Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. (Padre Antônio Vieira)

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Jornais de todo o mundo noticiaram que Aécio Neves teria recebido propina

Denúncia de propina a Aécio Neves foi notícia em agências internacionais, e jornais dos cinco continentes. No Brasil, diversos veículos de comunicação tentaram esconder a manchete

Jornal GGN

Agências internacionais, jornais regionais e mídias dos cinco continentes noticiaram que candidato derrotado à presidência da República e senador Aécio Neves (PSDB-MG) pode ter recebido propina, de acordo com depoimento do doleiro Alberto Youssef.

Enquanto isso, aqui no Brasil, os principais veículos impressos trataram de esconder a manchete. Os jornais que mencionaram a denúncia o fizeram de maneira discreta, nas páginas internas.

Dê uma volta pelo mundo e acompanhe os que as populações de diversos países ficaram sabendo:

INGLATERRA
Reuters:
Brazil money launderer testifies former presidential candidate took bribe

1aecio

ESPANHA
Europa Press:
TESTIFICA CONTRA AÉCIO NEVES: Condenado por lavado de dinero en Brasil acusa a Aécio Neves de recibir sobornos

2aecio

ARGENTINA
Clarín:
Petrobras: afirman que el líder opositor Aécio Neves recibió coimas

3aecio

CHILE
Pulso:
Brasil: ex candidato presidencial y ex jefa de gabinete acusados de soborno

4aecio

ESTADOS UNIDOS
The New York Times:
Brazil Money Launderer Testifies Former Presidential Candidate Took Bribe

5aecio

International Business Times:
Petrobras Scandal: Brazil House Speaker And Ex-Senator Face Corruption Charges

6aecio

Business Insider:
Brazil money launderer testifies former presidential candidate took bribe

7aecio

RÚSSIA
Sputnik News:
El líder de la oposición en Brasil también fue acusado de corrupción

8aecio

ORIENTE MÉDIO
Gulf Times (Qatar):
Brazil judge says president's ex-chief of staff may have been bribed

9aecio

ÍNDIA
Zee News:
Brazil judge says president"s ex-chief of staff may have been bribed

10aecio
http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/08/jornais-de-todo-o-mundo-noticiaram-que-aecio-neves-teria-recebido-propina.html

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Querido Mujica

"Queridos, recordemos. Ninguém é mais que ninguém". Em diálogo que reuniu milhares na Uerj, Mujica falou de valores para construir um mundo menos injusto. De valores fora do mundo do mercado e do consumo, como a solidariedade, a igualdade de direitos. Veja as imagens e assista a íntegra

Mujica uerj estudantes brasil
Visita de José Mujica deixa lotado anfiteatro da Uerj (reprodução)

Milhares de estudantes receberam o ex-presidente do Uruguai, José Pepe Mujica, hoje na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. O encontro aconteceu no anfiteatro da instituição de ensino superior – também conhecido como Concha Acústica. Mais cedo, Mujica havia almoçado rabada e feijoada no Bar do José, onde também bebeu cerveja.

Mujica veio ao Brasil a convite da Federação de Câmaras de Comércio e Indústria da América do Sul e fez questão, depois, de conversar com os universitários cariocas (vídeo abaixo).

Falou de valores para mudar o mundo, para construir um mundo menos injusto, governado pelas maiorias. De valores fora do mundo do mercado, do consumo e do individualismo, como a solidariedade, a igualdade de direitos. "Se gosta de dinheiro, vá ganhar no comércio ou na indústria. Mas não se meta na política", disse ele.

Falou sobre a necessidade de uma mudança cultural. "Os estudantes tem que se dar conta que não é só uma mudança do sistema, é uma mudança de cultura, é uma cultura civilizatória. E não tem como sonhar com um mundo melhor se não gastar a vida lutando por ele. Temos que superar o individualismo e criar consciência coletiva para transformar a sociedade."

Maioridade penal e legalização das drogas

Questionado sobre o que pensa da redução da maioridade penal, Mujica afirmou que "não considera um caminho ideal". Perguntado se o Brasil teria capacidade para legalizar as drogas, ele se ateve a falar sobre sua experiência com o tema enquanto foi presidente do Uruguai.

"Nós temos que pensar como espécie e não como países. E isso engloba o mundo inteiro. Os pobres da África não são da África, são do mundo inteiro. Os homens que atravessam o Mediterrâneo são nossos. Todos são nossos conterrâneos. A liberdade não se vende, se ganha fazendo algo pelos demais", disse o ex-presidente.

Imagens e vídeo do encontro na sequência:

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Assista a íntegra do encontro abaixo. A fala de Mujica começa em 2:21:39. "Queridos, recordemos. Ninguém é mais que ninguém".

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Jurista Dalmo Dallari chama derrubada de Dilma pelo TSE de “fantasia política”

dalmo dallari

Dalmo de Abreu Dallari (Serra Negra, 31 de dezembro de 1931) é um jurista brasileiro, formado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.

É Professor Emérito da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Entre suas principais obras destaca-se Elementos de Teoria Geral do Estado.

Em 2001, publicou obra pioneira acerca de perspectivas do Estado para o futuro – intitulando-a de O Futuro do Estado – trata do conceito de Estado mundial, do mundo sem Estados, dos chamados Super-Estados e dos múltiplos Estados do Bem-Estar.

Em 1996 tornou-se o professor catedrático da UNESCO na cadeira de Educação para a Paz, Direitos Humanos e Democracia e Tolerância, criada na Universidade de São Paulo.[1] , tendo participado de seu primeiro Congresso em 1998.

