Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. (Padre Antônio Vieira)

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Respeito nas organizações

O respeito em filosofia política é uma reverência perante uma razão superior. O respeito na linguagem cotidiana das organizações medeia entre a admiração e o temor. Respeitar um concorrente ou respeitar um parceiro é admirar o que ele fez ou temer o que ele possa fazer. A cooperação, se e quando existe nas organizações, é condição, não resultado de um interesse comum dos cooperantes. p. 134-135

THIRTY-CHERQUES, Hermano Roberto. Sobreviver ao trabalho. Rio de Janeiro: FVG, 2004. 184 p.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

O lugar da leitura e do leitor

CERTEAU, Michel de. Ler: uma operação de caça. In: ______ . A invenção do cotidiano: artes de fazer. 6. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2001. cap. XII, p. 259-273.

Com efeito, a leitura não tem lugar: Barthes lê Proust no texto de Stendhal; o telespectador lê a paisagem de sua infância na reportagem da atualidade [...] O mesmo se dá com o leitor: seu lugar não é aqui ou , um ou outro, mas nem um nem outro, simultaneamente dentro e fora, perdendo tanto um como o outro misturando-os, associando textos adormecidos mas que ele desperta e habita, não sendo nunca o seu proprietário. Assim, escapa também à lei de cada texto em particular, como à do meio social. p. 270

Sobre a credibilidade

CERTEAU, Michel de. A economia escriturística. In: ______ . A invenção do cotidiano: artes de fazer. 6. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2001. cap. X, p. 221-246.


Uma credibilidade do discurso é em primeiro lugar aquilo que faz os crentes se moverem. Ela produz praticantes. Fazer crer é fazer fazer. Mas por curiosa circularidade a capacidade de fazer se mover – de escrever e maquinar os corpos – é precisamente o que faz crer. p. 241

A douta ignorância

CERTEAU, Michel de. Foucault e Bordieu. In: ______ . A invenção do cotidiano: artes de fazer. 6. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2001. cap. IV, p. 111-130.

O uso do termo "estratégia" é [...] limitado. [...] Bordieu repete ao mesmo tempo que não se trata de estratégias propriamente falando: não há escolhas entre diversos possíveis, portanto "intenção estratégica"., [...] Não há previsão mas apenas um "mundo presumido" como a repetição do passado. Em suma, "como os indivíduos não sabem, propriamente falando, o que fazem, o que fazem tem mais sentido do que sabem". "Douta ignorância", portanto, habilidade que se desconhece. p. 124 (BORDIEU, 1970 apud CERTEAU, 2001, p. 124)

CERTEAU, Michel de. Sobre a memória

CERTEAU, Michel de. O tempo das histórias. In: ______ . A invenção do cotidiano: artes de fazer. 6. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2001. cap. VI, p. 151-166.

A memória – presença em meio à pluraridade dos tempos - é um princípio de economia: com o mínimo de força conseguir o máximo de efeito, multiplicando os efeitos pela rarefação dos meios.
Esta memória calcula e prevê as vias múltiplas do futuro, combinando as particularidades antecedentes ou possíveis [...] se introduzindo uma duração na relação de forças capaz de modifica-la [...] ficando escondida até o momento oportuno [...] o resplendor dessa memória brilha na ocasião. (CERTEAU, 1994, p. 156).

Isto implica em primeiro lugar a medição de um saber que tem por forma a duração de sua aquisição (CERTEAU, 1994, p. 158).

De I a II quanto menos força, mais se precisa de saber-memória;
De II a III, quanto mais há saber-memória, menos se precisa de tempo;
De III a IV, quanto menos tempo há, mais aumentam os efeitos.


Na composição de lugar inicial (I) o mundo da memória (II) intervém no momento oportuno (III) e produz modificações no espaço (IV). P. 160

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Máximas de Nietzsche

E reputemos perdido o dia em que não se dançou nem uma vez! E digamos falsa toda a verdade que não teve, a acompanhá-la, nem uma risada!

Nos malcasados, sempre encontrei as criaturas mais vingativas: fazem o mundo inteiro pagar por não mais poderem caminhar cada qual por sua conta.

Mais que todos, porém, é odiado quem voa.

Dinheiro e mulher

Dinheiro sendo gasto prodigamente com uma mulher é a mais impressionante exibição de poder que um homem pode fazer para ela. O pródigo exprime para a mulher beneficiária do seu esbanjamento o mesmo poder venerável que o seqüestrador, o torturador e o carrasco representam para sua vítimas. Mas há casos em que o sujeito não sendo podre de rico nem tendo soberania sobre a vida e a morte pode exercer um certo poder, mixuruca é verdade, sobre as mulheres: são os sujeitos que têm muita beleza, muito talento ou muita fama. Mas entre um poeta mavioso e um proprietário pomposo elas sempre escolhem o último p. 91.


FONSECA, Rubens. O buraco na parede. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

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