Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. (Padre Antônio Vieira)

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Somente em sonho

As pessoas mais amadas,
Que pensei que fossem nada,
Em minh'alma são cicatrizes,
Que levo comigo, triste.
Oh alma cheia de marcas,
São tantas cicatrizes exatas,
Forjadas no peito de um
Coração que não amou direito.
Em sonho, perdoado e amado.



Para Karin

Meu coração ainda bate

Hoje sonhei com você.
Pedi desculpas, em sonho.
Deitei no teu colo.
Conversamos como velhos amigos.
Falamos sobre banalidades.

Quando acordei, percebi
Que nunca deixei de amar
Seu jeito de ser e seus olhos azuis,
Sua tristeza e melancolia.

Acordei feliz, apaziguado.
Mesmo distante, mesmo sozinho,
Entre papéis no chão.
Dormi doente, acordei são.

Meu amor por você transcendeu a matéria,
Pode parecer clichê, mas o amor é um clichê
Que se repete eternamente.
Que só percebo agora ao escrever.

Obrigado meu amor,
Por fazer-me renascer,
Mesmo a tão dura pena e saudade,
Acordei feliz, meu coração ainda bate.


sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Só um poeta

Mas sentir-se como humanidade (e não somente como indivíduo) desperdiçado, como nós vemos desperdiçados pela natureza as flores [...] esse é um sentimento para além de todos os sentimentos. Mas quem é capaz disso? Certamente, só um poeta: e os poetas sabem sempre se consolar. p. 57
 
 
NIETZSCHE, Friedrich. Humano, demasiado humano. Tradução de Antônio Carlos Braga. 2. ed. São Paulo: Escala, [198-?]. 356 p. ISBN 85-7556-757-8 (Grandes obras do pensamento universal, 42)

O valor da vida

O valor da vida para o homem comum se baseia unicamente no fato de ele atribuir mais importância a si que ao mundo. A grande falta de imaginação de que sofre o impede de penetrar pelo sentimento nos outros seres e por isso participa tão pouco quanto possível do destino e sofrimento deles. p. 57


NIETZSCHE, Friedrich. Humano, demasiado humano. Tradução de Antônio Carlos Braga. 2. ed. São Paulo: Escala, [198-?]. 356 p. ISBN 85-7556-757-8

Juro que são juros

Juro que são juros que se pagam.
Juro que o que juro não pago.
Das juras e juramentos para o futuro
Todas as taxas já estão no ato superadas.
 
fabiano foresti
 
 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Nossa vocação

Nossa vocação toma conta de nós, mesmo quando não a conhecemos; é o futuro que dita a regra ao nosso hoje. p. 27
 
 
NIETZSCHE, Friedrich. Humano, demasiado humano. Tradução de Antônio Carlos Braga. 2. ed. São Paulo: Escala, [198-?]. 356 p. ISBN 85-7556-757-8

Propósito

Uma vez cheguei a refletir sobre as diferentes ocupações a que os homens se entregam nesta vida e fiz a tentativa de selecionar as melhores delas. [...] nada me pareceu melhor do que me manter estritamente em meu propósito [...] empregar todo o tempo da vida para desenvolver minha razão [...] minha alma ficou tão repleta de alegria que todas as outras coisas já nada podiam lhe fazer.
 
Descartes apud Nietzsche

Os Desclassificados

Os Desclassificados tem influência de diversos estilos musicais, literários e artísticos, que promoveu o nascimento de uma banda bem diferente, que mistura espontaneamente rock, samba e funk, com letras carregadas de significação, crítica social e alegria. O conjunto surgiu em 2007 na cidade de Florianópolis/SC e é composto por L. Mazoni (baixo), Fabiano Foresti (bateria), F. Foresti (guitarra e voz) e D. Scopel (guitarra e voz). Em 2011 a banda passa a contar com R. Albuquerque na guitarra solo.

 
 
 
 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Carolina - Dazaranha

A lua mandou pra cá
da barriga de Maria
Recebemos a Carolina
Rainha da ilha do sul
Sereia da beira do mar
menina bonita é a Carolina
Da noite a estrela maior
de dia a Carol é o sol
Mulher brilhante é a Carolina
A onda do mar batendo em sua pele cristalina
é um flash, um sorriso da Carolina

Carolina, carolina..
Carolina, Carolina
Fabiola, Patrícia, Claudinha
Gabriela e Graziela
Essa Vitória é uma donzela
Bruna, Carla, Mônica
Eliza na piscina,
Kamila tá em cima.
 

