Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. (Padre Antônio Vieira)

terça-feira, 31 de março de 2015

Fwd:







G1 vê diferenças entre apanhados com drogas

G1 divide o universo dos apanhados com drogas. Por que jovens de classe média flagrados com 300 quilos de maconha não são considerados traficantes?

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Títulos do G1 para se referir a pessoas apanhadas com drogas (Imagem: JornalismoB)

Uma imagem divulgada no Facebook pela página JornalismoB retrata como a mídia tradicional reforça, cotidianamente, preconceitos e estereótipos através de suas abordagens pouco honestas.

Para o portal G1, site de notícias da Rede Globo, um grupo preso com 300 quilos de maconha no bairro da tijuca, Rio de Janeiro, no último dia 27, merece ser chamado de 'jovens de classe média'. Uma semana antes, o mesmo portal identificou como 'traficante' um homem preso em um bairro periférico da cidade Fortaleza-CE com 10 quilos de maconha.

Na lógica do referido veículo de comunicação, portar 300 quilos de maconha não configura tráfico de drogas – ao menos no título da notícia – desde que você seja branco, rico ou de classe média. Foi assim que o caso do helicóptero dos Perrella, de Minas Gerais, flagrado com 450 quilos de pasta base de cocaína sumiu do noticiário e nunca foi encarado com a seriedade necessária.

Durante o incidente do Rio de Janeiro foram também apreendidos com os traficantes duas pistolas e quatro carregadores, mas a informação foi omitida da chamada da matéria e só é possível lê-la dentro do conteúdo. No caso de Fortaleza, por sua vez, o portal destacou que o traficante preso portava uma pistola 380.

Ao se deparar com as distintas abordagens do G1, a historiadora Conceição Oliveira questionou, em seu blog, o senso de justiça e de moralidade seletivos dos 'defensores dos bons costumes'. "[a expressão] bandido bom é bandido morto vale pra 'jovens de classe média carioca com 300 kg de maconha ou a pena de morte é apenas para o bandido pobre e possivelmente negro que carrega 30 vezes menos a quantidade de maconha que os 'jovens de classe média'?"

Como disse a escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, em texto publicado no The New York Times, o Brasil ainda vive um processo de negação que é reforçado pelos grandes veículos de imprensa. E assim continuaremos enquanto minimizarmos os preconceitos e isentarmos de responsabilidade uma mídia que, até em pequenos detalhes, dissemina segregação.


Pragmatismo Político

Branco sai, preto fica

Para Brasília, só com passaporte

A proposta inconstitucional da redução da maioridade penal vai mostrar quem é mais corrupto: se o povo ou o Congresso

No filme Branco Sai, Preto Fica, em cartaz nos cinemas do Brasil, para alcançar Brasília é preciso passaporte. O elemento de ficção aponta a brutal realidade do apartheid entre cidades-satélites como Ceilândia, onde se passa a história, e o centro do poder, onde a vida de todos os outros é decidida. Aponta para um apartheid entre Brasília e o Brasil. Ao pensar no Congresso Nacional, é como a maioria dos brasileiros se sente: apartada. O Congresso mal iniciou o atual mandato e tem hoje uma das piores avaliações desde a redemocratização do Brasil: segundo o Datafolha, só 9% considera sua atuação ótima ou boa, 50% avalia como ruim ou péssima. É como se houvesse uma cisão entre os representantes do povo e o povo que o elegeu. É como se um não tivesse nada a ver com o outro, como se ninguém soubesse de quem foram os votos que colocaram aqueles caras na Câmara e no Senado, fazendo deles deputados e senadores, é como se no dia da eleição tivéssemos sido clonados por alienígenas que elegeram o Congresso que aí está. É como se a alma corrompida do Brasil estivesse toda lá. E, aqui, o que se chama de povo brasileiro não se reconhecesse nem na corrupção nem no oportunismo nem no cinismo.

Há, porém, uma chance desse sentimento de cisão desaparecer, e o Brasil testemunhar pelo menos um grande momento de comunhão entre o Congresso e o povo. Alma corrompida com alma corrompida. Cinismo com cinismo. A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara pode decidir, nesta semana, pela admissibilidade da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 171/93. Ela reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos. Se isso acontecer, a proposta, que estava engavetada desde o início dos anos 90, terá vencido uma barreira importante e seguirá seu caminho na Câmara e no Senado. Diante do Congresso mais conservador desde a redemocratização, com o crescimento da "bancada da bala", formada por parlamentares ligados às forças de repressão, há uma possibilidade considerável de que seja aprovada. E então o parlamento e o povo baterão com um só coração. Podre, mas uníssono.

A redução da maioridade penal como medida para diminuir a impunidade e aumentar a segurança é uma fantasia fabricada para encobrir a verdadeira violência. Segundo o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), dos 21 milhões de adolescentes brasileiros, apenas 0,013% cometeu atos contra a vida. Mas são eles que estão sendo assassinados sistematicamente: o Brasil é o segundo país no mundo em número absoluto de homicídios de adolescentes, atrás apenas da Nigéria. Hoje, os homicídios já representam 36,5% das causas de morte por fatores externos de adolescentes no país, enquanto para a população total corresponde a 4,8%. Mais de 33 mil brasileiros de 12 a 18 anos foram assassinados entre 2006 e 2012. Se as condições atuais prevalecerem, afirma o Unicef, até 2019 outros 42 mil serão assassinados no Brasil.

Quem está violando quem? Quem não está protegendo quem? Quem deve ser responsabilizado por não garantir o direito de viver à parte das crianças e dos adolescentes?

Há uma verdade mais dura sobre nós: a da nossa alma corrompida

Ainda assim, mais de 90% dos brasileiros, segundo pesquisa realizada em 2013 pela Confederação Nacional dos Transportes, aprovam que se coloque adolescentes em prisões que violam as leis e os direitos humanos mais básicos, no quarto sistema carcerário mais populoso do mundo, em flagrante colapso e incompetente na garantia de condições para que uma pessoa construa um outro destino que não o do crime. Se aprovada essa violação da Constituição, a segurança não vai aumentar: o que vai aumentar é a violência. E a capacidade da sociedade brasileira de produzir crime disfarçado de legalidade.

Parte da sensação de que há um exército de crianças e adolescentes perversos, prontos para atacar "os cidadãos de bem", costuma ser atribuída à enorme repercussão de crimes macabros com a participação de menores de idade. Aquilo que é exceção, ao ser amplificado como se fosse a regra, regra se torna. As estatísticas desmentem com clareza esse imaginário, mas o sentimento, reforçado por parte da mídia, seria mais forte do que a razão. Viraria então uma crença sobre a realidade, manipulada por todos aqueles que dela se beneficiam para justificar seus lucros, seus empregos e sua própria violência, esta sim amparada em números bem eloquentes.

Essa é uma parte da verdade, mas não toda. É a parte da verdade benigna para a sociedade brasileira, que só apoiaria a redução da maioridade penal por ser iludida e manipulada pela mídia ou pelos deputados ou pela indústria da segurança. Manipulada por alguém, um outro esperto e diabólico, que a levaria a conclusões erradas para obter benefícios pessoais ou para corporações públicas e privadas. Seria um alento se essa fosse a melhor explicação, porque bastaria o esclarecimento e o tratamento correto dos fatos, para que a sociedade chegasse a uma análise coerente da realidade e à óbvia conclusão de que a redução da maioridade penal só serviria para produzir mais crime contra os mesmos de sempre.

Os mesmos que clamam pela redução da maioridade penal convivem sem espanto com o genocídio da juventude negra e pobre das periferias

Há, porém, uma verdade mais dura sobre nós. É a da nossa alma apodrecida por um tipo de corrupção muito mais brutal do que a revelada pela Operação Lava Jato, com consequências mais terríveis do que aquela apontada com tanta veemência nas ruas. A cada ano, uma parte da juventude brasileira, menor e maior de idade, é massacrada. E a mesma maioria que brada pela redução da maioridade penal não se indigna. Sequer se importa. No Brasil, sete jovens de 15 a 29 anos são mortos a cada duas horas, 82 por dia, 30 mil por ano. Esses mortos têm cor: 77% são negros. Enquanto o assassinato de jovens brancos diminui, o dos jovens negros aumenta, como mostra o Mapa da Violência de 2014.

