Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. (Padre Antônio Vieira)

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Regras básicas para influenciar, obter e manter o poder nas organizações

THIRTY-CHERQUES, Hermano Roberto. Sobreviver ao trabalho. Rio de Janeiro: FVG, 2004. 184 p.

A melhor síntese das regras básicas para influenciar, obter e manter o poder nas organizações ainda é a construída por Cohen e March (1974) sobre a liderança nos ginásios e universidades norte-americanas:

  1. gaste tempo

  2. persista

  3. troque posição por substância (por exemplo, troque status por reconhecimento social, posto por auto-estima)

  4. facilite a participação dos oponentes (não crie nem cultive inimigos)

  5. sobrecarregue o sistema (não de espaço para ociosidade)

  6. proponha projetos com os quais todos estejamd e acordo (evite polêmicas)

  7. prefira resultado do que visibilidade (evite áreas sensíveis)


Ao convencer os outros:

a) apresente as metas como hipóteses (não force)
b) use a intuição como se tivesse certeza
c) trate a hipocrisia como algo temporário (seja hipócrita)
d) trate a memória como inimiga (esqueça)
e) trate a experiência prática como se tivesse base teórica (o que todos sabemos) p. 100

terça-feira, 4 de novembro de 2008

A tolerância repressiva

[...] "tolerância repressiva" de Herbert Marcuse. Ele demonstrou, ou pretendeu demostrar, que a tolerância com os dissidentes da sociedade liberal tem o propósito de servir não para a emancipação de grupos e pessoas explorados, mas para adormecer os impulsos libertários. Com isso, torna-se repressiva, embora sob a aparência de libertadora. p. 131
 THIRTY-CHERQUES, Hermano Roberto. Sobreviver ao trabalho. Rio de Janeiro: FVG, 2004. 184 p.

Respeito nas organizações

O respeito em filosofia política é uma reverência perante uma razão superior. O respeito na linguagem cotidiana das organizações medeia entre a admiração e o temor. Respeitar um concorrente ou respeitar um parceiro é admirar o que ele fez ou temer o que ele possa fazer. A cooperação, se e quando existe nas organizações, é condição, não resultado de um interesse comum dos cooperantes. p. 134-135

THIRTY-CHERQUES, Hermano Roberto. Sobreviver ao trabalho. Rio de Janeiro: FVG, 2004. 184 p.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

O lugar da leitura e do leitor

CERTEAU, Michel de. Ler: uma operação de caça. In: ______ . A invenção do cotidiano: artes de fazer. 6. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2001. cap. XII, p. 259-273.

Com efeito, a leitura não tem lugar: Barthes lê Proust no texto de Stendhal; o telespectador lê a paisagem de sua infância na reportagem da atualidade [...] O mesmo se dá com o leitor: seu lugar não é aqui ou , um ou outro, mas nem um nem outro, simultaneamente dentro e fora, perdendo tanto um como o outro misturando-os, associando textos adormecidos mas que ele desperta e habita, não sendo nunca o seu proprietário. Assim, escapa também à lei de cada texto em particular, como à do meio social. p. 270

Sobre a credibilidade

CERTEAU, Michel de. A economia escriturística. In: ______ . A invenção do cotidiano: artes de fazer. 6. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2001. cap. X, p. 221-246.


Uma credibilidade do discurso é em primeiro lugar aquilo que faz os crentes se moverem. Ela produz praticantes. Fazer crer é fazer fazer. Mas por curiosa circularidade a capacidade de fazer se mover – de escrever e maquinar os corpos – é precisamente o que faz crer. p. 241

A douta ignorância

CERTEAU, Michel de. Foucault e Bordieu. In: ______ . A invenção do cotidiano: artes de fazer. 6. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2001. cap. IV, p. 111-130.

O uso do termo "estratégia" é [...] limitado. [...] Bordieu repete ao mesmo tempo que não se trata de estratégias propriamente falando: não há escolhas entre diversos possíveis, portanto "intenção estratégica"., [...] Não há previsão mas apenas um "mundo presumido" como a repetição do passado. Em suma, "como os indivíduos não sabem, propriamente falando, o que fazem, o que fazem tem mais sentido do que sabem". "Douta ignorância", portanto, habilidade que se desconhece. p. 124 (BORDIEU, 1970 apud CERTEAU, 2001, p. 124)

CERTEAU, Michel de. Sobre a memória

CERTEAU, Michel de. O tempo das histórias. In: ______ . A invenção do cotidiano: artes de fazer. 6. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2001. cap. VI, p. 151-166.

A memória – presença em meio à pluraridade dos tempos - é um princípio de economia: com o mínimo de força conseguir o máximo de efeito, multiplicando os efeitos pela rarefação dos meios.
Esta memória calcula e prevê as vias múltiplas do futuro, combinando as particularidades antecedentes ou possíveis [...] se introduzindo uma duração na relação de forças capaz de modifica-la [...] ficando escondida até o momento oportuno [...] o resplendor dessa memória brilha na ocasião. (CERTEAU, 1994, p. 156).

Isto implica em primeiro lugar a medição de um saber que tem por forma a duração de sua aquisição (CERTEAU, 1994, p. 158).

De I a II quanto menos força, mais se precisa de saber-memória;
De II a III, quanto mais há saber-memória, menos se precisa de tempo;
De III a IV, quanto menos tempo há, mais aumentam os efeitos.


Na composição de lugar inicial (I) o mundo da memória (II) intervém no momento oportuno (III) e produz modificações no espaço (IV). P. 160

Arquivos Malucos