Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. (Padre Antônio Vieira)

terça-feira, 18 de novembro de 2008

As melhores condições para que o amor se realize

FREIRE, Roberto. Sem tezão não há solução. 11. ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 1987. 193 p.
 
Eu, quando estou amando, não penso sobre o amor, eu busco saber quais são as melhores condições para que o amor se realize. [...] é um coisa que se produz no ser humano como manifestação fundamental do fato de ele estar vivo. Mas independe de outras pessoas. O amor é produto de minha vida. Ele é um pedaço do meu ser. [...] ninguém produz em mim o amor. O máximo que pode acontecer é a pessoa se habituar a esse amor. p. 131
: ) *:

Do amor só se pode fazer a necrópsia

FREIRE, Roberto. Sem tezão não há solução. 11. ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 1987. 193 p.
 
Estamos hoje certos de que o amor não foi feito para ser compreendido, mas apenas vivido. [...] do amor só se pode fazer a necrópsia, jamais a biópsia. (Utopia e paixão) p. 131
 
 

Só a atitude herética

FREIRE, Roberto. Sem tezão não há solução. 11. ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 1987. 193 p.
 
[...] só a atitude herética  posta em prática pela ciência revolucionária marginal pode "curar" a "doença" autoritária institucional e oficializada.
 
"O termo heresia deriva do grego heresis,  que originalmente significou escolha... Por extensão foi aplicado em seguida ao conjunto das teorias de um filósofo e à escola que as ensinava. O termo permaneceu neutro até que a Igreja Católica lhe conferiu um sentido desfavorável. De fato, a Igreja acreditava ser o único depositário da Verdade Revelada, reservando para si o direito de a fazer conhecer... Desde então qualquer outra interpretação diferente da versão autorizada tornava-se, pois, herética no sentido novo e pejorativo do termo" (Enciclopédia britânica, 1973) p. 86
 
 

Necessidade de poder

FREIRE, Roberto. Sem tezão não há solução. 11. ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 1987. 193 p.
 
Não resta mais dúvida alguma para mim que a necessidade de poder absoluto corresponde sempre a uma impossibilidade de se viver os prazeres relativos da existência cotidiana. A perda do prazer expontâneo cria nas pessoas, por mecanismos psicopatológicos de compensação perversa, a necessidade compulsiva de poder. Todo tipo de poder: o físico, o psicológico, o afetivo, o sexual, o econômico, o político. A forma de prazer que ainda sobraria nestas pessoas seria o de natureza sadomasoquista e paranóica: necessidade da dor alheia ou própria para se alcançar o prazer, necessidade essa comandada pelo fato de se sentirem pessoas superiores, especiais, e que por isso devem estar em constante estado de defesa e ataque contra inimigos, usando para isso o máximo requinte e crueldade e extrema violência. Assim, o prazer-dor de dominar, de mandar, de se apropriar e de explorar corresponde à dor-prazer de ser dominado, de ser mandado, de ser apropriado e de ser explorado. p. 35

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Nem pense

Pensar e não chegar,
Ah conclusão...
Nenhuma!
Que conclusão?

Sem pensar
poderia
bastar...
Nem pense!

Não chegar
a conclusão
nenhuma....

Nem mesmo através dos versos
Nem mesmo através dos gestos,
Nem mesmo através da vida.


f. foresti
13/11/2008

Minha companhia

Pensar e pensar e pensar
Para não chegar
A conclusão nenhuma.
Toda decisão é prematura,

Não conseguimos perceber nada,
A realidade nos trespassa,
A vida zomba de nós
E dá risada quando acabamos sós.

Mas eu sei que nunca estamos sozinhos...
Não que acredite em Deus ou em sonhos,
Apenas sei que não posso sair de mim mesmo.

Em minha companhia sempre estarei com apreço,
Conversando comigo mesmo e com os mortos,
Sobre livros e livros e livros.


f. foresti
13/11/2008



quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Lisbon Revisited

Lisbon Revisited, de Álvaro de Campos
http://www.pessoa.art.br/?p=417

Não: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.

Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.

Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!(*)

Que mal fiz eu aos deuses todos?

Se têm a verdade, guardem-na!

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?

Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!

Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.

Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo…
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!

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