Há uma parcela crescente da juventude negra, pobre e moradora das periferias que morre antes de chegar à vida adulta. Num país em que a expectativa de vida alcançou os 74,9 anos, essa parcela morre com idade semelhante à de um escravo no século 19. E isso não causa espanto. Ninguém vai para as ruas denunciar esse genocídio, clamar para que ele acabe. São poucos os que se indignam e menos ainda os que tentam impedir esse massacre cotidiano.

Como é que vivemos enquanto eles morrem? Como é que dormimos com os gritos de suas mães? Possivelmente porque naturalizamos a sua morte, o que significa compreender o incompreensível, que dentro de nós acreditamos que o assassinato anual de milhares de jovens negros e pobres é normal. E, se essa é a realidade, a de que somos ainda piores do que os senhores de escravos, o que essa verdade faz de nós?

Acontece a cada dia. E a maioria das mortes nem merece uma menção na imprensa. Quando eu era repórter de polícia e ligava para as delegacias perguntando o que tinha acontecido nas madrugadas, sempre tinha acontecido, mas era visto como um desacontecido. "Não aconteceu nada", era a invariável resposta dos policiais de plantão. Tinham morrido vários, mas eram da cota (sim, as cotas sempre existiram) dos que podem morrer. Estas seriam as mortes não investigadas, as mortes que não seriam notícia. Crime que merecia investigação e cobertura, já era bem entendido, era de branco e, de preferência, rico, ou pelo menos classe média. Dizia-se, no passado, que a melhor escola do jornalismo era a editoria de polícia. Era, de fato, a melhor escola para compreender em profundidade as engrenagens que movem a sociedade brasileira, porque já na primeira aula se aprendia que a morte de uns é notícia, a de outros é estatística.

Assim como os senhores de escravos internalizaram que os negros eram coisas, ou, conforme o momento histórico, uma categoria inferior na hierarquia das gentes, mais de um século depois da abolição oficial da escravatura, a sociedade brasileira naturalizou que existe uma parte da juventude negra que pode ser morta ao redor dos 20 anos sem que ninguém se espante. Se de fato fôssemos pessoas decentes, não era isso o que deveríamos estar gritando em desespero nas ruas? Mas nos corrompemos, ou nunca conseguimos deixar a condição de corruptos de alma.

Em vez disso, clama-se pela redução da maioridade penal, para colocar aqueles que a sociedade não protege cada vez mais cedo em prisões onde todos sabem o quanto é corriqueira a rotina de torturas e estupros, sem contar a superlotação que faz com que em muitas celas seja preciso alternar os que dormem com os que ficam acordados, porque não há espaço para todos ficarem deitados. Como se já não soubéssemos que as unidades que internam adolescentes infratores, contrariando a lei, são na prática prisões, infernos em miniatura, com todo o tipo de violações dos direitos mais básicos. Alguém, nos dias de hoje, pode alegar desconhecer que é assim? E então, como é possível conviver com isso?

O debate na Comissão de Constituição e Justiça desceu a níveis de cloaca

Em 24 de março, no debate sobre a redução da maioridade penal na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, o deputado "delegado" Éder Mauro (PSD-PA) afirmou, conforme cobertura do portal jurídico Jota no Twitter: "Não podemos aceitar que, assim como o Estado Islâmico, que mata sob a proteção da religião, os menores infratores, bandidos infratores, menores desse país, matam sob a proteção do ECA". Como uma asneira desse porte não vira escândalo? Comparar a lei que ampara as crianças e os adolescentes com as (des)razões alegada pelo Estado Islâmico para decapitar e queimar pessoas é uma afronta à inteligência, mas a discussão na Câmara sobre um tema tão crucial desce a esse nível de cloaca. A sessão foi encerrada depois de um bate-boca em que foi preciso separar outros dois deputados. E, assim, o Estatuto da Criança e do Adolescente, uma das leis mais admiradas e copiadas no mundo inteiro, mas que infelizmente até hoje não foi totalmente implementada, é colocada na mesma frase que o Estado Islâmico. Colegas me sugeriram que não deveria dar espaço a uma declaração e a um deputado desse calibre, mas ele está lá, eleito, bem pago e vociferando bobagens perigosas no parlamento do país. É preciso levar muito a sério a estupidez com poder, uma lição que já deveríamos ter aprendido.

Os manifestantes de 15 de março, que protestaram contra a corrupção, tiraram selfies com uma das polícias que mais mata no mundo

É verdade que "a carne mais barata do mercado é a carne negra". É o que descobriu Alan de Souza Lima, de 15 anos, em fevereiro, na favela de Palmeirinha, em Honório Gurgel, subúrbio do Rio. Morreu com o celular na mão, e só por isso deixou de ser apenas estatística para virar narrativa, com nome e sobrenome e uma história nos jornais. Alan estava conversando com mais dois amigos e gravava um vídeo no celular. Acabou documentando a sua agonia, depois de ser baleado pela polícia. Como de hábito, a corporação alegou o famoso "confronto com a polícia", o argumento padrão com que a PM costuma justificar sua assombrosa letalidade, uma das campeãs do mundo. E de imediato acusaram os três de estarem armados e de resistirem à prisão. Mas Alan morria e gravava. A gravação, que foi para a internet, mostrava que não resistiram. Chauan Jambre Cezário, de 19 anos, foi baleado no peito. Ele vende chá mate na praia e sobreviveu para dizer que nunca usou uma arma. A culpa dos garotos era a de viver numa favela, lugar onde a lei não escrita, mas vigente, autoriza a PM a matar. No vídeo há uma frase que deveria estar ecoando sem parar na nossa cabeça. Quando um dos policiais pergunta aos garotos por que estavam correndo, um deles responde:

- A gente tava brincando, senhor.

A frase deveria ficar ecoando na nossa cabeça até que tivéssemos o respeito próprio de nos levantarmos contra o genocídio cotidiano de parte da juventude do Brasil.

A gente tava brincando, senhor.

A gente tava brincando, senhor.

A gente tava brincando, senhor.

A gente tava brincando, senhor.

A gente tava brincando, senhor.

A gente tava brincando, senhor.

A gente tava brincando, senhor.

A gente tava brincando, senhor.

A gente tava brincando, senhor.

A gente tava brincando, senhor.

A gente tava brincando, senhor.

 A gente tava brincando, senhor. E então o senhor atirou. Feriu. Matou.

Aqueles que foram para as ruas bradar contra a corrupção tiraram selfies com uma das polícias que mais mata no mundo. Só a Polícia Militar do Estado de São Paulo, governado há mais de 20 anos pelo PSDB, matou, em 2014, uma pessoa a cada dez horas. Se os manifestantes que tiraram selfies com a PM no protesto de 15 de março na Avenida Paulista admiram a corporação pela eficiência, precisamos compreender o que esses brasileiros entendem por corrupção, no sentido mais profundo do conceito.

Numa pesquisa da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), intitulada "Desigualdade Racial e Segurança Pública em São Paulo", as pesquisadores Jacqueline Sinhoretto, Giane Silvestre e Maria Carolina Schlittler chegaram a conclusões estarrecedoras. Pelo menos 61% das vítimas mortas por policiais são negras. E mais da metade tem menos de 24 anos. Já 79% dos policiais que mataram são brancos. O fator racial é determinante: as ações policiais vitimam três vezes mais negros do que brancos. As mortes são naturalizadas: apenas 1,6% dos autores foram indiciados como responsáveis pelos crimes. É a Polícia Militar a responsável por 95% da letalidade policial no estado de São Paulo.

Em fevereiro, a PM de Salvador executou 12 jovens no bairro de Cabula. Um. Dois. Três. Quatro. Cinco. Seis. Sete. Oito. Nove. Dez. Onze. Doze.