Choi Xooang

http://www.mundogump.com.br/a-arte-fenomenal-de-choi-xooang/

Entrar de cabeça

http://adao.blog.uol.com.br/

domingo, 15 de janeiro de 2012

Henry Miller - O colosso de Marússia

Naquele momento, eu me alegrei em ser livre, livre de bens materiais, de qualquer vínculo, livre de inveja, de medo e malícia. Poderia ter passado tranquilamente de um sonho a outro, devendo nada, lamentando nada, desejando nada. Nunca estive mais certo de que a vida e a morte são uma só e que nenhuma delas pode ser apreciada ou alcançada se a outra não estiver presente. p. 29

A falta de jornais, a falta de notícias sobre o que os homens estão fazendo nas diferentes partes do mundo para tornar a vida mais agradável ou mais desagradável é a maior felicidade. Se nós pudéssemos simplesmente eleiminar os jornais, tenho certeza de que a humanidade faria um grande progresso. Os jornais alimentam mentiras, ódios, avareza, inveja, suspeita, medo, malícia. Nós não precisamos da verdade da forma como ela nos é servida os jornais. Nós precisamos de paz, solidão e preguiça. Se nós pudéssemos entrar todos em greve e honestamente nos desligarmos do interesse no que o vizinho está fazendo, teríamos um novo tipo de vida. Nós podemos sobreviver sem telefones, rádios, jornais, sem máquinas de espécie alguma, sem fábricas, sem moinhos, sem minas, sem explosivos, sem navios de guerra, sem políticos, sem advogados, sem alimentos enlatados, sem gadgets, até mesmo sem lâminas de barbear, ou celofane, ou cigarros, ou dinheiro. Eu sei que isso é um sonho. As pessoas só batalham por melhores condições de trabalho, melhores salários, melhores oportunidades de se tornar algo que não são. p. 48-49

Que diferença faz para um homem cujo coração está cheio de luz, que tipo de roupas ele está usando? Quem as fez, ou se são do modelo anterior ou posterior à guerra? Eu já vi gregos andando pelas ruas com as roupas mais ridículas e abomináveis - chapéu de palha de 1900, colete de brocado com botões de madrepérola, casacão inglês, calças desbotadas, guarda-chuva estropiado, camiseta, pés descalços, cabelo revolto - um conjunto que mesmo um kaffir desprezaria e, entretanto, afirmo sincera e deliberadamente que eu preferiria mil vezes ser este grego pobre do que um milionário americano. p. 56

Aos espécimes sub-humanos desta bendita era científica, o ritual e a adoração vinculados à arte de curar, como se praticava em Epidauro, parecem pura charlatanice. No nosso mundo, os cegos guiam os cegos e os doentes vão aos doentes para se curar. [...] O culto médico funciona mais ou menos como o Ministério da Guerra - os triunfos anunciados são camuflagens para esconder a morte e o desastre. [...] O homen só precisa de paz para viver. [...] O homem não começa a viver por triunfar sobre seu inimigo [...] A alegria de viver vem através da paz, que não é estática, mas dinâmica. Nenhum homem pode dizer que sabe o que é alegria antes de ter experimentado a paz. E sem alegria não há vida, mesmo que você tenha uma dúzia de carros, seis mordomos, um castelo, uma capela privada e um abrigo anti-aéreo. Nossas doenças são nossas ligações, sejam elas hábitos, ideologias, ideais, princípios, posses, fobias, medos, cultos, religiões [...] Um bom salário pode ser uma doença igual a um mau salário; o lazer pode ser uma doença tão grave quanto o trabalho. Ao que quer que a gente se apegue, mesmo esperança ou fé, pode ser a doença que vai nos liquidar. A rendição tem que ser absoluta: se você se agarrar à mínima migalha, estará nutrindo o germe que vai te devorar. Quanto a agarrar-se a Deus, ele nos abandonou há tempos, exatamente para que descobríssemos a alegria de alcançar o Bem através dos nossos próprios esforços. Todo esse barulho que se faz por aí, toda essa súplica insistente pela paz, que vai crescer à medida que a dor e a miséria crescerem, não levará a nada. [...] Será que as pessoas imaginam que a paz é algo que pode ser estocado, como milho ou trigo? [...] Ouço as pessoas falarem de paz, e seus semblantes estão carregados de raiva, ou ódio, ou desprezo, ou orgulho e arrogância. Há pessoas que querem lutar para obter a paz. [...] O que comanda o mundo é o coração, não o cérebro. [...] Em Epidauro, na quietude, na grande paz que se abateu sobre mim, ouvi bater o coração do mundo. Sei qual é a cura: é desistir, renunciar, se render, para que nossos pequenos corações batam em uníssono com o grande coração do mundo. p.84/86

