Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. (Padre Antônio Vieira)

terça-feira, 17 de julho de 2012

As coisas que se ganham

As coisas que se ganham são sempre pagas pelas coisas que se perdem.
 
O Caibalion

segunda-feira, 16 de julho de 2012

O impacto dos gestores narcisistas nas organizações

Lubit, Roy. . Rev. adm. empres., Set 2002, vol.42, no.3, p.1-12. ISSN 0034-7590.

O mito descreve um jovem muito bonito que, com indiferença, desprezava a afeição que tinham por ele. p. 67

[...] a falta de auto-estima leva o indivíduo a desprezar e invejar os outros e, às vezes, a desenvolver uma auto-imagem grandiosa a fim de esconder sua fragilidade. p. 67

[...] sólida auto-estima, que os ajuda a encarar situações de estresse com facilidade. Além disso, essa auto-estima sólida aumenta a capacidade do indivíduo de relacionar-se bem com as outras pessoas, ter empatia com elas, apoiá-las e gozar da de verdadeira amizade e intimidade nos relacionamentos.  p. 67

A maioria de seus relacionamentos é marcada pelo menosprezo aos outros. p. 67

[...] indivíduos, por um sentimento de ter direito a tudo e pelo desinteresse pelos direitos alheios. p. 68

Intensa ambição, fantasias de grandiosidade e busca por emoções são tentativas inúteis de lidarem com o vazio interior e seu velado complexo de inferioridade. p. 68

Podem ser desconfiados, suspeitosos, hipersensíveis, contestadores e inclinados a atribuir intenções maldosas aos outros p. 68

Tentam encontrar sinais de conduta vergonhosa nos outros p. 68

Vendo o mundo como hostil e ameaçador, confiam apenas em alguns subordinados, agradam-lhes para que sejam leais e exigem devoção total em troca. Como não se relacionam verdadeiramente com as pessoas, fazem, geralmente, uso de novas amizades para trair as antigas. p. 68

[...] gestores ND adotam uma postura paranoica. p. 68

Quando na meia-idade, é típico desses indivíduos menosprezar o que antes lhes aprazia e que não lhes trouxe a satisfação narcísica que esperavam p. 68

Menosprezam o trabalho daqueles que têm sonhos e aquilo que não podem ter ou ser. p. 68

[...] selecionando funcionários aduladores em vez dos críticos, os indivíduos cercam-se de lealdade e elogios, favorecendo a impressão de competência p. 69

Estão dispostos a manipular as pessoas para atingir seus objetivos, a roubar crédito do trabalho alheio e a transformar os outros em bodes expiatórios. p. 69

Podem fingir que se preocupam com outras pessoas e adular seus chefes. São mestres em fazer política na organização. A capacidade de escalar os níveis gerenciais da empresa não é sinônimo de um bom gestor. Os gestores precisam mostrar claramente o que esperam deles, providenciar material necessário para que possam realizar suas tarefas, dar-lhes oportunidade para que façam o melhor, elogiá-los com freqüência, mostrar interesse por eles, e encorajar seu desenvolvimento (Buckingham e Coffman, 1999). Em conseqüência da sua falta de interesse pelos outros, os gestores ND tendem a ser fracos nas primeiras três características e muito fracos nas três últimas.  

Conseqüentemente, seus subordinados costumam produzir menos do que são capazes.

[...] menosprezo do talento dos outros.

Os aduladores que estão sob seu comando têm mais chances de ser promovidos; os melhores funcionários, contudo, estão mais propensos a se demitirem. Eles são freqüentemente fracos na implementação de programas [...] finalizar projetos. p. 69

[...] o controle repressivo, o comportamento crítico e de menosprezo, a inveja, a falta de empatia e ausência de percepção de si mesmo. p. 71

As teorias comportamentais psicodinâmicas concentram-se nos efeitos que as primeiras experiências da infância exercem sobre a formação dos aspectos psicológicos do indivíduo.