O que o governador da Bahia disse, depois dos corpos tombados no chão pela polícia que comanda? A comparação jamais deve ser esquecida. Depois de parabenizar a PM, Rui Costa (PT-BA) comparou a posição do policial diante de suspeitos a de "um artilheiro em frente ao gol, que tenta decidir, em alguns segundos, como é que ele vai botar a bola dentro do gol, pra fazer o gol". Rui Costa foi aplaudidíssimo.

O futebol continua dizendo muito sobre o Brasil: botar uma bala no corpo de um negro é o mesmo que fazer gol, diz o governador baiano

É isso. Enfiar uma bala no corpo de jovens negros e pobres das periferias é fazer como a Alemanha no icônico 7X1 contra o Brasil: "botar a bola dentro do gol". E isso dito não nos tempos de Antônio Carlos Magalhães, o poderoso coronel da Bahia, mas pelo governador do Partido dos Trabalhadores, supostamente de esquerda. O futebol continua dizendo muito sobre o Brasil.

É por isso que, no filme Branco Sai, Preto Fica, quem é negro e pobre precisa de passaporte para entrar em Brasília. O título do filme é a frase berrada pela polícia ao invadir um baile no "Quarentão", na Ceilândia, na noite de 5 de março de 1986, onde jovens dançavam, depois de passar a semana ensaiando os passos. A PM entrou gritando: "Puta de um lado, Veado do outro. Branco sai, Preto fica". Quase três décadas depois, Marquim do Tropa e Shockito são atores interpretando em grande parte o seu próprio papel. Marquim para sempre numa cadeira de rodas pelo tiro que levou, Shockito com uma perna mecânica depois de ter perdido a sua pisoteada por um cavalo da polícia. Resultado do Branco Sai, Preto Fica daquela noite. Sem passaporte para fora do massacre porque, na condição de pretos, eles ficaram.

Branco Sai, Preto Fica tem sido descrito como uma mistura especialmente brilhante entre documentário e ficção científica, com nuances de humor. Ganhou o prêmio de melhor filme no Festival de Brasília de 2014 e chegou há pouco aos cinemas do país. Para mim, o filme de Adirley Queirós se iguala, na potência do que diz sobre o Brasil e na forma criativa como diz, às dimensões do já mítico Bye Bye Brasil, de Cacá Diegues. São filmes que falam de Brasis diferentes, em momentos históricos diferentes, e, também por isso, falam do mesmo Brasil.

É do futuro, do ano de 2073, que vem outro personagem, Dimas Cravalanças, cuja máquina do tempo é um contêiner. A Ceilândia do presente lembra, sem necessidade de nenhum esforço de produção, um cenário pós-apocalíptico. Cravalanças tem a missão de encontrar provas para uma ação contra o Estado pelo assassinato da população negra e pobre das periferias. A voz que o orienta do futuro alerta: "Sem provas, não há passado".

A Comissão da Verdade da Democracia vai investigar os crimes cometidos pelo Estado

Só na ficção para responsabilizar o Estado pelo genocídio cotidiano da juventude pobre e negra? Quase sempre, sim. Mas algo se move na realidade, com pouco apoio da maioria da sociedade e escassa atenção da mídia. No fim de fevereiro, foi instalada na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo a Comissão da Verdade da Democracia "Mães de Maio". Sua criação é uma enormidade na história do Brasil, um marco. Depois de apurar os crimes da ditadura, uma comissão para investigar os crimes praticados pelo Estado na democracia. Em busca de provas no passado recente para que tenhamos um futuro.

"Mães de Maio", que empresta o nome à comissão, é um grupo de mulheres que perderam seus filhos entre 12 e 20 de maio de 2006, quando uma onda de violência tomou São Paulo a partir de confrontos da polícia com o crime organizado. Foram 493 mortes neste período, pelo menos 291 delas ligadas ao que se convencionou chamar de "crimes de maio". Pelo menos quatro pessoas continuam desaparecidas. Edson Rogério, 29 anos, filho de Debora Maria da Silva, líder do "Mães de Maio", foi executado com cinco tiros. A suspeita é de que os autores do assassinato sejam policiais. Segundo Debora, seu filho gritava antes de ser morto: "Sou trabalhador!". Seu assassinato segue impune. Edson morreu na mesma rua que, como gari, havia varrido pela manhã.

Nem as centenas de assassinatos de maio de 2006, nem as mortes aqui relatadas ocorridas há pouco, exemplos do genocídio cotidiano, moveram sequer um milésimo da revolta provocada por crimes com a participação de menores em que foram assassinados brancos de classe média ou alta. Seria demais esperar que um assassinato fosse um assassinato, independentemente da cor e da classe social? Menos que isso é aceitar que a vida de uns vale mais do que a de outros, e que essa hierarquia é dada pela cor da pele e pela classe social. Se é assim que você compreende o valor de uma pessoa, diga o que você é diante do espelho. Não para o mundo inteiro, para você mesmo já basta.

Sim, esse Congresso comandado por dois políticos investigados por corrupção é, ressalvando as exceções, que também existem, uma vergonha. Mas minha esperança é que, no que se refere à proposta inconstitucional da redução da maioridade penal, o Congresso seja melhor do que o povo brasileiro. Tenha grandeza histórica pelo menos uma vez e diga não a nossas almas tão corrompidas.

Enquanto isso se desenrola em Brasília, vá ver Branco Sai, Preto Fica. Ao sair do cinema, você saberá que um jovem, quase certamente negro, morreu assassinado no Brasil enquanto você estava lá.

Eliane Brum é escritora, repórter e documentarista. Autora dos livros de não ficção Coluna Prestes - o Avesso da Lenda, A Vida Que Ninguém vê, O Olho da Rua, A Menina Quebrada, Meus Desacontecimentos e do romance Uma Duas. Site: descontecimentos.com Email: elianebrum.coluna@gmail.com Twitter: @brumelianebrum

Base ideológica

Por Igor Felippe

O professor de história na Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Lucas Patschiki, pesquisa a continuidade e transformações do fascismo do começo do século 20 até agora.

No Brasil, ele estuda o portal de extrema-direita Mídia Sem Máscara, dirigido pelo filósofo Olavo de Carvalho, e o Instituto Millenium, que reúne diretores, colunistas, comentaristas e blogueiros vinculados aos grandes meios de comunicação.

Segundo ele, a onda conservadora que avança no Brasil é um fenômeno mundial, ligado ao enfraquecimento da democracia burguesa, à crise do capitalismo a partir de 2008 e às dificuldades do modelo neoliberal de encontrar uma saída para o seu projeto econômico.

Essa onda conservadora se manifestou nas eleições de 2014, com a votação expressiva de ícones da direita para o Congresso Nacional, e explodiu nas ruas com os protestos do dia 15 de março, quando segmentos extremistas catalisaram o sentimento de indignação de milhares de brasileiros.

No caso brasileiro, afirma Patschiki, a ascensão de atores conservadores pegou carona na doutrina do "anticomunismo preventivo", que norteou a atuação da mídia hegemônica nos últimos 12 anos, como forma de pressão para que o PT cumprisse os acordos com a classe dominante e o imperialismo.

"O anticomunismo serviu como base ideológica comum para o espectro fascista da sociedade, um movimento organizador visando o acirramento da luta de classes, tendo como expectativa a crise aberta. O fascismo, como fenômeno surgido com o imperialismo, tem como função política e social primária reorganizar o bloco no poder de maneira brutal durante a crise aberta, para a manutenção e reprodução da sociedade de classes, o que denota seu caráter de organização visando a luta contra a classe trabalhadora e, de maneira geral, de luta contra qualquer avanço democratizante", afirma.

Abaixo, leia trechos da entrevista.

Incapacidade do Estado

Vivemos historicamente uma ofensiva violenta do capital contra o trabalho sob a égide do neoliberalismo, e isto tem consequências que atingem a totalidade da sociedade. Para o que nos interessa discutir aqui, temos de sublinhar o deslocamento dos centros de decisão política. Há um esvaziamento da capacidade de universalização de direitos pela via parlamentar-eleitoral burguesa, que acaba por ser inundada pela pequena política (a política que é incapaz de mudar os rumos do Estado). Mas este esvaziamento não se traduz em uma crise de direção política, pois a capacidade de decisão é deslocada para esferas corporativas na ossatura material do Estado, no caso brasileiro notadamente para o Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), lugar de construção de consensos sociais em favor do capital.

