Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. (Padre Antônio Vieira)

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

GIDDENS, Anthony. As consequências da modernidade

GIDDENS, Anthony. As consequências da modernidade. São Paulo: UNESP, 1991. 177 p.


Os modos de vida produzidos pela modernidade nos desvencilharam de todos os tipos tradicionais de ordem social, que uma maneira que não tem precedentes. Tanto em sua extensionalidade quanto em sua intencionalidade [...] estabelecer formas de interconexão social que cobrem o globo, em termos intencionais, elas vieram a alterar algumas das mais íntimas e pessoais característica da nosso existência cotidiana. p. 14


como [...] identificar as descontinuidades que separam as instituições sociais modernas das ordens sociais tradicionais? [...] uma é o ritmo de mudança [...] as civilizações tradicionais podem ter sido consideravelmente mais dinâmicas que outros sistemas pré modernos, mas a rapidez da mudança em condições de modernidade é extrema [...] é mais óbvio no que toca a tecnologia, permeia todas as [...] esferas. Uma segunda descontinuidade é o escopo da mudança. Conforme diferentes áreas do globo são postas em interconexão, ondas de transformação social penetram através de virtualmente toda a superfície da terra. A terceira característica diz respeito à natureza intrínseca das instituições modernas. . Algumas formas sociais modernas simplesmente não se encontram em períodos históricos precedentes. p. 15-16


O problema da ordem é visto aqui como um problema de distanciamento tempo-espaço - as condições nas quais o tempo e o espaço são organizados de forma a vincular presença e ausência. p. 22-23


O dinamismo da modernidade deriva da separação do tempo e do espaço e de sua recombinação em formas que permitem o zoneamento tempo-espacial preciso da vida social. O desencaixe dos sistemas sociais; e da ordenação e reordenação reflexiva das relações sociais à luz das contínuas entradas (inputs) de conhecimento afetando as ações de indivíduos e grupos. p. 25


O esvaziamento do tempo é em grande parte a pré-condição para o esvaziamento do espaço e tem assim prioridade casual sobre ele. [...] a coordenação através do tempo é a base do controle do espaço [...] o desenvolvimento de espaço vazio pode ser entendido em termos de separação entre espaço e lugar. Lugar é melhor conceitualizado por meio da ideia de localidade, que se refere ao cenário físico da atividade social como situado geograficamente. . p. 26-27


Nas sociedades pré-modernas, espaço e tempo coincidem amplamente, na medida em que as dimensões espaciais da vida social são, para a maioria da população, e para quase todos os efeitos, dominadas pela presença - por atividades localizadas. O advento da modernidade arranca crescentemente o espaço do tempo fomentando relações entre outros ausentes, localmente distantes de qualquer situação dada ou interação face-a-face. Em condições de modernidade o lugar se torna cada vez mais fantasmagórico, isto é, os locais são completamente penetrados e moldados em termos de influências sociais bem distantes deles. O que estrutura o local não é simplesmente o que está presente na cena; a forma visível do local oculta as relações distanciadas que determinam sua natureza. p. 27


A separação entre o tempo e o espaço não deve ser vista como um desenvolvimento unilinear, no qual não há reversões ou que é todo abrangente. Pelo contrário, como todas as tendências de desenvolvimento, ela tem traços dialéticos provocando características opostas. Além do mais, o rompimento entre tempo e espaço fornece uma base para sua recombinação em relação à atividade social. p. 28-29



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