Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive.
VIEIRA, Padre Antônio
Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive.
VIEIRA, Padre Antônio
SANTOS, Joaquim Ferreira dos. Papo-Furado. Segundo Caderno. O Globo. Rio de Janeiro, 28 mar. 2005. Segundo Caderno. Disponível em: www.folha.com.br
Eu desconfio de quem fala com a boca cheia. Não de comida, que tem umas crianças lindas assim. Mas de boca cheia de palavras. Aprendi com o poeta que é preciso usar a faca afiada e enxugar a gordura verborrágica que, por nossa ignorância atávica, fomos acostumados a curtir nos deputados baianos, nos advogados paulistas, nos camelôs cariocas e nos pastores das universais do reino disso e daquilo. Uma das glórias nacionais é o sujeito que "fala bonito". Geralmente não passa de um perdulário das palavras. Gosta do volume que elas fazem na orelha do próximo. Dá preferência às mais complicadas do dicionário e gosta de juntá-las, uma atrás da outra, nem aí para o fato de não estarem significando senso algum. Então, o que que acontece?!... A grande platéia brasileirinha, que tem como requinte estético o malabarista de circo equilibrando garrafas, reconhece o pseudo-artista do verbo com a nova sardinha no focinho — e vibra invejosa de tanta falsa cultura.
ISTOÉ - Qual o resultado disso?
Shinyashiki - Paranóia e depressão cada vez mais precoces. O pai quer preparar o filho para o futuro e mete o menino em aulas de inglês, informática e mandarim. Aos nove ou dez anos a depressão aparece. A única coisa que prepara uma criança para o futuro é ela poder ser criança. Com a desculpa de prepará-los para o futuro, os malucos dos pais estão roubando a infância dos filhos. Essas crianças serão adultos inseguros e terão discursos hipócritas. Aliás, a hipocrisia já predomina no mundo corporativo.
ISTOÉ - Por quê?
Shinyashiki - O mundo corporativo virou um mundo de faz-de-conta, a começar pelo processo de recrutamento. É contratado o sujeito com mais marketing pessoal. As corporações valorizam mais a auto-estima do que a competência. Sou presidente da Editora Gente e entrevistei uma moça que respondia todas as minhas perguntas com uma ou duas palavras. Disse que ela não parecia demonstrar interesse. Ela me respondeu estar muito interessada, mas, como falava pouco, pediu que eu pesasse o desempenho dela, e não a conversa. Até porque ela era candidata a um emprego na contabilidade, e não de relações públicas. Contratei na hora. Num processo clássico de seleção, ela não passaria da primeira etapa.
ISTOÉ - Há um script estabelecido?
Shinyashiki - Sim. Quer ver uma pergunta estúpida feita por um presidente de multinacional no programa O aprendiz? "Qual é seu defeito?" Todos respondem que o defeito é não pensar na vida pessoal: "Eu mergulho de cabeça na empresa. Preciso aprender a relaxar." É exatamente o que o chefe quer escutar. Por que você acha que nunca alguém respondeu ser desorganizado ou esquecido? É contratado quem é bom em conversar, em fingir. Da mesma forma, na maioria das vezes, são promovidos aqueles que fazem o jogo do poder. O vice-presidente de uma das maiores empresas do planeta me disse: "Sabe, Roberto, ninguém chega à vice-presidência sem mentir." Isso significa que quem fala a verdade não chega a diretor?
ISTOÉ - Temos um modelo de gestão que premia pessoas mal preparadas?
Shinyashiki - Ele cria pessoas arrogantes, que não têm a humildade de se preparar, que não têm capacidade de ler um livro até o fim e não se preocupam com o conhecimento. Muitas equipes precisam de motivação, mas o maior problema no Brasil é competência. Cuidado com os burros motivados. Há muita gente motivada fazendo besteira. Não adianta você assumir uma função para a qual não está preparado. Fui cirurgião e me orgulho de nunca um paciente ter morrido na minha mão. Mas tenho a humildade de reconhecer que isso nunca aconteceu graças a meus chefes, que foram sábios em não me dar um caso para o qual eu não estava preparado. Hoje, o garoto sai da faculdade achando que sabe fazer uma neurocirurgia. O Brasil se tornou incompetente e não acordou para isso.