Onda conservadora

Com a crise de 2008, crise estrutural do capital, há uma ascensão de projetos, pautas e movimentos de cunho chauvinista, xenófobo e mesmo fascista. Eles são financiados abertamente pelo grande capital e servem tanto para se colocarem como possibilidade em caso de crise de direção política quanto para constituírem uma base social de sustentação e apoio ativo ao incremento da violência estatal, diante do esvaziamento das formas de resolução política formal da democracia burguesa. O caso mais claro é o do Tea Pparty estadunidense. Ou seja, há uma correlação fundamental entre a ascensão fascista, o aumento (qualitativo e quantitativo) da violência e autoritarismo estatal e o programa neoliberal.

Anticomunismo preventivo

No caso brasileiro, a ascensão desses atores foi motivada pela justificativa do "anticomunismo preventivo", mote para a atuação raivosa da mídia hegemônica nos últimos 12 anos: elemento de pressão para que o Partido dos Trabalhadores em suas gestões federais cumprisse os acordos acertados com a classe dominante e o imperialismo. O anticomunismo serviu como base ideológica comum para o espectro fascista da sociedade, um movimento organizador visando o acirramento da luta de classes, tendo como expectativa a crise aberta. O fascismo, como fenômeno surgido com o imperialismo, tem como função política e social primária reorganizar o bloco no poder de maneira brutal durante a crise aberta, para a manutenção e reprodução da sociedade de classes, o que denota seu caráter de organização visando a luta contra a classe trabalhadora e, de maneira geral, de luta contra qualquer avanço democratizante.

Intelectuais do conservadorismo

Intelectuais, colunistas e blogueiros conservadores disseminaram suas pautas por todo o campo político. Mas a atuação destes tem objetivos políticos mais profundos que o eleitoral, eles buscam a conformação cultural e ética de todo um modo de ser, visando prioritariamente a pequena e nova pequena burguesia. Existe uma série de marcos ideológicos que "pegaram", tornaram-se referência para esses diferentes atores: a suposta existência de um movimento revolucionário de cunho gramsciano, corporificado no PT; que existiria a possibilidade da transformação automática de uma gestão presidencial sob a democracia burguesa em um regime de esquerda, o que remetem ao bolivarianismo; que as universidades e o conhecimento teria um filtro ideológico inevitável e que no caso brasileiro seria o de esquerda; que os diferentes movimentos de contestação ou de reconhecimento (caso das lutas pelo casamento LGBTs, por exemplo) possuem o mesmo sentido político comunista (conscientemente ou não). São variações sobre uma matriz anticomunista, que nem mesmo é original, já que é reprodução de discursos semelhantes estadunidenses ou europeus.

Sem resistência

O PT não cumpriu nenhum combate a esse tipo de discurso, inclusive, a partir de determinado momento, passou até a se apropriar dele de maneira pragmática, como elemento ideológico de distinção entre o seu programa e os demais, o que foi explorado amplamente na eleição. E por fim, a partir das Jornadas de 2013, há uma nova compreensão sobre as possibilidades da atuação do PT como gestor federal e mesmo sob os limites da democracia burguesa, o que se manifestou tanto na organização da esquerda quanto nos votos nulos e abstenções, abrindo espaços para a reação.

PT no governo

O PT das gestões federais é um partido que reivindica simbolicamente seu passado histórico como esquerda, bem longe de ter uma pauta ou um programa de esquerda. PT e CUT migraram para um projeto de 'reforma dentro da ordem' que evoluiu posteriormente para a 'reprodução da ordem' nos marcos do padrão de acumulação neoliberal e da autocracia burguesa reformada". A "composição do blocão" tem a ver como o modo pelo qual o PT se conformou como gestor autorizado do Estado capitalista, ou seja, suas mudanças deram-se exatamente por sua institucionalização, seja nos marcos da democracia parlamentar-eleitoral ou pelo sindicalismo de Estado. Essa nova correlação de forças levou a ofensiva neoliberal a um novo padrão hegemônico, os limites que antes a esquerda balizava passaram a serem violentamente esgarçados. Mas é preciso deixar claro, somente a ascensão petista não explica a conformação desta "nova direita" fascista, sua emergência ocorre exatamente por ser o projeto histórico e social neoliberal incapaz de solucionar as suas crises.

Combustível neoliberal

O neoliberalismo serve como terreno que alimenta o fascismo. Se estes atores fascistas ainda não apresentam-se plenamente no Brasil é porque a conjuntura ainda não os fez "necessários". Mas não podemos nos dar ao luxo de esperarmos, visto que a violência contra os que "não consentem" já está posta como prática política – e de maneira crítica, pois acumpliciada por um partido que se reivindica como "dos trabalhadores". Não é preciso ir muito longe para visualizar o quadro terrível que já vivemos: no campo, a violência aberta contra indígenas, posseiros, movimentos sem-terra, militantes dos direitos humanos, etc.; nas cidades, a brutalidade do aparelho repressivo do Estado nas periferias, favelas, ocupações, remoções, manifestações, etc. Que os exemplos da Grécia, da Ucrânia e agora também do México sirvam como alerta.

Antecedentes da onda

Trabalho com a continuidade e transformações do fascismo durante os séculos XX e XXI, analisando este fenômeno como característico da fase imperialista do capitalismo, e que portanto, possui plena possibilidade de ressurgir. Eu entendo estes partidos e movimentos através de suas três "ondas" históricas, formulação de Jean-Yves Camus. A primeira onda histórica seria a do fascismo clássico. A segunda onda corresponde aos fascismos do Pós-Guerra, ou seja, o movimento de transformação exigido aos partidos e regimes (Portugal e Espanha) para sua manutenção, assinalando duas de suas maiores mudanças ideológicas: o abandono do corporativismo, típico da primeira onda, e a justificativa maior de sua existência marcada pelo anticomunismo preventivo, ou seja, a defesa de um modelo democrático altamente formal e restritivo, dentro da conjuntura geopolítica da Guerra Fria (o Tea Party remete sua origem a esta onda, cujo expoente naquele país foi o movimento macarthista).

Atualidade

A terceira onda ocorre durante e após os anos oitenta, quando os partidos fascistas passam a assumir o projeto econômico ultraliberal, assumindo uma postura de defesa "cultural" de cunho xenófobo. Embora estas peculiaridades assumam um formato "geracional", na prática, isto não ocorre, pois, grupos com distintas características (assinaladas simplificadamente através das ondas) afloram no espectro fascista dentro de uma mesma temporalidade histórica. Em especial na contemporaneidade, cabendo a cada um destes grupos a atuação em uma frente específica, no "espectro" fascista da sociedade. Portanto, sua ascensão é de escala global e acompanha a crise estrutural do capital, onde o capital não oferece mais soluções para as questões estruturais globais, uma crise civilizacional.

 http://www.revistaforum.com.br/rodrigovianna/plenos-poderes/anticomunismo-e-base-ideologica-comum-para-o-espectro-fascista-brasil-afirma-historiador/

Comissão da Memória e Verdade

A Comissão da Memória e Verdade da UFSC irá iniciar seus trabalhos públicos nesta quarta. dia 1º de abril, às 9h, com a palestra "O legado da Comissão Nacional da Verdade à sociedade brasileira", ministrada pela advogada e professora universitária Rosa Maria Cardoso da Cunha, no auditório da Reitoria. Rosa Maria foi a quarta coordenadora da Comissão Nacional da Verdade (CNV), entre maio e agosto de 2013, a qual tem integrado desde sua instalação em maio de 2012.

Segundo a professora e membro da Comissão da Memória e Verdade da UFSC, Ana Lice Brancher, a atividade "é importante na conjuntura atual, em que ainda há pessoas querendo a volta dos militares ao poder. Uma parte da sociedade não sabe o que foi a ditadura e será possível esclarecer o que significa viver num regime ditatorial, com a perda de direitos e perseguições".

