Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. (Padre Antônio Vieira)

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

DE MASI, Domênico. Criatividade e grupos criativos

DE MASI, Domênico. Criatividade e grupos criativos. Rio de Janeiro: Sextante, 2003. 795 p.


O uso do computador elevou a produtividade tanto na ciência como nas empresas, permitindo a desestruturação espaço-temporal dos processos e, ao mesmo tempo, a sua integração funcional através de fluxos de comunicativos capazes e centralizar e distribuir informações em escala planetária e em tempo real. p. 351-352


a pesquisa, a instrução e a formação evoluirão de forma sinérgica no mundo inteiro, graças a distribuição cada vez mais capilar das informações. p. 355


será [....] solicitada a inovação nas tecnologias da virtualidade, dos sistemas de geração e uso do conhecimento, da formação e da educação. p. 355


Irá se confirmar a tendência [...] small, smart e self. No componente self será central a possibilidade das tecnologias informáticas de se auto-reproduzir-se, auto-sistematizar-se e, portanto, auto-manter-se. p. 355


o progresso se deslocou aparentemente de tecnologias materiais para tecnologias desmaterializadas. p. 356


a relação entre a matéria constitutiva e o poder da função oscila sempre em favor da segunda. p. 356


Nas três invenções mesopotâmicas geralmente consideradas mais importantes (forno a carvão com exaustão, eixo cilíndrico, escrita) [...] maiores descobertas tecnológicas da idade média (moinho, arreio, pólvora, imprensa, bússola, óculos, relógio) a mesma relação [...] desequilibra-se em favor da segunda, ou seja, a tecnologia parece desmaterializar-se. p. 357


Não foi a tecnologia que se desmaterializou, mas o nosso conceito de matéria que deve ser renovado com base nas novas aquisições teóricas. p. 358


Graças à miniaturização (diferente da desmaterialização), é provável que quase todas as tecnologias nos pareçam cada vez mais amistosas e penetrem com crescente naturalidade na nossa existência. A longo prazo, a evolução tecnológica e sobretudo a digitalização da informação terão efeitos revolucionários na qualidade de vida e no trabalho, no ambiente, na sociedade, na economia, num posterior desenvolvimento tecnológico e na política. Mudarão substancialmente os modos de instrução, de trabalho, de comunicação e de uso do tempo livre. Em suma, de viver e de criar. p. 358


As transformações tecnológicas permitirão participar em tempo real daquilo que acontece no mundo, mas oferecerão uma tal abundância de informações que criarão um estresse psíquico e comprometerão a capacidade crítica. Correr-se-á o risco de acentuar assim a atual desorientação, de tornar as pessoas cada vez mais passivas e de perder os pontos de referência e de exatada avaliação daquilo que podemos fazer. p. 358


O telefone celular, a televisão e a internet já redefiniram a nossa relação com o espaço e com o tempo, determinando um sentido de ubiquidade. A potência crescente dos computadores já alterou a nossa percepção do mundo. 358-359


A redundância de informações comportará, para a maioria dos cidadãos, a dificuldade de processá-las e de dominá-las. Portanto, tenderá a aumentar o número de intérpretes que se ocuparão de transmitir a informação depois de a terem recenseado, compreendido e, às vezes, até distorcido, com grandes perigos de equívocos interpretativos e de manipulação. Paralelamente, aumentará o poder econômico e político dos detentores dos meios de informação e dos titulares do novo conhecimento, que ocuparão aqueles vértices do sistema social que haviam pertencido aos industriais, e antes ainda, aos proprietários de terras. 359


Superados Taylor e Ford, predominarão Fausto e Frankenstein: metáforas inquietadoras da relação do homem pós-moderno com a tecnologia pós-industrial. 359


Nos países ricos irá se acentuar a busca de um bem-estar no trabalho, no turismo, no estudo, nas comunicações, na saúde, na estética, no comportamento e nas interações. A necessidade de um bem estar crescente determinará o estímulo para a invenção de tecnologias adequadas, capazes de oferecer um novo e complexo produto: a qualidade de vida e novos luxos como a disponibilidade de tempo e de espaço, de autonomia e segurança, assim como de beleza e simplicidade. 359


As tecnologias da informação e da comunicação permitem manter relacionamentos a uma distância planetária sem dar um passo sequer. Podemos ser, ao mesmo tempo, globais e locais, semelhantes e idênticos, ubíquos e isolados, nômades e sedentários, ao lado de modelos novos de comportamento que permitem manter relações de tipo econômico, jurídico e burocrático sem a co-presença física das partes. Junto a novas oportunidades de trocas, conhecimentos, integrações e divertimentos, a sociedade da informação criará também novas solidões, novos egoísmos, novos estranhamentos, novas corridas pelo desempenho, pelo resultado, pela competitividade e pelo sucesso. 359


Por outro lado, as oportunidades devidas ao aumento das informações disponíveis serão colhidas numa medida diferente, segundo as capacidades socioeconômicas, culturais, críticas, de filtragem e de seleção de cada um dos sujeitos sociais, com o perigo de uma posterior bifurcação entre o mundo dos privilegiados e o dos excluídos. (digital devide). 359


As tecnologias da informação permitirão, por uma parte, formas de democracia telemática, direta, de tempo real; por outra, tentarão uma elite muito restrita a dominar todo o sistema social, favorecida pelo poder manipulador dos seus mass media e pelo desinteresse, inculcado sobretudo nos jovens, em relação ao exercício da política e dos valores de solidariedade. A New Economy subordinará a política à economia e a economia às finanças favorecida pelo crescente distanciamento entre a débil difusão da cultura humanista, cada vez mais desprezada, e a forte propagação da cultura técnica, sempre mais apreciada, causando a irresistível penetração da cultura de massa, posto avançado da mercantilização. p. 360

 



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