Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. (Padre Antônio Vieira)

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

HOCK, Dee. Nascimento da era caórdica

HOCK, Dee. Nascimento da era caórdica. Tradução de Carlos A. L. Salum e Ana Lucia Franco. São Paulo: Cultrix, 1999. 295 p.



Em épocas como esta, não é um fracasso deixar de realizar tudo o que podemos sonhar - fracasso é deixar de sonhar tudo o que podemos realizar. p. 15


A criação de uma organização [...] se inicia com uma intensa busca pelo

Propósito/Princípios/Pessoas/Conceito/Estrutura/Prática. p. 19


[...] propósito é uma afirmação de intenções claras e simples, que identifica e une a comunidade como algo que vale a pena buscar. É mais do que queremos realizar. É uma expressão inequívoca do que as pessoas querem se tornar. Deve falar a elas de maneira tão poderosa que todas digam com convicção: "Se nós pudéssemos fazer isso, minha vida teria significado." Obter lucro não é um propósito. Pode ser um objetivo, pode ser uma necessidade, pode ser uma gratificação, mas não é um propósito! p. 19-20


[...] princípio é uma aspiração da comunidade no âmbito do comportamento, uma afirmação [...] de uma crença fundamental sobre como o todo e todas as partes pretendem se conduzir na busca do propósito. Um princípio é um preceito pelo qual todas as estruturas, decisões, ações e resultados serão julgados. Um princípio sempre tem conteúdo ético e moral. Ele nunca prescreve a estrutura nem o comportamento: ele só os descreve. p. 20


[...] é improvável que as formas existentes de organização permitam que as pessoas atinjam os propósitos de acordo com seus princípios. Algo novo deve ser imaginado, um novo conceito de organização. p. 22


Conceito é uma visualização das relações entre todas as pessoas que lhes permita buscar o propósito de acordo com seus princípios. Um conceito organizacional é a percepção de uma estrutura que todos consideram eqüitativa, justa e eficiente. p. 22


Cada fase desse processo ilumina todas as fases precedentes e subsequentes, permitindo que cada uma delas seja constantemente revisada e melhorada. p. 22


É impossível descrever como é difícil imaginar todas as permutações e possibilidades de relações humanas que surgem quando se aceita o fato de que as organizações existem apenas na mente [...] sair da antiga casa de ovo para ficar molhado e tremendo num novo mundo de possibilidades é apavorante. Especialmente porque voltar para dentro é claramente uma opção. Descobertas incríveis se dão quando se percebe que qualquer conceito de relações que se imagine pode ser codificado, passando a existir legalmente. p. 22


Estrutura é a materialização de propósito, princípios, pessoas e conceito num documento escrito capaz de criar realidade legal. p. 23


Um propósito ampliado e enriquecido vai ampliar e enriquecer em conceito uma espiral ascendente cada vez mais ampla de complexidade, diversidade, criatividade e harmonia – a evolução para usar o termo certo. E o lucro? Pela minha experiência, o lucro se transforma num cachorro que late, pedindo para entrar. p. 25


A vida não é conseguir, não é ter, não é saber, não é nem mesmo ser. Vida é um eterno vir-a-ser ou não é nada. O vir-a-ser não é algo a ser conhecido ou controlado. È uma odisséia magnífica e misteriosa a ser experimentada. p. 35


Só adianta ser idiota quando dá para mostrar. p. 54


O procedimento não é mais importante que os propósitos nem o método mais importante do que os resultados.


Os níveis mais altos de todas as organizações [...] são agora formados basicamente de uma elite cognitiva intercambiável, entrelaçada num complexo de apoio mútuo com imenso interesse na preservação das atuais formas hierárquicas de organização e na crescente concentração de poder e riqueza que elas inevitavelmente acarretam. p. 63


Pois a prosperidade revela antes o vício e a adversidade revela antes a virtude.