Além da palestra, Rosa Maria participa de um encontro com os membros da Comissão da UFSC para discutir metodologias de trabalho durante a tarde. "É uma reunião interna e ela irá conversar conosco e orientar sobre a experiência das entrevistas, de como conseguir acesso a determinados arquivos, lidar com os representantes das Forças Armadas, entre outros assuntos."

Participam do evento, pela manhã, a reitora da UFSC, Roselane Neckel; a reitora do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), Maria Clara Kaschny Schneider; o Coletivo Catarinense pela Memória, Verdade e Justiça; o procurador regional dos Direitos do Cidadão, do Ministério Público Federal em Santa Catarina (MPF/SC), Maurício Pessutto; e o assessor de Relações Institucionais da OAB-SC e coordenador da Comissão Estadual da Verdade Paulo Stuart Wright (CEV), Anselmo Machado.

A palestra marca o Dia Estadual do Direito à Verdade e à Memória, uma homenagem a quem lutou contra a ditadura implantada pelo golpe militar de 1º de abril de 1964. A Comissão da UFSC, formada por dez membros da comunidade universitária, trabalhará durante um ano para apurar e identificar atos arbitrários, violentos e de cerceamento das liberdades individuais e dos direitos humanos que atingiram a comunidade da UFSC durante a ditadura militar do Brasil.

http://noticias.ufsc.br/2015/03/legado-da-comissao-nacional-da-verdade-e-tema-de-palestra-nesta-quarta-na-ufsc/

segunda-feira, 30 de março de 2015

16 dicas para se tornar um anticomunista de sucesso

Kiko Nogueira, DCM


O anticomunismo está na moda, como na Guerra Fria, mas com nova roupagem. Confira 16 conselhos para você fazer sucesso com um novo anticomunista

O anticomunismo está na moda, como na Guerra Fria. Com uma novidade: nunca tantos malucos foram tão barulhentos, ao menos no Facebook e em marchas. Não é preciso muito: basicamente, você só tem de ser relativamente ignorante e repetir feito um papagaio alguma poucas palavras e expressões como "Vai pra Cuba, vagabundo", "petralha ladrão", "Miami é que é bom", "isso aqui não tem jeito". Esse é um bom começo.

Mas a verdade é que os socialistas estão batendo às nossas portas, ameaçando as nossas famílias e, se você quiser fazer sucesso numa festa de gente burra e sem noção da realidade, eis alguns conselhos importantes para se tornar um novo anticomunista.

1 Insista que o marxismo está desacreditado, desatualizado e totalmente morto e enterrado. Em seguida, faça uma carreira lucrativa batendo nesse cavalo morto pelo resto da sua vida.

2 Comunismo ou marxismo é o que você quiser que seja. Sinta-se livre para rotular países, movimentos e regimes como "comunistas", independentemente de coisas como ideologia, relações diplomáticas, política econômica etc.

3 Se houver um conflito envolvendo comunistas, todas as mortes devem ser culpa do comunismo. Tenha cuidado ao aplicar isto à Segunda Guerra Mundial. Fascistas que lutaram contra os soviéticos tudo bem, mas tente não elogiar abertamente a Alemanha nazista. Deixe isso para conversas privadas.

4 Cite constantemente George Orwell. Fale da "Revolução dos Bichos" ou de "1984". Diga que Lula é o Grande Irmão.

5 Cite Reinaldo Azevedo, Rodrigo Constantino, Olavo de Carvalho. Cite Nelson Rodrigues, que você nunca leu e não entende muito bem, mas isso não vem ao caso.

6 Mencione quantidades maciças de "vítimas do socialismo" sem se importar com demografia ou consistência. 3 milhões de pessoas mortas de fome? 7 milhões? 10 milhões? 100 milhões no total? Você não precisa se preocupar com ninguém verificando se é verdade, o que é bom já que você não tem a menor ideia.

7 Diga que o petismo, o socialismo, o marxismo ou o psolismo são um tipo de fé religiosa, messiânica, ou qualquer outra besteira que possa inventar. Quando as pessoas disserem que é possível traçar semelhanças entre qualquer ideologia política e uma religião, ignore-as.

8 Duas palavras: natureza humana. O que é a natureza humana? Para seus propósitos, a natureza humana é uma maneira rápida de explicar por que as idéias políticas de que você não gosta estão erradas.

9 Use palavras como "liberdade" e "democracia" constantemente. Não aceite qualquer desafio para definir esses termos.

10 Você não quer um golpe, você quer uma intervenção militar, o que está garantido na Constituição. Não está, mas repita essa frase.

11 Diga "Vai pra Cuba, vagabundo" a qualquer pessoa que discordar de você sobre qualquer assunto.

12 Esquerdistas podem ser usados a favor ou contra o que for mais adequado no momento. Se você estiver numa turma mais conservadora, os esquerdistas são gayzistas. Se você estiver no meio de gente mais descolada, os esquerdistas são homofóbicos. Essencialmente, os esquerdistas são degenerados e puritanos ao mesmo tempo.

13 O Mais Médicos é parte de um plano de infiltração cubana no Brasil.

14 Você não precisa sabe o que é bolivarianismo para acusá-lo de ser responsável por tudo o que está errado na América do Sul. O bolivarianismo destruiu a Venezuela e destruirá o Brasil. É uma espécie de saúva.

15 O papa é comunista.

16 Nova Ordem Mundial. Quando se esgotarem todos os argumentos, diga: "Nova Ordem Mundial". E saia para não ser obrigado a explicar que se trata de uma teoria conspiratória estúpida.

Sociedade doente

Lino Bocchini, CartaCapital

No final da tarde desta sexta-feira 27 José Dirceu deu entrada em um hospital de Brasília com a suspeita de estar com um princípio de AVC. Sem maiores detalhes sobre o estado de saúde do ex-ministro, sites publicaram a notícia e a publicaram em suas redes sociais.

Foi o suficiente para uma enxurrada de comentários de ódio brotarem nas redes sociais pedindo a morte de Dirceu, muitas delas com requintes de crueldade. Outros pediram também a morte da presidenta Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula. Abaixo reproduzo alguns comentários que conseguiram, o apoio de mais de 500 pessoas ("likes") em apenas duas horas de Facebook:

"Você vai conseguir vencer essa! Força AVC!!"

"Estamos juntos AVC. Não mata não por favor, só deixa ele vegetativo, cagando na cama."

"Morre que passa."

"#SomosTodosAVC"

"O demônio tá vindo buscar!"

"A Dilma leva vantagem pois como não tem cérebro nunca vai ter AVC!!!"

"Que morra e volte para buscar Dilma e Lula."

"A chapa quente do inferno tá prontinha pra ele e para o molusco."

São frases fortes, e peço desculpas por reproduzi-las. Acredito, contudo, que neste caso a reprodução é justificável, para ilustrar o tamanho da irracionalidade e do ódio.

Curiosamente, muitos dos perfis autores destas mensagens ou seus apoiadores são pessoas que se dizem cristãs e têm imagens religiosas em meio a seus perfis. E ainda defendem a paz, a família, um mundo melhor…

Muitos dos comentários inclusive evocam a religiosidade para pedir a morte de José Dirceu:

"Glória a Deus, minhas preces foram atingidas."

"Deus é pai, aqui se faz, aqui se paga."

"DEUS. Faça ele ser atendido no SUS por um dos médicos cubanos que dará o diagnóstico de virose e ele será enviado para casa e morrerá dentro de poucas horas. Amém!"

Não quero entrar no mérito sobre a conduta de José Dirceu, o que ele fez ou deixou de fazer. Não é disso que se trata esse artigo. Também não defendo a censura de ninguém. Tampouco pretendo atacar a fé de quem quer que seja.

Este breve texto é apenas um convite à reflexão. A que ponto chegamos? Quando perdemos totalmente nossa humanidade a ponto de ser normal alguém falar publicamente algo como "Não mata não, só deixa ele vegetativo, cagando na cama" e receber o apoio de mais de mil pessoas em menos de uma hora?