ISTOÉ - Está sobrando auto-estima?
Shinyashiki - Falta às pessoas a verdadeira auto-estima. Se eu preciso que os outros digam que sou o melhor, minha auto-estima está baixa. Antes, o ter conseguia substituir o ser. O cara mal-educado dava uma gorjeta alta para conquistar o respeito do garçom. Hoje, como as pessoas não conseguem nem ser nem ter, o objetivo de vida se tornou parecer. As pessoas parece que sabem, parece que fazem, parece que acreditam. E poucos são humildes para confessar que não sabem. Há muitas mulheres solitárias no Brasil que preferem dizer que é melhor assim. Embora a auto-estima esteja baixa, fazem pose de que está tudo bem.
ISTOÉ - Por que nos deixamos levar por essa necessidade de sermos perfeitos em tudo e de valorizar a aparência?
Shinyashiki - Isso vem do vazio que sentimos. A gente continua valorizando os heróis. Quem vai salvar o Brasil? O Lula. Quem vai salvar o time? O técnico. Quem vai salvar meu casamento? O terapeuta. O problema é que eles não vão salvar nada! Tive um professor de filosofia que dizia: "Quando você quiser entender a essência do ser humano, imagine a rainha Elizabeth com uma crise de diarréia durante um jantar no Palácio de Buckingham." Pode parecer incrível, mas a rainha Elizabeth também tem diarréia. Ela certamente já teve dor de dente, já chorou de tristeza, já fez coisas que não deram certo. A gente tem de parar de procurar super-heróis. Porque se o super-herói não segura a onda, todo mundo o considera um fracassado.
ISTOÉ - O conceito muda quando a expectativa não se comprova?
Shinyashiki - Exatamente. A gente não é super-herói nem superfracassado. A gente acerta, erra, tem dias de alegria e dias de tristeza. Não há nada de errado nisso. Hoje, as pessoas estão questionando o Lula em parte porque acreditavam que ele fosse mudar suas vidas e se decepcionaram. A crise será positiva se elas entenderem que a responsabilidade pela própria vida é delas.
ISTOÉ - É comum colocar a culpa nos outros?
Shinyashiki - Sim. Há uma tendência a reclamar, dar desculpas e acusar alguém. Eu vejo as pessoas escondendo suas humanidades. Todas as empresas definem uma meta de crescimento no começo do ano. O presidente estabelece que a meta é crescer 15%, mas, se perguntar a ele em que está baseada essa expectativa, ele não vai saber responder. Ele estabelece um valor aleatoriamente, os diretores fingem que é factível e os vendedores já partem do princípio de que a meta não será cumprida e passam a buscar explicações para, no final do ano, justificar. A maioria das metas estabelecidas no Brasil não leva em conta a evolução do setor. É uma chutação total.
ISTOÉ - Muitas pessoas acham que é fácil para o Roberto Shinyashiki dizer essas coisas, já que ele é bem-sucedido. O senhor tem defeitos?
Shinyashiki - Tenho minhas angústias e inseguranças. Mas aceitá-las faz minha vida fluir facilmente. Há várias coisas que eu queria e não consegui. Jogar na Seleção Brasileira, tocar nos Beatles (risos). Meu filho mais velho nasceu com uma doença cerebral e hoje tem 25 anos. Com uma criança especial, eu aprendi que ou eu a amo do jeito que ela é ou vou massacrá-la o resto da vida para ser o filho que eu gostaria que fosse. Quando olho para trás, vejo que 60% das coisas que fiz deram certo. O resto foram apostas e erros. Dia desses apostei na edição de um livro que não deu certo. Um amigão me perguntou: "Quem decidiu publicar esse livro?" Eu respondi que tinha sido eu. O erro foi meu. Não preciso mentir.
ISTOÉ - Como as pessoas podem se livrar dessa tirania da aparência?
Shinyashiki - O primeiro passo é pensar nas coisas que fazem as pessoas cederem a essa tirania e tentar evitá-las. São três fraquezas. A primeira é precisar de aplauso, a segunda é precisar se sentir amada e a terceira é buscar segurança. Os Beatles foram recusados por gravadoras e nem por isso desistiram. Hoje, o erro das escolas de música é definir o estilo do aluno. Elas ensinam a tocar como o Steve Vai, o B. B. King ou o Keith Richards. Os MBAs têm o mesmo problema: ensinam os alunos a serem covers do Bill Gates. O que as escolas deveriam fazer é ajudar o aluno a desenvolver suas próprias potencialidades.
