quarta-feira, 1 de julho de 2009
Desejo, com uma sinceridade que é feroz
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Mal amei, bebi bem, sonhei muitíssimo
Não fiz nada da vida senão tê-la.
Mal amei, bebi bem, sonhei muitíssimo.
Toda despedida é uma morte
Toda despedida é uma morte...
Sim, toda despedida é uma morte.
Nós, no comboio a que chamamos vida
Somos todos casuais uns para os outros,
E temos todos pena quando por fim desembarcamos.
Tudo o que é humano me comove, porque sou homem.
Tudo me comove, porque tenho,
[...]
Vasta fraternidade com a humanidade verdadeira.
[...]
Tudo [...] vive, porque morre, dentro do meu coração.
E o meu coração é um pouco maior que o universo inteiro.
terça-feira, 23 de junho de 2009
Schopenhauer, A arte de escrever
Goethe
For ever reading, never to be read.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Ausência - Vinicius de Moraes
Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos
Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.
Rio de Janeiro, 1935