Como será possível continuarmos debatendo não apenas política, mas qualquer assunto nesses termos? É com este tipo de debate sério que iremos melhorar o Brasil?

E, o pior de tudo, a publicação deste artigo deverá gerar ainda mais mensagens de ódio, comprovando que quem está doente não é o ex-ministro. É a sociedade.

sábado, 28 de março de 2015

PSDB contrata 9 mil “militantes” virtuais para elogiar Aécio e detonar Dilma

PSDB_Militante02_9mil

Lido no Jornal GGN

Da série: só é escândalo se for obra do PT.

Segundo o "Painel" da Folha, o PSDB estaria contratando 9 mil militantes virtuais para elogiar Aécio e falar mal de Dilma e PT. A informação da contratação da militância virtual está escondidinha na própria Folha, numa entrevista (clique aqui) com César Maia (DEM/RJ), que chamou tal iniciativa de "antirrede social"; de "guerrilha" que poderá ser um "fracasso completo".

Segue abaixo o texto de Leonardo Simões, publicado no Brasil Diário.

PSDB contrata "militantes virtuais"

Cerca de 9 mil pessoas foram contratadas para falar bem de Aécio Neves na internet.

Leonardo Simões

Dispostos a vitaminar a candidatura de Aécio Neves, o PSDB contratou nove mil militantes virtuais. O objetivo é que a tropa atue nas redes sociais em favor do mineiro. Até o fim de maio, eles passarão por 300 sessões de treinamentos.

Os tucanos vão bancar os equipamentos e custos. A ordem para os militantes é espalhar notícias favoráveis ao mineiro, e todo tipo de crítica negativa ao governo Dilma.

Segundo um dirigente tucano, muitos são voluntários. Mas, reservadamente, admitiu que o partido dá uma ajuda de custo para incentivar a adesão.

Essa não é a primeira vez que Aécio contrata pessoas para falar bem dele. A ideia de manter um QG é antiga, e recentemente ele acionou a Justiça para retirar do ar links que tivessem matérias ruins relacionadas ao seu nome. A Justiça negou o pedido.

http://limpinhoecheiroso.com/2014/04/07/psdb-contrata-9-mil-militantes-virtuais-para-elogiar-aecio-e-detonar-dilma/


Escândalos, relevância, sobrenomes & interesse público

Por Alberto Dines em 24/03/2015 na edição 843

Entre os nomes que compõem as equipes que trabalham no caso SwissLeaks no Globo e no blog do jornalista Fernando Rodrigues, no UOL, este observador identificou dois sobrenomes no mínimo curiosos: Lupion e Berta. Há meio século, portadores dos mesmos sobrenomes estavam no noticiário ou nas colunas de fofocas mundanas em situações nem sempre confortáveis.

Moysés Lupion (1908-1991), governador do Paraná por duas vezes, mandou e desmandou no estado, meteu-se em tantas malfeitorias e mamatas eleitorais que foi cassado no primeiro Ato Institucional do regime militar. Um membro da família Lupion, Bruno, diligente repórter investigativo do UOL em Brasília, foi designado para participar da equipe liderada por Fernando Rodrigues para apurar o caso SwissLeaks. Poderia ser colocado sob suspeição em função dos malfeitos do eventual avô, tio-avô ou bisavô?

Rubem Martin Berta (1907-1966) foi o primeiro funcionário da Varig S.A., em 1927, e em 1942 assumiu a presidência da empresa transformando-a numa das mais importantes companhias de aviação do mundo, sinônimo de excelência em serviços. Pranteado e homenageado quando faleceu, virou nome de avenida, hospital, mas as fofocas grassavam sobre eventuais desmandos que acabaram por levar a empresa à decadência e ruína, três décadas depois. O jovem homônimo que trabalha na força-tarefa do Globo tem razões de sobra para se orgulhar do nome e sobrenome, mas descendentes de funcionários da falida Varig que perderam até suas aposentadorias podem desconfiar das matérias que assina. O que seria uma baita injustiça.

Os dois exemplos são absurdos, impertinentes, impróprios, imaginários, descabidos. Este observador penitencia-se pela exploração abusiva de seus nomes. Mesmo como expediente argumental puramente retórico.

Pressa e desvario

Na verdade estamos assistindo a uma encenação jornalística absurda, desatinada, claramente cínica, hipócrita, ardilosa. O SwissLeaks brasileiro beira a indecência. A lista publicada na segunda-feira (23/3) pelo Globo e pelo blog do UOL com celebridades doshow-business misturadas a figuras emblemáticas de nossa cultura desmoraliza o jornalismo investigativo e o jornalismo como atividade com fé pública. Ambos estão na sarjeta.

Tom Jobim morreu há 10 anos, sua conta no HSBC está zerada. Jorge Amado e Zélia Gattai estão mortos há 14 e 7 anos, respectivamente. A conta dos falecidos e de seus herdeiros foi fechada em 2003, há 12 anos. Qual a intenção de enfiá-los no escândalo? Exibir imparcialidade, coragem, estoicismo?

Na entrevista da jornalista argentina Marina Walker Guevara, diretora-adjunta do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, publicada pelo Globo (domingo, 22/3, pág. 12), ela declara:

"Não interessa revelar a conta secreta de pessoas comuns, que são irrelevantes e não influenciam no destino do país nem na opinião. (...) O trabalho do repórter é justamente pegar essa base de dados [a lista dos correntistas] e aplicar sobre ela critérios de interesse público, avaliando que pessoas devem entrar em reportagens e que pessoas não precisam ser expostas" (ver íntegra aqui).

Antes, em 4 de março, a Folha de S.Paulo publicou um texto da mesma diretora da mesma entidade em termos ainda mais claros: "Fomos questionados por não publicarmos as listas completas. Mas somos jornalistas investigativos, não vazadores de dados, ou ativistas, ou um órgão governamental" (ver "Jornalismo e interesse público"). Estaria querendo dizer que um eventual ilícito fiscal só interessa quando configura um ilícito legal? Neste caso, está desaprovando o trabalho dos seus parceiros brasileiros.

A mensagem de Marina Walker Guevara, da direção do ICIJ (na sigla em inglês), defende expressamente um "jornalismo lento", exercido com responsabilidade e precisão, a serviço do interesse público, voltado para intervir em "esquemas sistêmicos". A técnica da lama no ventilador adotada até agora aponta na direção oposta – pelo primarismo, pressa e desvario, escancara fundadas suspeitas.

Valor maior

O jornalismo investigativo só pode ser exercido junto com o jornalismo independente. Raras são as empresas jornalísticas que conseguem manter-se acima de seus interesses políticos, econômicos ou pessoais. O britânico The Guardian (por ser uma fundação) e o francês Le Monde (por conceder ao coletivo de jornalistas o direito de desobedecer aos acionistas) são gloriosas exceções. No momento em que se associarem em pools locais, aviltam-se.

Independência pressupõe individuação, autonomia, soberania. Esta fatal atração do Globopela Folha e da Folha pelo Globo tem produzido incríveis aberrações. Atrelados, avacalham-se.

Credibilidade é um atributo que não se compra em tabuleiros de camelô.