ISTOÉ - Muitas pessoas têm buscado sonhos que não são seus?
Shinyashiki - A sociedade quer definir o que é certo. São quatro loucuras da sociedade. A primeira é instituir que todos têm de ter sucesso, como se ele não tivesse significados individuais. A segunda loucura é: "Você tem de estar feliz todos os dias." A terceira é: "Você tem que comprar tudo o que puder." O resultado é esse consumismo absurdo. Por fim, a quarta loucura: "Você tem de fazer as coisas do jeito certo." Jeito certo não existe. Não há um caminho único para se fazer as coisas. As metas são interessantes para o sucesso, mas não para a felicidade. Felicidade não é uma meta, mas um estado de espírito. Tem gente que diz que não será feliz enquanto não casar, enquanto outros se dizem infelizes justamente por causa do casamento. Você precisa ser feliz tomando sorvete, levando os filhos para brincar.
ISTOÉ - O sr. visita mestres na Índia com freqüência. Há alguma parábola que o sr. aprendeu com eles que o ajude a agir?
Shinyashiki - Quando era recém-formado em São Paulo, trabalhei em um hospital de pacientes terminais. Todos os dias morriam nove ou dez pacientes. Eu sempre procurei conversar com eles na hora da morte. A maior parte pega o médico pela camisa e diz: "Doutor, não me deixe morrer. Eu me sacrifiquei a vida inteira, agora eu quero ser feliz." Eu sentia uma dor enorme por não poder fazer nada. Ali eu aprendi que a felicidade é feita de coisas pequenas. Ninguém na hora da morte diz se arrepender por não ter aplicado o dinheiro em imóveis. Uma história que aprendi na Índia me ensinou muito.
O sujeito fugia de um urso e caiu em um barranco. Conseguiu se pendurar em algumas raízes. O urso tentava pegá-lo. Embaixo, onças pulavam para agarrar seu pé. No maior sufoco, o sujeito olha para o lado e vê um arbusto com um morango. Ele pega o morango, admira sua beleza e o saboreia. Cada vez mais nós temos ursos e onças à nossa volta. Mas é preciso comer os morangos.
BUSCA BOOLEANA (boolean search): tipo de busca que permite a utilização dos operadores E (AND, + ou &), NÃO (NOT, ou!), OU (OR) ou PRÓXIMO (NEAR ou ~) no sentido de incluir ou excluir documentos que contenham determinadas palavras ou termos;
BUSCA DIFUSA (fuzzy search): busca de grafias alternativas de palavras fazendo combinações mesmo quando as palavras estão grafadas erradamente;
BUSCA POR CONCEITO (concept search): busca de documentos que não contenham uma palavra específica mas que esteja relacionado conceitualmente com esta palavras;
BUSCA POR FRASE (phrase search): busca por documentos que contenham uma frase ou sentença exata ou específica;
BUSCA POR PALAVRA-CHAVE (keyword serach): estratégia de busca que requer que o resultado final contenha uma ou mais palavras especificadas;
BUSCA POR PROXIMIDADE (proximity search): busca por documentos que contenham certas palavras perto de outra;
ÍNDICE (índex): a lista de resultados da busca criado pelo macanismo de busca quando analisa sítios na web;
RELEVÂNCIA (relevance): valor ou porcentagem de qualidade informativa de documentos recuperados de acordo com os termos de busca especificados previamente.
BUSCA POR TRUNCAMENTO.
Pág. 100-101
Totalmente na porção sul do hemisfério ocidental (subtropical)
OBS: Latitude = distância do equador e Longitude = distância de Greenwich
Amplitude com base nos pontos extremos:
latitude: 276,1 km
longitude: 543,5 km
Pontos extremos:
Norte: curva do rio Saí-Guaçú
Sul: nascente do rio Mampituba
Leste: ponta dos Ingleses
Oeste: confluência dos rio Peperi-Guaçú e Uruguai
Norte: Paraná, 756 km (rio Peperi ao saí-Guaçú)
Sul: RG, 958 km (Mampituba e Peperi)
Leste: Oceano Atlântico
Oeste: Argentina, 246 km (através do Peperi)
São Francisco do Sul, Desterro, Laguna e Lages.