Dallari é um dos autores mais estudados em todas as faculdades de Direito do Brasil e do exterior.

Na tarde de quarta-feira, 26 de agosto de 2015, ele concedeu entrevista exclusiva ao Blog da Cidadania sobre a recente decisão do Tribunal Superior Eleitoral de dar prosseguimento em ação do PSDB no sentido de impugnar a chapa Dilma Rousseff / Michel Temer e dar posse àqueles que obtiveram o segundo lugar na eleição presidencial do ano passado.

Confira, abaixo, a entrevista.

Blog da Cidadania — O TSE acaba de aprovar o prosseguimento de ação do PSDB que pede que a vencedora da eleição presidencial do ano passado seja tirada do cargo e o segundo colocado seja empossado. Como o senhor vê essa decisão de quatro dos sete membros daquela Corte?

Dalmo Dallari – Eu tenho acompanhado isso e acho um absurdo que o ministro Gilmar Mendes tenha sido uma influência tão grande porque ele ostensivamente, publicamente, tem posições políticas contrárias à da presidente Dilma Rousseff. Então, o julgamento comandado por ele evidentemente não foi um julgamento jurídico, foi um julgamento político. Acho que isso é muito ruim e é desmoralizante para o Tribunal.

Blog da Cidadania — Alguns analistas já estão dizendo que a derrubada da presidente da República e a posse daquele que ela derrotou são favas contadas. O senhor concorda com isso ou acredita que o jogo não terminou e, apesar dessa decisão, é possível reverter o quadro no decorrer da ação?

Dalmo Dallari – Eu acho que não há o mínimo risco [de derrubada do governo] porque não tem consistência jurídica. Antes de mais nada, essa decisão [do TSE] foi só para reabertura [do processo], não é decisão do Tribunal condenando, reconhecendo falhas, erros, ilegalidades. É só reabertura da discussão. Isso tudo vai muito longe e a presidente Dilma tem o direito de ser ouvida, inclusive de exigir a verificação de documentos, a busca de provas e, eventualmente, até oitiva de testemunhas. Derrubada da presidente pelo TSE é apenas uma fantasia política. Do ponto de vista jurídico está muito distante a possibilidade de que, a partir daí [da decisão do TSE de reabrir o processo], se afaste a presidente Dilma Rousseff.

Blog da Cidadania — Existe alguma possibilidade de recurso ao STF contra eventual decisão do TSE de impugnar a chapa Dilma Rousseff / Michel Temer?

Dalmo Dallari – Claro que sim. Nesse caso, haveria recurso ao Supremo Tribunal Federal. De maneira que ainda há muito chão a ser percorrido. Primeiro, houve a simples decisão de reabertura do caso. Então, ele comporta muita discussão, busca de provas, direito de defesa. E, se no final, se considerar que a instrução do processo está correta, aí o Tribunal julga, mas com um pormenor: se for julgamento de turma, cabe recurso para o Pleno [julgamento pelo Plenário do TSE]. E, depois disso, ainda cabe recurso ao Supremo Tribunal Federal. De maneira que é coisa para alguns anos, pelo menos.

Blog da Cidadania – Como o senhor vê a atuação da imprensa em todo esse processo?

Dalmo Dallari – Nós estamos vivendo, já, um período que eu nem diria pré-eleitoral; é um período eleitoral. Todas as colocações ou tratamento dados pela imprensa que envolve questões políticas são, na verdade, político-eleitorais. Em verdade, o que estamos vendo [na imprensa] já é uma preparação para as próximas eleições. A disputa eleitoral já está em aberto e, por isso, não tem maior importância, maior significação. Eu diria nenhuma significação jurídica essa movimentação de órgãos da imprensa.

Blog da Cidadania — Que consequências podem advir para a democracia brasileira de uma interrupção de mandato presidencial obtida sob contestação veemente da minoria do TSE como a que a imprensa está noticiando? Uma decisão tão drástica tomada sob esses augúrios afetaria de que forma a nossa democracia?

Dalmo Dallari – Se isso [derrubada de Dilma pelo TSE] chegasse a acontecer, seria muito grave porque causaria perturbação política séria. Uma mudança total de governo – e uma mudança em condições excepcionais – teria consequências sobre o sistema de reparação de poderes, formação de maioria dos parlamentos. Seria realmente uma espécie de revolução política, um transtorno político muito grande. Mas por isso tudo eu acho que não há a mínima possibilidade de que tenha seguimento sério essa pretensão.

Blog da Cidadania — Existiria alguma conexão entre o processo político-jurídico em curso no país e o julgamento da Ação Penal 470, vulgo "julgamento do mensalão"?

Dalmo Dallari – É claro que o mensalão tem um conteúdo jurídico-político, sem dúvida alguma. Então, muitas coisas que estão acontecendo – atitudes tomadas, declarações informais de membros do Judiciário – tem um conteúdo essencialmente político.

Blog da Cidadania – O senhor gostaria de acrescentar mais alguma coisa, doutor Dalmo?

