Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. (Padre Antônio Vieira)

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Arminio Fralda

Neste domingo (4), o caderno Ilustríssima, da Folha de S. Paulo, publicou extenso artigo de Armínio Fraga e Robert Muggah, fazendo um diagnóstico da política externa brasileira e traçando rumos para o futuro. Postei ontem mesmo o texto aqui no Facebook.

Achei o texto superficial e muito ruim.

Escrevi ao editor do caderno, cujo nome omito, para saber da possibilidade de publicarem uma réplica, que eu pretendia escrever.

Eu sei ser impossível a um editor se comprometer a publicar algo ainda não escrito. Daí minha cautelosa questão.

Para minha surpresa, ele negou, de cara, a possibilidade.

Eis nossa troca de mensagens:

MINHA MENSAGEM AO EDITOR

Prezado [Editor do caderno Ilustríssima],

Como vai?
Li, neste domingo, o artigo "Reformas para o Brasil ganhar espaço no tabuleiro mundial", assinado por Armínio Fraga e Robert Muggah.

Não se trata apenas de discordância com o texto, mas me espanta que peça tão superficial e repleta de meias-verdades seja publicada em tão largo espaço.

Gostaria de saber se há possibilidade de a Ilustríssima publicar o contraditório que pretendo escrever.

Atenciosamente,
Gilberto Maringoni

A RESPOSTA DO EDITOR

Caro professor,
Não tenho como dar uma resposta a partir de seu email abaixo. É uma sugestão muito genérica. A princípio, no entanto, posso dizer que não vejo muito calor nesse debate.

Grato,
[Editor do caderno Ilustríssima]

MINHA TRÉPLICA

Caro [Editor do caderno Ilustríssima]
Espanta-me ver que o editor de um caderno de ideias atue para interditar as mesmas. Mais espantoso é que este editor não "vê calor" no tema central da inserção do Brasil na divisão internacional do trabalho pós-2008, em meio à crise por nós enfrentada.

Paciência. Quero apenas enumerar algumas das muitas insuficiências das linhas cometidas por Armínio Fraga e Roberto MuggaH, no artigo "Reformas para o Brasil ganhar espaço no tabuleiro mundial":

1. Dizem os autores: "A ordem liberal internacional está sob ataque. O compromisso assumido sete décadas atrás pelos países ocidentais quanto a segurança comum, mercados abertos e democratização está perdendo a força".
Armínio e Muggah parecem não conhecer a história das últimas sete décadas. O compromisso do pós-Guerra não foi liberal, mas um pacto de compromisso entre liberais e desenvolvimentistas para a superação do liberalismo materializado por um século de supremacia britânica. Este desembocou em duas guerras mundiais e uma crise no centro do sistema. Temos aqui quase um consenso na historiografia das relações internacionais. E não se trata de um período unívoco. Nele tiveram lugar diversas fases da Guerra Fria, o unilateralismo estadunidense, a ascensão da China e a tendência à multipolaridade;

2. "O populismo reacionário e a crescente desigualdade de oportunidades e de renda nas economias mais avançadas também têm sua parcela de culpa".
Armínio e seu colega jogam conceitos na base do "se colar, colou". O que é "populismo reacionário"? Reacionário em relação a qual ação? Por que existem "crescentes desigualdades de renda" em tais economias?

3. "A despeito de terem se beneficiado da ordem liberal internacional, muitos países latino-americanos, especialmente o Brasil, reagem de forma ambígua diante do fim desse quadro e até parecem aliviados. Isso é um erro".
Se Armínio e Muggah acompanhassem os debates sobre os rumos da economia brasileira a partir do célebre debate entre desenvolvimentistas e liberais – em especial entre Roberto Simonsen e Eugênio Gudin, em 1944-45 – não escreveria o que escreve. Tenho vontade de enviar a ele meu livro sobre o tema, publicado pelo IPEA, em 2010. Fizessem isso, veriam que a adesão brasileira à ordem global, hegemonizada pelos EUA, nunca foi um caminho suave.