O inimigo do homem não são seus germes, mas o próprio homem, com seu orgulho, sua arrogância, seus preconceitos, sua estupidez. [...] Cada um deve se rebelar, individualmente, contra um estilo de vida que não é seu. [...] Temos de abandonar as trincheiras que cavamos e nas quais nos escondemos e sair ao ar livre, braços erguidos na rendição de nossas posses. [...] Nós nos escravizamos a nós mesmos, através do nosso modo de viver mesquinho e fechado. [...] A vida exige que a gente ofereça mais - espírito, alma, inteligência, boa vontade. [...] A natureza conserta e restaura, só isso. É tarefa do homem acabar com o instinto homicida. p. 89-90

Nós nos tornamos nômades espirituais; tudo o que diz respeito à alma tem sido relegado a um plano inferior, atirado aos ventos sem qualquer consideração. p. 126

Descobri que viver criativamente significa viver cada vez menos egoisticamente, viver cada vez mais no mundo, identificando-se com ele e tentando influenciá-lo. Tenho a impressão, agora, de que a arte, como a religião, é só uma preparação, uma iniciação a um meio de vida. O objetivo é a liberação, a liberdade, o que quer dizer assumir liberdades cada vez maiores. Escrever, além do ponto de auto-realização, me parece vão e inútil. O domínio de qualquer forma de expressão artística deve conduzir, inevitavelmente, à expressão final - o domínio da vida. Neste campo, cada um está absolutamente só, enfrentando os próprios elementos da criação. [...] Se é bem sucedida, o mundo inteiro se modifica. [...] Dar e receber são, no fundo, uma coisa só. [...] Vivendo abertos, tornamo-nos transmissores; e assim, como um rio, experimentamos a sensação de viver ao máximo, correndo numa linha paralela à correnteza da vida, morrendo apenas para renascer como oceanos. p. 208-209.

A impressão mais profunda que a Grécia deixou em mim foi a de ser um país numa dimensão humana. [...] A Grécia é o lar dos deuses; eles podem ter morrido, mas a sua presença ainda se faz sentir. [...] tinham proporções humanas: foram criados pelo espírito do homem. [...] no mundo ocidental este vínculo entre o homem e a divindade foi rompido, o ceticismo e a paralisia que esta ruptura provocou na natureza humana são a chave para a destruição inevitável da nossa civilização. Se os homens deixam de acreditar que um dia serão deuses, transformam-se, certamente, em vermes. [...] Nenhuma nação pode gerar um novo meio de vida sem uma visão universal. [...] já aprendemos que todos os povos da terra estão interligados, mas ainda não conseguimos utilizar esta descoberta de forma inteligente. Vimos duas guerras mundiais e, sem dúvida, veremos uma terceira, talvez uma quarta, possivelmente outras mais. [...] O mundo deve se tornar, novamente, pequeno, como era o antigo mundo grego: suficiente pequeno para conter todo o mundo. Enquanto não houver lugar para o último dos homens, não haverá uma verdadeira sociedade humana. p. 237-238

E nunca encontrei um indivíduo mais humano do que Katsimbalis. Ao andar ao seu lado pelas ruas de Marússia, tive a sensação de estar pisando sobre a terra de uma forma inteiramente nova. A terra tornou-se mais íntima, mais viva, mais promissora. Ele falava muito do passado [...] mas nunca como de algo morto e esquecido, mas, antes, como de algo que trazemos em nós, algo que frutifica no presente e torna o futuro convidativo. Falava com igual reverência das coisas grandes e pequenas; nunca estava tão ocupado que não pudesse parar para pensar em alguma coisa que o atraísse; tinha um tempo infinito nas mãos, coisa que, por si mesma, já é a marca das grandes almas [...] há homens tão completos, tão ricos, que se dão tão inteiramente que, sempre que você se despede deles, torna-se irrelevante saber se essa despedida é por um dia ou para sempre. Eles não pedem nada de você, a não ser que você partilhe com eles a suprema alegria de viver. Nunca perguntam de que lado do muro você está, porque no mundo em que eles vivem não há muros. Fazem-se invulneráveis por, habitualmente, se exporem a todos os perigos. Seu heroísmo cresce à medida que revelam suas fraquezas. p. 240


MILLER, Henry. O colosso de Marússia. Tradução de Cora Rónai. Porto Alegre: L&PM, 2003. 254 p.