Microrregiões (anexo 1)
São regiões de municípios que possuem identidade de ambiente físico, organização espacial, potencial produtivo e relações de produção. Existem 4 Mesoregiões: 1. Leste; 2. Florianópolis; 3. Sul e 4. Oeste que subdividem-se em 16 microrregiões:
Magmáticas: solidificação do magma, material ígneo resfriado (intrusiva = dentro da crosta. Ex: granito e extrusiva na superfície. Ex. basalto)
Metamórficas: da transformação de outras rochas dentro da crosta, devido á temperatura e pressão. Ex: gnaisses e mármore.
Sedimentares: erosão, restos de seres vivos e precipitação química de sais. Ex: arenito, carvão, calcário.
É diversificada pois seu território passou por diversos estágios de evolução. Do litoral para o interior surgem sucessivamente:
faixa sedimentar descontínua do quaternário
faixa de rochas magmáticas e metamórficas do pré-cambriano
faixa de rochas sedimentares do paleozóico e mesozóico
região coberta por derrames do mesozóico
era Pré Cambriana (primitiva)
rochas mais antigas
próximo ao litoral
embasamento cristalino -> Complexo ou Plataforma Brasileira
rochas magmáticas intrusivas ou cristalinas
movimentos diastróficos (falhas, rebaixamento, etc.)
era Paleozóica
Bacia sedimentar do Paraná (carvão)
Arenitos e folhelhos
era Mesozóica (secundária)
região central e oeste (vulcanismo e fissura)
sorguimento e basculamento para Oeste (maiores altitudes = 2000 m)
Cenozóico
principalmente litoral
áreas arenosas, mangues (São F. até Laguna), pântanos. = 2% área.
Características:
Maior altitude: contrafortes da serra geral com + 1400 m localizados no planalto de São Joaquim e arredores (1%)
Ponto culminante: 1808 m entre os municípios de Bom Jardim da Serra, Orleans e Urubici; temperaturas mais elevadas do país devido altura e afastamento entre os rios.
89,9% entre 200 e 1400 m
Clima (anexo 4)
Observação: tempo = condição momentânea da atmosfera e clima = seqüência habitual de tipos de tempo
SC está em uma área de transição entre as regiões tropical e temperada propriamente dita, caracterizando-se pela subtropicalidade
Fator Maritimidade:
Correntes marítimas: a. do Brasil (quente): atua no litoral amenizando as temperaturas no período mais frio. b. Malvinas (fria): atua ocasionalmente provocando a queda da temperatura.
Fator Continentalidade:
principalmente no Centro-oeste, amenizando amplitudes térmicas (agravando as temperaturas)
por sua influência, no extremo oeste (mesmo não sendo a área mais ria) é onde ocorre as maiores amplitudes térmicas (máxima 40º e mínima –4º)
Fator circulação do ar:
Anticlone Tropical (reg. trop) = Oceano Atlântico
Anticlone Polar (reg. Subtropical) = AO -> surgem aqui massas de ar responsáveis pela dinâmica da atmosfera da região:
Polar Atlântica (mPa): fria, seca, estável, no deslocamento adquire umidade do mar; temperaturas mais baixas.
Tropical Atlântica (mTa): vento nordeste, chuvas orográficas e algumas trovoadas; temperaturas mais elevadas.
Do encontro destas duas surge a região Frontal (FPA) de grande instabilidade com ventos e queda da temperatura e tempo instável. Ocorre em todas as estações do ano.
Observação: atuam esporadicamente a Polar Pacífica (mPp) e Tropical Continental (mTc). Média anual -> Litoral (quente) + 20º e Planalto (moderada/fria) 15º.
distribuição uniforme
reflete atuação das massas mTa (velocidade) e mPa (umidade) regulando sua intensidade, volume e duração.
Média entre 1250 e 2000 mm; difere do Noroeste que supera 2000 mm e do litoral que é inferior 1250 mm.