Dalmo Dallari – Eu acho lamentável que órgãos de imprensa que têm responsabilidade não se comportem de maneira mais serena, dando mais importância às instituições, respeitando mais os interesses da cidadania brasileira. O que se tem visto são publicações e pronunciamentos nitidamente parciais e isso é muito negativo. Seria muito importante um trabalho no sentido contrário de despertar a consciência política popular, estimular reflexões políticas, discussões sérias, porque é assim que se consolida o sistema democrático.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Jornalista brasileira registra o 'horror' de uma caminhada de duas horas

Jornalista faz experimento e sofre humilhação e assédio por duas horas andando em Teresina. Experiência filmada com câmera escondida estimula a reflexão sobre o machismo de todos os dias

jornalista assediada mulheres vídeo teresina

por Sávia Barreto, O Olho / Teresina-PI

Eram 10h36 de uma manhã de sábado. Teresina, quente, tão quente, que não sei se suei apenas de calor ou de terror. Vestida de uma calça jeans e uma blusa preta, andei só e calada, olhando preocupada, muitas vezes, para os lados e sem o sorriso que pouco antes eu distribuía aos meus colegas de redação (vídeo abaixo).

Duas horas e pelo menos 15 assédios depois sinto bolhas nos pés e dor na alma: o machismo de todo dia, assim, filmado e legendado, parece que expõe mais as vísceras de uma sociedade desigual em gêneros, onde a mulher está vulnerável a assobios, olhares e expressões sussurradas por desconhecidos como "gostosa", "bundinha" e "delícia".

O EXPERIMENTO

Tirando o microfone escondido na bolsa, usei o tipo de roupa que eu e milhares de teresinenses (incluindo as mães, filhas e irmãs dos meus assediadores) usamos todos os dias para ir à rua. Meu produtor caminhava à frente, sempre a alguns passos de distância, permitindo me filmar com uma câmera escondida acoplada em sua mochila.

Vídeo:

Mesmo acompanhada de um produtor e do motorista que compõem a equipe do O Olho, tive a sensação de leve desamparo por estar "sozinha", sujeita aos assédios dos quais eu fugia sempre que precisava estar em algum local público, passando por homens.

Meu temor não era motivado por me considerar gostosa, linda e estonteante (porque não sou e porque mesmo uma mulher que é, não merece receber nenhum tipo de agressão verbal e sexual), mas porque basta ser mulher, estar andando sozinha nas ruas, que quase prontamente alguns homens sentem-se no direito de avaliar a forma física e até de fazer convites sexuais.

Lá está você pagando o plano de saúde da sua mãe no Centro da cidade, quando alguém que você nunca viu, e que sequer cruzou os olhos, alheio aos seus problemas e vontades, grita: "Vamos lá em casa delícia?". Não é um convite, é uma invasão.

A "CARCAÇA" QUE VESTIMOS PARA IR À RUA

Antes de sair à rua, é preciso vestir, além da roupa, um outro acessório, quase invisível, mas essencial se você for mulher: uma expressão fechada, de quem não quer conversa. Nós, mulheres, costumamos mantê-la enquanto temos que perambular por espaços públicos, principalmente se estivermos sozinhas e houverem homens desconhecidos por perto.

É tolhendo pequenas liberdades diárias femininas, inclusive a de sorrir e se vestir como bem entender, que o machismo vai trancando as mulheres em calabouços pisicológicos.

"Não olhe para os lados, evite passar perto de homens, se falarem algo sobre seu corpo, não responda". Esse não é um ensinamento passado verbalmente de mãe para filha, ou entre amigas. É um comportamento quase intrínseco à quem pertence ao sexo feminino no mundo ocidental. Tanto faz se você está numa pequena e quente capital no Nordeste brasileiro, ou na fria Nova York norte-americana.

Inspirada em um experimento realizado em Nova York por uma atriz de uma ONG que registrou mais de 100 comentários de assédio masculinos em um vídeo filmado durante uma caminhada de dez horas pelas ruas de Manhattan, resolvi fazer o mesmo teste em Teresina, andando por ruas do Centro e da zona Sul por cerca de duas horas durante um sábado pela manhã.

AGRESSÃO VERBAL: "B******** GOSTOSA"

É quase meio-dia. Passo por vários homens na porta de um bar e sinto um grande alívio por ter sido apenas olhada, como se passasse por um raio-X de aeroporto, mas sem nenhum comentário verbal.

Mais a frente, ainda degustando uma tranquilidade que eu mal sabia que seria fulgaz, passo por um homem branco de uns 50 anos. Ele fala baixo, mas eu ouço: "b******** gostosa". Gelo imediatamente, fico com as mãos tensas e tenho vontade de chorar.

Parece que volto no tempo e lembro de ter 20 anos, descer do ônibus no bairro Saci, zona Sul de Teresina, enquanto caminho várias quadras até minha casa. Também era meio-dia e eu vinha da Universidade Federal do Piauí, onde cursava Ciências Sociais. Aquele caminho era comum para mim, e quase todo dia eu o fazia intercalando ônibus e longas caminhadas até minha casa.

Naquele dia, há sete anos, um homem pára, pergunta as horas, eu olho para o relógio e antes de responder ele coloca a mão debaixo da minha saia, fala "b*********" e sai correndo. Fico atônita. Ainda tenho forças para gritar enquanto ele corre para a outra rua: "Infeliz, maldito", falo bem alto com a revolta, humilhação e ódio engasgados.

Chego em casa me culpando por ter respondido a um estranho na rua. Eu era jovem demais para saber que a culpa não era minha. Só muitos anos depois consigo contar essa história para meu noivo, amigos e amigas.

As mulheres, quando ouvem, solidarizam-se imediatamente e passam a relatar também suas histórias. S.R., uma amiga jornalista, por exemplo, conta que chegou a ameaçar com pedras um homem que a assediou nas ruas a chamando de "gostosa". Os homens, por outro lado, ouvem a mesma história e acabam rindo. Acham que é apenas uma anedota. Não é. Violência sexual não tem graça.