Sir Francis Bacon apud HOCK. p. 69


Um verdadeiro líder não pode ser obrigado e liderar e um verdadeiro seguido não pode ser obrigado a seguir [...] Os termos líder e seguidor envolvem liberdade e pensamento independente de ambas as partes. Se o comportamento é forçado [...] a relação passa a ser de superior/subordinado, administração/empregado, patrão/criado ou dono/escravo. p. 73


O comportamento forçado é a essência da tirania. O comportamento induzido é a essência da liderança. Os dois podem ter o mesmo objetivo, mas um tende para o mal, o outro para o bem. p. 74


Qual a maior responsabilidade de qualquer administrador? [...] A administração está sempre relacionada ao exercício da autoridade. [...] Essa noção é equivocada. p. 74


A primeira e suprema responsabilidade de quem pretende administrar é administrar a si mesmo: integridade, caráter, ética, conhecimento, sabedoria, temperamento, palavras e atos. É uma tarefa complexa, interminável, incrivelmente difícil, muitas vezes evitada. A administração do eu é algo a que dedicamos pouco tempo e raramente dominamos, pois é muito mais difícil do que determinar e controlar o comportamento dos outros. p. 74


A Segunda responsabilidade é administrar os que têm responsabilidade sobre nós: patrões, supervisores, diretores, ad infinitum. [...] Precisamos do seu consentimento e apoio para nos deixar guiar pela convicção. p. 74


A terceira responsabilidade é administrar seus iguais [...] os iguais podem tornar a nossa vida um céu ou um inferno. p. 75


A Quarta responsabilidade é administrar os subordinados [...] basta selecionar pessoas decentes, apresentá-las ao conceito, induzi-las a praticá-lo e desfrutar o processo. Se aqueles sobre quem temos autoridade administram bem a si mesmos, nos administram, administram seus iguais e repetem o processo com aqueles que empregam, só resta lhes assegurar o reconhecimento e as recompensas que merecem. E deixá-los em paz. p. 75


Surge então a pergunta óbvia. Como administrar os superiores? A resposta é igualmente óbvia. Não dá. Mas dá para entendê-los? [...] Persuadi-los? [...] Motivá-los? [...] Inquietá-los, influenciá-los, perdoá-los? [...] lhes dar um exemplo? A palavra certa vai acabar surgindo. p. 75


Lidere a si mesmo, seus superiores, seus iguais, empregue boas pessoas e deixe-as livre para fazer o mesmo. O resto é trivialidade. p. 75


O sucesso incentiva, aumenta a confiança e é agradável, mas ensina uma lição insidiosa, eleva demais a opinião que temos de nós mesmos. É do fracasso que geralmente vem o desenvolvimento e o mérito, contanto que sejamos capazes de reconhecê-lo, de admiti-lo, de aprender com ele, de nos elevar acima dele e de tentar de novo. Não há motivo para desanimar com as falhas [...] a alegria e a satisfação estão na busca de um objetivo, não em sua realização. p. 76


Dá para aprender muito com o que as pessoas dizem, mas mais é revelado com o que elas não dizem. Ouça com o mesmo cuidado o silêncio e o som. p. 87


Chegar ao acordo é um processo contínuo, tão vivo quanto as pessoas envolvidas. Não admite certeza nem eternidade, especialmente nos detalhes A relação [...] é tão complexa que não permite qualquer acordo além do intento, da direção e dos princípios de conduta. Isso revela outros elementos essenciais do acordo. Tolerância e confiança. [...] nenhum acordo pode prever todos os detalhes e os detalhes nunca vão corresponder ao acordo, no entanto [...] a sociedade foi organizada para tentar criar a certeza e a conformidade. p. 92


A vida nunca vai entregar seus segredos a uma fita métrica. p. 116


Compreender exige domínio de quatro maneiras de ver as coisas – como foram, como são, como podem ser e como devem ser. p. 117


Dominar essas quatro perspectivas e sintetizá-las num conceito de um futuro pacífico e construtivo é o verdadeiro trabalho do gênio que se esconde em todos nós. p. 130


São milhões de instituições, de todos os tamanhos e descrições, aceitas com a naturalidade com que aceitamos as estações, Mas as instituições podem nos aviltar, prejudicar e destruir de maneira infalível e caprichosa [...] e o fazem com instrumentos tecnológicos, psicológicos e econômicos. p. 117