Instinto homicida

O inimigo do homem não são seus germes, mas o próprio homem, com seu orgulho, sua arrogância, seus preconceitos, sua estupidez. [...] Cada um deve se rebelar, individualmente, contra um estilo de vida que não é seu. [...] Temos de abandonar as trincheiras que cavamos e nas quais nos escondemos e sair ao ar livre, braços erguidos na rendição de nossas posses. [...] Nós nos escravizamos a nós mesmos, através do nosso modo de viver mesquinho e fechado. [...] A vida exige que a gente ofereça mais - espírito, alma, inteligência, boa vontade. [...] A natureza conserta e restaura, só isso. É tarefa do homem acabar com o instinto homicida. p. 89-90

MILLER, Henry. O colosso de Marússia. Tradução de Cora Rónai. Porto Alegre: L&PM, 2003. 254 p.

Sobre a paz

Aos espécimes sub-humanos desta bendita era científica, o ritual e a adoração vinculados à arte de curar, como se praticava em Epidauro, parecem pura charlatanice. No nosso mundo, os cegos guiam os cegos e os doentes vão aos doentes para se curar. [...] O culto médico funciona mais ou menos como o Ministério da Guerra - os triunfos anunciados são camuflagens para esconder a morte e o desastre. [...] O homen só precisa de paz paa viver. [...] O homem não começa a viver por triunfar sobre seu inimigo [...] A alegria de viver vem através da paz, que não é estática, mas dinâmica. Nenhum homem pode dizer que sabe o que é alegria antes de ter experimentado a paz. E sem alegria não há vida, mesmo que você tenha uma dúzia de carros, seis mordomos, um castelo, uma capela privada e um abrigo anti-aéreo. Nossas doenças são nossas ligações, sejam elas hábitos, ideologias, ideais, princípios, posses, fobias, medos, cultos, religiões [...] Um bom salário pode ser uma doença igual a um mau salário; o lazer pode ser uma doença tão grave quanto o trabalho. Ao que quer que a gente se apegue, mesmo esperança ou fé, pode ser a doença que vai nos liquidar. A rendição tem que ser absoluta: se você se agarrar à mínima migalha, estará nutrindo o germe que vai te devorar. Quanto a agarrar-se a Deus, ele nos abandonou há tempos, exatamente para que descobríssemos a alegria de alcançar o Bem através dos nossos próprios esforços. Todo esse barulho que se faz por aí, toda essa súplica insistente pela paz, que vai crescer à medida que a dor e a miséria crescerem, não levará a nada. [...] Será que as pessoas imaginam que a paz é algo que pode ser estocado, como milho ou trigo? [...] Ouço as pessoas falarem de paz, e seus semblantes estão carregados de raiva, ou ódio, ou desprezo, ou orgulho e arrogância. Há pessoas que querem lutar para obter a paz. [...] O que comanda o mundo é o coração, não o cérebro. [...] Em Epidauro, na quietude, na grande paz que se abateu sobre mim, ouvi bater o coração do mundo. Sei qual é a cura: é desistir, renunciar, se render, para que nossos pequenos corações batam em uníssono com o grande coração do mundo. p.84/86


MILLER, Henry. O colosso de Marússia. Tradução de Cora Rónai. Porto Alegre: L&PM, 2003. 254 p.

Katsimbalis de Marússia

E nunca encontrei um indivíduo mais humano do que Katsimbalis. Ao andar ao seu lado pelas ruas de Marússia, tive a sensação de estar pisando sobre a terra de uma forma inteiramente nova. A terra tornou-se mais íntima, mais viva, mais promissora. Ele falava muito do passado [...] mas nunca como de algo morto e esquecido, mas, antes, como de algo que trazemos em nós, algo que frutifica no presente e torna o futuro convidativo. Falava com igual reverência das coisas grandes e pequenas; nunca estava tão ocupado que não pudesse parar para pensar em alguma coisa que o atraísse; tinha um tempo infinito nas mãos, coisa que, por si mesma, já é a marca das grandes almas [...] há homens tão completos, tão ricos, que se dão tão inteiramente que, sempre que você se despede deles, torna-se irrelevante saber se essa despedida é por um dia ou para sempre. Eles não pedem nada de você, a não ser que você partilhe com eles a suprema alegria de viver. Nunca perguntam de que lado do muro você está, porque no mundo em que eles vivem não há muros. Fazem-se invulneráveis por, habitualmente, se exporem a todos os perigos. Seu heroísmo cresce à medida que revelam suas fraquezas. p. 240


MILLER, Henry. O colosso de Marússia. Tradução de Cora Rónai. Porto Alegre: L&PM, 2003. 254 p.

