sexta-feira, 24 de abril de 2009
Pote Mágico de Cachaça
Meu pote mágico de cachaça,
Minha meia fedida que rechassa,
Meu caderninho de escrever ilusões.
Tantas coisas perderam-se entre os corações...
Sofridos, tristes, queridos,
Amados, meigos, amigos,
Estórias e mentiras sussurradas sobre os colchões.
Tantas coisas perderam-se entre os corações...
Que de tanto amar deixaram de ser amados,
Flor que desperta o ódio nos corações abandonados.
Apesar de tantas coisas que perderam-se entre os corações,
O que sinto mais falta não é nem do amor nem do pote mágico: é da cachaça!
A minha sorte é que ela é barata....
F. Foresti, em meio aos corações abandonados cheios de cachaça
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Mil Perdões - Chico Buarque
Por fazeres mil perguntas
Que em vidas que andam juntas
Ninguém faz
Te perdôo
Por pedires perdão
Por me amares demais
Te perdôo
Te perdôo por ligares
Pra todos os lugares
De onde eu vim
Te perdôo
Por ergueres a mão
Por bateres em mim
Te perdôo
Quando anseio pelo instante de sair
E rodar exuberante
E me perder de ti
Te perdôo
Por quereres me ver
Aprendendo a mentir (te mentir, te mentir)
Te perdôo
Por contares minhas horas
Nas minhas demoras por aí
Te perdôo
Te perdôo porque choras
Quando eu choro de rir
Te perdôo
Por te trair
quinta-feira, 9 de abril de 2009
O absurdo é o divino
Fernando Pessoa, O livro do desassossego, p. 60.
domingo, 22 de fevereiro de 2009
Sonho de um Carnaval - Chico Buarque
Carnaval, desengano
Deixei a dor em casa me esperando
E brinquei e gritei e fui vestido de rei
Quarta-feira sempre desce o pano
Carnaval, desengano
Essa morena me deixou sonhando
Mão na mão, pé no chão
E hoje nem lembra não
Quarta-feira sempre desce o pano
Era uma canção, um só cordão
E uma vontade
De tomar a mão
De cada irmão pela cidade
No carnaval, esperança
Que gente longe viva na lembrança
Que gente triste possa entrar na dança
Que gente grande saiba ser criança
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Coração: fica bem
Ando chorando tanto...
Mas sem música não consigo chorar.
Preciso de trilha sonora para penar.
Será que meu sentimento é verdadeiro?
E a minha tristeza, como veio?
Pode ser que seja banal,
Mas minh'alma insiste que ele é todo o mal...
Preciso suplantar estes sentimentos
Deixar de lado meus tormentos,
Já disse para a minh'alma:
Metade da culpa é minha,
A outra metade eu não sei.
Coração: fica bem.
f. foresti
20/01/2009
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Sobre a beleza
MUSIL, Robert. O homem sem qualidades. Tradução de Lya Luft e Carlos Abbenseth. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1989. p. 18
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
A arte da nuance
Nos anos da juventude, ainda veneramos e desprezamos sem a arte da nuance, que constitui nossa melhor aquisição na vida, e, como é justo, pagamos caro por atacar de tal modo com Sins e Nãos as pessoas e as coisas. Tudo se acha disposto para que o pior dos gostos, o gosto pelo incondicional, seja cruelmente logrado e abusado, até que o homem aprenda a pôr alguma arte nos sentimentos e, melhor ainda, a arriscar na tentativa do artificial: como fazem os veros artistas da vida. p. 38
NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. Além do bem e do mal: prelúdio à uma filosofia do futuro. Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.