[...] se é criado em um ambiente em que os pais são sempre frios e dissimuladamente agressivos [...] a criança constrói em si uma proteção contra o sentimento de não ser amada. Os pais, quando frios e indiferentes, impossibilitam o desenvolvimento de uma auto-estima sólida. p 71

Eles vêem as pessoas e situações em preto e branco, isto é, como sendo totalmente más ou totalmente boas. p. 71

A projeção é outro de seus importantes mecanismos de defesa A fim de conservar uma imagem positiva de si mesmos, projetam tudo o que têm de negativo nos outros. p. 72

A teoria da aprendizagem social, de Bandura (1977), dá nova interpretação ao desenvolvimento do comportamento narcisista destrutivo. Essa teoria argumenta que muito do nosso comportamento é aprendido a partir da observação dos outros. A internalização de um comportamento observado é mais provável quando as pessoas imitadas possuem status e, o observador, baixa auto-estima. Ou seja, de acordo com a teoria da aprendizagem social, o comportamento é influenciado pelo reforço direto (receber incentivo ou castigo diante de determinado comportamento),pelo reforço indireto (observar outras pessoas receberem incentivo ou castigo por algum tipo de comportamento), e pelos padrões auto-impostos.

Dizem que se você tem poder, você provavelmente não é tão esperto, engraçado ou bonito quanto as pessoas dizem que você é. p. 72

No entanto, o que mais facilita a sobrevivência e a prosperidade dos gestores ND em uma empresa são os fatores organizacionais: as práticas organizacionais de contratação e transferência, a cultura organizacional, o sistema que mede o desempenho, aliderança e os processos de trabalho. p. 73

Quando as organizações dão mais valor aos relacionamentos pessoais do que ao desempenho objetivo, suas decisões acerca de contratações se promoções tornam-se problemáticas. Se os líderes revelam um comportamento ND, a probabilidade de os gestores com tendências ND agirem da mesma maneira é maior. p. 74

Aliás, quanto mais poder têm, maior é a tendência de se sentirem à vontade para desempenharem suas inclinações narcisistas e destrutivas. p. 74

Sua necessidade de emoções pode leválos a mudar de rumo bruscamente e a negligenciar detalhes de projetos, assim tornando sua execução confusa e precária. p. 75

O primeiro aspecto prático para administrar o problema de gestores narcisistas é identificá-los antes que alcancem cargos de alto poder. A liderança da organização deve observar com atenção os gestores que demonstrem níveis excessivos dos seguintes sinais de alerta, principalmente se em conjunto:

• depreciar e explorar as outras pessoas,
• fazer pouco caso das necessidades dos subordinados, a menos que seja conveniente agir diferente,
• querer todo o crédito das operações bem sucedidas,
• prejudicar seus concorrentes para conseguir promoção,
• criticar os outros de maneira excessiva,
• criar bodes expiatórios,
• autopromover-se e buscar atenção exageradamente,
• reconhecer nos acontecimentos somente os aspectos significativos à sua própria carreira,
• ter atitudes altamente defensivas ao receber críticas,
• alimentar idéias infundadas de que os outros querem prejudicá-los,
• adular os superiores e não dar apoio aos subordinados nem promover seu desenvolvimento. p. 75

Indivíduos narcisistas ficam vulneráveis a ansiedade e depressão principalmente quando estão sob estresse. p. 76

O primeiro passo é saber quais atitudes causam problemas e evitá-las, sempre que possível. Por exemplo, evite ficar vulnerável ao gestor ND, fazendo fofocas com ele, concedendo-lhe ou tomando-lhe empréstimos. Faça com que as orientações sejam escritas. E ainda agem como se tivessem a melhor resposta para tudo, desprezando as colaborações dos outros, desrespeitando limites (entram em sua sala e pegam coisas sem pedir), esperando favores e raramente retribuindo e passando-lhe instruções como se fossem seu chefe (Brown, 1998).p. 76

