Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. (Padre Antônio Vieira)

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Um Iphone na Venezuela custa mesmo R$ 145 mil?

Revista Exame, da editora Abril, a mesma da Veja, estampou a seguinte manchete: "Por que o Iphone custa R$ 145 mil na Venezuela". O texto deixa subentendido que o aparelho custa esse preço e não diz que o valor é uma mentira. O que levou a revista a espalhar esse factóide?

iphone venezuela revista exame

Leonardo Mendes, DCM

A revista Exame, da editora Abril, a mesma da Veja, estampou a seguinte manchete: "Por que o Iphone custa R$ 145 mil na Venezuela".

O texto cita como causas principalmente a inflação, a alta do dólar em relação ao bolívar e a queda no preço do petróleo, o principal produto de exportação do país. Só não diz que, na verdade, esse valor é uma mentira.

Prefere deixar subentendido, na esperança de que seu leitor mais desatento não perceba esse pequeno detalhe: o preço foi encontrado no site do Mercado Livre.

Mas ora, no Mercado Livre cada um coloca o preço que quiser, no produto que quiser. Eu posso tentar vender alfafa a preço de ouro, ou vice-versa.

Então não é que o Iphone na Venezuela custe 145 mil reais, e sim que alguém colocou o aparelho a venda no mercado livre por esse preço.

Bem provável que por protesto ou brincadeira, muito mais do que na esperança de encontrar um comprador.

Se o repórter e o editor não sabem disso são analfabetos digitais, porém é mais provável que saibam, e então fica a questão: por que aquele texto?

O Iphone 6 é vendido na Venezuela por preços semelhantes aos do Brasil, mas os estoques não são reabastecidos tão depressa e em muitas lojas estão esgotados, o que, de fato, leva a um aumento do preço em sites como o Mercado Livre. Ainda assim, não há notícias de que alguém tenha pagado R$ 145 mil reais.

Trata-se de um factóide, que se aproveita da revolta coxinha contra a Venezuela, em função das recentes confusões que arrumaram por lá os senadores brasileiros aloprados, liderados por Aécio Neves, o Kim Katuguiri dos Andes, na definição do escritor Fernando Morais.

A mensagem é clara. Serve para alimentar no público de revoltados on line e kataguiris uma sensação de superioridade contra os venezuelanos, de revanche, ao mesmo tempo que os aterroriza e os engaja contra o inimigo bolivariano.

Faz isso ao atingir o temor mais profundo de um coxinha: não ter dinheiro para comprar o novo Iphone.

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