Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. (Padre Antônio Vieira)

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

As mentiras do Banco Mundial sobre as universidades públicas

A comparação, de acordo com Lira Neto, "é escalafobética. Nas universidades públicas, ao contrário do que ocorre na maioria das instituições privadas, a vida acadêmica não se resume à sala de aula. Abrange o indissolúvel trinômio ensino, pesquisa e extensão, por meio de ações sistemáticas junto à comunidade. Daí a necessidade de investimentos sólidos em hospitais, clínicas, museus, teatros e laboratórios, entre outros equipamentos".

Logo adiante, cita o físico Peter Schulz, que em artigo no "Jornal da Unicamp", observou que "39% dos docentes da rede pública têm formação de doutorado, contra 22,5% da privada. Como dado extra, 85% dos professores das universidades públicas trabalham em regime de tempo integral. Nas privadas, 22,5%".

O relatório do Banco Mundial diz ainda: "os professores universitários brasileiros ganham muito acima dos padrões internacionais", dado negado pelo escritor de maneira espirituosa: "um gráfico contido no próprio documento desmente a pegadinha: mesmo o salário dos professores que atingem o topo da carreira, no Brasil, situa-se em nível bem inferior ao dos colegas estadunidenses, italianos, australianos e franceses, por exemplo".

O pior, no entanto, ainda estava por vir. O Banco Mundial repete "uma lenda urbana que cerca a academia": "Embora os estudantes de universidades federais não paguem por sua educação, mais de 65% deles pertencem aos 40% mais ricos da população", diz o relatório.

No entanto, pesquisas do Fonaprace (Fórum Nacional de Pró-Reitores de Assuntos Comunitários e Estudantis) e da Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior), de acordo com o escritor, apontam o contrário. "Apenas 10,6% dos alunos das universidades públicas vêm de famílias com renda superior a dez salários mínimos. Com a democratização introduzida pelo sistema de cotas, o índice de estudantes oriundos de famílias com renda abaixo de três salários, atualmente em 51,4%, só tende a crescer".

Amparado no relatório, o Banco Mundial propôs ao governo dois caminhos: "limitar os gastos por aluno" e "introduzir tarifas escolares". Em bom português, sucatear a universidade e cobrar mensalidades.

Lira Neto ressalta que "ao longo das 17 páginas do documento relativas ao tema, em nenhum momento os repasses para o setor educacional são definidos como 'investimento'. Em contrapartida, a palavra 'gasto' aparece nada menos de 77 vezes".

No final, ele lembra que é "impossível dissociar a leitura do relatório e a escalada autoritária que busca criminalizar a arte e a cultura, bem como espezinhar qualquer manifestação do pensamento complexo e do espírito crítico. Virtudes que encontram na universidade pública um de seus últimos territórios de excelência".

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Manipulados


São sete da manhã e um rapaz de 18 anos liga o computador em sua casa em Vitória, no Espírito Santo, e dá início à sua rotina de trabalho. Atualiza o status de um dos perfis que mantém no Facebook: "Alguém tem um filme para recomendar?", pergunta. Abre outro perfil na mesma rede. "Só queria dormir a tarde inteira", escreve. Um terceiro perfil: "Estou com muita fome". Ele intercala esses textos com outros em que apoia políticos brasileiros.

Esses perfis não tinham sua foto ou nome verdadeiros, assim como os outros 17 que ele disse controlar no Facebook e no Twitter em troca de R$ 1,2 mil por mês. Eram, segundo afirma, perfis falsos com fotos roubadas, nomes e cotidianos inventados. O jovem relatou à BBC Brasil que esses perfis foram usados ativamente para influenciar o debate político durante as eleições de 2014. 

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Viva a Universidade pública brasileira!

Há quase um ano, no dia 9 de dezembro de 2016, a Polícia Federal invadiu a UFRGS, em vista de uma suspeita de fraude em um programa de extensão. A PF batizou todo o movimento de "Operação PhD". Pouco tempo depois, em 13 de fevereiro de 2017, algo semelhante aconteceu na própria UFPR. Em uma operação (batizada de "Research"), foram envolvidos mais de 180 agentes federais, cumprindo vários mandados de prisão e oito conduções coercitivas.