O mais importante é estar ciente do problema e conhecer seus sintomas. p. 77

A cultura apóia ou reprime o narcisismo destrutivo? O feedback de 360 graus é utilizado e analisado na tomada de decisões? Os líderes vão para dentro da organização para descobrir o que está havendo na empresa? Os gerentes são avaliados com base principalmente nos lucros de curto prazo ou por um painel de indicadores do tipo balanced scorecard que leva em consideração o desenvolvimento dos subordinados e sua cooperatividade? Qual é o exemplo de conduta dado pela gerência sênior? A autoconfiança em elevado grau, chegando à grandiosidade, é equiparada à competência? Os subordinados automaticamente concordam que os superiores estão acima deles? Se estivermos vigilantes com nossas próprias atitudes, dermos o bom exemplo, promovermos uma cultura organizacional contrária ao narcisismo negativo e respondermos de maneira adequada aos abusos cometidos, estaremos dando grandes passos no sentido de melhorar a produtividade e o bem-estar das pessoas em nossa organização. p. 77

quinta-feira, 12 de julho de 2012

terça-feira, 3 de julho de 2012

PIB e população da américa latina

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1114305-vice-uruguaio-diz-que-venezuela-e-agressao-ao-mercosul.shtml

O princípio de gênero

O princípio de gênero opera sempre na direção da geração, regeneração e criação. Todas as coisas e todas as pessoas contêm em si os dois elementos deste grande princípio. Todas as coisas machos têm também o elemento feminino; todas as coisas fêmeas têm o elemento masculino.
 
Geração no plano físico, regeneração no plano mental e criação no plano espiritual.
 
A geração de uma idéia é a formação do gérmem dessa idéia; a regeneração é o aperfeiçoamento e o crescimento dessa idéia, e a criação é a realização completa da idéia.
 
 
 
O CAIBALION: Estudo da filosofia hermética do antigo Egito e da Grécia. Tradução de Rosabis Camaysar. São Paulo: Pensamento, 19-? 126 p.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Paraguai: o parto do golpe

O "New York Times" espantou-se com o fato de que o presidente Fernando Lugo foi afastado quando faltam apenas nove meses para a eleição de seu sucessor.

O espanto caberia, se não fosse o fato de que são precisamente esses nove meses que explicam o fuzilamento sumário do então presidente.

No Paraguai, muito mais do que no Brasil, o uso da máquina pública é crucial para ganhar eleições. E a máquina pública paraguaia é uma obra do Partido Colorado, que ocupou o poder sem interrupções desde 1947 até a vitória de Lugo em 2008. Sem contar o período 1887/1904 em que também foi dominante.

Para recuperar o poder em 2013, os colorados precisavam evitar que Lugo atrapalhasse o uso da máquina, na qual continuam bem incrustados, apesar da derrota de 2008.

Da mesma forma, os liberais precisam do poder - que ocuparam por quase 40 anos, desde a chamada "Revolução Liberal" de 1904 - para ganhar com um nome de seus próprios quadros.

Em 2008, tiveram que pegar carona na candidatura de Lugo, fornecendo o vice-presidente, o hoje presidente Federico Franco, e o apoio parlamentar de seus 14 senadores e 27 deputados.
Lugo de aliado passava a ser um estorvo, mesmo não podendo candidatar-se de novo ele próprio (a Constituição veda a reeleição).

Juntou-se então a fome de poder de ambos os grandes partidos com a vontade de comer o pleito de 2013 - e Lugo virou um cadáver político. Ainda mais que a eles se somou o movimento criado pelo general golpista Lino Oviedo.

Os três grupos, somados, têm 38 senadores em 45 e 62 deputados em 80. Nenhuma surpresa, pois, com a forte maioria obtida primeiro para a instauração do processo de impeachment e, em seguida, para o fuzilamento sumário do presidente.

