Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. (Padre Antônio Vieira)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O mosquito e o touro

Um mosquito pousou no chifre de um touro e ficou ali um bom tempo. Quando ia sair, perguntou ao touro:
- Queres mesmo que eu vá embora?
O touro respondeu:
- Assim como não senti tua chegada, não vou sentir tua partida.
Aqui ou alhures, o insignificante não causa nem o bem nem o mal a ninguém.
 
 
ESOPO. Fábulas de Esopo. Tradução de Antônio Carlos Vianna. Porto Alegre: L&PM, 2010. p. 75

A rã e o rato

Um rato do campo criou fortes laços de amizade com uma rã. Esta teve a infeliz idéia de atar a pata do rato à sua. E foram juntos pelos campos para arranjar alimento. Quando chegaram à beira de um açude, a rã arrastou o rato para o fundo, lançando-se na água com espalhafato. O pobre do rato, de tanto beber água, morreu. Como seu cadáver flutuasse, amarrado que estava à pata da rã, um milhafre veio e o levou em suas garras. A rã foi forçada a ir com ele e terminou também na pança do milhafre.
 
Tua vítima, mesmo morta, pode ainda te punir; a justiça divina a tudo vigia e, com o olho na balança, dá a cada um o que merece.
 
 
 
ESOPO. Fábulas de Esopo. Tradução de Antônio Carlos Vianna. Porto Alegre: L&PM, 2010. p. 71
 
 

sábado, 3 de dezembro de 2011

O pavão e a grua

O pavão zombava da grua por causa da cor de sua plumagem:
- Minha roupa é de ouro e púrpura, já a tua plumagem não tem nenhuma beleza.
- Só eu - respondeu a grua, canto entre as estrelas, e meu vôo me leva às alturas; tu, igual a um galo, caminhas pela terra como a galinhada.
Melhor a glória em andrajos que a desonra no fausto.
 
 
ESOPO. Fábulas de Esopo. Tradução de Antônio Carlos Vianna. Porto Alegre: L&PM, 2010. p. 48
 

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Assim falou Zaratustra

Contra eles não mais levantes o braço; inúmeros são eles e não nasceste para enxota-moscas. p. 79

Aquilo que conhecemos num homem é, também, o que nele inflamamos. Guarda-te, portanto, dos pequenos! p. 80

Não é melhor ir parar nas mãos de um assassino do que nos sonhos de uma mulher libidinosa? p. 81
 
NIETZSCHE, Friedrich W. Assim falou Zaratustra: um livro para todos e para ninguém. Tradução de Mário da Silva. 12. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003. 381 p.

sábado, 19 de novembro de 2011

Os imbecis e as aparências

Mas não importa o que façamos, os imbecis e as aparências falam contra nós, dizendo: "Estes são homens sem dever" – sempre temos os imbecis e as aparências contra nós. p. 132

NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. Além do bem e do mal: prelúdio à uma filosofia do futuro. Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A gata e Afrodite

Uma gata que se apaixonara por um fino rapaz pediu a Afrodite para transformá-la em mulher. Comovida por tal paixão, a deusa transformou o animal numa bela jovem. O rapaz a viu, apaixonou-se por ela e a desposou. Para ver se a gata havia se transformado completamente em mulher, Afrodite colocou um camundongo no quarto nupcial. Esquecendo onde estava, a bela criatura foi logo saltando do leito e pôs-se a correr atrás do ratinho para comê-lo. Indignada, a deusa fê-la voltar ao que era.
O perverso pode mudar de aparência, mas não de hábitos.
 
 
ESOPO. Fábulas de Esopo. Tradução de Antônio Carlos Vianna. Porto Alegre: L&PM, 2010. p. 9

A camela

Uma camela atravessava um rio de águas turbulentas. Tendo defecado, as fezes levadas pelo redemoinho foram parar no seu focinho. Então ela exclamou:
- Como é que o que estava atrás veio parar na minha frente?
Em certas ocasiões, os sensatos são ultrapassados pelos piores imbecis.
 
 
ESOPO. Fábulas de Esopo. Tradução de Antônio Carlos Vianna. Porto Alegre: L&PM, 2010. 176 p.

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