Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. (Padre Antônio Vieira)

sexta-feira, 13 de outubro de 2023

JENKINS, Henry. Cultura da convergência

JENKINS, Henry. Cultura da convergência.  2 ed. São Paulo: Aleph, 2009.


Bem vindo à cultura da convergência, onde as velhas e as novas mídias colidem, onde mídia coorporativa e mídia alternativa se cruzam, onde o poder do produtor de mídia e o poder do consumo interagem de maneiras imprevisíveis. 29


A convergência não ocorre por meio de aparelhos, por mais sofisticados que venham a ser. A convergência ocorre dentro dos cérebros de consumidores individuais e em suas interações sociais com outros. Cada um de nós constrói a própria mitologia virtual, a partir de pedaços e fragmentos de informações extraídos do fluxo midiático e transformados em recursos através dos quais compreendemos nossa vida cotidiana. 30


Nos ultimos anos, vimos como os celulares se tornaram cada vez mais fundamentais nas estratégias de lançamentos de filmes comerciais em todo o mundo; com filmes amadores e profissionais produzidos cem celulares competiram por prêmios em festivais de cinema internacionais. 31


Ou mercados midiáticos estão passando por mais uma mudança de paradigma. Acontece de tempos em tempos. Nos anos 1990, a retórica da revolução digital continha uma suposição implícita, e às vezes explícita,  de que os novos meios de comunicação eliminariam os antigos, que a internet substituiria a radiodifusão e que tudo isso permitiria aos consumidores acessar mais facilmente o conteúdo que mais lhe interessasse. 32


O paradigma da revolução digital alegava que os novos meios de comunicação digital mudariam tudo. Após o estouro da bolha pontocom, a tendência foi imaginar que as novas mídias não haviam mudado nada. Como muitas outras coisas no atual ambiente de mídia, a verdade está no meio termo. 33


Marshall McLuhan, Technologies of freedom, 1983. 37



os professores de história dizem-nos que os velhos meios de comunicação nunca morrem -nem desaparecem, necessariamente. O que morre são apenas as ferramentas que usamos para acessar seu conteúdo […] São o que s estudiosos dois meios de comunicação chamam de delivery technologies. […] As tecnologias de distribuição tornam-se obsoletas e são substituídas. Cds, arquivos MP

e fitas cassete são tecnologias de distribuição. […] sistemas de distribuição são apenas e simplesmente tecnologias; meios de comunicação são também sistemas culturais. Tecnologias de distribuição vêm e vão o tempo todo, mas os meios de comunicação persistem como camadas dentro de um extrato de entretenimento e informação cada vez mais complicado. 41


mudanças nos protocolos através dos quais estamos produzindo e consumindo mídia. 42


podemos também ser forçados a lidar com o aumento de funções dentro do mesmo aparelho, as quais diminuem sua capacidade de cumprir sua função original; assim, não consigo encontrar um telefone celular que seja apenas telefone. 43


A convergência das mídias é mais do que apenas uma mudança tecnológica. A convergência altera a relação entre tecnologias existentes, indústrias, mercados, gêneros e públicos. […] altera a lógica pela qual a indústria midiática opera e pela qual os consumidores processam a notícia e o entretenimento. […] a convergência refere-se a um processo, não a um ponto final. Não haverá uma caixa preta que controlará o fluxo midiático para dentro de nossas casas. Graças a proliferação de canais e à portabilidade das novas tecnologias de informática e telecomunicações, estamos entrando numa era em que haverá mídias em todos os lugares. A convergência não é algo que vai acontecer um dia, quando tivermos banda larga suficiente ou quando descobrirmos a configuração correta dos aparelhos. Prontos ou não, já estamos vivendo numa cultura da convergência. 43


Neste momento, as transformações culturais, as batalhas jurídicas e as fusões empresariais que estão alimentando a convergência midiática são mudanças antecedentes na infraestrutura tecnológica. O modo como essas diversas transições evoluem irá determinar o equilíbrio de poder na próxima era dos meios de comunicação. 45


Cocooning: termo cunhado nos anos 90 para definir a tendência ao isolamento social nas últimas décadas: as pessoas preferem ficar em casa a interagir socialmente. O aparecimento de novas tecnologias, como a Internet, acentuou essa tendência. 45


Alguns veem um mundo sem gatekeepers, outros um mundo onde os gatekeepers têm um  poder sem precedentes. (porteiro: no contexto dos meios de comunicação, é um termo utilizado para se referir a pessoas e organizações que administram ou restringem o fluxo de informação e conhecimento.) 46


Se os antigos consumidores eram previsíveis e ficavam onde mandavam que ficassem, os novos consumidores são migratórios, demonstrando uma declinante lealdade a redes ou a meios de comunicação. Se […] eram indivíduos isolados, os novos […] são mais conectados socialmente. Se o trabalho de consumidores de mídia já foi silencioso e invisível, os novos consumidores são agora barulhentos e públicos. 47


A nova "economia afetiva" incentiva as empresas a transformar as marcas naquilo que uma pessoa do meio da indústria chama de "lovermarks" e a tornar imprecisa a fronteira entre conteúdos de entretenimento e mensagens publicitárias. Segundo a lógica da economia afetiva, o consumidor ideal é ativo, comprometido emocionalmente e parte de uma rede social. 49