Mas o pior estava por vir: no dia 14 de setembro de 2017, numa operação batizada de "Ouvidos Moucos" (em alusão direta à suposta falta de respostas da universidade aos órgãos de controle), a polícia chegou na UFSC para cumprir sete mandados de prisão temporária e cinco de condução coercitiva. Mais de 115 policiais foram envolvidos na operação – que vieram inclusive de outros estados. Nesse caso, porém, houve um fato grave adicional: o próprio reitor da UFSC – Luis Cancellier de Olivo – foi preso "por obstruir investigações". Os supostos desvios (ainda em fase de investigação e apuração) teriam ocorrido na gestão anterior a dele. Levado a um presídio, algemado, submetido à revista íntima e solto logo depois, mas impedido por ordem judicial de colocar os pés na universidade que o elegeu, Cancellier cometeu suicídio no dia 02 de outubro de 2017.


Para quem imaginava que esta tragédia serviria para que a escalada contra as universidades fosse objeto de reflexão e cuidado, ontem, dia 6 de dezembro de 2017, veio outro grande choque: o alvo foi a UFMG. Outra operação policial, com 84 policiais federais, 15 auditores da CGU e dois do TCU cumpriu oito mandados de condução coercitiva e onze de busca e apreensão. A operação – não sem certo mal gosto irônico – foi intitulada "Esperança equilibrista" (numa referência direta a uma canção símbolo da época da redemocratização brasileira, "O bêbado e o equilibrista"). Foram conduzidos coercitivamente os atuais reitor e vice-reitora da UFMG (Jaime Ramirez e Sandra Almeida), além de servidores e dirigentes das gestões anteriores.

Como se viu, em pouco menos de um ano, 4 das maiores universidades federais do Brasil (UFMG, UFRGS, UFSC e UFPR), sofreram impactantes operações policiais, com quantidade de agentes (geralmente também acompanhados de auditores de órgão de controle) suficientes para um conflito armado. Todas com imensa e desmedida repercussão midiática. Em alguns desses casos, com prisão ou condução coercitiva das autoridades máximas – nos planos administrativo e simbólico – das instituições universitárias. Nunca se viu um cenário desses antes.

As universidades, seus professores, servidores técnicos e pesquisadores teriam se pervertido tanto assim em um ano? Teriam se transformado de repente em ninhos de bandidos? E se perceba: se está falando de instituições tradicionais – a nossa UFPR é centenária – que durante décadas foram vistas como celeiros do conhecimento brasileiro e da formação de gerações. As universidades não são perfeitas, como nenhuma instituição pública ou privada o é, mas seguramente não são esse antro de corrupção, descontrole e ineficiência que as ações policiais sugerem e que a mídia propaga.

Se é assim, é melhor olhar com certa frieza para o que há de comum nesse triste contexto. Primeiro, operações policiais e órgãos de controle têm elegido as universidades públicas como principais focos de sua atenção. Não são os ministérios, autarquias ou os demais órgãos federais – seguramente nenhum deles berços infalíveis de virtudes infinitas; agora os olhos do controle e da repressão se voltam para as universidades públicas.

Segundo: de repente – mais do que em qualquer outro tempo – a imprensa se concentra no que acontece nas Universidades. Mas não para falar sobre os milagres cotidianos que operamos (na formação das pessoas, na ciência, na tecnologia, na inovação ou na inclusão social), mas naquilo que, aos seus olhos, lhe parece suspeito, mesmo que ainda não haja investigação ou decisão definitiva sobre o que se noticia.

Terceiro: todas essas confusões – todas – são feitas sem que haja um juízo condenatório definitivo: o escarcéu repressivo e midiático acontece antes e a apuração de responsabilidades vem depois.

Quarto: parece que houve uma suspensão de alguns direitos no Brasil, como a presunção de inocência, o devido processo legal e a dignidade da pessoa humana. O clima policialesco e a mentalidade inquisitória parecem ter definitivamente suplantado uma cultura de direitos que valorizava a liberdade. Em nome de um certo moralismo administrativo e de uma sanha punitivista, garantias e direitos individuais são colocados como detalhes incômodos e inconvenientes.

Quinto: o princípio da autonomia universitária (prevista no art. 207 da Constituição), por todas as razões antes já mencionadas, hoje foi reduzido a pó e a letra morta.

O momento é de fato grave: enquanto deputados ou senadores filmados em flagrante delito por graves desvios são soltos pelos seus pares, reitores têm sua liberdade cassada. A sociedade deve, com muita premência, pensar que tipo de mundo pretende construir quando instituições como as universidades públicas (responsáveis por cerca de 90% da ciência e tecnologia do Brasil) são demonizadas, expostas, desrespeitadas e quando seus dirigentes são imolados publicamente.

O Brasil precisa pensar em que tipo de futuro quer apostar. E para mim a resposta só pode ser essa: é momento de resistir e defender a Universidade Pública. Viva a UFRGS! Viva a UFSC! Viva a UFMG! Viva a UFPR!

