terça-feira, 18 de novembro de 2008
As melhores condições para que o amor se realize
Do amor só se pode fazer a necrópsia
Só a atitude herética
Necessidade de poder
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Nem pense
Ah conclusão...
Nenhuma!
Que conclusão?
Sem pensar
poderia
bastar...
Nem pense!
Não chegar
a conclusão
nenhuma....
Nem mesmo através dos versos
Nem mesmo através dos gestos,
Nem mesmo através da vida.
f. foresti
13/11/2008
Minha companhia
Para não chegar
A conclusão nenhuma.
Toda decisão é prematura,
Não conseguimos perceber nada,
A realidade nos trespassa,
A vida zomba de nós
E dá risada quando acabamos sós.
Mas eu sei que nunca estamos sozinhos...
Não que acredite em Deus ou em sonhos,
Apenas sei que não posso sair de mim mesmo.
Em minha companhia sempre estarei com apreço,
Conversando comigo mesmo e com os mortos,
Sobre livros e livros e livros.
f. foresti
13/11/2008
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Lisbon Revisited
Lisbon Revisited, de Álvaro de Campos
http://www.pessoa.art.br/?p=417
Não: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!(*)
Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na!
Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!
Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo…
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!