Mais uma vez, os cidadãos foram melhor servidos pela cultura popular do que pela noticiário ou pelo discurso político; a cultura popular assumiu novas responsabilidades ao instruir o público sobre o que estava em jogo nessa eleição e inspirá-lo  participar mais plenamente do processo. Na esteira de uma campanha que causou tantas divisões, a mídia popular talvez sirva também de exemplo de como podemos nos unir, apesar de nossas diferenças. As eleições de 2004 representam um importante momento de transição no relacionamento entre a mídia e os políticos à medida que os cidadãos foram incentivados a fazer boa parte do trabalho sujo da campanha, e candidatos e partidos perderam parte do controle sobre o processo político. Aqui, […] todos os lados aceitam uma participação maior dos cidadãos e consumidores, mas ainda não concordam com os termos dessa participação. 51


Estamos realizando essa mudança primeiro primeiro por meio de nossas relações com a cultura popular, mas as habilidades que adquirimos nessa brincadeira tem implicações no modo como aprendemos, trabalhamos, participamos do processo político e nos conectamos com pessoas de outras partes do mundo. 51


defini as culturas do conhecimento emergentes como culturas determinadas por afiliações voluntárias, temporárias e táticas. Por serem voluntárias, as pessoas não permanecem em comunidades que não satisfazem usa necessidades emocionais e intelectuais. Por serem temporárias, as comunidades se formam e se dispersam com relativa flexibilidade. Por serem táticas, tendem a não durar além das tarefas que as impulsionaram. 91


O que houve foi o deslocamento da interação em tempo real para a participação assíncrona. 93


Os profissionais de marketing procuram moldar a reputação das marcas não através de uma transação individual, mas através da soma total de interação com o cliente – um processo contínuo que cada vez mais ocorre numa série de diferentes "pontos de contato" midiáticos. Não querem apenas que o consumidor faça uma única compra, mas que estabeleça uma relação de longo prazo com a marca. . Novos modelos de marketing procuram expandir  os investimentos emocionais, sociais e intelectuais do consumidor, com o intuito de moldar os padrões de consumo. No passado os produtores de mídia falavam de "impressões". Hoje estão explorando o conceito de "expressões" do público, tentando entender como por que o público reage aos conteúdos. […] construir uma "comunidade de marca" comprometida pode ser o meio mais seguro de aumentar a fidelidade do consumidor, e que o merchandising permitirá às marcas absorverem um pouco da força afetiva dos produtos de mídia a que se associam. 98


Minha opinião é de que esse discurso emergente sobre economia afetiva possui implicações negativas e positivas: possibilita que os anunciantes utilizem a força de inteligência coletiva, direcionando-a a seus próprios fins, mas ao mesmo tempo, permite que os consumidores formem seu próprio tipo de estrutura coletiva de barganha, que podem usar para desafiara s decisões corporativas. 99


Nos encontros da indústria país afora, visionários corporativos e gurus de marcas estão promovendo o que chamo de economia afetiva como a solução para uma crise perceptível na radiodifusão americana -  uma crise causada pelas transformações na tecnologia das mídias, que estão conferindo aos telespectadores um controle muito maior sobre o fluxo midiático em seus lares. 99


Nos anos 1960, um anunciante poderia alcançar 80% das mulheres americanas com uma inserção n horário nobre das três redes de TV. Hoje, estima-se  que a mesma inserção teria de passar em cem canais de TV para alcançar o mesmo número de espectadores. [15]. 101


os anunciantes […] estão diversificando seus orçamentos de publicidade e procurando estender suas marcas a múltiplos pontos de distribuição que, espera-se, irão alcançar uma variada seleção de nichos menores. 101


"à medida que os anunciantes perderem a capacidade de invadir o lar e a mente dos consumidores, serão obrigados a aguardar um convite. Isso significa que os anunciantes têm de aprender que tipos de conteúdo publicitário os clientes estarão realmente dispostos a procurar e receber.[20] 102


os consumidores não apenas assistem aos meios de comunicação; eles também compartilham entre si ao assistem – seja usando uma camiseta proclamando sua paixão por determinado produto, postando mensagens numa lista de discussão, recomendando um produto a um amigo ou criando uma paródia de um comercial que circula na Internet. A expressão pode ser vista como um investimento na marca, e não simplesmente uma exposição a ela. 103


relações emocionais x temas promocionais. 108


As corporações estão se voltando aos consumidores ativos porque precisam fazê-lo, se quiserem sobreviver; algumas já aprenderam que esses consumidores podem ser aliados, mas muitas ainda os temem e desconfiam deles, procurando formas de desviar essa força emergente para seus próprios fins. 110


Profissionais da indústria midiática com frequência fazem distinção entre consumidores zapeadores, casuais e fiéis: essa distinção consegue explicar como, por que e a que os consumidores assistem. 111


As pesquisas de mercado sugerem, hoje, que os fieis são muito mais valiosos que os zapeadores. 113


televisão com hora marcada coisa do passado. Swan, 113


a indústria midiática tenta gerar conteúdos que atraiam fiéis, que diminuam a velocidade dos zapeadores e que transformem casuais em fãs. 115


os programas são planejados para sustentar múltiplos níveis de envolvimento. 115


À medida que o ciberespaço amplia a esfera das interações sociais, torna-se ainda mais importante poder falar sobre pessoas que conhecemos através da mídia do que sobre pessoas de nossa comunidade local, que não são conhecidas de todos os participantes de uma conversa on-line. 124


Em uma sociedade multicultural, conversar sobre as diferenças de valores torna-se um mecanismo pelo qual diferentes grupos sociais podem aprender mais sobre como cada um percebe o mundo; portanto, há um valor real na fofoca que se alastra no mundo virtual, e não em comunidades de contato direto, face a face. 124-125