COMO SE SENTIR UM "NADA"

Logo eu, que me considero uma jovem mulher de 27 anos, empoderada, firme, forte (quase sempre), me senti um "nada". Ocupo um cargo de chefia em um universo onde 80% dos colegas de profissão em posição de comando são homens. Não choro fácil e não abaixo a cabeça porque alguém não gostou de algo que fiz ou disse. Na rua, porém, eu baixei.

Quando passava por grupos de homens, tentava instintivamente atravessar a rua e ficar o mais longe possível deles, mesmo sabendo que minha missão nessa reportagem era seguir em frente e registrar caso fosse importunada.

Homens bem arrumados, homens desarrumados, mais novos, mais velhos, brancos, negros, mulatos. Não há um perfil para o assediador. Em comum, a sensação de impotência. No assédio, ficou claro para mim, há uma relação de poder em que se tenta colocar as mulheres em uma posição submissa.

Na rua, dificlmente encaro alguém, olho nos olhos, nada que possa ser interpretado erroneamente como um "convite". Percebo nas mulheres próximas a mim, uma espécie de solidariedade quando tenho que passar por grupos de homens. Uma troca de olhares assustados antecedem meus passos, como se me perguntassem: "Menina, tem certeza que vai por aí?".

Sim, eu poderia responder, retrucar, e algumas vezes já fiz isso na rua (quando estava perto de outras pessoas a quem poderia recorrer para manter minha segurança). O medo de ser seguida e (mais) agredida é ainda maior, e na maior parte das vezes as mulheres se calam já que muitos homens, ao ouvir um "não", se revoltam, xingam e partem para a violência.

Quando a experiência chega ao fim, me sinto exausta. Não pelos calos no pé ou pela roupa quase ensopada de suor. O que cansa é todo o desgaste emocional de sentir medo e vulnerabilidade por ser mulher.

Um exemplo disso foi retratado em 2012, quando uma jovem belga de 25 anos decidiu gravar o que ouvia dos homens enquanto caminhava pelas ruas de Bruxelas – e principalmente de sua vizinhança, em um bairro pobre da cidade. O resultado foi o documentário Femme de la Rue (Mulher da Rua, em tradução livre). Um dos homens chega pelas suas costas, dizendo que ela é "linda". Outro, simplesmente a cruza na calçada, vira o rosto em sua direção e a chama de "vadia".

COMENTÁRIOS ABUSIVOS NÃO SÃO CANTADAS

Comentários sexuais abusivos e ameaçadores não são cantadas. Paquerar alguém pressupõe permissão, reciprocidade. A chave está em uma palavra: consentimento. Assédios sexuais em locais públicos são um problema social. Não tem a ver com "fulano de tal" que é grosseiro, ou aquele outro indivíduo que é machista. Não são casos isolados.

Cada "fiu-fiu" e "meu bem" direcionados à mulheres na rua que não são conhecidas de quem profere o "elogio" é, na verdade, apenas mais um sintoma de uma cultura que incentiva e considera a misoginia (a repulsa, desprezo ou ódio contra às mulheres) algo inofensivo.

E mesmo essa sendo minha opinião pessoal, em um texto assinado por mim contando uma experiência pessoal com todos os viés decorrentes dela, não estou só nessa ideia. Pesquisa divulgada em 2013 aponta que 83% das mulheres brasileiras não gostam das cantadas de rua. A pesquisa feita pelo site Olga, aponta que quase oito mil mulheres responderam o questionário elaborado pela jornalista Karin Hueck, e 99,6% relataram já terem sofrido assédio na rua.

"A gente acha que o machista e o assediador é esse homem sem rosto, esse homem desconhecido que abusa das mulheres nas ruas escuras. Não é. Esses assediadores são pais, são filhos, são profissionais competentes que estão mais perto do que a gente imagina. […] Por quê? Porque o assédio é legítimo culturalmente. Ele é entendido como algo que faz parte do homem. Ele é entendido como algo bom, como flerte. Mas não é", relata a jornalista Juliana de Faria em sua palestra no TED São Paulo.

Ela é criadora de uma página no Facebook chamada "Chega de Fiu Fiu", que expõe, entre outras situações, atos que as mulheres deixam de fazer por conta do assédio. Um exemplo disso é que sair de casa vestindo o que quiser, independente do destino e do meio de transporte escolhido, ou então olhar quando alguém lhe chama na rua.

"Ah mas eu sou homem e adoro quando uma mulher me 'elogia' na rua", pode argumentar um. A diferença é que crimes sexuais contra mulheres são estratosfericamente maiores do que em relação aos homens. Numericamente, temos motivos para temer.

É possível, sendo homem, ouvir um "elogio" sem medo de ser perseguido, seguido ou até mesmo violado contra a própria vontade – como ocorre com muitas mulheres.

Em outubro de 2013, a estudante Anne Melo, chegou a ser presa por agentes da Tropa de Choque após ser chamada por um dos policiais de "gostosa", durante o protesto realizado no centro do Rio de Janeiro.

Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra o momento em que a jovem foi detida sob acusação de desacato. Segundo a estudante relatou, depois de receber o suposto "elogio" de um PM que estava na garupa de uma moto do Choque, ela respondeu ao policial de forma "agressiva". Terminou presa por não ter aceitado a "gracinha" proferida por uma figura de autoridade.