Um dia seremos deuses

A impressão mais profunda que a Grécia deixou em mim foi a de ser um país numa dimensão humana. [...] A Grécia é o lar dos deuses; eles podem ter morrido, mas a sua presença ainda se faz sentir. [...] tinham proporções humanas: foram criados pelo espírito do homem. [...] no mundo ocidental este vínculo entre o homem e a divindade foi rompido, o ceticismo e a paralisia que esta ruptura provocou na natureza humana são a chave para a destruição inevitável da nossa civilização. Se os homens deixam de acreditar que um dia serão deuses, transformam-se, certamente, em vermes. [...] Nenhuma nação pode gerar um novo meio de vida sem uma visão universal. [...] já aprendemos que todos os povos da terra estão interligados, mas ainda não conseguimos utilizar esta descoberta de forma inteligente. Vimos duas guerras mundiais e, sem dúvida, veremos uma terceira, talvez uma quarta, possivelmente outras mais. [...] O mundo deve se tornar, novamente, pequeno, como era o antigo mundo grego: suficiente pequeno para conter todo o mundo.


MILLER, Henry. O colosso de Marússia. Tradução de Cora Rónai. Porto Alegre: L&PM, 2003. 254 p.

Viver criativamente

Descobri que viver criativamente significa viver cada vez menos egoisticamente, viver cada vez mais no mundo, identificando-se com ele e tentando influenciá-lo. Tenho a impressão, agora, de que a arte, como a religião, é só uma preparação, uma iniciação a um meio de vida. O objetivo é a liberação, a liberdade, o que quer dizer assumir liberdades cada vez maiores. Escrever, além do ponto de auto-realização, me parece vão e inútil. O domínio de qualquer forma de expressão artística deve conduzir, inevitavelmente, à expressão final - o domínio da vida. Neste campo, cada um está absolutamente só, enfrentando os próprios elementos da criação. [...] Se é bem sucedida, o mundo inteiro se modifica. [...] Dar e receber são, no fundo, uma coisa só. [...] Vivendo abertos, tornamo-nos transmissores; e assim, como um rio, experimentamos a sensação de viver ao máximo, correndo numa linha paralela à correnteza da vida, morrendo apenas para renascer como oceanos. p. 208-209.


MILLER, Henry. O colosso de Marússia. Tradução de Cora Rónai. Porto Alegre: L&PM, 2003. 254 p.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Ficha 7

http://1.bp.blogspot.com/_vMrBHPPstAs/SdZtgw4h7tI/AAAAAAAAAME/t8UcxRr9tjI/s1600-h/hq-mono-6_.jpg

O melhor final de um sarau

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Conspiração

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Criatura ingrata

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Fonte dos desejos

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Osmar

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Corpo em chamas - Ave Sangria

Quando eu botar fogo na roupa
Você vai se arrepender
De tudo o que me fez
Voce vai ver meu corpo em chamas
Pelas ruas... Ho, yeah

E o povo todo horrorizado
Iluminado pelo meu fulgor mortal
Eu vou dançar
Girando o corpo incendiado
Até cair no chão

yeh yehyeh yehyeh yeh

O grito agudo da sirene
Dos bombeiros
Alertando a multidão
Alguém falando que era um louco
No céu negro, a lua cheia a brilhar

Segure a mão de uma criança
Amão gelada
E a mãe gitando: "Não e não!"
E eu tão feliz
Guirando colorido
Sob as chamas do luar

yeh yeh yeh yehyeh yeh

Quando eu gritar não se arrepie
Lembre apenas
Das contrárias que me fez
Saia correndo e mergulha
Assim vesticda
Lá no mar... ho, yeah

Mas não vai ter mar que me salve
Da alegria deste salto
Em fogo e luz
Olhe pra mim
Essa é a peça de teatro
Mais bonita que eu já fiz

yeh yeh yeh yeh yeh yeh

Depois a noite há de descer gelada
Sobre os corações
De quem souber
E alguém dirá que foi
O primeiro a ver... oh, yeah

A presença selvagem
De um clarão vermelho
Rodopiando pelo chão
Esse sou eu
Dorido, dolorido
Colorido e sem razão
Ou não...
 