É por meio de embates que a relação entre os produtores e consumidores de mídia será redefinida nas próximas décadas. 134


cada produto determinado é um ponto de acesso à franquia como um todo. A compreensão obtida por meio de diversas mídias sustenta uma profundidade de experiência que motiva mais consumo. […] oferecer novos níveis de revelação e experiência renova a franquia e sustenta a fidelidade do consumidor. A lógica econômica de uma indústria do entretenimento integrada horizontalmente […] onde uma única empresa pode ter raízes em vários  diferentes setores de mídia – dita o fluxo de conteúdos pelas mídias. Mídias diferentes atraem nichos de mercados diferentes. Filmes e televisão provavelmente têm os públicos mais diversificados; quadrinhos e games, os mais restrito. 138


Uma boa franquia transmídia trabalha para atrair múltiplas clientelas, alterando um pouco o tom do conteúdo de acordo com a mídia. Entretanto, se houver material suficiente para sustentar as diferentes clientelas – e se cada obra oferecer experiências novas – é possível contar com um mercado de intersecção que irá expandir o potencial de toda franquia. 138-139


não temos ainda critérios estéticos muito bons para avaliar obras que se desenvolvem através de múltiplas mídias. 1391


(filmes cult, excesso de citações, feitos para ser citado, Eco) 40


A absoluta abundância de alusões torna quase impossível a qualquer consumidor dominar a franquia totalmente. 142


há fortes motivações econômicas por trás da narrativa transmídia. A convergência das mídias torna inevitável o fluxo de conteúdo pelas múltiplas plataformas de mídia. […] há um forte interesse em integrar entretenimento e marketing, em criar fortes ligações emocionais e usá-las para aumentar as vendas. 148


na cocriação, as empresas colaboram desde o início para criar conteúdos considerados adequados a cada um dos setores, permitindo que cada meio de comunicação gere novas experiências ao consumidor e aumente os pontos de acesso a franquia. 149


da televisão com hora marcada para a televisão de envolvimento. 167


Enquanto a complexidade nos anos 1980 talvez fosse definida em termos de necessidade de oferecer "drama de qualidade" para um consumidor demograficamente de elite, os programas "complexos" de hoje normalmente oferecem entretenimento de gênero, na esperança de atrair os mais jovens, que estavam abandonando a televisão em favor de jogos e outros entretenimentos interativos. Quando esses fãs foram atraídos para um programa, eles exigiram um relacionamento mais intenso e profundo com o conteúdo. […] uma das estratégias mais comuns foi o desenvolvimento de cenas curtas adicionais para o consumo via plataformas móveis. 169


Apesar de todas as suas qualidades experimentais e inovadoras, a narrativa transmídia não é inteiramente nova. […] história de Jesus. 172


As novas "mitologias", se podemos chamá-las assim, estão emergindo no contexto de uma sociedade cada vez mais fragmentada e multicultural. 174


As crianças estão sendo preparadas para contribuir com uma cultura do conhecimento mais sofisticada. Até agora, nossas escolas ainda se concentram em gerar aprendizes autônomos; buscar informações com outras pessoas ainda é classificado como "cola". No entanto, na vida adulta, estamos dependendo cada vez mais dos outros para nos fornecer informações que não conseguimos processar sozinhos. Nosso local de trabalho tornou-se mais cooperativo; nosso processo político tornou-se mais descentralizado; estamos vivendo cada vez mais no interior de culturas baseadas na inteligência coletiva. Nossas escolas não estão ensinando o que significa viver e trabalhar em tais comunidades de conhecimento, mas a cultura popular talvez esteja. 184


Numa cultura de caçadores, as crianças brincam com arco e flecha. Na sociedade da informação, elas brincam com informação. 185


na cultura da convergência, todos são participantes […] diferentes graus de status e influência. 189


Pode-se contar a história das artes americanas do século 20 em termos da substituição da cultura tradicional pelas mídias de massa. 192


 Pode-se contar a história das artes americanas do século 21  em termos do ressurgimento público da criatividade popular alternativa, à medida que pessoas comuns se aproveitadas novas tecnologias que possibilitam o arquivamento, a apropriação e a recirculação de conteúdos de mídia. Provavelmente começou com a fotocópia […] talvez tenha começado com a revolução do videocassete. 193


A nova cultura da convergência será construída sobre referências de vários conglomerados de mídia. 194


Nas últimas décadas, as corporações buscaram vender conteúdo de marca para que os consumidores se tornem os portadores de suas mensagens. Profissionais de marketing transformaram nossos filhos em outdoors ambulantes e falantes, que usam logotipo na camiseta, pregam emblemas na mochila, colam adesivos no armário, penduram posteres na parede, mas não podem, sob pena da lei, postar nada disso em suas páginas na Internet. De alguma forma, quando só consumidores escolhem onde e quando exibir essas imagens, sua participação ativa na circulação de marcas subitamente torna-se um ultraje moral e uma ameaça ao bem-estar econômico da indústria. 195


O sistema depende de relações dissimuladas entre produtores e consumidores. 196


Eles consideram os fãs como um potencial de revitalização de franquias estagnadas e um meio de baixo custo para geração de novos conteúdos  de mídia. 196


desaparecimento de cineastas amadores. 200


Em toda parte e em todos os níveis o termo "participação" emergiu como um conceito dominante, embora cercado de expectativas conflitantes. As corporações imaginam a participação como algo que podem  iniciar e parar, canalizar e redirecionar, transformar em mercadoria e vender. As proibicionistas estão tentando impedir a participação não autorizada; as cooperativistas estão tentando impedir a participação não autorizada; as cooperativistas estão tentando conquistar para si os criadores alternativos. Os consumidores, por outro lado, estão reivindicando o direito de participar da cultura, sob suas próprias condições, quando e onde desejarem. Esse consumidor, mais poderoso, enfrenta uma série de batalhas para preservar  e expandir seu direito de participar. 236