"ASSEDIE A SUA MÃE"

Uma campanha (relembre aqui) realizada pela empresa Everlast do Peru, selecionou homens que, constantemente, assediavam mulheres na rua e localizou suas mães. Decidindo por participar da campanha, elas foram produzidas com acessórios como perucas e vestimentos tornando-as mais jovens e quase irreconhecíveis.

Resultado: foram alvos de cantadas dos próprios filhos. Ao descobrirem a real identidade de quem eles estavam cantando, os assediadores pediram desculpas e alegaram arrependimento e constrangimento. A pergunta que não quer calar: homens que assediam mulheres gostariam que suas mães ou filhas fossem assediadas da mesma forma?

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

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Revista Época ultrapassa limites e faz 'revelações' sobre vida sexual de Dilma

Época publica 'revelações' sobre vida sexual da presidente Dilma Rousseff. Repercussão negativa da grosseria fez com que a revista retirasse o texto do ar.

dilma sexo revista época

João Luiz Vieira, um dos editores da revista Época, que pertence ao grupo Globo, publicou uma grosseria que repercutiu mal na internet e na imprensa em geral.

Em seu artigo "Dilma e o Sexo", Vieira atribui os problemas da presidente Dilma Rousseff à "falta de erotismo". A baixaria, que já foi retirada do ar (estava aqui), ainda pode ser lida aqui.

Afinal, o que leva um profissional (Vieira é jornalista há 26 anos) a escrever uma espécie de crônica sobre a vida sexual da presidente da República para tentar explicar a crise política e econômica que atravessa o Brasil?

Para o jornalista Fernando Brito, Época ultrapassou todos os limites da civilidade. "Época, como sub-Veja que sempre foi, apenas colhe os frutos de uma mídia empresarial que perdeu todo o limite de civilidade e bota Jabores, Rodrigos, Reinaldos, Gentilis e outros a rosnar. E outros que, sibilantes, revestem a peçonha em termos e temas pretensamente "cults". Tornamo-nos a república dos imbecis, dos ofensores, da xingação. Que época!", afirma Brito.

Alguns internautas se assustaram com a publicação da Época, independentemente de serem ou não eleitores da atual presidente ou de estarem de acordo com o governo vigente. "O que é isso? Até que ponto esses caras se rebaixarão moral e intelectualmente? Tudo bem, eles contam com a simpatias de imbecis piores que eles. Mas senso de ridículo, nunca tiveram nenhum? Ou abrem mão dele agora em razão de seus "objetivos maiores"? Cara, que gente podre", escreveu Marcos Nunes.

"Isso não é jornalismo, é um esgoto dos mais fétidos. Me senti agredida como mulher. O que virá em seguida? Que presidência é lugar de homem (rico) e que ela deveria ir lavar uma louça ou costurar uma roupa? Estou perplexa", criticou Ana Maria.

Leia abaixo trechos do texto de João Luiz Vieira, editor da Época:

Não a conheço pessoalmente, nem sei de ninguém que a viu nua, mas é bem provável que sua sexualidade tenha sido subtraída há pelo menos uma década, como que provando exatamente o contrário: poder e sexo precisando se aniquilar.

Será que Dilma devaneia, sente falta de alguém para preencher a solidão que o poder provoca em noites insones? Será que ela não se ressente de um ser humano para declarar que quer mandar todo mundo para aquele lugar, afinal ela não tem como dizer isso para o neto, supostamente seu melhor amigo, que ainda nem sabe ler? Será que ela não sente falta de comer pipoca enquanto assiste suas séries de TV paga, que tanto ama e a faz relaxar das pressões inerentes ao cargo?

[…]

Dilma, não. Dilma é de uma geração de mulheres anti-Jane Fonda, que acreditam que a sexualidade termina antes mesmo dos 60 anos, depois de criados filhos e ter tido seus netos. A atriz norte-americana foi uma combatente política quando era antidemocrático falar mal dos Estados Unidos, nação que estava dizimando vietnamitas e ela, no auge da beleza e do erotismo explícito como a emblemática personagem Barbarella, posou numa trincheira.

Isso foi no fim dos anos 1960, quando Dilma começou a lutar por democracia nos nossos anos de ditadura (1964-1985). Jane hoje é uma contumaz usuária de testosterona para regular seus hormônios e manter sua sexualidade gritando aos 77 anos. A atriz, precursora da autoestima para uma geração de mulheres no mundo inteiro, chega ao terço final de sua via exalando erotismo.

[…]

Diz-se que as amazonas, filhas de Ares, deus da guerra, cortavam um dos seios para manusear o arco e flecha e lutar. Ou seja, o feminino guerreiro precisaria extirpar a própria feminilidade. Não deveria, mas muitas vezes a exclui, e exemplos temos aos montes. Fragilizar-se é compatível com o cargo que essas senhoras almejam? Talvez sim, talvez não.

Dilma, se fosse seu amigo lhe diria: erotize-se.



quarta-feira, 19 de agosto de 2015

O pensamento binário é uma característica dos idiotas

Você é daqueles que acham que criticar a polícia é defender bandido? O pensamento binário é fascinante. Para algumas pessoas, a vida é simples: é céu ou inferno. Não existe outra coisa entre um polo e outro, nenhuma área cinzenta, nenhuma dúvida, nada. Para elas, o mundo não é complexo

chacina osasco polícia militar

Leonardo Sakamoto

O pensamento binário é fascinante. Para algumas pessoas, a vida é simples: é céu ou inferno. Não existe outra coisa entre um polo e outro, nenhuma área cinzenta, nenhuma dúvida, nada. Para elas, o mundo não é complexo. As pessoas idiotas é que tentam turvar aquilo que é certo, confundindo a certeza que deus nos deu.