Ricardo Marcelo Fonseca
Reitor da UFPR

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

O teste do ácido do refresco elétrico

"todavia-nadavia-alucinada-alucitudo!" p. 413


WOLFE, Tom. O teste do ácido do refresco elétrico. Rio de Janeiro: Rocco, 1993., 439 p. 


quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Biblioteca do Futuro

China inaugura a biblioteca mais espetacular do mundo com 1,2 milhões de livros e o interior é de cortar a respiração

Ninguém gosta de ser observado enquanto lê um livro, mas estamos dispostos a abrir uma excepção se isso significar visitar essa incrível biblioteca na China, porque, como você pode ver abaixo, a incrível estrutura tem um gigante auditório esférico no meio que parece um olho gigante.

Localizada no distrito cultural de Binhai, em Tianjin, a biblioteca de cinco andares, projetada pela empresa de design holandesa MVRDV, em colaboração com o Instituto de Planejamento e Design Urbano de Tianjin (TUPDI) e desde então denominada "O olho de Binhai", cobre 34 mil metros quadrados e pode armazenar até 1,2 milhões de livros. Com a sua construção demorando apenas 3 anos, a biblioteca possui uma área de leitura no piso térreo, salas de estar nas secções do meio e escritórios, espaços de reunião e salas de informática / áudio no topo.

Nós não temos certeza se daria para estudar lá – nós estaríamos muito ocupados maravilhando-nos com a incrível arquitetura!

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Nomofobia

Como muitos de sua geração, o estudante L.L., 29 anos, ama computadores. Mas o apego à tecnologia começou a afetar os estudos, o trabalho, o relacionamento com a família e amigos. Virou uma forma de evitar as pessoas. Foi quando viu que precisava de ajuda (faça o teste e confira se também é hora de buscar ajuda).

L.L. sofre de dependência digital, ou nomofobia (do original "no mobile fobia"), uma patologia com consequências psíquicas, sociais e físicas.

Em setembro, ele iniciou o tratamento no Instituto Delete, o primeiro do Brasil especializado em detox digital e que presta atendimento gratuito.

Instalado no Instituto de Psiquiatria (Ipub) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o Delete foi criado em 2013 pela psicóloga Anna Lucia King e desde então avaliou 800 pessoas com algum tipo de dependência tecnológica.


fonte: https://g1.globo.com/bemestar/noticia/saiba-o-que-e-a-nomofobia-quando-o-uso-de-tecnologias-vira-doenca.ghtml

Burro de Facebook

Antônio Fagundes diz que redes sociais 'emburrecem' as pessoas e que hoje 'debate inteligente é revolucionário'

Veja o que ator aprendeu ao debater peça com plateia sem as 'palavras de ordem' e a 'agressão' da internet. Ele analisa Lei Rouanet, lembra 'Hair' com nudez em 1969 e vê 'moral do século 19' hoje.

Toda noite aos finais de semana, Antônio Fagundes faz uma coisa arriscada: abre um debate entre 700 desconhecidos sobre relações de gênero, família e questões morais espinhosas. No fim da peça "Baixa terapia", os espectadores são chamados para a conversa. Será que ainda é possível usar a arte para promover discussões civilizadas?
O ator ainda acha possível, mas nota as dificuldades. A comédia com final desconcertante estreou em março, com sessões cheias até hoje. Na noite presenciada pelo G1, uma jovem saiu chorando, horrorizada, e uma senhora elogiou, maravilhada. Mas a surpresa da noite foi o esforço por uma discussão aberta e não agressiva.
A partir desta e de outras experiências, o ator e produtor de 68 anos opinou sobre relação entre artistas e público e o mercado cultural hoje. A entrevista é dividida em três partes:
  1. No vídeo acima, ele explica porque acredita no debate a partir da arte numa era em que redes sociais nos 'emburrecem'.
  2. No vídeo abaixo, ele lembra a 'revolução' dos anos 60, como no musical 'Hair', com nudez no palco. Para ele, tentar censurar nudez na arte hoje é voltar à 'moral do século 19'.
  3. No terceiro vídeo, ele explica porque defende investimento cultural do Estado, mas não usa Lei Rouanet. Meta: 'Entrar em cena e falar o que quiser sem ninguém encher meu saco'.

  4. https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/antonio-fagundes-diz-que-redes-sociais-emburrecem-as-pessoas-e-que-hoje-debate-inteligente-e-revolucionario.ghtml

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