Contradições, confusões e múltiplos pontos de vista são esperados num momento de transição, em que um paradigma midiático está morrendo e outro está nascendo. Nenhum de nós sabe realmente como viver nesta época de convergência das mídias, inteligência coletiva e cultura participativa. 236


[…] uma luta sobre os direitos que temos de ler e escrever a respeito de mitos culturais essenciais – ou seja, uma luta sobre letramento. Aqui, entende-se por letramento, não apenas o que podemos fazer com material impresso, mas também com outras mídias. 237


de que habilidades as crianças precisam para se tornar participantes plenos da cultura da convergência? […] a capacidade de unir seu conhecimento ao de outros numa empreitada coletiva […] a capacidade de compartilhar e  comparar sistemas de valores por meio da avaliação de dramas éticos […] a capacidade de formar conexões entre pedaços espalhados de informação […] a capacidade de expressar suas interpretações e seus sentimentos em relação a ficções populares por meio de sua própria cultura tradicional […] e a capacidade de circular as criações através da Internet, para que possam ser compartilhadas com outros. 248-249


Muitos adultos se preocupam com o fato de as crianças estarem "copiando" o conteúdo de mídia preexistente, em vez de criar os próprios trabalhos originais. Entretanto, deve-se pensar nessas apropriações como um tipo de aprendizagem. 255


a frequência com que as crianças são forçadas a renunciar à fantasia a fim de defender o próprio direito de possuí-la. 271


[47, p. 273] "mentalidade que valoriza quem é perfeitamente normal, em vez de quem é interessante, original, afetuoso e criativo"


Numa época de convergência das mídias, a participação dos consumidores emergiu como o principal problema conceitual: gatekeepers tradicionais procuram agarrar-se ao controle do conteúdo cultural, e outros grupos […] querem proporcionar aos consumidores as habilidades necessárias para a construção de sua própria cultura. 283


nova relação entre a política e a cultura popular. 285


Estão falando em uma mudança no papel do público no processo político […] em mudar a maneira sobre como as pessoas pensam sobre comunidade e poder […] em substituir o conceito do cidadão individualmente informado pelo conceito cooperativo do cidadão monitor. 287


a mídia contemporânea está sendo moldada por várias tendências conflitantes e contraditórias […] há também uma concentração de poder inédita dos velhos meios de comunicação. A ampliação de um ambiente discursivo coexiste com o estreitamento da variedade nas informações transmitidas pelos canais mais disponíveis. 291


Já estamos aprendendo a viver em meio aos múltiplos sistemas de mídia. As batalhas cruciais estão sendo travadas agora. Se nos concentrar-nos na tecnologia, perderemos a batalha antes mesmo de começarmos a lutar. Precisamos enfrentar os protocolos sociais, culturais e políticos que existem em torno da tecnologia e definir como utilizá-los. 292


push media e pull media 293


O cidadão monitor precisa desenvolver novas habilidades importantes na avaliação de informações – processo que ocorre tanto em nível individual, dentro de casa ou no trabalho, quanto em nível mais cooperativo, por meio do trabalho de diversas comunidades do conhecimento. 308


Eles adotaram tecnologias e técnicas desbravadas pelas comunidades de fãs e as utilizaram para mobilizar eleitores. Utilizaram shows e apresentações como locais para o registro dos eleitores. Utilizaram filmes como uma oportunidade para discussões políticas e difusão pública. Criaram paródias no Photoshop que sintetizaram debates fundamentais. Construíram games em que comunidades imaginárias aprendiam a governar a si mesmas. 315-316


podemos afirmar que uma integração crescente entre política, cultura popular e vida cotidiana ajudou a mobilizar níveis recordes de participação de eleitores. 316


o desafio é criar um contexto em que pessoas de diferentes formações realmente conversem entre si e se orçam. 317


a medida que as pessoas integram a política à vida cotidiana, torna-se mais difícil para elas se comunicarem com familiares e vizinhos […] À medida que a "política do ataque" evolui no nível popular, o entramos em desacordo com as pessoas à nossa volta, difamando-as por suas escolhas políticas […] prejudicamos relações que nos são valiosas. 317-318


estamos mais polarizados hoje do que qualquer outro período da história. […] significa que não estamos conseguindo encontrar princípios unificadores ou agir sobre pontos de consenso. Até certo ponto, essa polarização é oportunista, criada por membros dos dois partidos, que consideram essas discordâncias útil para levantar dinheiro e mobilizar eleitores. 318


talvez possamos superar nossas diferenças se encontrarmos atributos comuns por meio da fantasia […] esta é mais uma razão por que a cultura popular tem importância política – de modo algum ela parece tratar de política. 321


a convergência representa uma mudança de paradigma – um deslocamento de conteúdo de mídia específico em direção a um conteúdo que flui por vários canais, em direção a uma elevada interdependência de sistemas de comunicação, em direção a múltiplos modos de acesso a conteúdos de mídia e em direção a relações cada vez mais complexas entre a mídia corporativa […] e a cultura participativa. Apesar da retórica sobre a "democratização da televisão", essa mudança está sendo conduzida por interesses econômicos e não por uma missão de delegar poderes ao público. A indústria midiática está adotando a cultura da convergência por várias razões: estratégias baseadas na convergência exploram as vantagens dos conglomerados […] cria múltiplas formas de vender conteúdo aos consumidores […] consolida a fidelidade do consumidor […] em alguns casos [..] está sendo estimulada pelas corporações como um modo de moldar o comportamento do consumidor. 325


