Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. (Padre Antônio Vieira)

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

A excruciante trova da Lava Jato

A excruciante trova da Lava Jato se tornou uma cantilena enfadonha e mentirosa. Insuportável não apenas pelos versos advindos de Curitiba, mas pelas palavras omitidas em Brasília, onde o ministro da Justiça imagina mandar na PF e a presidenta Dilma compra a ideia de uma luta messiânica contra a corrupção.

Luta messiânica – se há – é para que os seus detratores assumam a cadeira presidencial o mais rápido possível até 2018. Eles não importam quais sejam os expedientes utilizados, mas têm a certeza de que o principal é a Operação Lava Jato.

Paira sobre a operação uma atmosfera de limpeza, de varredura das estruturas públicas, num inédito combate à corrupção. O idílico conteúdo das ideias dos procuradores força o brasileiro a acreditar que há imparcialidade e isenção política naquele processo. E isso não é verdade.

Delegados da Polícia Federal e procuradores do MPF declararam abertamente seu voto a Aécio Neves, nas eleições de 2014. A Lava Jato já estava em curso, de onde se originou uma nuvem de boatos contra a campanha de Dilma.

A notícia publicada hoje na Folha de que o ex-deputado e presidente do PP, Pedro Correia, vai delatar 100 políticos só não é mais tosca do que a do Estadão: defesa de Marcos Valério propõe delação premiada na Lava Jato para mostrar que há ligação entre a operação na Petrobras e o mensalão.

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É o resultado do republicanismo da Dilma, assessorada pelo Zé Cardozo. Fundou-se no Paraná uma nova República pela sedição da Polícia Federal, baseada em delações e métodos mediavalescos para extorquir dos presos o que eles fizeram e também o que não fizeram.

Fez-se imprimir nas delações dos doleiros e diretores corruptos da Petrobras verdades ditas absolutas. Como se também eles não fossem corruptos. Como se não estivessem delatando apenas por saber que suas penas serão diminuídas.

Aderindo à ideia de que este governo tem que combater a corrupção a todo custo, Dilma tenta adocicar a boca dos revoltados. Não sabe que eles são manipulados todos os dias pela mídia que exacerba a crise.

A presidenta Dilma não acredita no que vê.

Ou os seus assessores são ineficientes. Não se pode esconder que o artigo da presidenta, publicado na Folha de S.Paulo, foi uma genuflexão aos pés dos golpistas da imprensa. Assim como é uma descaracterização administrativa que delegados e procuradores de justiça determinem o rumo de 200 milhões de pessoas. Por causa de uma operação policial.

Por uma trova difícil de ouvir.

*Mailson Ramos é escritor, profissional de Relações Públicas e autor do blog Nossa Política. Escreve semanalmente para Pragmatismo Político

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