Hidrografia (2 sistemas)
Vertente do litoral: formada por bacias isoladas e rios que vcorrem diretamente para o mar; orientam-se no sentido Oeste-Leste; menores que os do interior; apenas a Bacia do Itajaí supera em área a do Iguaçú;
Vertente do Interior (62,7%): formada pelas Bacias dos Rios Uruguai, Iguaçú (nasce em Curitiba) e afluentes; principal linha divisória é a escarpa da Serra Geral e Serra do Espigão, entre a Bacia do Iguaçú (norte) e rios da bacia do Uruguai;
maior Bacia Hidrográfica: Uruguai (formadores são Pelotas – nasce no Morro da Igraja - e Canoas – Campo dos Padres) com 51,65% território catarinense. Estância de águas termais em Chapecó, São Carlos, Piratuba, Palmitos, Caibí e Mondaí. (anexo 5)
a extensão, forma e número de afluentes do vale favorece as cheias;
represa de Pilões: Rio Vargem do Braço = maior reserva da capital
Rio Uruguai + Paraná + Paraguai = Rio da Prata
O poder do pensamento negativo
A negação do ócio é a alma do negócio
Como ter muita sorte – muito rápido
A união faz a forca: nunca desdenhe a mediocridade
Diversões corporativas
Cara-de-pau e preguiça: como trabalhar em equipes
Os 7 hábitos dos puxa-sacos altamente eficazes
O que vale é a beleza exterior
O essencial do chic é ser elegante
O guia do assédio sexual impecável
[...] se você realmente acreditou nessa página, das duas uma: ou é estagiário ou precisa de ajuda médica urgente p. 15
É público e notório que uma grande corporação não é exatamente um lugar de gente muito inteligente. Você sabe muito bem o quanto seu chefe é burro, muito burro. Aquele colega que conseguiu a promoção no seu lugar, então, nem se fala. E aquele estagiário bonitão que dormiu com a chefa? Põe burro nisso! Sem contar os malditos gringos a quem você tem de se reportar, que, para serem burros, precisariam de um Ph. D. Ou nem isso, já que os consultores, com seus cartões de visitas cheios de letrinhas, não são melhores. p. 18
O burro só pode ser você, que estudou, se preparou, acreditou... well, my friend, duas notícias: uma boa e uma má. A boa é que seus colegas não estão tão bem assim, eles fingem. A má é que você realmente tem razão: o burro é você;. Sim, você – que não consegue arranjar outro emprego, que não consegue melhorar esse, que não consegue ser expatriado, não consegue ser demitido para montar um boteco ou uma pousada com o dinheiro da recisão e não consegue que o burro do seu chefe te entenda. p. 18-19
No fundo somos todos um pouco burros: no amor, nas mancadas com os amigos, nas compras por impulso, nos filmes que escolhemos sem ler a crítica, nos filmes que escolhemos porque lemos a crítica, quando nos sentimos espertos e achamos que isso é nossa exclusividade, quando acreditamos em soluções mágicas para emagrecer, combater a calvície, ficar rico, etc, etc, etc. p. 19
Neste instante toma consciência que as outras são ainda piores e que trabalho, se fosse bom, não seria remunerado. Como não pode nem tem paciência para fazer mais nada, você deixa os outros fazerem – e assume as glórias. É o ócio emocional. Com ele, somem as expectativas, angústias, estresse e culpa. As respostas ficam claras e a vida, muito mais simples. Pra que Budismo? p. 23
Benção? Sem dúvida. Já pensou se mudasse? Talvez você corresse o risco de ser um daqueles que gostam do trabalho. Que decoram suas baias, contam piadas sem graça e ficam no escritório muito depois do expediente, em atividades tão produtivas quanto arrumar gavetas, responder e-mails ou jogar games de mata-mata em rede. Que saem de lá e só contam coisas de lá. Até porque sua vida social se resume aos que vê lá – a tal ponto que, em muitas categorias profissionais, casais se formam dentro das empresas. Mais ou menos como animais que se reproduzem em cativeiro: um pouco doidos, mas tão bonitinhos nas suas jaulinhas... p. 24
[...] Se você foi demitido, não adianta nada pensar no que o seu guru de negócios predileto faria nessa situação, pois da mesma forma que top models nunca vão ao banheiro, gurus nunca são demitidos. Aliás, poucos deles chegaram a ser empregados. p. 30