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/escandalos_relevancia_sobrenomes_amp_interesse_publico

FMI e Banco Mundial afirmam que FHC quebrou o país



Dados do Banco Mundial e do FMI mostram que foi no governo de FHC que a renda per capita e o PIB caíram e a dívida pública líquida quase dobrou, o que esvazia argumentos de que governo atual está quebrando o país

Por Redação 

Segundo os chamamentos que estão sendo feitos neste momento, no WhatsApp e nas redes sociais, pessoas irão sair às ruas, no domingo, porque acusam o governo de ser corrupto e comunista e de estar quebrando o país.
Se estes brasileiros, antes de ficar repetindo sempre os mesmos comentários dos portais e redes sociais, procurassem fontes internacionais em que o mercado financeiro normalmente confia para tomar suas decisões, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, veriam que a história é bem diferente, e que o PIB e a renda per capita caíram, e a dívida pública líquida praticamente dobrou, foi no governo Fernando Henrique Cardoso.
Segundo o Banco Mundial, o PIB do Brasil, que era de US$ 534 bilhões, em 1994, caiu para US$ 504 bilhões quando Fernando Henrique Cardoso deixou o governo, oito anos depois.
Para subir, extraordinariamente, destes US$ 504 bilhões, em 2002, para US$ 2 trilhões, US$ 300 bilhões, em 2013, último dado oficial levantado pelo Banco Mundial, crescendo mais de 400% em dólares, em apenas 11 anos, depois que o PT chegou ao poder.
E isso, apesar de o senhor Fernando Henrique Cardoso ter vendido mais de 100 bilhões de dólares em empresas brasileiras, muitas delas estratégicas, como a Telebras, a Vale do Rio Doce e parte da Petrobras, com financiamento do BNDES e uso de "moedas podres", com o pretexto de sanear as finanças e aumentar o crescimento do país.
Com a renda per capita ocorreu a mesma coisa. No lugar de crescer em oito anos, a renda per capita da população brasileira, também segundo o Banco Mundial, caiu de US$ 3.426, em 1994, no início do governo, para US$ 2.810, no último ano do governo Fernando Henrique Cardoso, em 2002. E aumentou, também, em mais de 400%, de US$ 2.810, para US$ 11.208, também segundo o World Bank, depois que o PT chegou ao poder.
O salário mínimo, que em 1994, no final do governo Itamar Franco, valia US$ 108, caiu 23%, para US$ 81, no final do governo FHC e aumentou em três vezes, para mais de US$ 250, hoje, também depois que o PT chegou ao poder.
As reservas monetárias internacionais – o dinheiro que o país possui em moeda forte – que eram de US$ 31,746 bilhões, no final do governo Itamar Franco, cresceram em apenas algumas centenas de milhões de dólares por ano, para US$ 37.832 bilhões nos oito anos do governo FHC.
Nessa época, elas eram de fato, negativas, já que o Brasil, para chegar a esse montante, teve que fazer uma dívida de US$ 40 bilhões com o FMI.
Depois, elas se multiplicaram para US$ 358,816 bilhões em 2013, e para US$ 369,803 bilhões, em dados de ontem, transformando o Brasil de devedor em credor, depois do pagamento da dívida com o FMI em 2005, e de emprestarmos dinheiro para a instituição, quando do pacote de ajuda à Grécia em 2008.
E, também, no quarto maior credor individual externo dos EUA, segundo consta, para quem quiser conferir, do próprio site oficial do tesouro norte-americano. –(http://www.treasury.gov/ticdata/Publish/mfh.txt).
O Investimento Estrangeiro Direto (IED), que foi de US$ 16,590 bilhões, em 2002, no último ano do governo Fernando Henrique Cardoso, também subiu mais de quase 400%, para US$ 80,842 bilhões, em 2013, depois que o PT chegou ao poder, ainda segundo dados do Banco Mundial, passando de aproximadamente US$ 175 bilhões nos anos FHC (mais ou menos 100 bilhões em venda de empresas nacionais) para US$ 440 bilhões depois que o PT chegou ao poder.
A dívida pública líquida (o que o país deve, fora o que tem guardado no banco), que, apesar das privatizações, dobrou no Governo Fernando Henrique, para quase 60%, caiu para 35%, agora, 11 anos depois do PT chegar ao poder.
Quanto à questão fiscal, não custa nada lembrar que a média de déficit público, sem desvalorização cambial, dos anos FHC, foi de 5,53%, e com desvalorização cambial, de 6,59%, bem maior que os 3,13% da média dos anos que se seguiram à sua saída do poder; e que o superavit primário entre 1995 e 2002 foi de 1,5%, muito menor que os 2,98% da média de 2003 e 2013 – segundo Ipeadata e o Banco Central – nos governos do PT.
E, ao contrário do que muita gente pensa, o Brasil ocupa, hoje, apenas o quinquagésimo lugar do mundo, em dívida pública, em situação muito melhor do que os EUA, o Japão, a Zona do Euro, ou países como a Alemanha, a França, a Grã Bretanha – cujos jornais adoram ficar nos ditando regras e "conselhos" – ou o Canadá. 
Também ao contrário do que muita gente pensa, a carga tributária no Brasil caiu ligeiramente, segundo o Banco Mundial, de 2002, no final do governo FHC, para o último dado disponível, de dez anos depois, e não está entre a primeiras do mundo, assim como a dívida externa, que caiu mais de 10 pontos percentuais nos últimos dez anos, e é a segunda mais baixa, depois da China, entre os países do G20.
Não dá, para, em perfeito juízo, acreditar que os advogados, economistas, empresários, jornalistas, empreendedores, funcionários públicos, majoritariamente formados na universidade, que bateram panelas contra Dilma em suas varandas, há poucos dias, acreditem mais nos boatos das redes sociais, do que no FMI e no Banco Mundial, organizações que podem ser taxadas de tudo, menos de terem sido "aparelhadas" pelo governo brasileiro e seus seguidores.
Considerando-se estas informações, que estão, há muito tempo, publicamente disponíveis na internet, o grande mistério da economia brasileira, nos últimos 12 anos, é saber em que dados tantos jornalistas, economistas, e "analistas", ouvidos a todo momento, por jornais, emissoras de rádio e televisão, se basearam, antes e agora, para tirar, como se extrai um coelho da cartola – ou da "cachola" – o absurdo paradigma, que vêm defendendo há anos, de que o Governo Fernando Henrique foi um tremendo sucesso econômico, e de que deixou "de presente" para a administração seguinte, um país econômica e financeiramente bem-sucedido.
Nefasto paradigma, este, que abriu caminho, pela repetição, para outra teoria tão frágil quanto mentirosa, na qual acreditam piamente muitos dos cidadãos que vão sair às ruas no próximo domingo: a de que o PT estaria, agora, jogando pela janela, essa – supostamente maravilhosa – "herança" de Fernando Henrique Cardoso, colocando em risco as conquistas de seu governo.
O pior cego é o que não quer ver, o pior surdo, o que não quer ouvir.
Está certo que não podemos ficar apenas olhando para o passado, que temos de enfrentar os desafios do presente, fruto de uma crise que é internacional, que faz com que estejamos crescendo pouco, embora haja diversos países ditos "desenvolvidos" que estejam muito mais endividados e crescendo menos do que nós.
Assim como também é verdade que esse governo não é perfeito, e que se cometeram vários erros na economia, que poderiam ter sido evitados, principalmente nos últimos anos.
Mas, pelo amor de Deus, não venham nos impingir nenhuma dessas duas fantasias, que estão empurrando muita gente a sair às ruas para se manifestar: nem Fernando Henrique salvou o Brasil, nem o PT está quebrando um país que em 2002 era a 14ª maior economia do mundo, e que hoje já ocupa o sétimo lugar.
Em pleno bombardeio institucional – Dilma Rousseff foi vaiada em uma feira de construção em São Paulo, apesar de seu governo ter financiado a edificação de dois milhões de casas populares – e às vésperas da realização de manifestações pedindo o impeachment da Presidenta da República, sua assessoria preparou um discurso, para a sua estreia em rede nacional de rádio e televisão, no segundo mandato, rico em lero-lero e pobre em informações.
O grande dado econômico dos "anos PT" não são os US$ 370 bilhões de reservas monetárias, que deveriam, sim, ter sido mencionados, ao lado do fato de que eles substituem, hoje, os 18 bilhões que havia no final do governo FHC, exclusivamente, por obra e graça de um empréstimo de 40 bilhões do FMI, que foi pago em 2005 pelo governo Lula.
Nem mesmo a condição que o Brasil ocupa, agora, segundo o próprio site oficial do tesouro norte-americano, de quarto maior credor individual externo dos Estados Unidos.
Mas o fato de que o PIB, apesar de ter ficado praticamente estagnado em 2014, saiu de US$ 504 bilhões em 2002, para US$ 2 trilhões e 300 bilhões, em 2013, com um crescimento de mais de 400% em 11 anos, performance que talvez só tenha sido ultrapassada, nesse período, pela China.
E, isso, conforme, não, o IPTE – como está sendo apelidado o IBGE pelos hitlernautas de plantão nas redes sociais – mas segundo estatísticas da série histórica do site oficial do Banco Mundial. Faltou também dizer que não houve troca de dívida pública externa por interna, já que, no período, a dívida pública líquida caiu de quase 60% do PIB, em 2002, para aproximadamente 35%, agora, depois de ter praticamente duplicado no governo Fernando Henrique, com relação ao final do governo Itamar Franco.
Há outros dados que poderiam negar a tese de que o país inviabilizou-se, economicamente, nos últimos anos, como o aumento do salário mínimo de US$ 50 para mais de US$ 250 em menos de 12 anos, ou a produção de grãos e de automóveis ter praticamente duplicado no período.
É claro que o PT cometeu erros graves, como estimular a venda de carros sem garantir a existência de fontes nacionais de combustíveis, gastando bilhões de dólares no exterior na compra de gasolina, quando poderia ter subsidiado, em reais, a venda de etanol nacional no mercado interno, diminuindo a oferta de açúcar no mercado internacional, enxugando a disponibilidade e aumentando os ganhos com a exportação do produto.
Ou o de dar início a grandes obras de infraestrutura – de resto absolutamente necessárias – sem se assegurar, antes, por meio de rigoroso planejamento e negociação, que elas não seriam interrompidas dezenas de vezes, como foram.
Quem quiser, pode encontrar outros equívocos, que ocorreram nestes anos, e que poderiam ter sido corrigidos com a participação de outros partidos, até mesmo da base "aliada", se sua "colaboração" não se limitasse ao interesse mútuo na época das campanhas eleitorais, e à chantagem e ao jogo de pressões propiciados pelos vícios de um sistema político que precisa ser urgente e efetivamente reformado.
Mas o antipetismo prefere se apoiar, como Goebbels, na evangelização de parte da opinião pública com mentiras, a apontar os erros reais que foram cometidos, e debruçar-se na apresentação de alternativas que partam do patamar em que o país se encontra historicamente, agora. 
Soluções que extrapolem a surrada e permanente promoção de receitas neoliberais que se mostraram abjetas, nefastas e indefensáveis no passado, e a apologia da entrega, direta e indireta, do país e de nossas empresas, aos interesses e ditames estrangeiros. No discurso do governo – súbita e tardiamente levado a reagir, atabalhoadamente, pela pressão das circunstâncias – continua sobrando "nhenhenhém" e faltando dados, principalmente aqueles que podem ser respaldados com a citação de fontes internacionais, teoricamente acima de qualquer suspeita, do ponto de vista dos "analistas" do "mercado". Isso, quando o seu conteúdo – em benefício, principalmente, do debate – deveria ser exatamente o contrário.

