Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. (Padre Antônio Vieira)

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Linceu, O Vigia

Intro

A ver destinado,
À torre preposto,
Vigia jurado,
O mundo é meu gosto.

Contemplo distante
E próximo observo
O luar no levante,
[...] a ave e o cervo.

Assim vejo em tudo
Beleza sem fim,
E como me agrada,
Agrado-me a mim.

Felizes meus olhos,
O que heis percebido,
Lá seja o que for,
Tão belo tem sido!


(versos)

Mas nem sempre para o gozo
Velo o mundo desta altura;
Com que horror mais espantoso
Me confronto na negrura!

Chispas vejo que faíscam
Pelas tílias, lá, na treva,
Raios fúlgidos coriscam,
Que o ar atiça e à roda leva.

Ah, no bosque a casa arde,
Que em musgo úmido se erguia;
Urge auxílio! ah, que não tardo!
Esperança vã, baldia!

O parzinho venerando,
Sempre ao fogo tão atento,
Preso em fumo e em brasa arfando!
Que agonia, que tormento!

Fulge a choça em luz purpúrea;
Dentro do atro entulho externo;
Salvam-se esses bons da fúria
Do tremendo, ardente inferno!

Letra musicada da obra:
GOETHE, Johann Wolfgang von. Fausto. Tradução de Janny Klabin Segall. Belo Horizonte: Itatiaia, 1997. p. 426-427. (Grandes obras da cultura universal, 3)

Arranjo: F. Foresti; L. Manzoni; D. Scopel; Fabiano Foresti
Banda Desclassificados

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