4. Para compreender o agnosticismo latino-americano, é preciso recuar ao nascimento da ordem liberal internacional, em 1945. (…) Sua face institucional inclui a Organização das Nações Unidas, o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional…"
A criação da ONU ensejou uma dificílima articulação que levou em conta a hierarquia entre países e a força relativa de cada um. Após 1949, a Organização foi pesadamente criticada pelo establishment norteamericano. Para Armínio e Muggah, não existe disputa política, ordem é coisa que cai do ceu e História significa um desfiar contínuo de fatos, coisas e datas.

5. "Essas entidades, algumas das quais excluíam os países latino-americanos, tinham por compromisso a difusão do Estado de Direito, a democratização, a preservação de mercados abertos…"
Uma pergunta: colocamos a deposição de Jacobo Árbenz (1954), na Guatemala, o golpe no Brasil (1964) e no Chile (1973), entre vários outros, na conta da "difusão do Estado de Direito" e da "democratização"?

6. "A ordem liberal internacional endossou a ideia de um jogo de soma positiva, e não o de soma zero (no qual um perde o que o outro ganha) que prevaleceu por séculos".
Ótimo. Só falta explicar como se deu isso. Armínio e Muggah deveriam buscar conhecer a história de um organismo chamado Cepal.

7. "A partir dos anos 80, o comprometimento latino-americano perdeu ainda mais força, apesar do colapso da União Soviética (1989). A maioria dos países da região encarava com desconfiança as terapias de choque (muitas vezes mal implementadas) impostas pelo Consenso de Washington".
"Encarava com desconfiança"? Tucanaram a década perdida? Países como México, Brasil e Argentina quebraram ao longo da crise da dívida. Armínio e Muggah fazem tábula rasa dos efeitos da crise norteamericana e da adoção do dólar flexível, a partir de 1972-73. Essas medidas possibilitaram a externalização da crise dos EUA e sua recuperação ao longo dos anos 1980, algo verificável através da consulta de qualquer gráfico da evolução de seu PIB. My God!

8. "A partir da presidência de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), contudo, o Itamaraty e sua estratégia tradicional foram deixados de lado".
Armínio e Muggah precisam estudar mais um pouquinho. Certamente desconhecem a linha crescentemente nacionalista do Itamaraty a partir da política externa para o desenvolvimento, de Vargas, passando pela Política Externa Independente de Janio e Jango, pelo Pragmatismo Responsável de Geisel, até chegar à Política Externa Altiva e Ativa, de Lula. Fizessem isso, perceberiam que a estratégia dominante do MRE tende mais para essas diretrizes e que as políticas externas de Castello Branco, Collor de Mello, FHC e Temer é que deixam de lado uma tradição em curso.

9. "Enquanto o Brasil advogava maior cooperação entre as nações em desenvolvimento, a expansão acelerada dos negócios privados e públicos brasileiros em regimes antiliberais causou preocupações quanto ao compromisso do país com a ordem liberal internacional".
Armínio e Muggah chegaram agora de Marte? Nosso comércio internacional com a América Latina, Ásia e África se multiplicou por cinco, na média, e contou com entusiasmado apoio empresarial nesses anos. Até mesmo com um dos países do "eixo do mal", o Irã, essa adesão foi forte. Veja-se notícia da Agência Brasil, de 11 de abril de 2010: "Daqui a um mês, no dia 15 de maio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai a Teerã, no Irã. Antes, chegará ao país o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, que comanda um grupo com 86 empresários brasileiros".

Há muito mais na diatribe do banqueiro e do ongueiro. Praticamente cada parágrafo embute uma meia verdade ou uma ignorância interessada. Não quero aborrecer a você, caro [Editor do caderno Ilustríssima], com um debate que não provoca "calor".