Afinal, a única coisa que se leva do trabalho é o dinheiro. E nem é tanto assim. Por isso, não se incomode. p. 33
Sem necessidade, o jovem experimenta o trabalho por curiosidade, para se destacar em seu círculo social, sair do tédio, fugir da realidade. Ele sabe dos riscos que corre e não pode ignorar que, no início, o trabalho proporciona um prazer enorme – chega-se a situações de euforia e conforto que não seriam possíveis. Existe sempre alguém que pode oferecer trabalho de graça, sabe onde conseguir ou terceiriza, a fim de sustentar o próprio vício. p. 40
CLASSE DE SUBSTÂNCIA | LOCAL ENCONTRADO | EFEITOS | SUPERDOSAGEM: CONSEQUÊNCIAS |
|---|---|---|---|
Alteradores de humor | Holerites | Derrubam o humor | Agressividade |
Tranquilizantes | Conversas com chefes | Bocejos intermitentes | Aumenta o consumo de cafeína |
Moderadores de apetite | Salas de reuniões, cantina | Não se permitem que se almoce | Gastrites e úlceras, queda da pressão arterial |
Indutores do sono | Salas de reuniões | Sono profundo, narcoléptico | Atrofia cerebral |
Estimulantes | Baias de estagiários | Equipes mais animadas | Intoxicação grave |
Euforizantes | Salas de chefes | Sensação de poder, excitação e euforia | Paranóia e convulções |
Relaxantes | Happy-hours | Indiscrições e confidências | Tentativas de suicídio |
Alucinógenos | Salas de chefes | Visões (em casos raros, missões e valores) | Bad Trips, delírios, ansiedade e desorientação |
p. 44
Nunca reconheça que você tem sorte quando o que aconteceu foi pura sorte. O máximo que receberá como reconhecimento é ser considerado algum tipo de imbecil sortudo. Entretanto, se negar o acaso, assumir as glórias fortuita se afirmar veementemente que coincidências não existem – apelando para Cabala ou a sincronicidade de Jung quando necessário – é possível que acabe por convencer alguém que o fato de chover no dia da apresentação foi resultado de sua irreconhecida habilidade. Nesses termos você se livra de algo vulgar ou corriqueiro como sorte. Se é para apelar para o esotérico, diga que é predestinado. p. 53
Entenda de uma vez por todas: quem gosta de trabalhar é estagiário, pessoas normalmente muito jovens, sem nada mais produtivo para fazer. Como elas têm uma energia inesgotável, as empresas, em atitude filantrópica, as tiram das ruas, onde gastariam sua força motriz em pensamentos fúteis, como amor, esportes, ética, cidadania, compaixão e educação e as recolhem para um abrigo acarpetado, com ar condicionado e, se derem sorte, um computador com impresora e acesso á internet. Assim ajudam a trocar o insalubre trinômio "sexo, drogas e rock'n roll" por elementos mais saudáveis como "rancor, antidepressivos, new age". p. 59
Mas dizer que as pessoas são simples não quer dizer que sejam simplórias, nem burras. Ou até que precisem de alguém para educá-las. Mesmo que precisassem, certamente não seria você. Muita gente mais culta, rica e inteligente que nós não faz a menor idéia de quem tenha sido Aristóteles nem que o Discurso sobre o método não tem nada a ver com a ABNT, e vive muito bem sem isso. p. 60
O homem simples e social sabe instinticvamente que a união faz a Força. Quando algum fator ameaça a vida em comunidade, seus membros unidos o combaterão e, provavelmente, o vencerão. Em termos corporativos, a união DELES pode fazer a SUA forca [...] a meritocracia é só uma bela embalagem para a mediocracia, a democracia da média. Ela funciona mais ou menos assim: se ninguém pensa, ninguém tem que pensar e as reuniões se tornam lugares agradáveis em que nada acontece. Por isso você precisa reconhecer certas particularidades dos seus colegas, compreender seus desejos e necessidades e aprender de uma vez por todas a conviver com eles, já que a única lei que realmente parece ser cumprida é a da selva. Não se prenda a forma como falam, se vestem ou até mesmo com o cargo que ocupam. A forma mais eficiente de defesa é identificá-los [...] pelas esquisitices que os fazem funcionar. p. 61