O público não vai reconsiderar sua relação com o conteúdo de mídia da noite para o dia, e a indústria da mídia não vai renunciar ao seu domínio sobre a cultura sem lutar. 326


as maiores mudanças estão ocorrendo nas comunidades de consumo. A maior mudança talvez seja a substituição do consumo individualizado e personalizado pelo consumo como prática integrada em rede. 327


A política do utopia crítica é fundamentada na noção de delegação de poderes; a política do pessimismo crítico, na vitimização. Uma enfoca o que estamos fazendo com as mídias, a outra, o que as mídias estão fazendo conosco. […] o movimento de reforma midiática está ganhando força numa época em que as pessoas começam a se sentir com mais poder, e não quando se sentem mais fracas. 330


A concentração do poder da mídia é um problema real […] detém a competição e coloca as indústrias acima das demandas dos consumidores […] reduz a diversidade […] reduz os incentivos para as empresas negociarem com os consumidores e impõe obstáculos à sua participação. Grandes meios de comunicação concentrados podem ignorar a audiência (pelo menos até certo ponto). 331


lutar contra o regime de direitos autorais corporativos, combater a censura e o pânico moral que tentam transformar em doença as formas emergentes de participação, expandir o acesso e a participação de grupos que, de resto, estão sendo deixados para trás, e promover formas de educação e letramento midiático que auxiliem as crianças a desenvolver as habilidades necessárias para se tornarem participantes plenos de sua cultura. 331


Mas o que significa explorar o poder da mídia para nossos próprios fins? A pureza ideológica  e estética é realmente mais valiosa do que a transformação da nossa cultura? 331


Uma política de participação começa a partir do pressuposto de que podemos ter maior poder coletivo de barganha se formarmos comunidades de consumo. 332


Uma política de confronto deve dar lugar a uma política focada na colaboração tática. O antigo modelo […] era de que os consumidores votam com a carteira. O novo é o de que estamos coletivamente mudando a natureza do mercado e, ao fazê-lo, estamos pressionando as empresas a mudar os produtos que elas estão criando  e o modo como se relacionam com os consumidores. 333


Ainda não temos nenhum modelo de uma cultura do conhecimento plenamente realizada. Mas a cultura popular pode nos fornecer protótipos. 333


Uma adhocracia é uma cultura do conhecimento que transforma informação em ação. 334


O poder da participação vem não de destruir a cultura comercial, mas de reescrevê-la, modificá-la, corrigi-la, expandi-la, adicionando maior variedade de pontos de vista, e então circulando-a novamente, de volta às mídias comerciais. 341


Hoje precisamos enfrentar os fatores culturais que diminuem a probabilidade de participação de diversos grupos. 342


O ideal do cidadão informado está se desintegrando simplesmente porque há coisas demais para apenas um indivíduo saber. O ideal da cidadania monitora depende de desenvolvimento de novas habilidades em colaboração e de uma nova ética de compartilhamento de conhecimento que nos permitirão deliberar juntos. 342


As mídias são interpretadas basicamente como ameaças, em vez de recursos. Coloca-se mais ênfase nos perigos da manipulação do que nas possibilidades de participação. 343


onde velhas e novas mídias colidem, onde a mídia corporativa e a mídia alternativa se cruzam, onde o poder do produtor e o poder do consumidor interagem de maneiras imprevisíveis. A cultura da convergência é o futuro, mas está sendo moldada hoje. Os consumidores terão mais poder na cultura da convergência – mas somente se reconhecerem e utilizarem esse poder tanto como consumidores quanto como cidadãos, como plenos participantes de nossa cultura. 343


em vez de estar substituindo as velhas mídias, o que eu chamo de cultura da convergência está sendo moldada pelo crescente contato e colaboração entre as instituições de mídia consagradas e as emergentes, pela expansão do número de agentes produzindo e circulando mídia, e o fluxo de conteúdo pelas múltiplas plataformas e redes. 347-348


HUNTER, J. C. O monge e o executivo

Hunter, James C. O monge e o executivo: uma história sobre a essência da liderança; 13ª ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2004. 


Estar no poder é como ser uma dama. Se tiver que lembrar às pessoas que você é, você não é. Margaret Thatcher. p. 16

The great paradox: to lead you must serve. p. 19

Gerência não é algo que você faça para os outros. Você gerencia seu inventário [...]. Mas você não gerencia seres humanos. Você gerencia coisas e lidera pessoas. p. 25

Liderança: [...] habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir aos objetivos identificados como sendo para o bem comum. p. 25

Poder: [...] faculdade de forçar ou coagir alguém a fazer a sua vontade, por causa de sua posição ou força, mesmo que a pessoa preferisse não fazer. p. 26

Autoridade: [...] habilidade de levar as pessoas a fazerem de boa vontade o que você quer por causa de sua influência pessoal. p. 26

O poder corrói os relacionamentos. Você é capaz de obter algum proveito do poder a até realizar coisas, mas com o passar do tempo ele se torna muito danoso para os relacionamentos [...] adolescentes [...] rebelião [...] reação ao poder que os dominou [...] a inquietação de um empregado é muitas vezes uma rebelião disfarçada. p. 28

há vezes em que se deve exercer o poder [...] há ocasiões em que precisamos de poder. [...] quando precisar [...] o líder deve refletir sobre as razões que o obrigaram a recorrer a ele [...] porque nossa autoridade foi quebrada [...] talvez não tivéssemos nenhuma autoridade. p. 29

autoridade:

honestidade, confiabilidade

bom exemplo

cuidado

bom ouvinte

conquistava a confiança das pessoas

tratava as pessoas com respeito

encorajava as pessoas

atitude positiva e entusiástica

gostava das pessoas p. 32

Liderar é conseguir que as coisas sejam feitas através das pessoas. Ao trabalhar com pessoas e conseguir que as coisas sejam feitas através delas, sempre haverá duas dinâmicas em jogo - a tarefa e o relacionamento. É comum o líder perder o equilíbrio, se concentrando apenas em uma das dinâmicas em detrimento da outra. p. 33-34