Falar nisso, vejo também que a queda acentuada da circulação dos jornais se dá pelo fato do público sentir cada vez menos "calor" no que lê. A voz monocórdia de banqueiros pode render alguma receita publicitária, mas cada vez menos a simpatia do leitor.

Saudações,

Gilberto Maringoni

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Biblioteca Central da Universidade de Mossul

Antes em meio à poeira, à penumbra e aos destroços de guerra, os livros da Biblioteca Central da Universidade de Mossul que sobreviveram à ocupação de mais de dois anos do Estado Islâmico na cidade iraquiana voltaram a estar disponíveis para empréstimos. Nesta terça-feira (6), o historiador iraquiano Omar Muhammed, que criou o blog Mosul Eye e coordena um grupo de voluntários no projeto de recuperação da biblioteca, anunciou sua reabertura.

No perfil oficial do blog no Twitter, ele publicou fotos de algumas salas da nova biblioteca. A original, em um imponente prédio no campus da universidade, foi invadida pelo Estado Islâmico em junho de 2014 e virou o quartel-general do "ministério da educação" dos jihadistas até janeiro de 2017, quando eles deixaram o local danificado.

domingo, 17 de dezembro de 2017

Facelixo

a palestra, Palihapitiya — agora fundador e CEO da Social Capital, com a qual financia empresas de setores como saúde e educação — declarou ser uma espécie de objetor de consciência do uso de redes sociais e anunciou que quer usar o dinheiro que ganhou no Facebook para fazer o bem no mundo. "Não posso controlar [o Facebook], mas posso controlar minha decisão, que é não usar essa merda. Também posso controlar as decisões dos meus filhos, que não podem usar essa merda", disse, esclarecendo que não saiu completamente das redes sociais, mas que tenta usá-las o mínimo possível.

O ex-vice-presidente do Facebook alertou que os comportamentos das pessoas estão sendo programados sem que elas percebam. "Agora você tem que decidir o quanto vai renunciar", acrescentou. Palihapitiya fez referência ao que aconteceu no estado indiano de Jharkhand em maio, quando mensagens falsas de WhatsApp sobre a presença de supostos sequestradores de crianças acabaram com o linchamento de sete pessoas inocentes. "Estamos enfrentando isso", criticou Palihapitiya, acrescentando que esse caso "levado ao extremo" implica que criminosos "podem manipular grandes grupos de pessoas para que façam o que eles querem".

mais em: https://brasil.elpais.com/brasil/2017/12/12/tecnologia/1513075489_563661.html

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

As mentiras do Banco Mundial sobre as universidades públicas

A comparação, de acordo com Lira Neto, "é escalafobética. Nas universidades públicas, ao contrário do que ocorre na maioria das instituições privadas, a vida acadêmica não se resume à sala de aula. Abrange o indissolúvel trinômio ensino, pesquisa e extensão, por meio de ações sistemáticas junto à comunidade. Daí a necessidade de investimentos sólidos em hospitais, clínicas, museus, teatros e laboratórios, entre outros equipamentos".

Logo adiante, cita o físico Peter Schulz, que em artigo no "Jornal da Unicamp", observou que "39% dos docentes da rede pública têm formação de doutorado, contra 22,5% da privada. Como dado extra, 85% dos professores das universidades públicas trabalham em regime de tempo integral. Nas privadas, 22,5%".

O relatório do Banco Mundial diz ainda: "os professores universitários brasileiros ganham muito acima dos padrões internacionais", dado negado pelo escritor de maneira espirituosa: "um gráfico contido no próprio documento desmente a pegadinha: mesmo o salário dos professores que atingem o topo da carreira, no Brasil, situa-se em nível bem inferior ao dos colegas estadunidenses, italianos, australianos e franceses, por exemplo".

O pior, no entanto, ainda estava por vir. O Banco Mundial repete "uma lenda urbana que cerca a academia": "Embora os estudantes de universidades federais não paguem por sua educação, mais de 65% deles pertencem aos 40% mais ricos da população", diz o relatório.