Daí, para a vida fazer sentido, dizem que todos têm que abraçar uma ideia e simplificar o mundo ao máximo. Se você acha que isso é impossível, sem problema: eles te dão uma mãozinha, taxando você.

Por exemplo, para esse tipo, se você critica a atuação da polícia em um operação realizada em uma comunidade pobre ou afirma que há suspeitas de envolvimento de policiais em uma chacina, é um defensor de bandidos, quer a morte de policiais e deseja beber o sangue de crianças sacrificadas em nome de algum demônio. O mais feio deles.

Como já disse aqui várias vezes, independentemente de policiais estarem ou não envolvidos na chacina de 18 pessoas em Osasco e Barueri (SP), precisamos debater profundamente nossa polícia. E isso não se resume a dar bônus a quem matar menos ou aulas de direitos humanos na academia. Passa por revisão sobre o papel, os métodos e o seu caráter em nossa sociedade. Porque o sistema se reproduz no dia a dia.

Alguns setores da corporação estão impregnados com a ideia de que nada acontecerá com eles caso não cumpram as regras.

Agem à margem da lei em nome do cumprimento da mesma lei – ao torturar para obter respostas, por exemplo. Ou passar por cima dela em proveito próprio – o que pode ser provado pela ação de milícias e grupos de extermínio integrados, muitas vezes, pela banda podre da polícia.

Outra parte, reunindo a maioria dos policiais, segue as regras, mas sabe que a mesma sociedade está pouco se lixando para eles e suas famílias. Pagamos salários ridículos, de fome, e exigimos que se sacrifiquem em nome do nosso patrimônio.

Mudanças incluem um processo de desmilitarização da polícia. As Forças Armadas são formadas para a guerra. Em última instância, militares são treinados para matar. A polícia, por outro lado, não está em guerra com seu próprio povo. Ao menos, não deveria.

Parte da população apoia esse tipo de comportamento policial. Gosta de se enganar e acha que se sente mais segura com o Estado agindo "em guerra" contra a violência – como se isso não fosse, em si, um contrassenso. Essas pessoas são seguidoras da doutrina: "se você apanhou da polícia é porque alguma culpa tem".

E se não se importam com inocentes, imagine então com quem, posteriormente, é considerado culpado. Para eles, é pena de morte e depois derrubar a casa e salgar o terreno onde a pessoa nasceu, além de esterilizar a mãe para que não gere outro meliante.

Enfim, reforço a ideia do último texto: mais do que um país sem memória e sem Justiça, temos diante de nós um Brasil conivente com o terror como principal ferramenta de ação policial. Os métodos eram os mesmos incorporados pela polícia na ditadura? Ah, se for em nome da minha (pretensa e frágil) segurança, não importa. Tiro até selfie.

E como também disse aqui, a polícia é um instrumento. O instrumento de uma parcela da sociedade com um grupo de poder econômico para a qual os domínios fora de seu castelo são terra de ninguém. O que acontece lá, fica por lá, desde que as coisas continuem como sempre foram.

Afinal de contas, na maior parte das vezes os que morrem são pretos e pobres, inocentes, culpados, moradores, policiais.

*Leonardo Sakamoto é professor, jornalista e doutor em Ciência Política

Quando o ‘chorume’ da internet invade a vida real

COLUNA

Quando o 'chorume' da internet invade a vida real

Comentários em letra maiúscula saltam das telas para os cartazes raivosos nos protestos. 

Defini-los como 'gatos pingados' é virar as costas para a nossa história recente



Manifestante pede a volta da ditadura durante protesto em São Paulo. / ANDRÉ TAMBUCCI (FOTOS PÚBLICAS)

"DILMA, PENA Q NÃO TE ENFORCARAM NO DOI CODI". "FORA COMUNISTAS, INTERVENÇÃO TEMPORÁRIA MILITAR JÁ". "PORQUÊ (sic) NÃO MATARAM TODOS EM 1964". Parece comentário raivoso que se vê aos montes pelas redes sociais. Mas não. Essas são frases reais, escritas em letras garrafais, que saltaramdas telas para o 3D na última manifestação contra o Governo, no dia 16, causando choque e desconforto em grande parte de quem as viu. Ao flagrar cartazes como esses em protestos que reuniram milhares de pessoas pelo Brasil – e cujo foco, creio, era o repúdio à corrupção e à incompetência política, e não a defesa do ódio desmedido – me sinto um pouco como a versão 2002 de Regina Duarte (que, aliás, estava lá, demonstrando sua indignação do alto de uma árvore): eu tenho medo.

Na internet, frases como essas flagradas por aí têm um apelido pouco carinhoso: chorume, justamente pelo estrago que fazem. Assim como aquele líquido de cheiro forte e aparência viscosa que sai dos lixões, esse chorume virtual também é tóxico. Cada observação como essas que ignoram 21 anos de graves violações aos direitos humanos, repressão, torturas, estupros eassassinatos cometidos por quem estava no poder, nos tira um pouquinho da fé na humanidade. Não aprendemos nada com a nossa história?

