Quando aquele lacaio da Avenida Paulista, o FHC, chamou de vagabundos -com todas as letras- os trabalhadores brasileiros que contribuíram por toda suas vidas para a previdência e, numa paulada só detonou todo o sistema aumentando o tempo de serviço, de contribuição e faixa etária para aposentadoria, o que foi que aconteceu nesse país mesmo? Nada. Assim como nada aconteceu quando o mesmo safardana -que tem 3 aposentadorias gordas- quase dobrou os impostos, elevando a carga tributária aos patamares que se encontram na atualidade. Só pra lembrar, pelo simples aumento de impostos sobre o preço do chá, os americanos do norte se uniram em estados e fizeram uma revolução tornando-se independentes da Inglaterra. Como é que temos coragem de chamar esse amontoado de nação? Que raio de cidadãos são esses que só se ufanam na hora de xingar um treinador de seleção, que não teve qualquer culpa pela saída atrapalhada do goleiro que permitiu o gol contra de um defensor e nos retirou da Copa do Mundo?
Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. (Padre Antônio Vieira)
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Aux armes, citoyens
Nosso hino nacional ufana o destino do brasileiro viver "deitado eternamente em berço explêndido", o oposto ao verso mais marcante do hino da França, "aux armes, citoyens", conclamando sua população a pegar em armas sempre que o sangue impuro do inimigo merecer encharcar seu solo pátrio. Sou desprovido de inveja, mas confesso que vejo com olhar de "desejo cidadão" essa coisa de uma população se manifestar com todas as armas que pode contra aquilo que considera tirania. Não vai aqui análise do mérito sobre o que está acontecendo na França hoje, mas apenas o fato da população se indignar e partir pro pau em defesa de seus interesses, deixando claro ao mundo que nenhuma decisão governamental passará incólume, sem apoio popular, isso já basta para nós brasileiros fazermos uma reflexão.
Brasileiro só se indigna quando está em buteco. Quem se organiza pra sair à rua e bradar contra safadezas ou decisões questionáveis deste, ou aquele governo? Desde os "caras pintadas", manobra orquestrada que envergonhou uma geração, ninguém sai às ruas pra reclamar de nada. Não vale os mesmos de sempre; aqueles que só se manifestam quando estão na oposição, tipo UNE, CUT ou Cepergs e coisa e tal. Quando muito os cordeiros brazucas aplaudem ao fim de uma sessão de Tropa de Elite 2.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Os homens mais profundamente envolvidos com a vida
Nas poucas leituras que fiz, pude observar qe os homens mais profundamente envolvidos com a vida, os homens que moldavam a vida, os homens que eram a própria vida, comiam pouco, dormiam pouco, possuíam pouco ou quase nada. Não tinham ilusões acrca do dever, da perpetuação e sua família e seus amigos ou da preservação do Estado. Estavam interessados na verdade, e só a verdade. Reconheciam um único tipo de atividade - a criação. Ninguém podia requisitar seus serviços porque já se tinham comprometido, por conta própria, a dar tudo. E a dar gratuitamente, que é a única maneira de dar. Era esse o modo de vida que me atraía; fazia todo sentido. Era a própria vida - e não o simulacro idolatrado pelos que me cercavam.
MILLER, Henry. Sexus. Tradução de Sergio Flaksman. São Paulo: Companhia das Letas, 2004. p. 238-239
Devemos nos transformar em nós mesmos
O mundo só teria alguma coisa valiosa a receber de mim a partir do momento em que eu deixasse de ser um membro sério da sociedade e me transformasse em - mim mesmo. O Estado, a nação, as nações unidas do mundo, não passavam de um imenso agregado de indivíduos a repetir os erros de seus ancestrais. Eram presos à roda assim que nasciam, e nela persisitiam até a morte - e esse moinho, tentavam dignificar dando-lhe o nome de "vida".
MILLER, Henry. Sexus. Tradução de Sergio Flaksman. São Paulo: Companhia das Letas, 2004. p. 238
Ostentar seriedade
O que mais me desagradava [...] era a seriedade que ostentavam. A pessoa realmente séria é jovial, quase despreocupada. E eu desprezava as pessoas que, por carecerem de lastro próprio, carregavam o peso dos problemas do mundo. O homem que vive preocupado com a condição humana ou não tem problemas próprios ou se recusa a enfrentá-los. Estou falando da grande maioria, não dos raros emancipados que, depois de muito refletir sobre tudo, têm o privilégio de indentificar-se com toda a humanidade e, assim, desfrutar o maior de todos os luxos: servir.
MILLER, Henry. Sexus. Tradução de Sergio Flaksman. São Paulo: Companhia das Letas, 2004. p. 237
domingo, 17 de outubro de 2010
Já era
Era uma noite
De carnaval.
Ela ia bem.
Eu ia mal.
Ela na rua à pular.
Eu sentado no bar.
Eu na frieza da dor.
Ela alegria e calor.
Ela e aquele sujeito.
Eu em bêbado feito.
Eu na rua caído.
Ela meu sonho varrido.
Ela minha cura.
Eu na amargura.
Eu com asia.
Ela poesia.
Eu e ela.
O que nunca foi
E que, porém, já era.
poesia de fabiano foresti
http://fabianoforesti.blogspot.com/
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
A arte não é um número solo
Nenhum artista pode aproveitar sua vida fugindo da sua tarefa [...] A arte não é um número solo; é uma sinfonia no escuro, com milhões de participantes e milhões de ouvintes [...] na verdade é quase totalmente impossível deixar de dar expressão a uma grande idéia. Somos apenas instrumentos de um poder maior. Somos autores licenciados [...] Ninguém cria sozinho, por si e para si mesmo. O artista é um instrumento que registra algo que já existia, uma coisa que pertence ao mundo todo e que, se ele for mesmo um artista, irá sentir-se compelido a devolver ao mundo.
MILLER, Henry. Sexus. Tradução de Sergio Flaksman. São Paulo: Companhia das Letas, 2004. p. 160
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