No entanto, pesquisas do Fonaprace (Fórum Nacional de Pró-Reitores de Assuntos Comunitários e Estudantis) e da Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior), de acordo com o escritor, apontam o contrário. "Apenas 10,6% dos alunos das universidades públicas vêm de famílias com renda superior a dez salários mínimos. Com a democratização introduzida pelo sistema de cotas, o índice de estudantes oriundos de famílias com renda abaixo de três salários, atualmente em 51,4%, só tende a crescer".

Amparado no relatório, o Banco Mundial propôs ao governo dois caminhos: "limitar os gastos por aluno" e "introduzir tarifas escolares". Em bom português, sucatear a universidade e cobrar mensalidades.

Lira Neto ressalta que "ao longo das 17 páginas do documento relativas ao tema, em nenhum momento os repasses para o setor educacional são definidos como 'investimento'. Em contrapartida, a palavra 'gasto' aparece nada menos de 77 vezes".

No final, ele lembra que é "impossível dissociar a leitura do relatório e a escalada autoritária que busca criminalizar a arte e a cultura, bem como espezinhar qualquer manifestação do pensamento complexo e do espírito crítico. Virtudes que encontram na universidade pública um de seus últimos territórios de excelência".

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Manipulados


São sete da manhã e um rapaz de 18 anos liga o computador em sua casa em Vitória, no Espírito Santo, e dá início à sua rotina de trabalho. Atualiza o status de um dos perfis que mantém no Facebook: "Alguém tem um filme para recomendar?", pergunta. Abre outro perfil na mesma rede. "Só queria dormir a tarde inteira", escreve. Um terceiro perfil: "Estou com muita fome". Ele intercala esses textos com outros em que apoia políticos brasileiros.

Esses perfis não tinham sua foto ou nome verdadeiros, assim como os outros 17 que ele disse controlar no Facebook e no Twitter em troca de R$ 1,2 mil por mês. Eram, segundo afirma, perfis falsos com fotos roubadas, nomes e cotidianos inventados. O jovem relatou à BBC Brasil que esses perfis foram usados ativamente para influenciar o debate político durante as eleições de 2014. 

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Viva a Universidade pública brasileira!

Há quase um ano, no dia 9 de dezembro de 2016, a Polícia Federal invadiu a UFRGS, em vista de uma suspeita de fraude em um programa de extensão. A PF batizou todo o movimento de "Operação PhD". Pouco tempo depois, em 13 de fevereiro de 2017, algo semelhante aconteceu na própria UFPR. Em uma operação (batizada de "Research"), foram envolvidos mais de 180 agentes federais, cumprindo vários mandados de prisão e oito conduções coercitivas.

Mas o pior estava por vir: no dia 14 de setembro de 2017, numa operação batizada de "Ouvidos Moucos" (em alusão direta à suposta falta de respostas da universidade aos órgãos de controle), a polícia chegou na UFSC para cumprir sete mandados de prisão temporária e cinco de condução coercitiva. Mais de 115 policiais foram envolvidos na operação – que vieram inclusive de outros estados. Nesse caso, porém, houve um fato grave adicional: o próprio reitor da UFSC – Luis Cancellier de Olivo – foi preso "por obstruir investigações". Os supostos desvios (ainda em fase de investigação e apuração) teriam ocorrido na gestão anterior a dele. Levado a um presídio, algemado, submetido à revista íntima e solto logo depois, mas impedido por ordem judicial de colocar os pés na universidade que o elegeu, Cancellier cometeu suicídio no dia 02 de outubro de 2017.


