Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. (Padre Antônio Vieira)

sábado, 17 de março de 2012

Que seja dito para os homens capazes de dar-se conta

Que seja dito para os homens capazes de dar-se conta: as mulheres têm o entendimento, os homens a sensibilidade e a paixão. Isso não está em contradição com o fato que os homens levam seu entendimento muito mais longe: eles têm os móveis mais profundos, mais poderosos; são esses móveis que levam tão longe seu entendimento que em si é algo de passivo. As mulheres se surpreendem muitas vezes em segredo pelo grande respeito que os homens têm por sua sensibilidade. Se, em sua escolha, os homens procuram antes de tudo um ser profundo, cheio de sensibilidade, as mulheres, pelo contrário, um ser hábil, esperto e brilhante, vê-se claramente, no fundo, que o homem procura o homem ideal, a mulher a mulher ideal, e assim não procuram o complemento, mas a perfeição de seus próprios méritos. P.267-268
 

NIETZSCHE, Friedrich. Humano, demasiado humano. Tradução de Antônio Carlos Braga. 2. ed. São Paulo: Escala, [198-?]. 356 p. ISBN 85-7556-757-8 (Grandes obras do pensamento universal, 42)

Atormentar nossa prudência

As pessoas que, em nossas relações com elas, querem atormentar nossa prudência com suas lisonjas, usam de um meio perigoso, semelhante ao narcótico que, se não leva a adormecer, deixa mais desperto. P. 241



NIETZSCHE, Friedrich. Humano, demasiado humano. Tradução de Antônio Carlos Braga. 2. ed. São Paulo: Escala, [198-?]. 356 p. ISBN 85-7556-757-8 (Grandes obras do pensamento universal, 42)

sexta-feira, 16 de março de 2012

Penúria simbólica e abundância material

A morte recente de uma professora quando tentava salvar seu automóvel de uma enchente é sem dúvida trágica. Mas como toda tragédia que os gregos nos legaram, este fato nos traz algum ensinamento: ele é sintomático destes tempos ditos pós-modernos. A professora preferiu colocar sua vida em risco, ainda que sob os chamados de desencorajamento de algumas pessoas, para salvar seu carro. Mas para ela certamente não era somente um carro. Para que se atirasse em tamanho perigo era porque neste carro havia dispendido um bom dinheiro e uma vida de trabalho.

Contudo não se pode dizer que a professora quis a salvar sua vida que dedicou ao trabalho através do salvamento do carro. Ainda que salvando o veículo, a vida não se resgata, naturalmente. Mas se pode dizer que foi o dinheiro então que ela quis salvar, na possibilidade eminente da perda do veículo. Note que a possibilidade de perder um carro - ou um punhado de dinheiro fictício - e perder a própria vida são colocadas lado a lado, no mesmo patamar de valor. Pois a professora não só arriscava-se perder o carro como arriscava-se perder a sua vida, o que ocorreu, infelizmente.

Não obstante, ainda não era só dinheiro. O seu carro era seu espelho. Nele ela refletia seus valores. Valores efêmeros e de moda, valores forjados, transcendentes ao objeto, embutidos pelo marketing que aplica conscienciosamente a ciência com objetivo vil, para fins imorais. Foi, então, em nome de valores fictícios, forjados e efêmeros, valores que ela acreditava e por isso se atirou com tanta gana ao veículo. É como se o valores que ela atribuía ao seu carro e os que o carro atribuía a ela pudessem serem restituídos à proprietária se tivesse salvado o seu automóvel. Sabedoria chinesa: Salve-se antes de tudo.
 
Alexandre, O Pequeno
 
 

Bem-Querer - Chico Buarque

Composição: Chico Buarque

Quando o meu bem-querer me vir
Estou certa que há de vir atrás
Há de me seguir por todos
Todos, todos, todos o umbrais

E quando o seu bem-querer mentir
Que não vai haver adeus jamais
Há de responder com juras
Juras, juras, juras imorais

E quando o meu bem-querer sentir
Que o amor é coisa tão fugaz
Há de me abraçar com a garra
A garra, a garra, a garra dos mortais

E quando o seu bem-querer pedir
Pra você ficar um pouco mais
Há que me afagar com a calma
A calma, a calma, a calma dos casais

E quando o meu bem-querer ouvir
O meu coração bater demais
Há de me rasgar com a fúria
A fúria, a fúria, a fúria dos animais

E quando o seu bem-querer dormir
Tome conta que ele sonhe em paz
Como alguém que lhe apagasse a luz
Vedasse a porta e abrisse o gás

 

http://letras.terra.com.br/chico-buarque/85935/

terça-feira, 13 de março de 2012

quinta-feira, 8 de março de 2012

segunda-feira, 5 de março de 2012

Amanhã

Amanhã vou fazer uma canção de amor pra você
Eu te prometo!
Mas deixa amanhecer
A minha inspiração
Espera nascer
O sol da criação.
Hoje quem canta é a lua!
Mas eu te juro meu bem
Minha próxima canção é tua.



fabiano foresti


Arquivos Malucos