REUNIÃO COM O TÍTULO: | NORMALMENTE SE PRETENDE A: |
|---|---|
Reunião (sem objetivo definido) | Matar tempo |
Apresentação a supervidores / acionistas | Puxar o saco dos gringos |
Apresentação de metas realizadas | Fingir que se trabalha |
Definição de novas estruturas | Estabelecer relações de poder |
Reunião de follow-up | Reafirmar relações de poder |
Reunião de contexto estratégico | Mudar relações de poder |
Alinhar as lideranças da empresa | Saber aonde levará tamanha incompetência |
Expor estratégias corporativas | Mostrar que a Presidência vive em outro planeta |
Apresentar projetos | Morrer de tédio |
Fazer announcements | Cortar muitas cabeças |
Comitê operacional | Cortar (ainda mais) custos |
Reunião de feedback | Ter certeza de que se fez bobagem |
Definição de metas | Estipular prazos irreais |
Prestação de contas | Cortar seu projeto |
Reunião com fornecedores | Testar sua capacidade de ser bajulado |
Reunião com clientes | Testar sua capacidade de bajular |
Reunião com a imprensa | Culpá-lo de qualquer palavra que sair na mídia |
Reunião de departamento | Contar as cabeças para cortá-las |
Integração | Constranger pessoas |
Socialização | Constranger mais pessoas |
Recursos humanos | Constranger muito mais pessoas e deixar marcas em sua reputação |
Tranquilizar a equipe e definir rumos | Negar até a morte que a casa caiu |
Reunião com seu chefe direto | Você está despedido |
Reunião com o chefe do seu chefe | Seu chefe será despedido. E não haverá promoção |
Acompanhamento de Grupos de Pesquisa | Ouvir desconhecidos falarem dos seus direitos |
Introduzir novos membros na equipe | Apresentar gente que você já conhece ou não precisa conhecer |
Comemorar metas | Cobrar mais metas de você |
Apresentar programas de incentivo | Cobrar muito mais metas de você |
Apresentar programas de motivação | Cobrar muito mais metas de você e obrigá-lo a atingi-las sorrindo |
Reunião cancelada | Pare de enrolar e trabalhe |
p. 80-82
Independente de seu estilo, a cultura popular das firmas não deixa dúvidas: chefe bom é chefe morto e as exceções só confirmam a regra. Histórias de controle, dominação, agressividade, insensibilidade, teimosia, insegurança, rigidez, autoritarismo, manipulação, sarcasmos, arrogância e outros sinais de uma vida sexual insatisfatória justificam uma postura tão radical de seus comandados. Mas o verdadeiramente engraçado é que aqueles que não suportam ter chefes sonham com o dia em que montarão seu próprio negócio, realizarão seu desejo de ser chefe e de construtir sua própria estrutura de criadagem e vassalagem. p. 107
Por mais que se mude o discurso, design e vistas das janelas, firmas são ambientes tão apolíticos quanto o Congresso e tão democráticos quanto o Exército. Quanto maior seu tamanho, mais estáveis serão suas instituições, em especial a mediocracia, a burocracia, o fisiologismo e o nepotismo. Em outras palavras, quase nada mudou desde a Idade das Trevas. Por isso nem pense em reclamar, na melhor das hipóteses você não será ouvido. p. 107
[...] por mais que possa parecer o contrário, a profissão mais velha do mundo é a de acompanhante – não a de consultor. Seu segredo convertido em hábito é a empatia. Pouco importa o dia ou o estresse, para elas o cliente sempre é tão bonito quanto a mãe o vê, tem tanto dinheiro quanto o filho desconfia, conquista tantas mulheres quanto a esposa suspeita e – acima de tudo – é realmente tão bom de cama quanto acredita. Tanto que sempre o saúdam com alguma variante de "olá, campeão". p. 114
[...] Sempre vale lembrar que algumas características são essenciais àquele que pretende ser um cara-de-pau exemplar: segurança, firmeza, sorriso constante, educação e gentileza. Se ameaçado, aparente grande ingenuidade e eterna indignação. p. 115
MASCULINO | SIGNIFICA | FEMININO | SIGNIFICA |
|---|---|---|---|