Confira o artigo original no Portal Metrópole: http://www.portalmetropole.com/2015/03/fmi-e-banco-mundial-afirmam-que-fhc.html#ixzz3Vi3ZqXJz

Oposição à Dilma gasta R$ 2 milhões por mês para manter redes

robotDo Jornal Járelatório elaborado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, vazado e publicado pelo jornal O Estado de S.Paulo na terça-feira (17), aponta que a oposição à Dilma gastou R$ 10 milhões entre novembro de 2014 e março de 2015 para manter suas redes sociais funcionando contra a presidenta – o que significa a aplicação mensal de R$ 2 milhões nas ações.

Segundo o texto, essa é uma estimativa que leva em consideração "a manutenção dos robôs do PSDB, a geração de conteúdo nos sites pró-impeachment e o pagamento pelo envio de Whatsapp".

Robôs são perfis falsos criados nas redes sociais exclusivamente com a finalidade de fazer reverberar uma mensagem. Isso ocorre porque sites como facebook são sensíveis ao interesse que desperta uma postagem: se mais perfis a compartilham, a rede social expõe o post a um grupo maior de pessoas e ele rapidamente viraliza. No caso do twitter, esses robôs contribuem para que as "hashtags" ganhem popularidade.

Segundo os cálculos da Secom, o PSDB manteve ativos 50 robôs utilizados na campanha eleitoral durante os meses subsequentes ao pleito. "Isso significou um fluxo contínuo de material anti-Dilma, alimentando os aecistas e insistindo na tese do maior escândalo de corrupção da história, do envolvimento pessoal de Dilma e Lula com a corrupção na Petrobras e na tese do estelionato eleitoral", explica o documento.

O monitoramento da Secom apontou ainda que a partir do final de janeiro, "as páginas mais radicais contra o governo passaram a trabalhar com invejável profissionalismo, com uso de robôs e redes de Whatsapp".

O emprego da tecnologia para gerenciar conteúdos turbinaram algumas dessas redes. A página no facebook do grupo Revoltados Online engajou 16 milhões de pessoas nos últimos três meses, segundo verificações da Secom. Já o perfil Vem Pra Rua, que convocou fortemente as manifestações do dia 15 de março, chegou a 4 milhões de compartilhamentos.

No mesmo período, as páginas do facebook de Dilma Rousseff e do Partido dos Trabalhadores atingiram 3 milhões de pessoas.

A todo, apenas em fevereiro as mensagens, textos e vídeos do grupo oposicionista podem ter atingido 80 milhões de brasileiros segundo cálculos da Secom, enquanto que os perfis do Planalto e do PT, juntos, não somaram 22 milhões. "Se fosse uma partida de futebol, estamos entrando em campo perdendo de 8 a 2″, ironiza o documento.

Apesar de serem minoritárias nas redes sociais desde 2013, diz o diagnóstico, a militância pró-governo deu combate durante os protestos do último dia 15 de março. "Houve uma disputa equilibrada até a PM falar em um milhão na Paulista, desmobilizando todo o regimento pró-governo", atesta.

https://luizmullerpt.wordpress.com/2015/03/27/oposicao-a-dilma-gasta-r-2-milhoes-por-mes-para-manter-redes/

Atentado ao povo

Chioro chama de "atentado" o projeto do PSDB para proibir médicos cubanos

SEX, 27/03/2015 - 17:39
ATUALIZADO EM 27/03/2015 - 17:44

Jornal GGN - O ministro Arthur Chioro disse nesta sexta-feira (27) que o PSDB tentar barrar a introdução de médicos cubanos no programa Mais Médicos é um "atentado contra a população" por "motivação política". Com um projeto de decreto legislativo, senadores tucanos querem anular a contratação de 11,4 mil profissionais da Ilha, que ajudam no atendimento básico à saúde dos brasileiros. 

"É lamentável. Na prática, acaba com o Mais Médicos. (...) Aqueles que diziam nas eleições passadas que não acabariam com o programa agora mostram a sua verdadeira face", disse o ministro da Saúde. Durante a eleição de 2014, o então candidato Aécio Neves afirmou que não acabaria com o projeto, mas apresentaria "melhorias" e reduziria o poder do governo Cubano sobre o programa.

Ainda segundo Chioro, "questionar a relação do Brasil com uma instituição centenária como é a Organização Pan-americana de Saúde (OPAS), braço da Organização Mundial de Saúde, e tornar nulo o convênio do Brasil com a OPAS que permite que mais de 11,4 mil médicos cubanos possam atuar na região de floresta, nas aldeias indígenas, nos quilombolas, no semiárido, nas regiões mais críticas do País, é um atentado contra a população e contra as próprias prefeituras do PSDB, já que 65% delas participam do Mais Médicos, inclusive com médicos cubanos."

O projeto de decreto foi apresentado por Cassio Cunha Lima (PB) e Aloysio Nunes Ferreira (SP), líder e vice-líder do partido de oposição no Senado. Indignado, Chioro disse não entender "como é que alguém comprometido com a saúde pública pode propor isso".

Com informações do Estadão

http://jornalggn.com.br/noticia/chioro-chama-de-atentado-o-projeto-do-psdb-para-proibir-medicos-cubanos#.VRbsekwUiqM.twitter

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