As instituições não são uma lei da natureza [...] na longa curva da história elas são, com todo o seu tamanho e complexidade, recém nascidas, primitivas, aberrantes e geralmente incivilizadas. As pessoas não são criaturas das instituições, as instituições são criações das pessoas, mas parecem cada vez mais fora de controle [...] vivemos suportando seus abusos, mas será que compreendemos a natureza intrínseca da besta institucional? p. 118


Não muito bem. O problema vem de um hábito universal : ver as instituições como realidades físicas palpáveis, como um prédio ou uma máquina [...] p. 118


Exercício para os teimosos:


Com certeza você já a viu. De que cor é? De que cheiro? Qual o gosto? É quente ou fria? Dá para perceber a empresa em que trabalha [...] por meio de algum dos sentidos? [...] a verdade é que uma empresa [...] não passa de uma idéia. p. 118


O sucesso de uma organização tem muito mais relação com a clareza do propósito compartilhado, com princípios comuns e com a força da crença nesse propósito e nesses princípios do que com dinheiro [...] quando uma organização perde sua visão, seus princípios, seu senso de comunidade, seu significado e seus valores, já está em processo de decadência e dissolução [...] os negócios - como as pessoas - se extinguem [...] quando perdem o entusiasmo e a esperança em relação ao futuro. p. 119


Em algum lugar da percepção está a casa de espelhos da perspectiva. Ela distorce e descolore tudo o que sabemos, pensamos, acreditamos ou imaginamos. Assim, quando consideramos o futuro, são de suma importância as nossas referências, o nosso ponto de vista, o nosso modelo interior de realidade, ou seja, a perspectiva que a experiência implanta em cada um de nós. p. 131


[...]


Com a madeira das coisas que aprendemos, com o cascalho e o cimento da experiência, com os pregos da exterioridade que observamos e com o projeto que imaginamos, erigimos lentamente um edifício interno, nosso templo interior de realidade, enchendo-o aos poucos com a mobília dos hábitos, dos costumes, das preferências, das crenças e dos preconceitos. Sentimo-nos bem ali. É nosso santuário. Através de suas janelas, por menores e mais empenadas que sejam, vemos a sociedade e o mundo. Nosso modelo interior de realidade é a maneira de dar sentido ao mundo. Mas ele pode ser um lugar muito mal construído. E mesmo que seja magnificamente construído, pode ter ficado arcaico. Tudo o que deu origem a ele pode ter mudado. p. 131


Quando se torna necessário desenvolver uma nova percepção das coisas, um novo modelo interior de realidade, o problema nunca é fazer com que as novas idéias entrem, mas com que as velhas saiam. A mente está sempre cheia de mobília velha. É familiar. É confortável. [...] é só abrir espaço na mente, retirando antigas perspectivas, que as novas percepções entram correndo. No entanto, isso é o que mais tememos. p. 131-132


Nós somos os nossos conceitos, idéias e percepções. Abandonar qualquer parte do nosso modelo interior de realidade é pior do que perder um dedo ou um olho. p. 132


O que é um homem bom além de um professor de um homem mau? O que é um homem mau além de tarefa de um homem bom? Se você não compreende isso estará perdido, por mais inteligente que seja. Este é o grande segredo. LAO-TSE. p. 139


O céu é o propósito, o princípio e as pessoas. O purgatório é o papel e a norma. O inferno são as regras e o regulamento. p. 140


Até alguém dizer não e se recusar categoricamente a continuar falando no assunto, está na verdade em vias de dizer sim, só que não sabe. p. 143


As organizações socializam o custo e capitalizam os ganhos. p. 159


Informação é uma diferença que faz uma diferença.

