Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. (Padre Antônio Vieira)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

O amor está entre a crença e a inteligência

O amigo tanto amava o seu amado que acreditava em tudo o que lhe dizia e tanto desejava entendê-lo que tudo aquilo que ouvia dizer dele queria compreendê-lo pelas razões necessárias. E por isso o amor do amigo estava entre a crença e a intligência.


LULL, Ramon. O livro do amigo e do amado. Tradução de Luiz Carlos Bambassaro. São Paulo: Escala, [19--]. 74 p.

Vestido sou de tecido barato

O amigo dizia: "Vestido sou de tecido barato, mas o amor veste o meu coração de prazeres e pensamentos agradáveis e o corpo de choros, sofrimentos e paixões."


LULL, Ramon. O livro do amigo e do amado. Tradução de Luiz Carlos Bambassaro. São Paulo: Escala, [19--]. 74 p.

O amigo e o amado

O amigo e o amado se econtraram e o amigo disse: "Não precisas falar-me, mas faz-me sinal com os teus olhos que são palavras para o meu coração e eu te dou aquilo que pedires".


LULL, Ramon. O livro do amigo e do amado. Tradução de Luiz Carlos Bambassaro. São Paulo: Escala, [19--]. 74 p.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

terça-feira, 27 de julho de 2010

domingo, 18 de julho de 2010

Deus criou-me para criança, e deixou-me sempre criança

Deus criou-me para criança, e deixou-me sempre criança. Mas por que deixou que a Vida me batesse e me tirasse os brinquedos, e me deixasse só no recreio, amarrotando com as mãos tão fracas o bibe azul sujo de lágrimas compridas? Se eu não poderia viver senão acarinhado, por que deitaram fora o meu carinho? Ah, cada vez que vejo nas ruas uma criança a chorar, uma criança exilada dos outros, dói-me mais que a tristeza da criança o horror desprevenido do meu coração exausto. Doo-me com toda a estatura da vida sentida, e são minhas as mãos que torcem o canto do bibe, são minhas as bocas tortas das lágrimas verdadeiras, é minha a fraqueza, é minha a solidão, e os risos da vida adulta que passa usam-me como luzes de fósforos riscados no estofo sensível do meu coração.

PESSOA, Fernando. Livro do desassossego: composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1999. p. 364-365

O conhecimento da felicidade é infeliz

Não há felicidade senão com conhecimento. Mas o conhecimento da felicidade é infeliz. porque conhecer-se feliz é conhecer-se passando pela felicidade, e tendo, logo já, que deixá-la atrás. Saber é matar, na felicidade como em tudo. Não saber, porém, é não exisitir.
 
PESSOA, Fernando. Livro do desassossego: composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1999. p. 364

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