A chave da liderança é executar as tarefas enquanto se constroem os relacionamentos. p. 34

como existe um conceito de liderança defeituoso, pessoas voltadas para as tarefas provavelmente ocupam a maioria dos cargos de liderança. p. 35

Tudo na vida gira em torno dos relacionamentos. [...] isso é especialmente verdadeiro nos negócios, porque sem pessoas não há negócios. [...] lideres [...] têm [...] capacidade de construir relacionamentos saudáveis.  p. 35

Para haver um negócio saudável e próspero devem existir relacionamentos saudáveis entre os responsáveis pela organização. p. 35

Agitação, transferências, [...] baixo moral, baixa confiança e baixo compromisso são meros sintomas de um problema de relacionamento. As necessidades legitimas dos empregados não estão sendo satisfeitas. p. 35

O tratamento digno e respeitoso, a capacidade de contribuir para o sucesso da organização, o sentimento de participação sempre apareceram acima do dinheiro. p. 36-37

o ingrediente mais importante para um relacionamento bem-sucedido? [...] confiança. Sem confiança é difícil senão impossível conservar um bom relacionamento. [...] é a cola que gruda os relacionamentos. [...] a confiança vem do fato de uma pessoa ser confiável. p. 37

Se você não mudar a direção, terminará exatamente onde partiu. (antigo provérbio chinês) p. 39

Quando você interrompe as pessoas no meio de uma frase [...] você envia mensagens negativas [...] não estava prestando atenção [...] se recusa a me ouvir, não está valorizando minha opinião [...] deve acreditar que o que tem a dizer é muito mais importante. p. 40

E preciso que desafiemos continuamente os paradigmas a respeito de nós mesmos, do mundo em torno de nós, de nossas organizações e das outras pessoas [...] o mundo exterior entra em nossa consciência através dos filtros de nossos paradigmas. E nossos paradigmas nem sempre são corretos. p. 43

Se uma organização não está desafiando suas crenças e velhas maneiras de fazer as coisas, a concorrência e o mundo simplesmente a ultrapassam. p. 44

p. 47

Na organização todos estão olhando para cima , para o chefe, e longe do cliente. p. 48

novo paradigma


O papel do líder não é impor regras e dar ordens à camada seguinte [...] é servir.  p. 50

Infelizmente, muitos gerentes colocam obstáculos em vez de removê-los [...] Um gerente-gaivota é àquele que periodicamente voa para dentro da área, faz muito barulho, engana as pessoas, talvez coma seu almoço, e desaparece. p. 51

Os escravos fazem o que os outros querem, os servidores fazem o que os outros precisam. Há um mundo de diferença entre satisfazer as vontades satisfazer as necessidades. p. 52

As crianças e os adultos precisam de um ambiente com limites, um lugar onde haja padrões estabelecidos e onde as pessoas sejam responsáveis. Elas podem não querer [...] mas precisam. Não fazemos favor a ninguém dirigindo lares ou departamento indisciplinados. O líder nunca deve aceitar a mediocridade ou o segundo lugar  - as pessoas tem necessidade de receber estímulo para se tornarem o melhor que puderem ser. Talvez isso não seja o que querem, mas o líder deve estar sempre mais preocupado com as necessidades do que com as vontades. p. 52-53

Uma vontade [...] é simplesmente um anseio que não considera as consequências físicas ou psicológicas daquilo que se deseja. Uma necessidade [...] é uma legítima exigência física ou psicológica para o bem-estar do ser humano. p. 53

uma vez atendimentos os dois níveis básicos de necessidades (comida, segurança) os sentimentos de pertencer a empresa e de ser amando tornam-se necessidades incentivadoras, Eu me lembro que isso inclui a necessidade de fazer parte de um grupo saudável, com relacionamentos acolhedores e saudáveis. Uma vez satisfeitas essas necessidades, o estimulo vem da auto estima, o que inclui a necessidade de sentir-se valorizado, tratado com respeito, apreciado, encorajado, tendo seu trabalho reconhecido, premiado. p. 55

O líder deve incentivar e dar condições para que as pessoas se tornem o melhor que podem ser. p. 56

Quem quiser ser líder deve ser primeiro servidor. Se você quiser liderar deve servir. Jesus Cristo. p. 57

não nos rodeamos de pessoas que dizem amém a tudo, ou pessoas iguais a nós [...] se dez concordarem com tudo, nove provavelmente são desnecessários. p. 59

[...] autoridade. Nós a construímos sempre que servimos aos outros e nos sacrificamos por eles. [...] o papel da liderança é servir, isto é, identificar e satisfazer as necessidades legítimas. Nesse processo de satisfazer as necessidades será preciso frequentemente fazer sacrifícios por aqueles a quem servimos. p. 67

quando uso a palavra amor eu me refiro a um comportamento e não a um sentimento. p. 69

o amor é fundamentado na vontade. p. 69

Ken Blanchard (O gerente minuto)

INTENÇÕES - AÇÕES = NADA

INTENÇÕES + AÇÕES = VONTADE p. 70

quando exercemos autoridade com as pessoas, ganhamos o direito de sermos chamados de líderes. p. 70

modelo de liderança (pirâmide para baixo)


p. 70


Liderança > Autoridade > Serviço e sacrifício > Amor > Vontade

liderança se reduz a uma definição de quatro palavras [...] identificar e satisfazer necessidades. p. 71

Não tenho necessariamente que gostar de meus jogadores e sócios, mas como líder devo amá-los. O amor é lealdade [...] trabalho em equipe [...] respeita a dignidade e a individualidade. Esta é a força de qualquer organização. (Vince Lombardi) p. 72

Os sentimentos de amor talvez possam ser a linguagem do amor ou a expressão do amor, mas esses sentimentos não são o que o amor é. [...] o amor é o que o amor faz. p. 76

dizer a e fazer não são a mesma coisa. p. 77

amor agapé p. 78

Paciência, bondade, humildade, respeito, generosidade, perdão, honestidade, compromisso. 