Gregory Bateson. p. 184


O impossível não pode ser estabelecido por opiniões, mas somente pela tentativa. p. 187


Começos uma discussão intensa e inovadora. Havia um número mais que suficiente de pessoas entusiasmadas e leais, mas o "especialista" não estava entre elas. p. 189


As pessoas descobriram quer receber decorre inexoravelmente de dar [...] as poucas pessoas que não conseguiram se ajustar à diversidade, complexidade e incerteza foram embora [...] Ninguém articulou o que estava acontecendo. Ninguém registrou. Ninguém mediu. Mas todo mundo sentiu, compreendeu e amou. p. 191


Capacidade de receber, Utilizar, Armazenar, Transformar e Transmitir informação = CRUATTI, quanto maior, mais diversa e complexa é a entidade. Talvez seja um princípio fundamental da evolução. p. 192


Apertem os cintos, a turbulência mal começou. A menos que a evolução tenha modificado radicalmente os seus métodos, estamos diante de uma explosão de diversidade e complexidade societária centenas de vezes maior do que a que estamos vivendo ou que podemos imaginar. Quem pensa em perpetuar as velhas maneiras, que procure lembrar da última vez que a evolução telefonou para pedir licença. p. 195


O dedo que se move escreve, e tendo escrito prossegue. Nem toda a sua piedade e sabedoria vão fazê-lo voltar para cancelar meia linha, nem todas as suas lágrimas vão apagar uma palavra que seja. OMAR KHAYYAM. p. 197


O medo é um narcótico interior que paralisa a mente, o corpo e o espírito. O poder das coisas que tememos está apenas na nossa opinião sobre elas. p. 202


A raiva, a culpa, a condenação e todas as emoções negativas são alimentadas por reações equivalentes. Têm menor probabilidade de durar quando deparam coma indiferença e a calma. p. 203


O ruído se transforma em dados quando transcende o puramente sensual e tem padrão cognitivo, quando pode ser discernido e diferenciado pela mente.

Os dados, por sua vez, se transformam em informação quando são reunidos num todo coerente que possa ser relacionado a outras informações de maneira a acrescentar sentido [...]

A informação se transforma em conhecimento quando é integrada a outras informações numa forma que serve para decidir, agir ou compor um novo conhecimento.

O conhecimento se transforma em compreensão quando é relacionado a outro conhecimento de uma maneira que serve para conceber, antecipar, avaliar e julgar.

A compreensão se transforma em sabedoria quando é informada pelo propósito, pela ética, pelo princípio, pela lembrança do passado e pela projeção no futuro.

(HOCK, 1999, p. 204)


As sociedades nativas [...] tiveram tempo para desenvolver a compreensão e a sabedoria numa proporção muito elevado aos dados e informações. Talvez não soubessem muita coisa pelos padrões de hoje, mas compreendiam muito bem o que sabiam. Eram imensamente sábias com relação a informação que tinham, e essa informação era condicionada por uma proporção muito alta de valor espiritual. [...] Nossa sociedade, ao contrário, compreende muito pouco o que sabe. E tem ainda menor sabedoria em relação a informação que domina. p. 205-206


Liderança não é fazer bons julgamentos e agir com sabedoria quando se tem todos os dados, todos os fatos e todo conhecimento. Isso não é nem sequer administração. É escrituração. . Liderança é a capacidade de tomar decisões sábias e de agir com responsabilidade tendo apenas um claro senso de direção e valores corretos. p. 215


Os números não são valores e nem a medida de todas as coisas [...] todo conhecimento é uma aproximação. p. 216-217.


A mudança é o ladrão da identidade. Nunca temos certeza de nosso lugar ou valor numa nova ordem de coisas. p. 217


Quando o modelo interior de realidade está em conflito com a realidade exterior [...] há três maneiras fundamentais de reagir:

  1. nós nos agarramos ao velho modelo interior e tentamos impô-lo às condições externas;

  2. entregamo-nos à negação;

  3. tentamos compreender e modificar nosso modelo interior de realidade. p. 217


Diante de situações difíceis, sempre tive o hábito de recuar para depois abordá-la de maneira bem-humorada e pouco ortodoxa. p. 222


O dinheiro não motiva as melhores pessoas e nem o melhor nas pessoas. Ele consegue mexer com o corpo e influenciar a mente, mas não consegue tocar o coração nem mexer com o espírito. p. 230


A vida é um contrato sagrado entre os mortos, os vivos e os não-nascidos. p. 235


As pessoas devem realizar as coisas no próprio ritmo, da própria maneira, pelas próprias razões, ou nunca realizarão nada de verdade. p. 236


Não dá para fazer cócegas em si mesmo. Este é um ato social. p. 255


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