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Wikileaks: empresas que vigiam o mundo pela geotecnologia

A mais recente revelação da organização dirigida por Julian Assange põe a nu o negócio milionário das empresas de segurança que converteram o seu negócio na nova indústria de espionagem maciça que alimenta sistemas de espionagem governamentais e privados. A última entrega de Wikileaks fornece os nomes das empresas que, em diferentes países, interceptam telefones, rastreiam mensagens de texto, reconstroem a navegação na Internet e identificam inclusive, as vozes de indivíduos sob vigilância. Tudo isso é feito de forma maciça com softwares que são vendidos a governos democráticos e a ditaduras.

Poderia dizer-se que se trata de um mau filme, mas os sistemas de intercepção maciça fabricados por empresas ocidentais e usados, entre outros objectivos, contra adversários políticos, são mesmo uma realidade. A 1 de Dezembro, Wikileaks começou a publicar um banco de dados de centenas de documentos provenientes de cerca de 160 empresas do sector de vigilância dos cidadãos.

Em colaboração com Budget Planet et Privacy International, bem como meios de comunicação de seis países – L' ARD na Alemanha, Le Bureau of Investigative Journalism na Grã-Bretanha, The Hindu na Índia, L'Espresso, em Itália, OWMI em França e Washington Post nos EUA, – Wikileaks expõe à luz do dia essa indústria secreta cujo crescimento explodiu após o 11 de Setembro de 2001, representando milhares de milhões de dólares em cada ano.

Desta vez Wikileaks publicou 287 trabalhos, mas o projecto "Um mundo sob vigilância" está lançado e novas informações serão publicadas esta semana e no próximo ano.

As empresas internacionais de vigilância estão localizadas nos países que têm as mais refinadas tecnologias. Elas vendem a sua tecnologia a todos os países do mundo. Esta indústria, na prática, não está regulamentada. As agências de espionagem, as forças militares e as autoridades policiais são capazes de interceptar massivamente, sem serem detectadas e no maior segredo, os telefonemas, tomar o controle de computadores, mesmo sem que os fornecedores das redes acesso se apercebam ou façam algo para o impedir. A localização de utentes pode ser seguida passo a passo, se usarem um telefone celular, mesmo se este estiver desligado.

Os dossiers de "Um Mundo Sob Vigilância" de Wikileasks estão acima do simplismo dos "bons países ocidentais", exportando as suas tecnologias para os "pobres países em vias de desenvolvimento". Empresas ocidentais também vendem um vasto catálogo de equipamento de vigilância para as agências de espionagem orientais.

Nas histórias clássicas de espiões, as agências de espionagem, tais como MI5, DGSE, colocam sob escuta o telefone de uma ou duas pessoas que interessem. Durante os últimos 10 anos a vigilância em massa tornou-se uma norma. Sociedades de espionagem, como a VASTech, têm secretamente vendido equipamentos que gravam de forma permanente chamadas telefónicas de países inteiros. Outros registam a posição de todos os telemóveis de uma cidade, com uma precisão de 50 metros. Sistemas capazes de afectar a integridade de pessoas numa população civil que usa Facebook, ou que tem um smartphone estão à venda neste mercado de espionagem.

VENDA DE FERRAMENTAS DE VIGILANCIA A DITADORES

Durante a primavera árabe, quando os cidadãos derrubaram ditadores no Egipto e Líbia encontraram câmaras de escuta onde, com equipes britânicas da Gamma, os franceses da Amesys, os sul-africanos da VASTech ou os chineses de ZTE, seguiam os seus mais pequenos movimentos on-line e por telefone.

Empresas de espionagem, tais como SS 8 nos Estados Unidos, Hacking Team na Itália e VUPEN na França, fabricam vírus (Troianos) que invadem computadores e telefones (incluindo iPhones, Blackberry e Android), assumindo o seu controle e gravação de todos os seus usos, movimentos e até mesmo imagens e sons da sala onde os usuários estão. Outras sociedades, como a Phoenexia da República Checa, colaboram com os militares para criar ferramentas para análise de voz. Elas identificam os indivíduos e determinam o seu sexo, idade e nível de stress e, assim, seguem-nos através de suas "faixas vocais." Blue Coat nos EUA e Ipoque na Alemanha, vendem as suas ferramentas aos governos de países como China e Irão para impedir os seus dissidentes de se organizar pala Internet.

