segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Parábola e conto de fada
O Lobo Mau te confundiu com Chapeuzinho Vermelho.
Sentiu-se João e o pé de feijão,
Pediu ajuda para João e Maria,
Fez acordo com os sete anões e
Depois foi pedir conselhos para Cinderela.
"Para que tantas flores Chapeuzinho?"
Ao final, foi fumar e tocar violão com a cigarra,
Apesar de ser parábola,
De não ser conto de fada.
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Quando os anjos calaram
Você dança tão bem,
Você dança como ninguém,
Fiz até um samba pro seu cavaquinho.
Lembro da roda de samba,
Da música boa, dos amigos,
Dos meus sentimentos rasos
E da sua roupa colirida.
Lembro que lhe chamaram
De Branca de Neve,
Que meus olhos não acreditaram,
Tão alva era a sua pele.
Naquela noite os anjos calaram
Só para observar seu samba leve.
A poesia em si
Não é nada para mi,
Só deixa só.
Mas tanto fá.
Não fique em dó,
Se eu levei ré,
Canto meu lá lá lá,
De forma qualquer.
A poesia só tem valor
Se é escrita com sangue.
Mas o sangue pode ser
Apenas tinta vermelha.
O que importa de fato
É a capacidade de sofrer do poeta.
E com relação a isso, meus amigos,
Este poeta chorão é um atleta.
Deixem-me ficar com dó em mi, que,
Mesmo lá, estarei só, em si menor sustenido.
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sábado, 29 de outubro de 2011
Você acende as horas
Meu amor, volta sem demora.
Meu amor, fica aqui comigo
Pra gente sambar.
Meu amor, eu te amo tanto.
Meu amor, resolve o meu pranto.
Meu amor, viaja comigo
Pra qualquer lugar.
Meu amor, faz acontecer.
Mostra tudo o que eu deixer de ver.
Acaba com essa minha dor
Não me faz chorar.
Amor tão bonito,
Tão realidade,
Acreditei tanto
Ser uma verdade,
Agora eu tô sozinho
Só faço chorar.
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Eu quero ser
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Rosas e brasas
Lembra quando lhe disse
Que fui ao céu e voltei?
Tem uma parte deste incidente
Que, meu amor, eu não lhe contei.
Quando estava voltando,
Vi teu corpo do lado de cima,
E reparei: como é perfeito
Este ângulo que ninguém vira.
Mais perto cheguei, num zeloso sondar,
Notei tão lindas tatuagens coloridas,
Aflito, sem saber com qual brincar,
Percorri você inteira, e em tuas costas largas,
Macias, uma tatuagem que ria, dizia:
"Inoportuno, queres rosas? Terás brasas".
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segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Tom Waits
É isso aí, tá tudo muito fácil. Acho inclusive que foi toda essa facilidade que produziu a geração mais bundona de todos os tempos, essa que está aí com seus iPhones enfiados no cu e um bonezinho com uma marca gigante na cabeça. Ninguém quer procurar, fazer esforço, CONSTRUIR alguma coisa. Não, o negócio é ficar na merda do facefuck o dia inteiro recebendo uma coisa "engraçadinha" depois da outra e passando adiante. São mimados inúteis que jamais tomarão qualquer responsabilidade para si e seu grito de guerra é "Tá de boa". Caralho, nada irrita mais que ouvir essa merda, "tá de boa".
Um belo trecho:
He is, he says, equally wary of the ease of search and shuffle. "They have removed the struggle to find anything. And therefore there is no genuine sense of discovery. Struggle is the first thing we know getting along the birth canal, out in the world. It's pretty basic. Book store owners and record store owners used to be oracles, in that way; you'd go in this dusty old place and they might point you toward something that would change your life. All that's gone."