O líder deve ser exemplo de bom comportamento para os jogadores, as crianças, os empregados. [...] Se o líder gritar ou perder o controle, podem estar certos  de que o time também perderá o controle e tenderá a agir de forma irresponsável. p. 79

é importante [...]  que você crie um ambiente seguro, em que as pessoas possam cometer erros sem terem medo de ser advertidas de forma grosseira, aos berros. p. 79

Nós não queremos líderes inchados de orgulho e fixados em si mesmos. O ego pode de fato interpor-se no caminho criar barreiras entre os líderes e seus liderados. Os líderes arrogantes que acham que sabem tudo são um estrago para muitas pessoas. Essa arrogância também é uma pretensão desonesta, porque ninguém sabe tudo ou tem tudo. Humildade [...] é pensar menos a respeito de si mesmo. p. 86

capto várias mensagens quando uma pessoa se atrasa [...] o tempo dela é mais importante do que o meu [...] não devo ser importante muito importante para a pessoa [...] não é muito honesta, porque pessoas honestas cumprem a palavra e seguem os compromissos. p. 89

Devemos satisfazer necessidades, não vontades. Se dermos às pessoas o que elas legitimamente exigem para seu bem-estar mental ou físico, acho que não devemos nos preocupar pensando que as estamos mimando. [...] ser um servidor, não um escravo. p. 90

as pessoas não são perfeitas e de uma maneira ou de outra agredirão você [...] na posição de líder isso acontecerá muitas vezes. p. 90

Comportamento afirmativo consiste um ser aberto, honesto e direto com as pessoas, mas sempre de maneira respeitosa. Perdoar é lidar de um modo afirmativo com as situações que aparecem e depois desapegar-se de qualquer resquício de ressentimento [...] se nã for capaz [...] consumirá sua energia e se tornará ineficiente. p. 90-91

a liderança é construída sobre autoridade ou influência, que por sua vez são construídas sobre serviço e sacrifício, que são construídos sobre o amor [...] por definição, quando vocês lideram com autoridade serão chamados a doar-se, amar, servir e até sacrificar-se pelos outros. [...] amar [...] é [...] como se comporta em relação aos outros. p. 95

o verbo amar pode ser definido como o ato ou os atos de doação ao outros, identificando e atendendo suas legítimas necessidades. p. 95

amor e liderança. p. 96

paciência: mostrar autocontrole

bondade: dar atenção, apreciação e incentivo

humildade: ser autêntico e sem pretensão ou arrogância

respeito: tratar os outros como pessoas importantes

abnegação: satisfazer as necessidades dos outros

perdão: desistir de ressentimento quando prejudicado

honestidade: ser livre de engano

compromisso: sustentar suas escolhas

resultados: serviço e sacrifício: pôr de lado suas vontades e necessidades; buscar o maior bem para os outros. 

"Homens a mulheres desejam fazer um bom trabalho. Se lhes for dado o ambiente adequado, eles o farão". Bill Hewlett. p. 97 

Suas ações sempre falarão mais alto e serão muito mais importantes do que suas palavras. p. 98

amar agapé (do grego) é um verbo que descreve como nos comportamos, e não como nos sentimos. p. 98

quando estamos comprometidos com o amor a Deus e aos outros, e continuamos a investir nesse sentido, comportamentos positivos acabarão produzindo sentimentos positivos, algo que os sociólogos chamam de práxis. p. 99

"exemplo do jardim, médicos, terapeutas > a gente não faz o crescimento (ou cura) ocorrer, apenas ajuda, cria as condições". p. 100

muitos [...] ficaram impacientes e desistiram do esforço antes que os frutos tivessem chance de crescer. Muitas pessoas querem e esperam resultados rápidos, mas o fruto só vem quando está pronto. E é exatamente por isso que o compromisso é tão importante. [...] Imagine um fazendeiro que tente enriquecer plantando sua colheita no final do outono e esperando obter uma safra antes que a neve caia! A lei da colheita ensina que o fruto crescerá, mas nem sempre sabemos quando esse crescimento ocorrerá. p. 102

Stephen Covey (os sete hábitos das pessoas altamente eficazes). A metáfora da conta relacional nos ensina a importância de manter saudável o equilíbrio dos relacionamentos com as pessoas [...] quando conhecemos uma pessoa, o saldo [...] é neutro [...] vamos iniciar um conhecimento. À medida que o relacionamento amadurece, porém, fazemos depósitos e retiradas nessas contas imaginárias, baseados na forma como nos comportamos [...] fazemos depósitos sendo confiáveis e honestos, dando [...]consideração e reconhecimento, mantendo nossa palavra, sendo bons ouvintes, não falando de outras pessoas pelas costas, usando a simples cortesia de um olá, por favor, obrigado, desculpe, etc. Fazemos retiradas sendo agressivos, descorteses, quebrando promessas e compromissos, apunhalando os outros pelas costas, sendo mais ouvintes, cheios de empáfia, arrogância, etc. 

