarada que a população nem julga o que lhe é imposto e muito menos se preocupa em oferecer oportunidades igualitárias.

A culpabilização da vítima como forma de não ver o problema e a comparação de que caso atual é o pior, em diversas situações, talvez, seja a base que se deva mudar em nosso país, não podemos viver uma injustiça por vez, esquecendo-se da anterior, não podemos ser consumidores de noticias, devemos ser apoiadores de causas sociais. A verdade é que não apoiar a luta pela educação de qualidade, o fim da transfobia, a valorização da mulher e a proteção da infância e da adolescência, te mostra que o país é apenas o reflexo de um povo inerte e egocêntrico demais para ver a própria realidade.

*João Luis Suppi Rodrigues é acadêmico do curso de Serviço Social, Servidor Público Municipal e colabora para Pragmatismo Político


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