Para quem imaginava que esta tragédia serviria para que a escalada contra as universidades fosse objeto de reflexão e cuidado, ontem, dia 6 de dezembro de 2017, veio outro grande choque: o alvo foi a UFMG. Outra operação policial, com 84 policiais federais, 15 auditores da CGU e dois do TCU cumpriu oito mandados de condução coercitiva e onze de busca e apreensão. A operação – não sem certo mal gosto irônico – foi intitulada "Esperança equilibrista" (numa referência direta a uma canção símbolo da época da redemocratização brasileira, "O bêbado e o equilibrista"). Foram conduzidos coercitivamente os atuais reitor e vice-reitora da UFMG (Jaime Ramirez e Sandra Almeida), além de servidores e dirigentes das gestões anteriores.

Como se viu, em pouco menos de um ano, 4 das maiores universidades federais do Brasil (UFMG, UFRGS, UFSC e UFPR), sofreram impactantes operações policiais, com quantidade de agentes (geralmente também acompanhados de auditores de órgão de controle) suficientes para um conflito armado. Todas com imensa e desmedida repercussão midiática. Em alguns desses casos, com prisão ou condução coercitiva das autoridades máximas – nos planos administrativo e simbólico – das instituições universitárias. Nunca se viu um cenário desses antes.

As universidades, seus professores, servidores técnicos e pesquisadores teriam se pervertido tanto assim em um ano? Teriam se transformado de repente em ninhos de bandidos? E se perceba: se está falando de instituições tradicionais – a nossa UFPR é centenária – que durante décadas foram vistas como celeiros do conhecimento brasileiro e da formação de gerações. As universidades não são perfeitas, como nenhuma instituição pública ou privada o é, mas seguramente não são esse antro de corrupção, descontrole e ineficiência que as ações policiais sugerem e que a mídia propaga.

Se é assim, é melhor olhar com certa frieza para o que há de comum nesse triste contexto. Primeiro, operações policiais e órgãos de controle têm elegido as universidades públicas como principais focos de sua atenção. Não são os ministérios, autarquias ou os demais órgãos federais – seguramente nenhum deles berços infalíveis de virtudes infinitas; agora os olhos do controle e da repressão se voltam para as universidades públicas.

Segundo: de repente – mais do que em qualquer outro tempo – a imprensa se concentra no que acontece nas Universidades. Mas não para falar sobre os milagres cotidianos que operamos (na formação das pessoas, na ciência, na tecnologia, na inovação ou na inclusão social), mas naquilo que, aos seus olhos, lhe parece suspeito, mesmo que ainda não haja investigação ou decisão definitiva sobre o que se noticia.

Terceiro: todas essas confusões – todas – são feitas sem que haja um juízo condenatório definitivo: o escarcéu repressivo e midiático acontece antes e a apuração de responsabilidades vem depois.

Quarto: parece que houve uma suspensão de alguns direitos no Brasil, como a presunção de inocência, o devido processo legal e a dignidade da pessoa humana. O clima policialesco e a mentalidade inquisitória parecem ter definitivamente suplantado uma cultura de direitos que valorizava a liberdade. Em nome de um certo moralismo administrativo e de uma sanha punitivista, garantias e direitos individuais são colocados como detalhes incômodos e inconvenientes.

Quinto: o princípio da autonomia universitária (prevista no art. 207 da Constituição), por todas as razões antes já mencionadas, hoje foi reduzido a pó e a letra morta.

O momento é de fato grave: enquanto deputados ou senadores filmados em flagrante delito por graves desvios são soltos pelos seus pares, reitores têm sua liberdade cassada. A sociedade deve, com muita premência, pensar que tipo de mundo pretende construir quando instituições como as universidades públicas (responsáveis por cerca de 90% da ciência e tecnologia do Brasil) são demonizadas, expostas, desrespeitadas e quando seus dirigentes são imolados publicamente.

O Brasil precisa pensar em que tipo de futuro quer apostar. E para mim a resposta só pode ser essa: é momento de resistir e defender a Universidade Pública. Viva a UFRGS! Viva a UFSC! Viva a UFMG! Viva a UFPR!

Ricardo Marcelo Fonseca
Reitor da UFPR

Arquivos Malucos

Seguidores