Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. (Padre Antônio Vieira)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Coração: fica bem

Deus, estou tão triste,
Ando chorando tanto...
Mas sem música não consigo chorar.
Preciso de trilha sonora para penar.

Será que meu sentimento é verdadeiro?
E a minha tristeza, como veio?
Pode ser que seja banal,
Mas minh'alma insiste que ele é todo o mal...

Preciso suplantar estes sentimentos
Deixar de lado meus tormentos,
Já disse para a minh'alma:

Metade da culpa é minha,
A outra metade eu não sei.
Coração: fica bem.


f. foresti
20/01/2009

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Sobre a beleza

[...] Naturalmente todas as épocas tem todas as variedades de rostos; mas a moda destaca sempre um deles, fazendo-o modelo de felicidade e beleza, e os demais tentam imitá-lo; até as feias o conseguem com a ajuda de roupa e penteado, só as que nasceram para coisas especiais não o conseguem nunca – nelas manifesta-se sem concessões o ideal de beleza banido e aristocrático de tempos passados.
 

MUSIL, Robert. O homem sem qualidades. Tradução de Lya Luft e Carlos Abbenseth. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1989. p. 18

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

A arte da nuance

Nos anos da juventude, ainda veneramos e desprezamos sem a arte da nuance, que constitui nossa melhor aquisição na vida, e, como é justo, pagamos caro por atacar de tal modo com Sins e Nãos as pessoas e as coisas. Tudo se acha disposto para que o pior dos gostos, o gosto pelo incondicional, seja cruelmente logrado e abusado, até que o homem aprenda a pôr alguma arte nos sentimentos e, melhor ainda, a arriscar na tentativa do artificial: como fazem os veros artistas da vida. p. 38

 NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. Além do bem e do mal: prelúdio à uma filosofia do futuro. Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

As melhores condições para que o amor se realize

FREIRE, Roberto. Sem tezão não há solução. 11. ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 1987. 193 p.
 
Eu, quando estou amando, não penso sobre o amor, eu busco saber quais são as melhores condições para que o amor se realize. [...] é um coisa que se produz no ser humano como manifestação fundamental do fato de ele estar vivo. Mas independe de outras pessoas. O amor é produto de minha vida. Ele é um pedaço do meu ser. [...] ninguém produz em mim o amor. O máximo que pode acontecer é a pessoa se habituar a esse amor. p. 131
: ) *:

Do amor só se pode fazer a necrópsia

FREIRE, Roberto. Sem tezão não há solução. 11. ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 1987. 193 p.
 
Estamos hoje certos de que o amor não foi feito para ser compreendido, mas apenas vivido. [...] do amor só se pode fazer a necrópsia, jamais a biópsia. (Utopia e paixão) p. 131
 
 

Só a atitude herética

FREIRE, Roberto. Sem tezão não há solução. 11. ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 1987. 193 p.
 
[...] só a atitude herética  posta em prática pela ciência revolucionária marginal pode "curar" a "doença" autoritária institucional e oficializada.
 
"O termo heresia deriva do grego heresis,  que originalmente significou escolha... Por extensão foi aplicado em seguida ao conjunto das teorias de um filósofo e à escola que as ensinava. O termo permaneceu neutro até que a Igreja Católica lhe conferiu um sentido desfavorável. De fato, a Igreja acreditava ser o único depositário da Verdade Revelada, reservando para si o direito de a fazer conhecer... Desde então qualquer outra interpretação diferente da versão autorizada tornava-se, pois, herética no sentido novo e pejorativo do termo" (Enciclopédia britânica, 1973) p. 86
 
 

Necessidade de poder

FREIRE, Roberto. Sem tezão não há solução. 11. ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 1987. 193 p.
 
Não resta mais dúvida alguma para mim que a necessidade de poder absoluto corresponde sempre a uma impossibilidade de se viver os prazeres relativos da existência cotidiana. A perda do prazer expontâneo cria nas pessoas, por mecanismos psicopatológicos de compensação perversa, a necessidade compulsiva de poder. Todo tipo de poder: o físico, o psicológico, o afetivo, o sexual, o econômico, o político. A forma de prazer que ainda sobraria nestas pessoas seria o de natureza sadomasoquista e paranóica: necessidade da dor alheia ou própria para se alcançar o prazer, necessidade essa comandada pelo fato de se sentirem pessoas superiores, especiais, e que por isso devem estar em constante estado de defesa e ataque contra inimigos, usando para isso o máximo requinte e crueldade e extrema violência. Assim, o prazer-dor de dominar, de mandar, de se apropriar e de explorar corresponde à dor-prazer de ser dominado, de ser mandado, de ser apropriado e de ser explorado. p. 35

Arquivos Malucos