Posto de outra forma: a derrubada de Lugo foi o primeiro movimento para a sucessão. O próprio Lugo, em entrevista à Telesur venezuelana, adotou essa interpretação ao dizer que "há indícios sérios e claros de que Horacio Cartes está por trás [do julgamento político], [porque] sabe que sua candidatura não está crescendo".

Cartes é o pré-candidato favorito no Partido Colorado, mas precisa da máquina para decolar.

Ele apareceu nos papéis do Departamento de Estado vazados pelo Wikileaks como vinculado ao narcotráfico, relembrou ontem o jornal "El País". Claro que ele nega, como quase todos os políticos acusados de crimes.

Dado que os vizinhos sul-americanos do Paraguai ameaçam suspendê-lo até que eleições democráticas em abril devolvam o país à plenitude democrática, o que é um reconhecimento implícito de que o afastamento de Lugo é irreversível, cabe uma pergunta, especialmente à diplomacia brasileira: vale, para o Paraguai, a ideia de que é absolutamente intocável a soberania de todo e qualquer país, conceito aplicado por exemplo, às ditaduras da Síria e da Líbia?

Ou seria no mínimo prudente vigiar a campanha eleitoral para evitar que métodos e dinheiros pouco limpos levem ao poder uma figura sob suspeita em um vizinho e sócio?
 

O caso do Paraguai: quem tirou Lugo

A falta de explicação convincente por parte da repentina aliança parlamentar que derrubou Fernando Lugo tem, ela própria, explicação simples. E íntima das relações comerciais verdadeiras entre o Brasil e o Paraguai.

É óbvio que não foi o choque de lavradores e polícia o motivador, em apenas 30 horas, da união repentina dos congressistas paraguaios e da derrubada do presidente.

Polícia e lavradores são indígenas contra indígenas, situação historicamente incapaz de provocar qualquer comoção ou atitude no Congresso do Paraguai.

Fernando Lugo, muito pouco ativo quanto a muitos dos seus compromissos de campanha, cumpriu um deles sem concessão: não criou oportunidades para a corrupção e não fomentou a produção e o comércio ilícitos. Rompeu assim com a tradição das presidências locais e dos apoios parlamentares, sociais e judiciais que lhes permitem existir.

As fábricas de produtos falsificados estão, sem mascaramentos, na própria capital Assunção, como pelo Paraguai todo.

Os nossos carros roubados destinam-se, em grande parte, à receptação permitida e estimulada no Paraguai, onde podem trafegar mesmo com a placa brasileira. Os cigarros e tantos outros produtos brasileiros que chegam ao Paraguai beneficiados, no preço, pelas isenções para exportação, voltam ao Brasil como contrabando e enchem o comércio de rua e inúmeras lojas de nossas cidades.

O pequeno Paraguai é o maior centro conjunto de falsificação e comércio ilegal de produtos. Nos últimos anos, uma inovação constatada: com os produtos que transitam pelo Paraguai e entram no contrabando para o Brasil, muito da produção falsificada no próprio Paraguai traz o registro "made in China".

É incalculável o custo, para o Brasil, do contrabando e da receptação de carros e motos roubados aqui, o que está obrigando à criação de uma nova rede policial-militar de proteção da fronteira.

E ainda há o narcotráfico. A Bolívia e a Colômbia ficam com a culpa toda, mas o Paraguai não é menos fornecedor que ambas, com suas rotas de contrabando, e é provável que já seja o maior canal de entrada de drogas variadas.

O pequeno Paraguai é, proporcionalmente, o maior centro de receptação de roubo, produção de falsificados e contrabando. Com participação importante no narcotráfico.

No país de maioria tão pobre, quem possui e quem controla o sistema imenso dessas atividades ilegais? Quem pode fazê-lo sem preocupação alguma com problemas de ordem legal? E quem são os políticos, os congressistas desse país triste e infeliz?

Um dos seus compromissos com o eleitorado, Fernando Lugo cumpriu-o: não se pôs a serviço dos donos do ilegal Paraguai. À primeira oportunidade, caiu.
 

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