quando punimos uma pessoa publicamente [...] é uma enorme retirada de nossa conta com essa pessoa [...] quando humilhamos alguém em público [...] fazemos uma retirada da nossa própria conta relacional com todos aqueles que presencia, porque chicotadas em público são constrangedoras e horríveis de presenciar, e as pessoas se perguntam: quando será a minha vez?. [...] uma das formas mais eficientes de fazer retiradas relacionais é punir alguém publicamente. p. 103

para cada retirada que você faz em sua conta com uma pessoa são necessários quatro depósitos para voltar a ficar igual. Uma proporção de quatro para um!. p. 104-105

as pessoas de forma geral têm alta opinião sobre si mesmas. [...] devemos ser muito cuidadosos ao fazer retiradas da conta dos outros porque o custo pode ser muito alto. [....] pense [...] na confiança. Podemos passar anos nos esforçando para construí-la e ela pode ser perdida em um instante por uma simples indiscrição. p. 105

pessoas [...] agem como se pudessem de fato mudar outras pessoas. Estão sempre tentando consertar as pessoas [...] Tolstoi disse que todos querem mudar o mundo, mas ninguém quer mudar a si mesmo. p. 109

motivação como qualquer comunicação que influencia as escolhas. [...] podemos fornecer todas as condições , mas são as pessoas que devem fazer as próprias escolhas para mudar. Lembrem-se do princípio do jardim. Não fazemos o crescimento ocorrer. O melhor que podemos fazer é fornecer o ambiente certo e provocar um questionamento que leve as pessoas a se analisarem para poderem fazer suas escolhas, mudar e crescer. p. 109

Ritz: "Somos senhoras e cavalheiros servindo senhoras e cavalheiros [...] quem não se comporta desse jeito não trabalha aqui!". p. 110

como você consegue ter todos tão entusiasmados em seu time? Lou Holtz respondeu: "É muito simples. Eu elimino os que não são". p. 110

Os sentimentos virão em consequência do comportamento. p. 113

Alongar-se e fazer nascer músculos emocionais. [...] É difícil no princípio. Mas com compromisso e exercício adequado - prática - os músculos emocionais, assim como os físicos, se alongam, ficam maiores e mais fortes do que você possa imaginar. p. 114

Conheci muitos [...] que não queriam assumir suas responsabilidade diante das dificuldades de seus relacionamentos [...] começarei [...] quando [...] Talvez a declaração devesse transformar-se em uma pergunta: "mudarei... quando?". p. 114

responsabilidade e as escolhas que fazemos [...] a liderança começa com uma escolha. algumas dessas escolhas incluem encarar de frente as [...] responsabilidades que nos dispomos a assumir e alinhar nossas ações com as boas intenções. Mas muitas pessoas não querem assumir a responsabilidade adequada em suas vidas e preferem ignorar essa responsabilidade. p. 115

pessoas com problemas psicológicos sofrem muitas vezes [...] de "doenças da responsabilidade". Os neuróticos assumem responsabilidades demais e acreditam que tudo o que acontece é por culpa deles. [...] Pessoas com problemas de caráter, por outro lado, geralmente assumem muito pouco a responsabilidade por seus atos. Elas acham que tudo o que sai errado é por culpa de outra pessoa. [...] E ainda há os que ficam no meio, às vezes assumindo responsabilidades demais [...] às vezes de menos. p. 115

Pensamentos tornam-se ações, ações tornam-se hábitos, hábitos tornam-se caráter, e nosso caráter torna-se nosso destino. p. 125

não vemos o mundo como ele é, nós o vemos como somos. p. 127

talvez eu precise começar a olhar para as coisas de maneira diferente. [...] percepção seletiva [...] vemos e encontramos as coisas que procuramos. p. 128

Houston Oilers: "Ha apenas duas espécies de treinadores: os que são despedidos e os que estão para ser despedidos!" [...] o líder corre risco de qualquer maneira. p. 131

os que seguem a multidão nunca serão seguidos por ela. p. 131

Nós não temos que gostar dos nossos colegas e sócios, mas, como líderes, somos instados a amá-los e tratá-los como gostaríamos de ser tratados". (Vince Lombardi). E como quero ser tratado? Quero que meu líder seja paciente comigo, me dê atenção, me valorize, me incentive, seja autêntico comigo, me trate com respeito, satisfaça minhas necessidades quando surgirem, me perdoe quando eu errar, seja honesto comigo, me dê retorno, me dê condições para atingir os objetivos e por fim seja comprometido. Então, a Regra de Ouro diz como devo me comportar em relação aos meus liderados. Exatamente como eu gostaria de ser tratado. p. 132

A maioria dos grandes líderes que se apoiaram na autoridade tem falado dessa alegria. [...] satisfação interior e a convicção de saber que você está verdadeiramente em sintonia com os princípios profundos e permanentes da vida. Servir aos outros nos livra das algemas do ego e da concentração em nós mesmos que destroem a alegria de viver. p. 133

pessoas que deixam de crescer se tornam cada vez mais egoístas e autocentradas [...] constroem muros emocionais em torno de si [...] são terrivelmente solitárias e infelizes. p. 134

Os únicos que serão realmente felizes são os que buscaram e descobriram o que é servir. Talvez serviço e sacrifício seja o tributo que pagamos pelo privilégio de viver. (Dr. Albert Schweitzer) p. 135. 

A definição de insanidade é continuar a fazer o que você sempre fez, desejando obter resultados diferentes. p. 136.




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