Vem, Noite
[...]
Vagamente
[...]
Sozinha
[...]
Vem, embala-nos [...] e afaga-nos
Beija-nos silenciosamente na fronte [...] que não saibamos que nos beijam
Senão por uma diferença na alma
E um vago soluço partindo melodiosamente
Do antiquíssimo de nós
Onde tem raiz todas essas árvores de maravilha
Cujos frutos são os sonhos que afagamos e amamos
[...]
Vem soleníssima [...] e cheia
De uma oculta vontade de soluçar,
[...]
Porque a alma é grande e a vida é pequena,
E todos os gestos não saem do nosso corpo
E só alcançamos onde o nosso braço chega,
E só vemos áté onde chega o nosso olhar.
Vem, Dolorosa,
Mater-Dolorosa das Angústias dos Tímidos,
Turris-Ebúrnea das Tristezas dos Desprezados,
Mão fresca sobre a testa em febre dos humildes,
Sabor de água sobre os lábios secos dos Cansados.
[...]
Vem e arranca-me
Do solo [...] de inutilidade
Onde vicejo.
Apanha-me do meu solo, malmequer esquecido,
[...]
E desfolha-me para teu agrado
[...]
Ó domadora hipnótica das coisas que se agitam muito!
[...]
Quando tu entra baixam todas as vozes.
CAMPOS, Álvaro de. Poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.
Dois excertos de odes (fins de duas odes, naturalmente), p. 90
Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. (Padre Antônio Vieira)
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
A vida é uma tremenda bebedeira
A vida é uma tremenda bebedeira.
Eu nunca tiro dela outra impressão.
Eu nunca tiro dela outra impressão.
Fernando Pessoa, Carnaval
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Melhor ângulo de si
Composição: f. foresti Arranjo: l. manzoni, fabiano foresti, daniel scopel, f. foresti ©Copyright 2007 Todos os direitos reservados http://www.declassificados.com/ |
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
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