Sim, os que pedem a volta da ditadura militar (ou a intervenção militar temporária, como dizem) são, de fato, uma minoria. Nem as Forças Armadas engrossam abertamente esse coro. E não, não podemos generalizar todos os que foram às ruas no último domingo como sendo defensores dessa barbárie. Tampouco podemos usar cartazes como esse para ridicularizar – e, assim, não tentar compreender – o movimento que tem ganhado corpo em 2015. Mas nem nós, como imprensa, nem os organizadores dos protestos e a sociedade civil podemos ignorá-los. Eles estavam lá. EM CAIXA ALTA, como na internet. Sem filtro de spam. Sem alerta para conteúdo impróprio. Botando medo em quem assistia de casa a essas cenas. Assustando, inclusive, muitos que gostariam de sair para se manifestar, mas que não o fazem justamente para não serem cúmplices da ignorância, por não se sentirem representados por essa minoria radical.

Manifestação na avenida Paulista no dia 16 de agosto. / PATRICIA MONTEIRO (BLOOMBERG)

É legítimo e compreensível protestar. E, convenhamos, não faltam razões hoje pra isso – seja contra o Governo (e aqui incluo muitos estaduais), seja contra boa parte dos parlamentares. Mas é chocante ver, tão pouco tempo depois de reconquistada a nossa democracia, pessoas irem às ruas pedir a volta de um regime que, se de volta ao poder, jamais permitiria uma manifestação como essa, de insatisfação em relação ao governo.

É assustador haver registros de agressão física e verbal a quem, também no seu direito legítimo de discordar, foi às ruas de vermelho demarcar uma posição ideológica, tanto quanto fizeram os que vestiam verde-amarelo. É de causar repulsa que alguém tenha coragem de, para câmeras dispostas a filmá-los, peça a morte da presidenta. Defini-los apenas como gatos pingados no meio de uma multidão é virar as costas para a nossa biografia recente.

Um dos cartazes flagrados no protesto. / REPRODUÇÃO/FACEBOOK

Dá até pra compreender o exercício do chorume livre na internet. As pessoas se sentem protegidas por uma falsa sensação de anonimato, e talvez creiam (erroneamente) que não fazem mal a ninguém. Mas quando a agressividade irresponsável sai das redes e invade o mundo real, quando a histeria comum no ambiente virtual ganha rosto nas ruas, é hora de ficar em alerta, de se preocupar. Seria melhor se esses gatos pingadoscontinuassem apenas dançando o "fora Dilma" com passinhos engraçados. Ia dar vergonha, mas, pelo menos, não nos assustariam tanto.

Marina Novaes é jornalista no EL PAÍS Brasil.

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Chupa liliam ze ninguem

Após ataques contra Dilma, Jô Soares chama jornalista de "apocalíptica". Lilian Witte Fibe foi criticada pelo apresentador depois de desenhar um cenário completamente pessimista em relação à economia brasileira

jô soares Lilian Witte Fibe
Lilian Witte Fibe e Jô Soares voltaram a trocar farpas na TV (Pragmatismo Político)

Já está virando rotina o apresentador Jô Soares entrar em atrito com as jornalistas que participam do quadro "Meninas do Jô" quando o assunto é política. Depois de discutir, em abril, com a jornalista Ana Maria Tahan por ela ter julgado legítimo o protesto daqueles que pedem o impeachment de Dilma e depois também de ter sido alvo de inúmeras críticas por ter saído em defesa do governo, o apresentador voltou a contestar a opinião de uma jornalista que faz oposição ferrenha a Dilma.

No programa que foi ao ar na madrugada na última quinta-feira, Jô trocou farpas com Lilian Witte Fibe depois de um comentário completamente pessimista em relação à economia brasileira.

"[A Dilma] fez uma maquiagem nas contas públicas que está nos custando rebaixamento de agências de risco, mais inflação, o insucesso do atual ministro Joaquim Levy, em botar as contas em ordem. Foi tudo assinado pela presidente Dilma Rousseff no primeiro mandato, que acabou com os acertos das contas da União, e, agora, está com essa inflação, maior do que popularidade dela", ela disse, completando ainda que o país vive sua "pior recessão desde Marechal Deodoro".

Jô, então, chamou o intervalo comercial e, na volta, ao reapresentar as convidadas do quadro, se referiu a Witte Fibe como "apocalíptica".

"Apocalíptica, não, realista", respondeu a jornalista, que foi rebatida pelo apresentador. "Mas é uma realidade apocalíptica. Você está dizendo que o Levy não vai conseguir… Olha, o que eu acho, eu fui entrevistar presidentes em dois momentos de crise. Fernando Henrique Cardoso e, agora, Dilma Rousseff…", dizia Jô quando ela o interrompeu: "Ué, você está falando em crise?".

"Posso terminar de falar?", rebateu o apresentador, dessa vez em um tom um pouco mais ácido. Ao fim do programa, ele reafirmou sua posição e voltou a, indiretamente, tecer críticas a comentários como o da jornalista.

"E que o Brasil melhore. Eu sou um otimista irrecuperável. Então, eu acho que no final das contas o barco segue. Enquanto os cães ladram, a caravana passa".

Pior recessão desde Marechal Deodoro?

Ao sugerir que o Brasil vive seu pior ano econômico desde Marechal Deodoro (primeiro presidente do Brasil, 1889/1891) não se sabe se Lilian Witte Fibe agiu de má-fé ou estava apenas desinformada. Como se trata de um comentário de uma jornalista, e não de uma economista, sua fala é perdoável. De todo modo, seria prudente pesquisar antes de falar, sobretudo quando se tem espaço na TV.

Uma breve conferida neste link revela as taxas de crescimento econômico do Brasil de 1970 até 2014. O histórico revela que nos anos de 1981, 1983 e 1990 o Brasil teve quedas na economia muito maiores dos que a que estão previstas para 2015. Os números de 1983 e de 1990, especificamente, configuram taxas de depressão econômica — algo muito pior que recessão.