Cão | O melhor amigo do homem | Cadela | Puta |
Bonequinho | Brinquedo | Bonequinha | Puta |
Vagabundo | Aquele que não trabalha | Vagabunda | Puta |
Pistoleiro | Quem mata pessoas | Pistoleira | Puta |
Boi | Gordo, forte | Vaca | Puta |
Dado | Pessoa de bom trato | Dada | Puta |
Aventureiro | Desbravador, viajante | Aventureira | Puta |
Ambicioso | Visionário, enérgico, idealista | Ambiciosa | Puta |
Garoto de rua | Menino pobre, que vive na rua | Garota de rua | Puta |
Mascarado | Quem oculta sua identidade (como super-herói) | Mascarada | Puta |
Atirado | Aventureiro, sempre disponível | Atirada | Puta |
Homem da vida | Pessoa letrada pela sabedoria adquirida ao longo da vida | Mulher da vida | Puta |
Homem público | Aquele que se consagra à vida pública | Mulher pública | Puta |
Puto | Nervoso, irritado, bravo | Puta | Puta |
p. 153
O trabalhador-golem está longe de ser um indivíduo cuja existência foi truncada pelas necessidades da sobrevivência. Tampouco é um rebelde domado. É alguém a quem nunca ocorreu se rebelar. Alguém tão associado ao sistema que a ele aliena integralmente o espírito. Alguém que ambiciona pertencer, que quer ser reconhecido como útil à produção. [...] esse tipo de trabalhador desenvolve uma conduta de aceitação e conformidade. Manipulando e sendo manipulado, mitificando e crendo, ele é um exlcuído, um exilado do mundo que existe para além do trabalho. p. 22
A configuração socioeconômica que aí está [...] induz o florescimento da disposição de espírito do golem e dos seus avatares – o robô, o andróide e o cyborg – e encoraja a proliferação daqueles que dependem do sistema para sobreviver não só física, mas mental e socialmente. p. 22
[...] se realiza através das realizações do sistema. p. 24
Pode-se lamentar que seres humanos tenham cancelado os valores e as virtudes individuais. Que a sua esperança individual tenha chegado a se confundir com a esperança coletiva, e a fortuna da sua existência com a fortuna da produção. Mas a sobrevivência, tal como aqui colocada – coerência pessoal e resistência da psique ante as pressões do sistema -, impõe, para que possa se efetivar, uam lógica, uma explicação do mundo e da vida. p. 25
São duas as características de sua constituição: a mentalidade conformista e o desejo de alienar á outra instância a vontade e a decisão sobre o viver – o anseio de estar identificado com alguma estrutura social, seja ela qual for. A primeira deriva da sujeição como condição da existência. A segunda, da convicção ou da sensação de que a individualidade só existe enquanto parte. Ambas, da idéia de que cada um de nós é o que é somente em relação aos outros, aos grupos, às instituições, às organizações. Trata-se de uma exacerbação da idéia hegeliana do reconhecimento. Para o trabalhador-golem, ser não é apenas ser reconhecido. Ser é ser reconhecido como parte funcional, como subsistema. 25
[...] uma mistura de mentalidade de gueto e de vontade de inclusão. 26
O gueto é uma situação extrema, mas a "mentalidade de gueto" não. É até bastante comum. A primeira característica dessa mentalidade é a recusa em ver. [...] A segunda característica [...] é a insensibilidade como tática de sobrevivência. 27
[...] o alheamento do sistema significa a perda cada vez mais pronunciada do sentido da própria vida. [...] Mais e mais essas pessoas fazem seus os valores das organizações. Para elas, há cada vez manos vida fora do sistema. [...] toda a perspectiva da vida está limitada ao "pertencimento". p. 27
Quando os valores do sistema são tidos como valores da vida, sobrevivência torna-se tão controlável quanto controláveis são os fatores de mercado e o progresso técnico para o trabalhador na linha de produção.de forma que os trabalhadores-golem são triplamente alienados: alienam a sua força de produção [...]; alienam sua vontade [...] às forças de mercado; e alienam sua vida espiritual ao fortuito, ao aleatório, ao acaso do seu destino material. 28
Thiry Cherques, Sobreviver ao trabalho