Trovicor uma subsidiária da Nokia Siemens Networks, forneceu ao governo do Bahrein tecnologia de escuta que lhe permitiu seguir a pista do defensor dos direitos humanos Abdul Ghani Al Khanjar. Foram mostrados detalhes de conversas a partir do seu telefone pessoal, que datam de antes de ter sido interrogado e espancado durante o inverno de 2010 e 2011.

EMPRESAS DE VIGILANCIA PARTILHAM AS SUAS BASES COM ESTADOS

Em Junho de 2011, o NSA inaugurou um sítio no deserto de Utah para o armazenamento para sempre de terabytes das bases de dados tanto americanas como estrangeiras, a fim de poder analisá-las em anos futuros. Toda a operação teve um custo de US$1,5 mil milhões.

As empresas de telecomunicações estão dispostas a revelar as suas bases de dados dos seus clientes às autoridades de qualquer país. Os principais noticiários mostraram como, durante os confrontos em Agosto na Grã-Bretanha, a Research In Motion (RIM), que comercializa as Blackberry, propôs ao governo identificar os seus clientes. RIM tem estado envolvido em negociações semelhantes com os governos da Índia, Líbano, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, propondo-lhes compartilhar as suas bases de dados extraídas do sistema de mensagens do Blackberry.

TRANSFORMAR AS BASES DE DADOS EM ARMAS PARA MATAR INOCENTES

Existem muitas empresas que comercializam actualmente software de análise de bases de dados, transformando-os em poderosas ferramentas utilizadas por militares e agências de espionagem. Por exemplo, em bases militares dos EUA, pilotos da Força Aérea usam um joystick e um monitor de vídeo para pilotar os "Predator", aviões não tripulados durante as missões de vigilância no Médio Oriente e Ásia Central. Estas bases de dados estão acessíveis aos membros da CIA que se servem delas para lançar mísseis "Hellfire", sobre os seus alvos.

Os representantes da CIA têm adquirido software que lhes permite instantaneamente correlacionar os sinais de telefone com faixas vocais para determinar a identidade e a localização de um indivíduo. A empresa Intelligence Integration Systems Inc. (IISI), sediada no Estado de Massachusetts (EUA), vende software para esse fim – "análise com base na posição",– chamado "Geospatial Toolkit". Outra empresa, a Netezza, também de Massachusetts, que comprou este software com o objectivo de analisar o seu funcionamento, vendeu uma versão modificada à CIA, destinada a equipar aviões pilotados remotamente.

A IISI, que diz ter o seu software uma margem de erro de 12 metros, processou a Netezza para impedir a utilização deste software. O criador da sociedade IISI, Rich Zimmerman, disse a um tribunal que ficou "chocado e surpreso com o fato de que a CIA teria um plano para matar pessoas com o meu software, que nem funciona."

UM MUNDO ORWELLIANO

Em todo o mundo fornecedores mundiais de instrumentos de vigilância em massa ajudam as agências de espionagem a espiar os cidadãos e os "grupos de interesse" em larga escala.

COMO NAVEGAR PELOS DOCUMENTOS DE "UM MUNDO SOB VIGILÂNCIA?

O projecto " Um mundo sob Vigilância " da Wikileaks revela, até ao pormenor, as empresas que estão fazendo milhares de milhões na venda de sistemas refinados de vigilância para os governos, ignorando as leis de exportação e ignorando de forma sobranceira que os regimes a quem vendem são ditaduras que não respeitam os direitos humanos.
 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Como funciona a mente de um bêbado

Venham todos

Venham vocês seus existências de vinhoespumante, gincrepitante, bebidaesbanjada! Venham seus malditos, tourinos, carrancudos, queixadas-de-porco, cérebros-insignificantes, olhos-de-doninha, faroleiros, alarmes falsos e bagagem excessiva! Venham seus fragmentos triplos da infâmia. p. 490-491
 
JOYCE, James. Ulisses. Tradução de Bernardina da Silveira Pinheiro. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007. 912 p. ISBN: 978-85-60281-07-7

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Arquivos Malucos

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