Infelizmente, o comentário de Lilian sobre a recessão econômica brasileira em 2015 estava, em verdade, recheado de ódio político, o que impediu a jornalista de realizar uma pesquisa prévia e, consequentemente, passar a informação correta para o telespectador.

com informações de Revista Fórum

http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/08/jo-soares-e-lilian-witte-fibe-trocam-farpas-durante-programa.html

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Filhos e tatuagem

Paulo

Escola de burros

http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/08/quem-salvara-as-criancas-do-odio-alimentado-pelos-proprios-pais.html

"Pai, por que a mãe daquele menino está ensinando ele a mandar a Dilma tomar no c…?" O absurdo de expor crianças ao ódio fundamentalista nos protestos: mamãe e papai sentem orgulho de perceber que os pequenos são (ou serão) como eles

protesto dilma crianças ódio

Kiko Nogueira, DCM

— Pai, por que a mãe daquele menino está ensinando ele a mandar a Dilma tomar no c…?

Antônio, meu filho, tem 11 anos. Como acontece todo domingo, pegamos nossas bicicletas para dar uma volta. A Paulista, por volta do meio dia de domingo, dia 16, estava começando a encher.

Chamava a atenção o número de famílias com crianças. Clima de piquenique, exceto que os garotos e garotas estavam sendo expostos a uma explosão de ódio.

Uma meia dúzia de jovens, por exemplo, carregava um estandarte com os dizeres: "Dilma, decida: Jânio ou Getúlio" (a pontuação é por minha conta; no original é dilma decima jânio ou getúlio). Gritavam palavrões enquanto marchavam.

O que significa isso? Ou ela sai por bem ou dá um tiro no coração?

Uma senhora fofa empunhava um cartaz no qual se lia: "Dilma, pena que não te enforcaram no Doi Codi"

O termo carnacoxinha foi usado para definir essas manifestações. É pouco acurado. Está mais perto de uma micareta do mal, repleta de gente orgulhosa de sua ignorância.

Estão criando uma geração de pessoas odientas e preconceituosas que acha normal vomitar impropérios sobre aquela velha terrorista e o bêbado barbudo. Júnior não pode falar cocô no jantar, mas ganha um iPhone novo quando faz versinhos sujos sobre Lula e o PT. Tio Marlon e tia Patrícia acham lindo.

Esses meninos precisavam ser salvos desses monstros.

Em fevereiro, o biólogo britânico Richard Dawkins, ateu militante, afirmou que filhos de pais fundamentalistas deveriam ser protegidos na Irlanda.

"Eles devem ser ensinados a pensar por si mesmos", disse. "Tradição é uma coisa boa quando se fala em música ou literatura, moda ou arquitetura. Mas a tradição é uma base terrível para a ética".

Ao apoiar uma campanha para reformar o sistema educacional irlandês, foi além. "Você tem que equilibrar os direitos dos pais e os direitos dos filhos e eu acho que o saldo oscilou demais em favor dos pais. As crianças precisam ser preservadas de modo a não ser doutrinadas".

É difícil prever o que vai acontecer com as crias dos coxas, mas você não precisa ser especialista para saber que aquilo é uma espécie de curso de maus modos e de como virar um ressentido e um proto fascista.

Ensinar o medo e a raiva não é algo que necessite de lições ou manuais. Adultos podem simplesmente transmitir esse sentimento através de piadas e xingamentos. As crianças querem se encaixar naqueles círculos sociais, ser aceitas, e vão simplesmente imitar o que vêem e ouvem.

Mamãe e papai sentem orgulho de perceber que os pequenos são como eles. Os garotinhos ficam felizes ao notar que, repetindo o discurso de ódio, recebem em retorno alegria e reconhecimento dos mais velhos. Que tipo de sujeito acha legal levar os filhotes para ver uma pessoa como Marcello Reis ser aclamada num carro de som?

O que os coxas cometem com seus filhos nesses ambientes vai assombrá-los no futuro.

Desfile das bestas

Selfie com torturador, cartazes escritos em inglês, pedidos de intervenção militar e de socorro aos EUA, xingamentos machistas, desejos de morte, declarações de amor ao BOPE e a Eduardo Cunha, entre outros flagrantes. Confira as 40 imagens mais surreais dos atos do último dia 16 de agosto


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O terceiro grande ato nacional contra a presidente Dilma Rousseff, neste domingo (16), perdeu a força em relação aos protestos de março e abril e deve ter pouco efeito sobre a situação do governo.

A maioria dos analistas políticos que até agora se pronunciaram sobre os atos consideram que o Executivo conseguiu tornar a situação "menos pior" graças à sua reação nos dias que precederam o evento, e a oposição parece ter demorado demais para aderir às manifestações.

De acordo com o Datafolha, 125 mil estiveram na avenida paulista no último domingo. Em março, segundo o mesmo instituto de pesquisa, eram 210 mil manifestantes. A redução na adesão popular não ocorreu apenas em São Paulo, mas em todas as cidades do Brasil.

O que se repetiu, no entanto, foram as cenas tragicômicas protagonizadas por alguns manifestantes.

Selfie com torturador, cartazes escritos em inglês, pedidos de intervenção militar e de socorro aos EUA, xingamentos machistas, desejos de morte, declarações de amor ao BOPE e a Eduardo Cunha, entre outros flagrantes.

Confira abaixo as 40 imagens mais surreais dos atos do último domingo, 16 de agosto:

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